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segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Povo cigano tem encanto, beleza e magia!





Diversos pesquisadores, entre eles Charles G. Leland e Raymond Buckland, já estudaram as magias e encantamentos utilizados por esse povo. Eles têm uma grande conexão com antigos rituais em que entram em estado de transe, utilizando esse procedimento para atingir seus objetivos. E o fazem sem deixar de lado sua devoção ao catolicismo, exaltado por vários ciganos e que muitas tribos do leste europeu usaram como pretexto para suas peregrinações durante os séculos XVI e XVII.

Há muito tempo que os ciganos vêem e usam as energias místicas naturais para atingir seus objetivos, mas sem cair no estabelecimento de uma religião sexista, pois os ciganos são, antes de tudo, unidos por sua sabedoria e tradição. Em várias magias ocorre a invocação das forças naturais como os elementais (ar, água, fogo, terra) usadas para os mais diversos fins. Isso é mostrado por Leland em vários encantamentos nos quais não só as forças dos elementos, mas dos rios e paragens, são utilizados pelos ciganos para curar queimaduras de criança ou para achar coisas perdidas e roubadas. Além, é claro, das simpatias e amuletos ciganos, comentado, nos livros de Buckland e Pierre Derlon.

Para o "povo da estrada", a própria Terra é um lugar sagrado e mágico, contudo distante das visões do teo-matriarcalismo wiccano. Observando o mundo à sua volta e unindo a sabedoria dos seus anciãos, eles aprenderam a ler a sorte e conhecer o futuro nas mãos e no rosto das pessoas, e ganharam notoriedade fazendo isso, principalmente pelos acertos que obtêm. Para eles, esse é um dom natural que remete às antigas artes védicas da quiromancia e fisiognomonia.

A magia é algo que não é para ser aprendido pelo cigano, mas faz parte do seu dia-a-dia. Desde o ar que respira à sua comida, da água que sacia a sede aos animais que o acompanham em sua jornada pelas várias estradas em que segue a sua eterna peregrinação, tudo é magia. E algumas vezes determinados eventos levam ao surgimento de pessoas que se sobressaem: as bruxas e feiticeiros ciganos. Todo cigano que se preze sabe um pouco da magia de seu povo, e entre os ciganos obviamente existem aqueles que nascem com determinados dons, revelados por meio de marcas no corpo e por meio de certas coincidências na vida dessa pessoa. Quando isso ocorre, ela é preparada para assumir as responsabilidades que fazem parte do seu destino.

As mulheres são conhecidas em alguns grupos como sh'uvanis, e os homens como kakus. São pessoas especiais que têm, entre os vários dons que possuem, a capacidade de prever o futuro e de curar doenças para as quais a medicina não encontra respostas. É a eles que os ciganos recorrem quando precisam de aconselhamento, uma vez que, segundo suas crenças, essas pessoas especiais estão em contato direto com “A Fonte”. Apesar da profunda crença nas forças mágicas e nas leis espirituais, o povo cigano é um profundo conhecedor e devoto dos santos católicos, aos quais dedicam uma atenção especial. Mas nada é tão especial e mágico para um cigano como o culto a Sara Kali.

A mulher cigana precisa estar sempre energizada, então anda descalça para ter maior contato com a terra e, assim, fortalecer o seu corpo. A mulher é considerada o alicerce da família e sua responsabilidade aumenta mais quando tem um filho. Não ser mãe é um pecado quase que mortal para a mulher cigana.

Os ciganos preservam e usam muito os quatro elementos fundamentais da natureza – Terra, Fogo, Água e Ar – nos seus rituais. Para eles, o Fogo é muito importante, porque queima a negatividade e ilumina a positividade. Um objeto que concentra os quatro elementos e que é muito usado por este povo é a vela. A Água e a Terra são representadas pela cera e o pavio. O Fogo é a chama e o Ar (oxigênio) a mantém viva (acesa).

Além da Quiromancia (leitura das mãos), as ciganas podem exercitar a vidência através de vários objetos como pedras, moedas, borra de café, copo d’água, bola de cristal, jogos de carta e Tarô. Os ciganos acreditam que Belkarrana (deuses) os colocou no mundo para praticar o dom da adivinhação com a finalidade de ajudar seus semelhantes. Mas são as ciganas que mais exercem esse privilégio. Aos sete anos, elas aprendem a ler a sorte e depois de mais de sete anos seguidos, elas saem às ruas para atender as pessoas. As ciganas transmitem energia pelo olhar e recebem a mensagem das pessoas pelo olho místico, que se encontra localizado no meio da testa e na palma da mão. Esse dom da adivinhação não é usado somente para prever o futuro, como também para detectar algum problema de saúde. Para manter esse dom, a mulher cigana não deve nunca cortas os cabelos porque,ao faze-lo, terá sua força energética diminuída.

No casamento são usados os mesmos símbolos do noivado: os dois punhais, o lenço vermelho, vinho, pão, sal e uma taça de cristal. O vinho é para garantir a alegria permanente do casal, o pão e o sal representam a união, a taça de cristal é para que a harmonia se mantenha presente e o punhal serve para a comunhão do sangue.

