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segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Povo cigano tem encanto, beleza e magia!





Diversos pesquisadores, entre eles Charles G. Leland e Raymond Buckland, já estudaram as magias e encantamentos utilizados por esse povo. Eles têm uma grande conexão com antigos rituais em que entram em estado de transe, utilizando esse procedimento para atingir seus objetivos. E o fazem sem deixar de lado sua devoção ao catolicismo, exaltado por vários ciganos e que muitas tribos do leste europeu usaram como pretexto para suas peregrinações durante os séculos XVI e XVII.

Há muito tempo que os ciganos vêem e usam as energias místicas naturais para atingir seus objetivos, mas sem cair no estabelecimento de uma religião sexista, pois os ciganos são, antes de tudo, unidos por sua sabedoria e tradição. Em várias magias ocorre a invocação das forças naturais como os elementais (ar, água, fogo, terra) usadas para os mais diversos fins. Isso é mostrado por Leland em vários encantamentos nos quais não só as forças dos elementos, mas dos rios e paragens, são utilizados pelos ciganos para curar queimaduras de criança ou para achar coisas perdidas e roubadas. Além, é claro, das simpatias e amuletos ciganos, comentado, nos livros de Buckland e Pierre Derlon.

Para o "povo da estrada", a própria Terra é um lugar sagrado e mágico, contudo distante das visões do teo-matriarcalismo wiccano. Observando o mundo à sua volta e unindo a sabedoria dos seus anciãos, eles aprenderam a ler a sorte e conhecer o futuro nas mãos e no rosto das pessoas, e ganharam notoriedade fazendo isso, principalmente pelos acertos que obtêm. Para eles, esse é um dom natural que remete às antigas artes védicas da quiromancia e fisiognomonia.

A magia é algo que não é para ser aprendido pelo cigano, mas faz parte do seu dia-a-dia. Desde o ar que respira à sua comida, da água que sacia a sede aos animais que o acompanham em sua jornada pelas várias estradas em que segue a sua eterna peregrinação, tudo é magia. E algumas vezes determinados eventos levam ao surgimento de pessoas que se sobressaem: as bruxas e feiticeiros ciganos. Todo cigano que se preze sabe um pouco da magia de seu povo, e entre os ciganos obviamente existem aqueles que nascem com determinados dons, revelados por meio de marcas no corpo e por meio de certas coincidências na vida dessa pessoa. Quando isso ocorre, ela é preparada para assumir as responsabilidades que fazem parte do seu destino.

As mulheres são conhecidas em alguns grupos como sh'uvanis, e os homens como kakus. São pessoas especiais que têm, entre os vários dons que possuem, a capacidade de prever o futuro e de curar doenças para as quais a medicina não encontra respostas. É a eles que os ciganos recorrem quando precisam de aconselhamento, uma vez que, segundo suas crenças, essas pessoas especiais estão em contato direto com “A Fonte”. Apesar da profunda crença nas forças mágicas e nas leis espirituais, o povo cigano é um profundo conhecedor e devoto dos santos católicos, aos quais dedicam uma atenção especial. Mas nada é tão especial e mágico para um cigano como o culto a Sara Kali.

A mulher cigana precisa estar sempre energizada, então anda descalça para ter maior contato com a terra e, assim, fortalecer o seu corpo. A mulher é considerada o alicerce da família e sua responsabilidade aumenta mais quando tem um filho. Não ser mãe é um pecado quase que mortal para a mulher cigana.

Os ciganos preservam e usam muito os quatro elementos fundamentais da natureza – Terra, Fogo, Água e Ar – nos seus rituais. Para eles, o Fogo é muito importante, porque queima a negatividade e ilumina a positividade. Um objeto que concentra os quatro elementos e que é muito usado por este povo é a vela. A Água e a Terra são representadas pela cera e o pavio. O Fogo é a chama e o Ar (oxigênio) a mantém viva (acesa).

Além da Quiromancia (leitura das mãos), as ciganas podem exercitar a vidência através de vários objetos como pedras, moedas, borra de café, copo d’água, bola de cristal, jogos de carta e Tarô. Os ciganos acreditam que Belkarrana (deuses) os colocou no mundo para praticar o dom da adivinhação com a finalidade de ajudar seus semelhantes. Mas são as ciganas que mais exercem esse privilégio. Aos sete anos, elas aprendem a ler a sorte e depois de mais de sete anos seguidos, elas saem às ruas para atender as pessoas. As ciganas transmitem energia pelo olhar e recebem a mensagem das pessoas pelo olho místico, que se encontra localizado no meio da testa e na palma da mão. Esse dom da adivinhação não é usado somente para prever o futuro, como também para detectar algum problema de saúde. Para manter esse dom, a mulher cigana não deve nunca cortas os cabelos porque,ao faze-lo, terá sua força energética diminuída.

