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terça-feira, 3 de agosto de 2021

'Lagos subterrâneos' em Marte podem não ter água, apontam cientistas

 


Um novo estudo muda o que se acreditava anteriormente serem lagos subterrâneos de Marte, que poderiam abrigar vida.

As manchas brilhantes detectadas por radar sob o polo sul de Marte podem não ser lagos subterrâneos, mas sim depósitos de argila, segundo um estudo publicado na revista Geophysical Research Letters.

Durante décadas, a comunidade científica suspeitou que, tal como na Terra, existiria água sob as calotas de gelo de Marte. Em 2018, os pesquisadores encontraram evidências de um lago subterrâneo, localizado na calota polar sul do Planeta Vermelho. De acordo com o portal Live Science, em 2020 eles encontraram evidências de vários lagos altamente salgados na região.

Se estes lagos são sinais de que a água já existiu na superfície marciana, estes reservatórios poderiam ter abrigado vida em algum momento, ou mesmo ainda hoje, acreditavam os cientistas até agora.

No entanto, Isaac Smith, um cientista planetário da Universidade de York, Canadá, acredita que seria necessária alta temperatura e grande quantidade de sal para formar e manter água líquida neste ponto em Marte, dado o que se sabe atualmente sobre o planeta.

A equipe de Smith afirma que as manchas nas imagens do radar, que se julgavam ser lagos subterrâneos, poderiam na verdade ser produzidos por minerais argilosos na região polar sul de Marte.

"Na comunidade que estuda Marte tem havido ceticismo sobre a interpretação do lago, mas ninguém havia oferecido uma alternativa realmente plausível. Por isso, é emocionante poder mostrar que algo mais pode explicar as observações do radar e demonstrar que o material está presente onde ele deveria estar", disse Smith.

Os cientistas acreditam que as manchas do radar foram causadas por smectites, um tipo de argila que se forma quando rochas vulcânicas envelhecidas sofrem pequenas alterações químicas após interagir com a água. Estes minerais são extremamente abundantes em Marte, e se concentram principalmente nas terras altas do sul do planeta.

Como parte de seu estudo, os pesquisadores resfriaram as esmectites no laboratório a -43 ºC, a temperatura que pode ser encontrada em Marte. Sua experiência revelou que, mesmo quando misturadas com outros materiais, estas argilas poderiam gerar o tipo de manchas de radar como as detectadas em pesquisas anteriores.

"Gostaria de repetir as medições a temperaturas ainda mais baixas, e com um conjunto mais diversificado de argilas. Existem outros tipos de argilas encontradas em Marte que eu suspeito que também podem fazer esses reflexos e seria bom acompanhá-los", acrescentou Smith.

O cientista sublinha que "a ciência é um processo", e que "mostrar que outro material além da água líquida pode causar as observações do radar não significa que foi um erro publicar os primeiros resultados em 2018".

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Blocos flutuantes podem indicar que Vênus está geologicamente ativo

 


Uma equipe internacional de cientistas descobriu que a superfície de Vênus possui um manto gelatinoso, com pedaços sólidos de crosta flutuando e se movimentando como blocos de gelo.

Para os especialistas, esta atividade fornece possíveis indicações sobre a origem da Terra e de outros planetas, contrariando a teoria de que o planeta seria um bloco sólido como a Lua.

De acordo com estudo publicado na revista PNAS (publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos), os cientistas encontraram lugares onde pedaços de crosta deslizam e giram como "blocos de gelo" no mar.

O movimento destes blocos pode indicar que Vênus ainda é um planeta geologicamente ativo, ajudando a entender a atividade tectônica nos primórdios da Terra e de outros planetas.

"As placas tectônicas na Terra são impulsionadas por convecção do manto. O manto é quente ou frio em diferentes locais e se move, e alguns destes movimentos são transferidos para a superfície sob a forma de movimentos das placas", explica Paul Byrne, professor na Universidade da Carolina do Norte e líder do estudo.