No acampamento tudo é agitação... os homens montam a fogueira, preparam o vinho e afinam seus violinos e acordeons. As mulheres enfeitam as mesas, carroções, preparam suas roupas, pandeiros, fitas, lenços... No ar, o delicioso aroma de suas receitas especiais espalha por todo lado o cheiro de festa. A noite será longa... os ciganos se reúnem mais uma vez, para comemorar... a vida!!!"

A tradição cigana é cheia de mistérios e um dos mais facilmente reconhecido é o mistério da dança, que junto com a música desse povo...Enfeitiça... A dança para os ciganos é uma forma de liberar as emoções interiores, de dar vazão aos sentimentos e intimas necessidades através de movimentos corporais. Ou porque esta feliz e quer festejar, brincar e se divertir, ou porque esta querendo agradar e agradecer aos deuses.

O bater das castanholas, do som das palmas que espantam a negatividade. Este é o verdadeiro dançar da alma. O homem quando dança com as mulheres apenas reforça, com a sua presença as figuras femininas, pois é uma proteção para elas. Os ciganos dançam nas festas, a dança é livre, sem regras. Cada um se diverte como quer, nunca se esquecendo o recato, os limites entre homens e mulheres.

Brincos e pulseiras a tilintar, saias coloridas e pés descalços a rodopiar, mão em volteios estonteantes como o brilho nos olhos da cigana...Cena que contagia a todos, e nesse momento, a magia é tão presente que tudo parece parar para reverenciar a vida que pulsa forte em cada acorde de música...Não há tempo nem espaço, há apenas, à vontade de dançar... É a alegria do reencontro. A força, a espontaneidade e a alegria, aquela capacidade única dos ciganos de transformar as adversidades da vida numa energia profunda, numa experiência autêntica e libertadora reequilibrando as forças numa consciência interior mais forte e cúmplice é tão só expressada numa dança, beleza, ritimo, magia e encanto quase que libidinosamente excitante!

Os movimentos observados na dança cigana são resultantes da sua influência indiana, onde o girar das mãos, a inclinação da cabeça e a postura ereta chamam atenção. Os movimentos são baseados da cintura para cima, meneios de ombros, inclinação da cabeça, giro de punhos e mãos, postura ereta, braços à frente do corpo ou acima da cabeça e movimentos que completem sempre círculos (para os ciganos a vida é um ciclo). A dança como forma de oração por si só, se basta. É importante dizer que como trabalhamos o tempo todo com as energias da natureza e a nossa própria, devemos respeitar seus significados e ter responsabilidade com que o que pedimos e queremos representar, pois a dança cigana é um ritual, assim seus pedidos podem ser atendidos.

Dizem o antigos, que os ciganos dançam para atingir o êxtase do fluido energético que os levam de encontro com a verdadeira essência da Deusa e do Deus interior e superior. Por isso, dificilmente, os ciganos fazem coreografias; dançam soltos e livres, colocando em cada movimento suas emoções. A graça está em cada pessoa ouvir a voz do seu coração e permitir que se conduza levemente, tranqüilamente, pois só dessa maneira, consegue sentir sua alma. A dança é a magia, e a alegria de nosso povo, o mistério através dos passos e movimentos que saúdam, invocam e fazem Fluir a mais bela e elevada vibração energética!

Para o cigano, os movimentos de braços e de mãos descrevem os sentimentos mais profundos em relação a cada tema executado. Conforme o sentimento a ser passado pela dança interpretada, as mãos e os braços desenham coreograficamente símbolos que traduzem cada emoção implícita no estilo, executado. Como por exemplo: a rotação de mãos para fora traduzem a doação da energia interior transmitida à terra, a outrem e ao cosmo. Quando a rotação é realizada para dentro, traduzem o recebimento ou à busca da energia vinda da terra, de outrem ou do mundo divino. Os movimentos circulares traduzem em sua maioria, as energias ou sentimentos em movimento, em ação contínua. Os movimentos mais retos simbolizam em sua maioria, as ações diretas ou finalizadas.

A dança cigana caracteriza a ligação e a comunhão do Homem com o Divino. Expressam os sentimentos mais profundos para com os seus e para com o mundo considerado sagrado. Dentre os ritos de maior importância, temos: Culto aos Antepassados, Slavas, Casamentos, batizados e outros. É importante sabermos que pela intimidade em que se caracteriza o Culto aos Antepassados, essa categoria não é levada à cena a não ser de forma estritamente estilizada, assim como alguns outros estilos pertencentes a essa categoria. Sendo interpretadas com autenticidade somente nos lares ciganos, em festas consideradas íntimas.

Apesar dos ciganos não terem uma religião propriamente dita (como povo nômade, sempre absorveu os costumes dos povos visitados...) existe toda uma tradição de Mistérios entre nossas práticas. Muito se fala sobre os ciganos e pouquíssimo se conhece. Existe uma profunda correspondência entre o paganismo ocidental e a cultura cigana.

Uma vez por ano, ciganos de diversas partes do mundo se dirigem até Saintes-Maries-de-la-Mer, no sul da França, para homenagear Santa Sarah. Segundo a tradição, Sarah era uma cigana que vivia em uma pequena cidade à beira-mar quando a tia de Jesus, Maria Salomé, chegou ali com outros refugiados para escapar das perseguições romanas. Apesar de hoje existirem ciganos cristãos, a grande maioria ainda mantém o culto ao divino casal, Devel e Kali (respectivamente o deus e a deusa). Uma das manifestações dos deuses é Belkarrana, uma divindade andrógina, em romani significando deus bom. Mas como as primeiras caravanas ciganas entraram na Europa por volta do século XV, muitos de nossos costumes foram também camuflado. Um exemplo disse é o culto a "Santa" Sara Kali.

