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quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

O caminho do Peregrino e as Espadas como desafio





A experiencia de cada naipe normalmente é vivida sob uma ou mais influencias adicionais de um ou outros naipes. Como já foi falado no início da peregrinação de Ouros, a experiência em cada naipe não é pura mas antes contêm uma infinidade de influencias compostas que expressam a individualidade humana. No entanto devemos ter em conta que nem toda a revolta sentida é resultado da experiência de Espadas, bem mais frequente é de se tratar de uma consequência de alguma desilusão na vida que provoca ceticismo e animosidade em nós. 

 O aspecto negativo de Espadas é fonte de muitos mitos religiosos como por exemplo a queda dos anjos no livro de Enoch, a revolta dos Asuras de Blavatsky, o sacrifício de Prometeu ou a tentação da serpente bíblica. A experiencia do negativo de Espadas, fortemente mental pretende desvendar o mistério da vida pelo intelecto e rejeita qualquer alegação de autoridade religiosa. É natural que essa abordagem limitadora está condenada a fracassar e o peregrino revoltado contra o princípio criador procura resolver o problema ao transformar gradualmente a sua situação através da busca da causa das causas, dos valores absolutos, em suma através da procura de Deus. Encontramos na tetralogia do Anel dos Nibelungos de R. Wagner um simbolismo expressivo e característico do aspecto negativo de Espadas, da luta incessante a procura do divino. Na lenda dos Nibelungos está patente o antagonismo dos princípios material e espiritual e da vida esotérica da alma humana (Siegfried). 

 Em determinada altura Siegfried luta pela imortalidade e pela sua união ao princípio divino (Brunhilde). Ele desobedece ao poder criativo (Wotan) ao destruir a lança de Wotan com a sua espada. O simbolismo aqui está na rejeição daquilo que tinha sido alcançado no estágio de Ouros para que o peregrino se possa unir com o seu Eu-superior. O peregrino deve avançar sozinho e independente de qualquer lei externa ou autoridade condutora seguindo apenas o seu critério interno e recusando qualquer limitação. Falamos do caminho da luta solitária pela escuridão em que o iniciado deve descobrir o rumo certo e avançar até a meta final. Ao atravessar o estágio de Espadas o peregrino rejeita tudo ao ponto de negar o próprio princípio da vida para finalmente nas últimas fases do seu desenvolvimento encontrar Deus dentro de si mesmo. 

 De forma progressiva ele se vê livre não só das ilusões do mundo e do Astral mas também do princípio que, nele próprio, negava tudo. Simbolicamente a passagem de Ouros para Espadas pode ser expressa como passagem de Aleph até Ghuimel (do nome divino AGLA). AGLA engloba os 4 graus que dividem os Arcanos Menores. Aleph busca Deus pelo desenvolvimento pessoal através de Ouros, Ghuimel busca divindade em si mesmo pela passagem através de Espadas, Lamed expressa a união com Deus e toda a Criação e é de Copas e finalmente a letra final Aleph que é a convergência de todos os caminhos em Paus. Por além da via filosófica ou negativa existe a chamada via mística ou positiva. A desilusão quase trágica do peregrino para com o mundo exterior e seus valores pela via negativa contrasta com a aspiração positiva do caminho místico de Espadas. 

 O Iniciado emparado pela fé profunda nos valores espirituais imutáveis não se deixa levar pelo desespero na sua procura pela verdade (isto já parece tarefa para Fox Mulder dos X-file). No caminho da fé o princípio pessoal é conscientemente desvalorizado por ser obstáculo principal entre o ser humano e Deus. O desenvolvimento marcante do estágio de Ouros torna-se alheio às Espadas místicas cujo maior esforço consiste na transferência do equilíbrio a nível pessoal para o suprapessoal. Ambas as vias (filosófico e místico) são trilhadas pela forte aspiração ao Alto, um profundo mistério individual, sem qualquer manifestação externa. 

 Os 2 caminhos de Espadas conduzem através da decomposição da forma antiga à criação de uma forma nova, a taça ou cálice, receptáculo para a força divina. No estágio de Espadas o peregrino afasta-se de qualquer autoridade que não esteja em conformidade com a sua própria existência interna. A experiencia de Espadas é a experiencia da solidão na qual se realiza o nascimento espiritual e construção do templo interno. Trata-se do reflexo do Logos Cósmico no microcosmo humano. A passagem de Ouros para Espadas em busca de algo que não se consegue encontrar nos dogmas estabelecidos implica um esforço considerável. 