No casamento são usados os mesmos símbolos do noivado: os dois punhais, o lenço vermelho, vinho, pão, sal e uma taça de cristal. O vinho é para garantir a alegria permanente do casal, o pão e o sal representam a união, a taça de cristal é para que a harmonia se mantenha presente e o punhal serve para a comunhão do sangue.

No acampamento tudo é agitação... os homens montam a fogueira, preparam o vinho e afinam seus violinos e acordeons. As mulheres enfeitam as mesas, carroções, preparam suas roupas, pandeiros, fitas, lenços... No ar, o delicioso aroma de suas receitas especiais espalha por todo lado o cheiro de festa. A noite será longa... os ciganos se reúnem mais uma vez, para comemorar... a vida!!!"

A tradição cigana é cheia de mistérios e um dos mais facilmente reconhecido é o mistério da dança, que junto com a música desse povo...Enfeitiça... A dança para os ciganos é uma forma de liberar as emoções interiores, de dar vazão aos sentimentos e intimas necessidades através de movimentos corporais. Ou porque esta feliz e quer festejar, brincar e se divertir, ou porque esta querendo agradar e agradecer aos deuses.

O bater das castanholas, do som das palmas que espantam a negatividade. Este é o verdadeiro dançar da alma. O homem quando dança com as mulheres apenas reforça, com a sua presença as figuras femininas, pois é uma proteção para elas. Os ciganos dançam nas festas, a dança é livre, sem regras. Cada um se diverte como quer, nunca se esquecendo o recato, os limites entre homens e mulheres.

Brincos e pulseiras a tilintar, saias coloridas e pés descalços a rodopiar, mão em volteios estonteantes como o brilho nos olhos da cigana...Cena que contagia a todos, e nesse momento, a magia é tão presente que tudo parece parar para reverenciar a vida que pulsa forte em cada acorde de música...Não há tempo nem espaço, há apenas, à vontade de dançar... É a alegria do reencontro. A força, a espontaneidade e a alegria, aquela capacidade única dos ciganos de transformar as adversidades da vida numa energia profunda, numa experiência autêntica e libertadora reequilibrando as forças numa consciência interior mais forte e cúmplice é tão só expressada numa dança, beleza, ritimo, magia e encanto quase que libidinosamente excitante!

Os movimentos observados na dança cigana são resultantes da sua influência indiana, onde o girar das mãos, a inclinação da cabeça e a postura ereta chamam atenção. Os movimentos são baseados da cintura para cima, meneios de ombros, inclinação da cabeça, giro de punhos e mãos, postura ereta, braços à frente do corpo ou acima da cabeça e movimentos que completem sempre círculos (para os ciganos a vida é um ciclo). A dança como forma de oração por si só, se basta. É importante dizer que como trabalhamos o tempo todo com as energias da natureza e a nossa própria, devemos respeitar seus significados e ter responsabilidade com que o que pedimos e queremos representar, pois a dança cigana é um ritual, assim seus pedidos podem ser atendidos.

Dizem o antigos, que os ciganos dançam para atingir o êxtase do fluido energético que os levam de encontro com a verdadeira essência da Deusa e do Deus interior e superior. Por isso, dificilmente, os ciganos fazem coreografias; dançam soltos e livres, colocando em cada movimento suas emoções. A graça está em cada pessoa ouvir a voz do seu coração e permitir que se conduza levemente, tranqüilamente, pois só dessa maneira, consegue sentir sua alma. A dança é a magia, e a alegria de nosso povo, o mistério através dos passos e movimentos que saúdam, invocam e fazem Fluir a mais bela e elevada vibração energética!

Para o cigano, os movimentos de braços e de mãos descrevem os sentimentos mais profundos em relação a cada tema executado. Conforme o sentimento a ser passado pela dança interpretada, as mãos e os braços desenham coreograficamente símbolos que traduzem cada emoção implícita no estilo, executado. Como por exemplo: a rotação de mãos para fora traduzem a doação da energia interior transmitida à terra, a outrem e ao cosmo. Quando a rotação é realizada para dentro, traduzem o recebimento ou à busca da energia vinda da terra, de outrem ou do mundo divino. Os movimentos circulares traduzem em sua maioria, as energias ou sentimentos em movimento, em ação contínua. Os movimentos mais retos simbolizam em sua maioria, as ações diretas ou finalizadas.

A dança cigana caracteriza a ligação e a comunhão do Homem com o Divino. Expressam os sentimentos mais profundos para com os seus e para com o mundo considerado sagrado. Dentre os ritos de maior importância, temos: Culto aos Antepassados, Slavas, Casamentos, batizados e outros. É importante sabermos que pela intimidade em que se caracteriza o Culto aos Antepassados, essa categoria não é levada à cena a não ser de forma estritamente estilizada, assim como alguns outros estilos pertencentes a essa categoria. Sendo interpretadas com autenticidade somente nos lares ciganos, em festas consideradas íntimas.