É fácil identificar Sarah como mais uma das muitas virgens negras que podem ser encontradas no mundo. Sara-la-Kali, diz a tradição, vinha de uma nobre linhagem e conhecia os segredos do mundo. Seria, no meu entender, mais uma das muitas manifestações do que chamam a Grande Mãe, a Deusa da Criação.

Leia mais sobre Umbanda   aqui


Carlinhos Lima - Astrólogo, Tarólogo e Pesquisador



sábado, 14 de maio de 2022

Alma Gêmea, estágio e os arcanos 6 do Tarô




Para haver uma escolha correta (Arcano 6) são necessário certas condições pois a escolha não é um ato isolado mas antes depende do Passado (Karma) e logicamente também condiciona o nosso Futuro. A liberdade de escolha de um modo geral leva nos ao problema do livre-arbítrio.

A tradição refere-se ao livre-arbítrio pessoal e consciente como também as suas consequências. Subjetivamente somos livres mas sujeitos aos condicionamentos do nosso Karma. O Karma atual é resultado das opções e decisões do Passado e com isso estreitamente ligado ao livre-arbítrio. No sentido objectivo a resposta relativamente a livre escolha é dada pelo conteúdo dos Arcanos de Ouro anteriores ao arcano 6.

A escolha é livre no sentido esotérico quando reflete a vontade superior (Eu verdadeiro). Ela é livre quando expressa uma profunda convicção e não um desejo pessoal e egoísta (os outros Eus inferiores).

No primeiro grau de Ouros eramos confrontados com a natureza e proveniência dos nossos desejos, no 6º grau tomamos controle sobre as nossas decisões a fim de permanecer livres das interferências inferiores. É necessário assumirmos de forma responsável todas as consequências das nossas ações sejam elas voluntárias ou não.

No 5º grau a qualidade da vontade evolutiva era compreendida como resultado do Passado, no 6º grau essa vontade deve ser assumida como fator criador do nosso Futuro. Na representação do Triângulo Místico de Fabre d´Olivet (ver Arcano Maior 3) em que o Binário - Vontade pessoal versus Karma é neutralizado para cima como Vontade Superior ou Providência, essa mesma neutralização a nível humano é manifestada através da voz da consciência.

Faz sentido designar o Ouros como corpo gêmeo pois trata-se do estágio mais denso e mais próximo do plano físico. O 6 de Copas realmente também se refere a fusão da alma mas trata-se de uma união transcendental. Um mestre de Copas realiza a união dos fluxos (ascendente e descendente da Vida transcendental) em si mesmo. Assim ele procura unir-se ao sofrimento do mundo e eleva-lo, mudando desta forma a Aura Terrestre.

O simbolismo deste estágio está presente na crucificação de Cristo e para que a substância do mundo possa ser mudada em todos os planos, as duas taças (a inferior eleva o sofrimento e a superior transmite a luz) devem fundir-se na alma do Iniciado. Não faz muito sentido elaborar mais o Arcano 6 de Copas sem termos passado pelos estágios anteriores e por isso não vou entrar em mais pormenores relativamente ao naipe de Copas. I

No mundo cristão o Mistério das Almas gêmeas se expressa através do matrimonio. O matrimonio apenas é real quando resulta na fusão das almas e não apenas numa cerimônia externa evocada pelos planos inferiores de cada um. A verdadeira fusão de duas pessoas realiza-se naturalmente no sentido interno por que externamente continuam separados. Contudo essa união resulta numa entidade nova e comum aos dois.

Essa entidade, ou num sentido mais lato egrégora existe verdadeiramente nos planos supra físicos. Trata-se do Andrógino criado pela fusão. Obviamente interessa nos saber onde e como encontrar a nossa alma gemeá. Não se trata de tarefa fácil pois é condicionada pelo Karma de cada um. Quando estudamos mapas astrais em sinastria reparamos que a maioria das pessoa estreitamente ligadas a nossa vida costumam ter muitos aspectos astrais positivos e/ou desafiadores.

O verdadeiro encontro entre duas almas por essa ordem de ideias se produz apenas quando for predestinado ou seja muito raramente. Segundo a cosmogenia dos Rosa Cruz a primeira humanidade continha em si as duas metades da mesma mônada, ou seja a união das almas gêmeas (num corpo físico) antes da queda da humanidade e consequente separação.

O Espiritualista deve, embora que se trate de um encontro raro e feliz, procurar conscientemente a união, meditar sobre ela e criar uma imagem mental magnetizando a com a sua vontade. Um caso particular dessa aplicação mental e volativa é o apelo mágico dirigido à alma ainda desconhecida.

O poder mágico desse apelo origina uma determinada vibração no Astral de carácter individual que provoca normalmente uma reação quase sempre incompreendida na alma da outra pessoa da mesma vibração astral estabelecendo assim um laço invisível entre os dois.