O investigador também afirmou que "o fluxo de calor do interior da Terra jovem era até três vezes superior ao de hoje, pelo que a sua litosfera pode ter sido semelhante ao que vemos atualmente em Vênus: não espessa o suficiente para formar placas em subducção, mas espessa o suficiente para se fragmentar em blocos que se movimentam e balançam".

Enquanto isso, há três novas missões da NASA e da Agência Espacial Europeia em andamento para estudar Vênus, que provavelmente fornecerão mais dados para a nossa compreensão do planeta.

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sexta-feira, 21 de maio de 2021

Padrão misterioso sugere que exoplanetas podem estar encolhendo de tamanho

 


Até hoje, foi confirmada a existência de cerca de quatro mil exoplanetas orbitando ao redor de outras estrelas dentro da Via Láctea, bem como a identificação dos mesmos.

Dentro desta população planetária, no entanto, emergiu um padrão curioso: existem pouquíssimos exoplanetas com um tamanho de 1,5 a duas vezes superior ao da Terra orbitando em volta de suas estrelas, esse fenômeno é conhecido como lacuna de raio de pequenos planetas, explica a Science Alert.

Ante tais observações, surgem várias questões, tais como para onde foram esses planetas, e se alguma vez chegaram a existir. Uma resposta para as últimas, após vários estudos, observações e modelagens, sugere que esses exoplanetas existiram, mas que ao longo dos vários bilhões de anos, foram encolhendo de tamanho.

"O ponto principal é que os planetas não são as esferas rochosas e gasosas estáticas que nós muitas vezes pensamos que são", disse Trevor David, astrofísico do Instituto Flatiron de Nova York, cujo estudo foi publicado no The Astronomical Journal.

David e a sua equipe estudaram o fenômeno em análise através das idades dos exoplanetas que, por sua vez, se formam ao mesmo tempo que suas estrelas. A equipe selecionou vários corpos celestes com menos de dez vezes o tamanho da Terra, registrados no California-Kepler Survey, um projeto que mede de forma precisa as propriedades dos exoplanetas e de suas estrelas.

Pintura do exoplaneta KELT-9b (um dos exoplanetas mais quentes do universo) que está localizado muito perto da sua estrela
© NASA . NASA/JPL-CALTECH
Pintura do exoplaneta KELT-9b (um dos exoplanetas mais quentes do universo) que está localizado muito perto da sua estrela

Sabendo das diferentes características dos exoplanetas, depois, os cientistas os dividiram em dois grupos: os mais jovens, com menos de dois bilhões de anos, e os de idade superior. Para contextualizar, vale lembrar que o Sistema Solar tem cerca de 4,6 bilhões de anos. Ante esta divisão, os pesquisadores encontraram um padrão interessante.

Ao longo de bilhões de anos, os corpos celestes em estudo diminuíram dramaticamente seu tamanho, muitas vezes por causa da perda de sua atmosfera, deixando apenas o seu núcleo rochoso. Ainda são desconhecidas as causas que levam a essa perda, porém, há duas teorias principais.

A primeira é chamada de fotoevaporação, na qual os cientistas pensam que a proximidade entre o planeta e sua estrela contribui para a evaporação da atmosfera planetária, devido à radiação estrelar. A segunda teoria consiste no arrefecimento do núcleo do planeta, do qual o calor escapa para a atmosfera, ajudando-a a se evaporar do astro.

Ambas as suposições ocorrem em diferentes intervalos de tempo, mas adequam-se às observações da equipe. No entanto, mais análises precisam ser conduzidas para determinar o que está, de fato, contribuindo para o encolher dos exoplanetas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Descobertas na Cisjordânia podem revelar local do antigo Tabernáculo

 


Uma equipe de arqueólogos dos EUA descobriu na Cisjordânia uma série de artefatos que indicariam o local onde se encontrava o santuário Tabernáculo, antes de desaparecer em 1050 a.C.