 O peregrino deve escolher o seu próprio caminho na busca do seu Eu-interno, o que exige determinação, coragem e perseverança, pois quem se acomoda com as normas da vida religiosa externa não consegue ultrapassar o estágio de Ouros (não basta ir a missa ). A maior diferença entre a via filosófica (-) e a via mística (+) reside no entendimento da problemática do Mal e do sofrimento. Na via negativa o ser humano responsabiliza o Logos pelo problema, na via positiva ou caminho da fé o peregrino sente necessidade de remedir o mundo. 

 O sofrimento é aceite e o sacrifício é feito de boa vontade contribuindo assim tb para uma redução da carga cármica pessoal. O seguidor do caminho da fé embora que se tenha afastado do mundo não foge ao sofrimento e aceita o em nome da purificação do mundo. A figura do As de Espadas, de pé, e com a ponta virada para cima corresponde ao Reino ou Malkut do sistema das Sefiras. A representação tradicional de Espadas consiste numa cruz encimada por um triângulo ascendente agudo. O eixo vertical que divide o triângulo da lâmina em dois lados iguais prolonga-se até a ponta superior. O cabo de Espadas de braços iguais designa a cruz elementar. 

O eixo central indica a possibilidade da subida direta do plano físico (Malkut) ao plano espiritual (Kether). É desta forma que a imagem revela a essência do seu próprio naipe e alude aos modos de atravessa-lo. Por meio desta apresentação simbólica é nos explicado a forma como o peregrino se deve elevar no estágio de Espadas. Ele afasta-se cada vez mais da realidade de Ouros ou Cruz elementar que lhe era tão cara no estágio anterior. O eixo central na imagem de Espadas corresponde a coluna central da árvore das sefiras e indica a possibilidade da subida direta que conduz através das sefiras Yesod e Tiferet, isto é, através do mundo das formas e do mundo da criação ao cume da coluna Kether ou mundo espiritual superior.


domingo, 28 de novembro de 2021

Nos caminhos da busca! No portal da ingenuidade - Arcano 22




Interpretações divinatórias – Carta de instabilidade, com efeitos decepcionantes. O homem, vergado sob o peso de obrigações e prazeres, cujas possibilidades não passam de ilusões. No plano mental: julgamento egoísta e sem calor. No plano anímico: sentimentos sem duração e risco de graves erros. No plano físico: caos, separação, abandono voluntário. No domínio dos sentimentos, deslealdade e adultério. Representação abstrata – Representa o microcosmo como resumo de tudo o que existe. A não-identificação com a personalidade terrena. 




Passividade, abandono absoluto, renúncia a toda resistência; irresponsabilidade, inocência, repouso, instintividade; capacidade mediúnica; abstenção, o não-fazer. Promessas que não se cumprem; inaptidão para se dirigir, perda do livre-arbítrio, joguete de forças estranhas, instrumento dos outros, incapacidade para resistir às influências sofridas; recebimento de favores com má intenção, perigo de se isolar da sociedade, incapacidade para reconhecer os erros; sentimentos sem duração, abandono voluntário dos bens materiais; extravagâncias, incoerência, desorientação total em muitas coisas; escravidão aos desejos, inconsciência, insegurança; despreocupação em relação à palavra dada; indiscrição que pode levar à ruína. 

 Descrição da simbologia – Ponto último ou inicial do tarô, O Louco se distingue pela ausência de cifra, para significar que está à margem de qualquer ordem ou sistema. A alegoria mostra um homem de costas, mas com o rosto bem visível, caminhando com um bastão na mão e segurando no ombro um pau em cuja extremidade há uma sacola – símbolo de potencialidades. Seu traje de cores desencontradas indica as influências múltiplas e incoerentes a que se submeteu. Sua perna esquerda (inconsciente) é mordida por um cão, fato que poderia significar um resíduo de lucidez. 

A situação a que se expôs não significa ausência de espiritualidade nem impossibilidade de salvação – seu estranho gorro e o cinto são amarelos. O arcano é irracional, correspondendo ao instinto ativo e capaz de sublimação, mas também à cega impulsividade e à inconsciência. Simboliza a utilização do anormal e do inconsciente para inverter uma ordem maligna reinante. O Louco, segundo Frazer, possui o caráter das “vítimas de substituição” nos rituais de sacrifícios humanos. 