O ocultismo admite uma outra possibilidade que é a criação de um androginoide artificial. Se o operador for experiente e poderoso pode ajustar para si uma alma irmã incluindo lhe certas características psico anímicas. O andrógino criado tem características puramente ocultistas e não ultrapassa as fronteiras do plano da personalidade mundana, pois ninguém é capaz de criar uma união espiritual como acontece nas almas gêmeas de forma artificial.

No entanto a criação do androginato artificial engloba alguns perigos para o operador, porque ele toma sobre si o Karma da alma por ele transformada. Uma outra forma de androginato oculto é criado pela união harmoniosa entre duas pessoas de sexo oposto.

Tal andrógino é criado inconscientemente por ambos a partir dos planos inferiores enquanto o verdadeiro andrógino se origina no plano espiritual, no fato de pertencerem a mesma mônada , que naturalmente causa uma forte atracão de carácter supra racional e diferente da síntese harmoniosa das características pessoais.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Sobre o portal da Força! O arcano 11




Representação abstrata – Representa a capacidade de se confrontar com as próprias necessidades instintivas – sobretudo a agressão e a sexualidade –, utilizando o espírito e a inteligência como instrumentos. Ultrapassagem do ego no devotamento ao serviço dos semelhantes. Força orgânica, moral e espiritual; firmeza e harmonia na conduta; inteligência para lutar contra as forças bestiais da natureza; energia, vitalidade; autocontrole, espírito alerta; trabalho; ação; domínio do “eu” e do que está à volta, derrota dos baixos impulsos; união do sentimento e da razão; paciência, valentia, intrepidez, capacidade de compreensão diante dos reveses e contratempos; fé, poder espiritual, poder de direção; reconciliação com o inimigo (que pode estar em si mesmo); caráter vivo, domínio das paixões, poder de conquista, intuição. No sentido negativo: cólera, ira, impaciência, presunção, temeridade, natureza fraca, rudeza, grosseria, insensibilidade, furor, crueldade, derrota diante de impulsos indignos, supressão das necessidades instintivas por medo de afrontar as convenções, repressão. 

 Descrição da simbologia – O arcano 11 do tarô simboliza a luta da inteligência contra as forças bestiais da natureza. É figurado por uma jovem que, aparentemente sem esforço, doma um furioso leão, cujas mandíbulas mantém separadas. Wirth assinala, como detalhe de maior interesse nessa imagem, o fato de que a jovem não mata o leão, mas o aperta contra seu corpo. Isso significa que não se deve menosprezar o inferior, mas dominá-lo e utilizá-lo. Ou, como ensina a alquimia: não se deve – e a rigor nem é possível – destruir o vil, mas sim transmutá-lo no superior. A alegoria encerra, também, a noção de sexualidade: a goela aberta do leão situa-se à altura da vagina da jovem. Alusão zodiacal – Leo dominado por Virgo. Leão é o único signo do zodíaco em que o Sol se encontra em domicílio, em “força”. 

O arcano todo simboliza a força enquanto triunfo da inteligência sobre a brutalidade. Interpretações divinatórias – Carta clara e plena de alegria, é uma das melhores do tarô, embora a vitória só possa ser conseguida em conseqüência de uma grande vigilância. No plano mental, ao qual está perfeitamente adaptada, permite uma iniciativa certa e reta; clareza de julgamento, força de ação sobre os outros; ensino importante. Plano anímico: proteção e defesa contra qualquer dispersão; força oculta e magnetismo sexual sobre os outros, vocação reconhecida. No plano físico: poder de ação invencível dirigido a um objetivo; todas as possibilidades de se chegar ao que se quer; afetivamente, promete um encontro importante, carregado de magnetismo, uma nova direção à vida sentimental – ligação ou casamento. 

 A ideia base do Arcano é a força, sua graduação e subordinação segundo a lei Hierarquica. Quanto mais elevado for o plano, tanto mais real e poderoso é a força. Isso resulta em predomínio do mundo espiritual sobre o astral e deste sobre o físico. Quando o princípio espiritual é a base de existência do ser humano, sua força psíquica torna-se inesgotável, pois sua fonte é infinita. No entanto, a capacidade de receber e de transmitir essa força exige uma grande pureza, assim como uma aspiração constante e inabalável e, também, dedicação e harmonia interna. A relação do Arcano 11 com o Arcano 10 lembra a do Arcano 2 e Arcano 1. É a passagem do mundo do "não Eu". O Arcano 11 é uma nova fase de realização da força do primeiro Arcano, força que se afirmou gradualmente e se manifestou no mundo exterior. A vida refletida e passageira sob domínio astrológico de Marte.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

O caminho do Peregrino e as Espadas como desafio





A experiencia de cada naipe normalmente é vivida sob uma ou mais influencias adicionais de um ou outros naipes. Como já foi falado no início da peregrinação de Ouros, a experiência em cada naipe não é pura mas antes contêm uma infinidade de influencias compostas que expressam a individualidade humana. No entanto devemos ter em conta que nem toda a revolta sentida é resultado da experiência de Espadas, bem mais frequente é de se tratar de uma consequência de alguma desilusão na vida que provoca ceticismo e animosidade em nós. 