O Tabernáculo era um santuário móvel construído pelos judeus sob as instruções de Moisés. Em seu interior abrigava a Arca da Aliança, um cofre de madeira coberto de ouro. De acordo com a tradição judaica, ele foi projetado e criado por ordem divina para guardar os dez mandamentos. De acordo com a Bíblia hebraica, o Tabernáculo era a habitação terrestre de Deus entre os filhos de Israel.

Acredita-se que o Tabernáculo tenha sido destruído pelos filisteus em 1050 a.C., quando roubaram a Arca da Aliança dos judeus.

Segundo a Bíblia, o templo se situava em Silo, uma antiga cidade que precedeu Jerusalém durante 369 anos, desde a época em que o Sumo Sacerdote Eli morreu até o roubo da Arca.



Bíblia (arquivo)

Várias passagens de livros canônicos indicam que no santuário interior, também conhecido como o Sanctasanctorum, havia um véu sustentado por quatro colunas. Esta instalação estava rodeada por um pátio externo e um muro. O Tabernáculo abrigava também uma mesa e um altar de ouro com incenso.

Agora, a equipe descobriu uma zona retangular situada perto do topo de uma colina. Esta área é suficientemente grande para abrigar o pátio do santuário, assegura Tom Meyer, professor de estudos bíblicos no Colégio Bíblico e Escola de Pós-graduação Shasta, na Califórnia.

Além disso, os arqueólogos encontraram pequenas cavidades escavadas na rocha que podem ter sido buracos usados para segurar as colunas de madeira na parte externa do santuário.

"Os arqueólogos também descobriram aproximadamente três chifres de pedra que decoravam três dos quatro cantos do altar localizado no pátio do Tabernáculo", explicou Meyer, citado pelo tabloide britânico Express.

Meyer considera que todas estas pistas "se encaixam perfeitamente" como as peças de um quebra-cabeças.

Agora, os cientistas podem observar o local exato onde se encontrava o santuário há aproximadamente 3.400 anos, antes de ser destruído.

"A cidade de Silo, localizada no coração da região montanhosa bíblica, foi a primeira capital de Israel pouco depois da conquista de Canaã, em torno de 1400 a.C. A cidade era o centro cultural, religioso e político da nação. Por isso, foi aqui que Israel instalou o Tabernáculo", resumiu.

As mais vistas da semana

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Encontradas partículas nunca antes vistas que podem ser fonte de inexplicáveis emissões de raios X

 


Físicos sugerem que partículas nunca antes observadas chamadas áxions podem ser a fonte de inexplicáveis emissões de raios X de alta energia ao redor de grupo de estrelas de nêutrons.

O novo estudo do Laboratório Nacional de Lawrence Berkeley (USA), publicado na revista Physical Review, sugeriu que as partículas de áxions ainda não observadas podem ser a origem de uma emissão de raios X de alta energia girando em torno de um grupo de estrelas de nêutrons.

Áxions são teoricamente criados nos núcleos de estrelas e se transformam em partículas de luz chamados fótons sob a influência de campos magnéticos. As entidades hipotéticas de áxions podem ser a matéria escura, uma substância ilusiva responsável por até 85% do Universo.

Anteriormente, os cientistas apenas observaram a influência gravitacional dos áxions sob a matéria comum, e mesmo que o excesso de raios X não estiver ligado aos áxions ou à matéria escura, a investigação ainda pode resultar em uma nova física.

O Magnífico Sete, nome informal de um grupo de estrelas de nêutrons resfriadas isoladas, é um polígono ideal para testar a possível presença de áxions, dado que as estrelas deste tipo possuem campos magnéticos fortes, localizados bem próximos, dentro dos limites de centenas de anos-luz.

As estrelas do Magnífico Sete eram esperadas de produzir apenas raios X de baixa energia e de baixa luz ultravioleta, segundo dr. Benjamin Safdi, cientista do Laboratório Nacional de Lawrence Berkeley.