A imagem de um homem solitário que atravessa os campos, sendo agredido por um animal, é, segundo Alberto Cousté, uma das contribuições mais originais do tarô. Provavelmente é uma alusão aos Clerici vagante – estudantes medievais inquietos e migratórios, sempre em busca de novos mestres ou novas tabernas. Seu traje lembra o de um bufão, figura que fazia a caricatura da corte, de reis e senhores. Personagem singular, O Louco não se preocupa com os perigos do caminho porque se sabe invulnerável e imortal e, por isso mesmo, está exposto a todo o tipo de faltas.

26/11/11

Decisão, indecisão e o arcano 6 no Tarô




Nós em especial hoje em dia, com tantas provações da vida moderna, sempre nos deparamos com momentos onde temos que fazer opções, escolhendo algo em momentos difíceis. As provações sempre foram constantes na vida do homem durante toda sua existência, elas se dão na vida amorosa, nos negócios, na família e assim por diante. E uma carta que traduz bem este estado onde o homem precise tomar uma decisão e que de certo modo tem muito medo de errar, é o arcano 6 do Tarô. E entre os arcanos menores o arcano também de número 6 de Ouro, desempenha bem esse papel. Esse é um naipe de suma importância nas nossas tomadas de decisão. 

 Para haver uma escolha correta (Arcano 6) são necessário certas condições pois a escolha não é um ato isolado mas antes depende do Passado (Karma) e logicamente também condiciona o nosso Futuro. A liberdade de escolha de um modo geral leva nos ao problema do livre arbítrio. A tradição refere-se ao lívre arbítrio pessoal e consciente como também as suas consequências. Subjetivamente somos livres mas sujeitos aos condicionamentos do nosso karma. O carma atual é resultado das opções e decisões do Passado e com isso estreitamente ligado ao livre arbítrio. 

No sentido objectivo a resposta relativamente a livre escolha é dada pelo conteúdo dos Arcanos de Ouro anteriores. A escolha é livre no sentido esotérico quando reflete a vontade superior (Eu verdadeiro). Ela é livre quando expressa uma profunda convicção e não um desejo pessoal e egoísta (os outros Eus inferiores). No primeiro grau de Ouros eramos confrontados com a natureza e proveniência dos nossos desejos, no 6º grau tomamos controle sobre as nossas decisões a fim de permanecer livres das interferências inferiores. É necessário assumirmos de forma responsável todas as consequências das nossas ações sejam elas voluntárias ou não. 

No 5º grau a qualidade da vontade evolutiva era compreendida como resultado do Passado, no 6º grau essa vontade deve ser assumida como fator criador do nosso Futuro. Por falar em graus, lembremos que é necessária essa divisão em todo tipo de arcano que se busque compreender as forças atuantes no universo sobre nós. Assim se dá com a divisão do Zodíaco, com a divisão das linhas, dos Odús e na Hierarquia dos anjos, sacerdócios e orixás. Na representação do Triângulo Místico de Fabre d´Olivet em que o Binário - Vontade pessoal versus Karma é neutralizado para cima como Vontade Superior ou Providência, essa mesma neutralização a nível humano é manifestada através da voz da consciência. ] Explicações complementares relativamente ao 6 de Ouros encontramos no Arcano Maior do Diabo. Este simbolismo em relação ao naipe de Ouros adquire uma nova profundidade esotérica. Baphomet (estado de desenvolvimento interno da humanidade) pode ser visto como imagem do ser andrógino que, em sua síntese superior expressa a aspiração à união das almas gémeas. O 3 de Ouros tratava do Andrógino Interno enquanto o 6 de Ouros fala do Andrógino Externo. Já tomamos consciência da nossa Bipolaridade e trabalhamos para criar o Androginato em si. Falta nos compreender o ensinamento referente às almas gémeas e tornar o assunto parte integrante na realidade da nossa vida espiritual. 

 Carlinhos Lima - Tarólogo
2/4/11

sábado, 2 de abril de 2011

Tarô e o Arcano 5, o Papa


O Papa tem como título - Sciencia Beni et Mali - e simboliza o princípio de consciência e da vontade superior existente no ser humano. As duas figuras que estão representadas diante do Hierofante (ver lâmina 5 dos Arcanos Maiores) são os elementos positivos e negativos da nossa personalidade.

O Hierofante abençoa a primeira figura e ameaça a segunda. Aviso sério no que diz respeito a importancia da tomada de consciência sobre a qualidade ética das nossas manifestações. O 5º Arcano Maior também é chamado Arcano da Vida por relacionar-se, no campo da Filosofia Hermética, com o sopro divino que penetra em todos os planos da criação.

Chegamos a conclusão de que a Força Vital de cada Organismo é proporcional à harmonia dos elementos que o compõem. A correspondencia de 5 de Ouros ao Arcano da Temperânça que fala da transformação de energias torna-se evidente.