 O aspecto negativo de Espadas é fonte de muitos mitos religiosos como por exemplo a queda dos anjos no livro de Enoch, a revolta dos Asuras de Blavatsky, o sacrifício de Prometeu ou a tentação da serpente bíblica. A experiencia do negativo de Espadas, fortemente mental pretende desvendar o mistério da vida pelo intelecto e rejeita qualquer alegação de autoridade religiosa. É natural que essa abordagem limitadora está condenada a fracassar e o peregrino revoltado contra o princípio criador procura resolver o problema ao transformar gradualmente a sua situação através da busca da causa das causas, dos valores absolutos, em suma através da procura de Deus. Encontramos na tetralogia do Anel dos Nibelungos de R. Wagner um simbolismo expressivo e característico do aspecto negativo de Espadas, da luta incessante a procura do divino. Na lenda dos Nibelungos está patente o antagonismo dos princípios material e espiritual e da vida esotérica da alma humana (Siegfried). 

 Em determinada altura Siegfried luta pela imortalidade e pela sua união ao princípio divino (Brunhilde). Ele desobedece ao poder criativo (Wotan) ao destruir a lança de Wotan com a sua espada. O simbolismo aqui está na rejeição daquilo que tinha sido alcançado no estágio de Ouros para que o peregrino se possa unir com o seu Eu-superior. O peregrino deve avançar sozinho e independente de qualquer lei externa ou autoridade condutora seguindo apenas o seu critério interno e recusando qualquer limitação. Falamos do caminho da luta solitária pela escuridão em que o iniciado deve descobrir o rumo certo e avançar até a meta final. Ao atravessar o estágio de Espadas o peregrino rejeita tudo ao ponto de negar o próprio princípio da vida para finalmente nas últimas fases do seu desenvolvimento encontrar Deus dentro de si mesmo. 

 De forma progressiva ele se vê livre não só das ilusões do mundo e do Astral mas também do princípio que, nele próprio, negava tudo. Simbolicamente a passagem de Ouros para Espadas pode ser expressa como passagem de Aleph até Ghuimel (do nome divino AGLA). AGLA engloba os 4 graus que dividem os Arcanos Menores. Aleph busca Deus pelo desenvolvimento pessoal através de Ouros, Ghuimel busca divindade em si mesmo pela passagem através de Espadas, Lamed expressa a união com Deus e toda a Criação e é de Copas e finalmente a letra final Aleph que é a convergência de todos os caminhos em Paus. Por além da via filosófica ou negativa existe a chamada via mística ou positiva. A desilusão quase trágica do peregrino para com o mundo exterior e seus valores pela via negativa contrasta com a aspiração positiva do caminho místico de Espadas. 

 O Iniciado emparado pela fé profunda nos valores espirituais imutáveis não se deixa levar pelo desespero na sua procura pela verdade (isto já parece tarefa para Fox Mulder dos X-file). No caminho da fé o princípio pessoal é conscientemente desvalorizado por ser obstáculo principal entre o ser humano e Deus. O desenvolvimento marcante do estágio de Ouros torna-se alheio às Espadas místicas cujo maior esforço consiste na transferência do equilíbrio a nível pessoal para o suprapessoal. Ambas as vias (filosófico e místico) são trilhadas pela forte aspiração ao Alto, um profundo mistério individual, sem qualquer manifestação externa. 

 Os 2 caminhos de Espadas conduzem através da decomposição da forma antiga à criação de uma forma nova, a taça ou cálice, receptáculo para a força divina. No estágio de Espadas o peregrino afasta-se de qualquer autoridade que não esteja em conformidade com a sua própria existência interna. A experiencia de Espadas é a experiencia da solidão na qual se realiza o nascimento espiritual e construção do templo interno. Trata-se do reflexo do Logos Cósmico no microcosmo humano. A passagem de Ouros para Espadas em busca de algo que não se consegue encontrar nos dogmas estabelecidos implica um esforço considerável. 

 O peregrino deve escolher o seu próprio caminho na busca do seu Eu-interno, o que exige determinação, coragem e perseverança, pois quem se acomoda com as normas da vida religiosa externa não consegue ultrapassar o estágio de Ouros (não basta ir a missa ). A maior diferença entre a via filosófica (-) e a via mística (+) reside no entendimento da problemática do Mal e do sofrimento. Na via negativa o ser humano responsabiliza o Logos pelo problema, na via positiva ou caminho da fé o peregrino sente necessidade de remedir o mundo. 

 O sofrimento é aceite e o sacrifício é feito de boa vontade contribuindo assim tb para uma redução da carga cármica pessoal. O seguidor do caminho da fé embora que se tenha afastado do mundo não foge ao sofrimento e aceita o em nome da purificação do mundo. A figura do As de Espadas, de pé, e com a ponta virada para cima corresponde ao Reino ou Malkut do sistema das Sefiras. A representação tradicional de Espadas consiste numa cruz encimada por um triângulo ascendente agudo. O eixo vertical que divide o triângulo da lâmina em dois lados iguais prolonga-se até a ponta superior. O cabo de Espadas de braços iguais designa a cruz elementar. 