Se fossem pulsares de estrelas de nêutrons, teriam uma superfície ativa emitindo radiação com diferentes comprimentos de onda. Esta radiação teria sido detectada em todo o espectro eletromagnético, abafando a assinatura do raio X descoberto.

No entanto, a teoria do pulsar foi descartada, dado que nenhum sinal de rádio foi detectado perto do Magnífico Sete, enquanto outras explicações astronômicas não responderam ao que foi observado.



Estrela de nêutron

Qualquer coisa que se escondia por trás das estrelas de nêutrons também foi desconsiderada, pois foram detectadas pelos telescópios espaciais XMM-Newton da Agência Espacial Europeia (ESA) e Chandra da NASA.

Embora continue a ser possível considerar que explicações que não partem dos áxions poderiam ser responsáveis pelo excesso de raios X observados, dr. Safdi e outros pesquisadores continuam esperançosos de que tal explicação não faz parte do Modelo Padrão da física de partículas.

Os pesquisadores consideram que os experimentos terrestres e espaciais podem confirmar a origem do sinal de raios X de alta energia.

"Estamos bastante confiantes que este excesso existe e estamos muito otimistas de que há algo novo entre este excesso", disse dr. Safdi. "Se tivéssemos 100% de certeza que o que estamos vendo é uma partícula nova, isso seria enorme. Isso seria uma revolução na física."

"Não estamos dizendo que fizemos a descoberta do áxion ainda, mas dizemos que os fótons de raios X extras podem ser explicados por áxions", afirmou Raymond Co, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de Minnesota (EUA).

"É uma descoberta empolgante do excesso de fótons de raios X e é uma possibilidade empolgante que já é consistente com nossa interpretação dos áxions", segundo informou Raymond Co.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Buracos negros podem explicar origem da matéria escura e da formação do Universo, dizem cientistas

 


A pesquisa indica que a percepção dos buracos negros pode diferir na medida em que pode haver um universo em expansão dentro deles, mas que é visto como buraco negro de fora.

A elusiva matéria escura, que compõe a maior parte da matéria do Universo, pode ser composta por buracos negros dos primórdios (PBH, na sigla em inglês) do Universo, teorizam cientistas do Instituto Kavli de Física e Matemática do Universo, Japão.

De acordo com o estudo publicado na revista Physical Review Letters, o processo poderia ter originado "universos bebês" durante o período inicial de expansão do Universo, que criou as galáxias e seus respectivos aglomerados. Um dos "universos bebês" entraria em colapso mais tarde ou mais cedo, mas a grande quantidade de energia liberada no pequeno volume provoca a formação de um buraco negro.

Um processo mais bizarro ainda ocorre com "universos bebês" grandes a partir do momento em que supera um tamanho crítico, algo que a equipe observou com a câmera digital Hyper Suprime-Cam (HSC, na sigla em inglês) do Telescópio Subaru de 8,2 metros.

Segundo a teoria da gravidade de Einstein, esse universo pode existir em um estado que no exterior parece diferente do que no interior. De dentro é possível ver um universo em expansão, enquanto de fora se vê um buraco negro.

Em ambos os casos, o grande e o pequeno universos bebês são vistos por nós como PBH, que escondem a estrutura subjacente de múltiplos universos por trás de seus "horizontes de eventos". O horizonte de eventos é um limite abaixo do qual tudo, mesmo a luz, está preso e não pode escapar do buraco negro.

Os pesquisadores observaram a galáxia Andrômeda, que podia ser gravada pela HSC a cada poucos minutos. A passagem do buraco negro era notada pela forma com os raios de luz ultravioleta eram dobrados, tornando a galáxia mais próxima de nós mais brilhante por um curto período de tempo, o que permitiu estimar a massa do buraco negro, que foi calculada como sendo semelhante à da Lua.

Assim, os pesquisadores creem que se trata de um bom candidato a PBH alinhado com a teoria de múltiplos universos.

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