O 14º Arcano Maior é o Arcano da síntese harmónica da personalidade humana enquanto o 5 de Ouros explica como essa síntese pode ser realizada por meio da vontade evolutiva. No Hermetismo Ético essa transformação de energias ou passagem de um estado ao outro processa-se a nível dos elementos inferiores e superiores. Depois vamos falar da energia oculta no ser humano, também conhecida por Kundalini no Oriente ou Elexir da Vida no Ocidente e no antigo Egipto era representada pelo caduceu de .


sábado, 26 de março de 2011

No portal da justiça, arcano 8

Representação abstrata – A capacidade de julgar, comparar, pesar, medir e examinar os atos humanos. Está associado à idéia de “justiça imanente”, ou seja, à idéia de que toda culpa desencadeia automaticamente as forças de autodestruição, pondo em movimento para isso todo um mecanismo psíquico ou psicossomático. Sentido positivo: justiça, determinação pensada e sem excessos, potência conservadora das coisas, retidão, honestidade, integridade, disciplina, respeito, independência de espírito, clareza de juízo, justa valorização das coisas, reta conduta, firme propósito, graça-doçura-rigor ao mesmo tempo, resolução. Sentido negativo: perdas, injustiça, parcialidade, prejuízos, decisões errôneas, incapacidade de iniciativa, argúcias, manobras, castigos, punições, rendição, submissão, ilusões, aplicação excessivamente rígida da lei.

Numa atividade equilibrada, a balança pesa os atos, enquanto a espada separa a matéria, discernindo. Seus olhos estão bem abertos, mostrando que ela penetra mais longe que as razões parciais dos que se acham sob sua guarda. As lendas que se conhece sobre este arcano referem-se às deusas relacionadas à sabedoria de Júpiter ou Zeus: Têmis – “lei natural”; Astrea – que viveu na Idade do Ouro; Atenas – deusa da sabedoria.

Descrição da simbologia – A oitava lâmina simboliza a imparcialidade que caracteriza a conduta humana, quando é guiada pelo equilíbrio entre forças opostas em movimento. Essa idéia é personificada por uma mulher em atitude frontal – como a Imperatriz – e simétrica, representando o exato equilíbrio bilateral. Seu trono é estável e maciço, como o do Imperador. A fronte é cingida por uma coroa, a mão direita empunha uma espada com a ponta para cima e a esquerda segura uma balança. Com a espada (símbolo da palavra e da decisão psíquica) contrapesa a balança (peso do bem e do mal). É o antigo símbolo da Justiça, associado ao signo zodiacal de Libra. Representa muito mais a função interior justiceira do que a justiça exterior ou a legalidde social.

Interpretações divinatórias – É uma carta de austeridade, pois está associada à lei de causa e efeito, colocando-se fora de qualquer sentimento. O consultante deve esperar os efeitos que seus atos presentes e passados suscitarão no futuro. Execução e veredito. Seu princípio de severidade não pode ser vergado. Expressão de rigor e justa restrição em vista de um novo equilíbrio. No plano físico, pode significar um contato com a justiça e processos legais. No terreno afetivo, é dura, pois, dependendo das outras cartas, impõe o fim a uma ilusão e, às vezes, um divórcio. É uma carta de apelo à clareza de juízo, ao equilíbrio e à eqüidade de juízo, em suma, ao bom senso. O consultante é chamado a prever o choque das forças contrárias para anulá-lo.

No campo da filosofia, a verdade é alcançada pela grande objetividade e a compreensão simultânea de todos os fatores e de suas mútuas influencias. Na Arte, a verdade é obtida pela união harmónica da ideia com a forma que a envolve. A vida social aproxima-se da verdade pela manifestação do justo equilíbrio entre os princípios da liberdade e da ordem. Saber adaptar o princípio do equilíbrio a cada campo de vida corresponde a iniciação ao 8º Arcano.

No plano divino, o conceito liberatio corresponde à contínua e absoluta "equilibração"com base do Universo em todos os planos. Esse permanente retorno ao equilíbrio pode ser comparado ao estado de uma solução saturada, imediatamente antes da cristalização. Qualquer perturbação no equilíbrio traz uma consequencia inevitável. Quando a perturbação abarca um campo mais extenso (national, racial etc.), as consequencias podem ser devastadoras. Podem manifestar-se rápida ou mais lentamente, como cataclismo ou degeneração e resultar no desaparecimento de culturas, de raças e de civilisações, mas o restabelecimento virá inevitávelmente.
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