O eixo central indica a possibilidade da subida direta do plano físico (Malkut) ao plano espiritual (Kether). É desta forma que a imagem revela a essência do seu próprio naipe e alude aos modos de atravessa-lo. Por meio desta apresentação simbólica é nos explicado a forma como o peregrino se deve elevar no estágio de Espadas. Ele afasta-se cada vez mais da realidade de Ouros ou Cruz elementar que lhe era tão cara no estágio anterior. O eixo central na imagem de Espadas corresponde a coluna central da árvore das sefiras e indica a possibilidade da subida direta que conduz através das sefiras Yesod e Tiferet, isto é, através do mundo das formas e do mundo da criação ao cume da coluna Kether ou mundo espiritual superior.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

As figuras importantes do Tarô: Valete, Cavaleiro, Dama e Rei




No início da nossa peregrinação pelos 4 estágios


As 4 figuras dos 4 naipes (Rei, Dama, Cavaleiro e Valete) se referem as 4 letras do nome sagrado Jod-He-Vau-2º He. O Rei (Jod/Paus) pertence ao mundo da imanação e corresponde a 3ª e 4ª iniciação. A Dama (He/Copas) também pertence a 3ª e 4ª iniciação e designa o mundo da criação. O Cavaleiro (Vau/Espadas) é do mundo da formação e está ligado a 2ª iniciação. Por último o Valete (2º He/Ouros) é da primeira iniciação e pertence ao mundo da manifestação. 

 A iniciação de Ouros também é chamada de Iniciação nos Círculos, representativa pelo reino criado onde tudo é organizado segundo a hierarquia espiritual a qual o peregrino se submete inteiramente. O seu mundo interno está em conformidade com o seu trabalho externo. O objetivo do estágio é de estabelecer uma relação harmônica entre aspiração espiritual e vida terrestre para criar o Ouro hermético. A experiencia de Ouros é indispensável no caminho para a luz e a passagem só está garantida quando os desejos pessoais já não satisfazem. Estamos em vias de passar por uma crise pessoal interna, início da derrota do elemento pessoal. 

A satisfação interna e externa adquirida pela realização dos objetivos de Ouros engloba um perigo oculto em si. Falamos do velho problema filosófico de Platão em que ele afirma que os Deuses não têm experiência estética. No caso de um artista a experiência estética começa a falhar quando não mais procuramos a perfeição. A realização plena provoca estagnação e o peregrino demasiadamente satisfeito consigo próprio acaba por interromper o processo da iniciação. 

O princípio espiritual é dinâmico como tudo pois a vida tem 4 dimensões (por além do elemento espiritual ou 5ª essência) muitas vezes esquecidas pelas análises e estatísticas do nosso tempo. A saída do estágio de Ouros pode ser causada pela tomada de consciência do mundo ilusório em que vivemos e da relatividade de todas as manifestações. Com essa conscientização entramos no estágio de Espadas o naipe da psique pela via filosófica_negativa ou pela via mística_positiva. O estágio de espadas é o da psique ou do Mental e Astral vivido quando o desenvolvimento pleno de ambos for alcançado. O aspecto filosófico e negativo de espadas em que a razão domina os sentimentos corresponde ao plano Nasham ou Manas. 

Nesse plano o Mental ainda não alcançou o plano superior Haia ou Budi e o peregrino apenas está capacitado para uma análise inexorável da profundidade da existência mas ainda não consegue desenvolver uma síntese criadora. Apesar disso o peregrino de ouros já é um bom conhecedor da sua personalidade e com os seus centros psíquicos desenvolvidos é detentor de algum poder mágico sobre o mundo astral e o meio ambiente. O peregrino finalista de ouros animado pela sua vontade e dominador dos seus desejos e das suas emoções é capaz de criar novas formas e de transformar outras já existentes. Apesar dessa vitória ele sente no seu íntimo uma crescente insatisfação com aquilo que alcançou no estágio de ouros. Ele interroga-se sobre a utilidade do seu conhecimento e daquilo que realizou e começa a sentir a necessidade de algo diferente e superior. 

O peregrino apercebe-se da luz que permeia o mundo e deseja descobrir a sua natureza e origem ele quer encontrar Deus face a face para compreender através do reflexo divino o seu Eu interno. O Iniciado de Ouros com poder criador e capacidade de dar algo ao mundo entra numa fase de negação. Ele nada mais espera deste mundo pois acha que tudo que o mundo lhe poderia dar ele já possui e aínda não percebeu que dar é receber e que o segredo reside na continuidade. O mundo nos dá sempre algo em troca mais tarde ou mais cedo, pode ser algo diferente ou imprevisto mas o eterno retorno confirma-se sempre pela lei da causa e do efeito. 

O peregrino no auge do desenvolvimento da sua personalidade toma conhecimento do caráter ilusório do mundo e embora que ele se tenha familiarizado com a Forma, desconhece na totalidade a sua essência e origem (problema também na filosofia existencialista de M. Heidegger). Ele classifica as formas como ilusórias e enganadoras e acaba por rejeita-las o que leva a perca da fé e da esperança. O mundo do peregrino começa a desmoronar a sua volta, ele não compreende o sofrimento neste mundo injusto em que a pessoa honesta paga pelo pecador e em que ele próprio apesar do seu poder pessoal e conhecimento nada pode fazer para alterar o rumo. Nasce nele um sentimento de revolta contra o Criador que se manifeste por uma profunda crise espiritual que deve ser ultrapassada no estágio de espadas.


domingo, 28 de novembro de 2021

Nos caminhos da busca! No portal da ingenuidade - Arcano 22




Interpretações divinatórias – Carta de instabilidade, com efeitos decepcionantes. O homem, vergado sob o peso de obrigações e prazeres, cujas possibilidades não passam de ilusões. No plano mental: julgamento egoísta e sem calor. No plano anímico: sentimentos sem duração e risco de graves erros. No plano físico: caos, separação, abandono voluntário. No domínio dos sentimentos, deslealdade e adultério. Representação abstrata – Representa o microcosmo como resumo de tudo o que existe. A não-identificação com a personalidade terrena. 




Passividade, abandono absoluto, renúncia a toda resistência; irresponsabilidade, inocência, repouso, instintividade; capacidade mediúnica; abstenção, o não-fazer. Promessas que não se cumprem; inaptidão para se dirigir, perda do livre-arbítrio, joguete de forças estranhas, instrumento dos outros, incapacidade para resistir às influências sofridas; recebimento de favores com má intenção, perigo de se isolar da sociedade, incapacidade para reconhecer os erros; sentimentos sem duração, abandono voluntário dos bens materiais; extravagâncias, incoerência, desorientação total em muitas coisas; escravidão aos desejos, inconsciência, insegurança; despreocupação em relação à palavra dada; indiscrição que pode levar à ruína. 

 Descrição da simbologia – Ponto último ou inicial do tarô, O Louco se distingue pela ausência de cifra, para significar que está à margem de qualquer ordem ou sistema. A alegoria mostra um homem de costas, mas com o rosto bem visível, caminhando com um bastão na mão e segurando no ombro um pau em cuja extremidade há uma sacola – símbolo de potencialidades. Seu traje de cores desencontradas indica as influências múltiplas e incoerentes a que se submeteu. Sua perna esquerda (inconsciente) é mordida por um cão, fato que poderia significar um resíduo de lucidez. 

A situação a que se expôs não significa ausência de espiritualidade nem impossibilidade de salvação – seu estranho gorro e o cinto são amarelos. O arcano é irracional, correspondendo ao instinto ativo e capaz de sublimação, mas também à cega impulsividade e à inconsciência. Simboliza a utilização do anormal e do inconsciente para inverter uma ordem maligna reinante. O Louco, segundo Frazer, possui o caráter das “vítimas de substituição” nos rituais de sacrifícios humanos. 

A imagem de um homem solitário que atravessa os campos, sendo agredido por um animal, é, segundo Alberto Cousté, uma das contribuições mais originais do tarô. Provavelmente é uma alusão aos Clerici vagante – estudantes medievais inquietos e migratórios, sempre em busca de novos mestres ou novas tabernas. Seu traje lembra o de um bufão, figura que fazia a caricatura da corte, de reis e senhores. Personagem singular, O Louco não se preocupa com os perigos do caminho porque se sabe invulnerável e imortal e, por isso mesmo, está exposto a todo o tipo de faltas.

26/11/11

Pelos caminhos do Tarô e o portal do julgamento - no arcano 20




Interpretações divinatórias – O julgamento humano está subordinado ao divino de maneira poderosa, direta e luminosa. Carta de rapidez e muita força, acentua os efeitos das cartas vizinhas. Geralmente benéfica, indica que o que foi feito no passado próximo pelo consultante será julgado, examinado, pesado e o beneficiará com novas possibilidades, se ele se mostrar merecedor. No plano mental: gênio inventivo e revelação de uma missão. No plano anímico: passagem de um plano para outro, segredo que irromperá brutalmente. 




No plano físico: carta fulminante que precipita os efeitos das que lhe são próximas, falando de imediato, com rapidez e instantaneidade; trabalho de biblioteca, compilação, classificação; decisão legal favorável; no domínio sentimental, permite ver com justeza. Representação abstrata – Renascimento do “eu” na sua passagem para um plano mais elevado. Recuperação da consciência perdida, cura e libertação dos laços materiais, renovação da vida, iluminação de um caminho espiritual, sopro redentor; entusiasmo, exaltação; profetismo, medicina milagrosa, apostolado; atualização do passado, regeneração; surpresas, brilho; retorno à saúde física, moral e intelectual, elevação espiritual, volta às tradições esquecidas, nova permissão de vida; discernimento da verdade, novas relações, fim e começo, gozo. 

 Sentido negativo: vacilação espiritual, ofuscamento da inteligência, alvoroço e agitação inúteis; embriaguez, superexcitação natural ou artificial, fanatismo cego, erros sobre si mesmo; provas resultantes de juízos errôneos, inversão nas emoções; inimigos ciumentos, culpa, perdas, saúde escassa. Descrição da simbologia – O arcano 20 simboliza a revelação dos desígnios ocultos das forças divinas do homem. A imagem apresenta, na parte superior, um anjo tocando uma trombeta e, na parte inferior, três personagens, um dos quais de costas, em atitude de prece. 

O personagem central, de costas, levanta-se de uma espécie de túmulo verde (regeneração, ressurreição). Os três personagens simbolizam a trindade humana: homem, mulher, criança. Segundo vários autores, esta carta apresenta a conhecida cena da ressurreição dos mortos e do Juízo Final, quando o anjo do Apocalipse ressonará sua trombeta. O anjo apresenta-se diante do signo solar, reforçando essa idéia: com a luz e o som da trombeta o anseio de ressurreição do homem será “despertado”. Nas representações medievais do Juízo Final, os mortos surgem dos seus túmulos completamente nus, embora não fosse costume da época enterrar os cadáveres dessa maneira. Segundo tradição popular, os mortos surgem dos túmulos como esqueletos que, ao contato da luz, se revestem da carne e da pele perdidas. Simbolicamente, a morte equivale à morte da alma, no sentido de esquecimento da finalidade transcendente do homem. A ressurreição simboliza a cura, a renovação. 

O Arcano 19 fala da descida da luz espiritual como resposta do Alto ao trabalho interior do ser humano. O Arcano 20 fala da mesma força, mas que se manifesta como trombeta angélica, voz que penetra nas profundezas para atrair ao Alto. A Alma purificada deixou os planos inferiores em busca da sua pátria espiritual. Essa pátria pode ser uma Egrégora, pois cada indivíduo determina o seu alvo e vincula-se consciente ou inconscientemente a uma Egrégora com a qual está em sintonia segundo as suas aspirações. O campo do Arcano 20 já não é o trabalho consciente, mas sim uma transfiguração misteriosa, causada pela aspiração. Aspirando, o ser humano torna-se semelhante ao objecto da sua aspiração.


Decisão, indecisão e o arcano 6 no Tarô




Nós em especial hoje em dia, com tantas provações da vida moderna, sempre nos deparamos com momentos onde temos que fazer opções, escolhendo algo em momentos difíceis. As provações sempre foram constantes na vida do homem durante toda sua existência, elas se dão na vida amorosa, nos negócios, na família e assim por diante. E uma carta que traduz bem este estado onde o homem precise tomar uma decisão e que de certo modo tem muito medo de errar, é o arcano 6 do Tarô. E entre os arcanos menores o arcano também de número 6 de Ouro, desempenha bem esse papel. Esse é um naipe de suma importância nas nossas tomadas de decisão. 

 Para haver uma escolha correta (Arcano 6) são necessário certas condições pois a escolha não é um ato isolado mas antes depende do Passado (Karma) e logicamente também condiciona o nosso Futuro. A liberdade de escolha de um modo geral leva nos ao problema do livre arbítrio. A tradição refere-se ao lívre arbítrio pessoal e consciente como também as suas consequências. Subjetivamente somos livres mas sujeitos aos condicionamentos do nosso karma. O carma atual é resultado das opções e decisões do Passado e com isso estreitamente ligado ao livre arbítrio. 

No sentido objectivo a resposta relativamente a livre escolha é dada pelo conteúdo dos Arcanos de Ouro anteriores. A escolha é livre no sentido esotérico quando reflete a vontade superior (Eu verdadeiro). Ela é livre quando expressa uma profunda convicção e não um desejo pessoal e egoísta (os outros Eus inferiores). No primeiro grau de Ouros eramos confrontados com a natureza e proveniência dos nossos desejos, no 6º grau tomamos controle sobre as nossas decisões a fim de permanecer livres das interferências inferiores. É necessário assumirmos de forma responsável todas as consequências das nossas ações sejam elas voluntárias ou não. 

No 5º grau a qualidade da vontade evolutiva era compreendida como resultado do Passado, no 6º grau essa vontade deve ser assumida como fator criador do nosso Futuro. Por falar em graus, lembremos que é necessária essa divisão em todo tipo de arcano que se busque compreender as forças atuantes no universo sobre nós. Assim se dá com a divisão do Zodíaco, com a divisão das linhas, dos Odús e na Hierarquia dos anjos, sacerdócios e orixás. Na representação do Triângulo Místico de Fabre d´Olivet em que o Binário - Vontade pessoal versus Karma é neutralizado para cima como Vontade Superior ou Providência, essa mesma neutralização a nível humano é manifestada através da voz da consciência. ] Explicações complementares relativamente ao 6 de Ouros encontramos no Arcano Maior do Diabo. Este simbolismo em relação ao naipe de Ouros adquire uma nova profundidade esotérica. Baphomet (estado de desenvolvimento interno da humanidade) pode ser visto como imagem do ser andrógino que, em sua síntese superior expressa a aspiração à união das almas gémeas. O 3 de Ouros tratava do Andrógino Interno enquanto o 6 de Ouros fala do Andrógino Externo. Já tomamos consciência da nossa Bipolaridade e trabalhamos para criar o Androginato em si. Falta nos compreender o ensinamento referente às almas gémeas e tornar o assunto parte integrante na realidade da nossa vida espiritual. 

 Carlinhos Lima - Tarólogo
2/4/11

sábado, 20 de novembro de 2021

Cartomancia: A magia e beleza do fantástico Baralho Cigano e os Orixás





BARALHO CIGANO 


MATERIAL PARA A MESA DO JOGO • 1 BARALHO • 1 LENÇO FLORIDO • 1 VELA • 1 CASTIÇAL • 1 COPO OU TAÇA • 1 CRISTAL • 5 MOEDAS DOURADAS OU DE COBRE (Uma em cada canto da mesa; a quinta moeda fica na frente da pessoa para quem se está jogando) • 1 PUNHAL (colocar sobre o copo, apontando para a pessoa para quem se está jogando) • 1 PORTA INCENSO 
MANDALA ASTROLÓGICA:

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