Apesar dos ciganos não terem uma religião propriamente dita (como povo nômade, sempre absorveu os costumes dos povos visitados...) existe toda uma tradição de Mistérios entre nossas práticas. Muito se fala sobre os ciganos e pouquíssimo se conhece. Existe uma profunda correspondência entre o paganismo ocidental e a cultura cigana.

Uma vez por ano, ciganos de diversas partes do mundo se dirigem até Saintes-Maries-de-la-Mer, no sul da França, para homenagear Santa Sarah. Segundo a tradição, Sarah era uma cigana que vivia em uma pequena cidade à beira-mar quando a tia de Jesus, Maria Salomé, chegou ali com outros refugiados para escapar das perseguições romanas. Apesar de hoje existirem ciganos cristãos, a grande maioria ainda mantém o culto ao divino casal, Devel e Kali (respectivamente o deus e a deusa). Uma das manifestações dos deuses é Belkarrana, uma divindade andrógina, em romani significando deus bom. Mas como as primeiras caravanas ciganas entraram na Europa por volta do século XV, muitos de nossos costumes foram também camuflado. Um exemplo disse é o culto a "Santa" Sara Kali.

É fácil identificar Sarah como mais uma das muitas virgens negras que podem ser encontradas no mundo. Sara-la-Kali, diz a tradição, vinha de uma nobre linhagem e conhecia os segredos do mundo. Seria, no meu entender, mais uma das muitas manifestações do que chamam a Grande Mãe, a Deusa da Criação.

Leia mais sobre Umbanda   aqui


Carlinhos Lima - Astrólogo, Tarólogo e Pesquisador



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

A profecia do fim do mundo na cultura dos Judeus, do Islã e do Cristianismo

 



Judaísmo, século 2 a.C.
As concepções introduzidas pelo mazdaísmo foram aos poucos transmitidas a outros povos do Oriente Médio, como os hebreus, que incorporaram o monoteísmo. Os judeus não tiveram um único profeta, mas vários, e foram dominados sucessivamente por diversas etnias. Nesses séculos de controle estrangeiro, sonhavam com uma futura e definitiva vitória sobre os seus inimigos — e assim surgiu a crença de que, um dia, Jeová colocaria um fim às agruras de seu povo escolhido.

No início, os judeus esperavam apenas que ele lhes desse uma vitória decisiva. Mas, com o tempo, passaram a acreditar que, além de recompensar os bons, puniria os maus. Essas esperanças apocalípticas estão narradas, principalmente, no Livro de Daniel, escrito no século 2 a.C.

Nessa época, os hebreus padeciam sob o domínio do macedônio Antíoco IV Epífanes e protagonizaram a chamada Revolta dos Macabeus. Nesse caldo político, o livro, de autor desconhecido, visava levantar o moral do povo e descreve a saga do profeta Daniel, que teria vivido no século 5 a.C. Ele previu a vinda do Messias, destinado a libertar os judeus, punir os maus e dar início a uma era de paz interminável.

Alguns historiadores acreditam que o Messias do texto seja uma referência a Judas Macabeu, líder da revolta contra os macedônios. Ele realmente saiu vitorioso e fundou uma dinastia. Mas seus descendentes só reinaram até 63 a.C., quando os judeus foram conquistados pelos romanos. Por isso, persistiu a crença de que o verdadeiro Messias ainda não chegou.

Os ortodoxos têm até uma data para sua vinda, o ano 6000 do calendário judaico — aproximadamente 2240 no cristão. "Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. A humanidade passará 6 mil anos de trabalhos e sofrimentos. Com o início do sétimo milênio, chegará a hora do repouso e da recompensa", diz o rabino Mendel Liberow. Após a composição do Livro de Daniel, a crença no fim da História chegou a uma seita dissidente, surgida na Terra Santa sob o domínio dos romanos: o cristianismo.

Cristianismo, século 1
Quando o Livro das Revelações foi escrito, os cristãos eram ferozmente perseguidos pelo Império Romano. Entre os séculos 1 e 3, milhares foram executados. A matança teria levado João a se exilar em Patmos.

Segundo as tradições da Igreja, ele foi um dos apóstolos e também o redator de um dos Evangelhos. Alguns historiadores, contudo, acreditam que se trata de pessoas diferentes. O que ninguém nega é a intenção política da obra, influenciada pelo Livro de Daniel. 

O Apocalipse de João, como também é conhecido, visava fortalecer a fé dos perseguidos, prometendo castigos horríveis aos opressores (e infiéis). Há terremotos, chuvas de meteoros, pragas, pestilências... e, claro, quatro infames cavaleiros que descem dos céus para atormentar a humanidade.

O último se chamava "Morte, e o Inferno o seguia" — uma procissão de figuras como gafanhotos gigantes integram a comitiva. É chegada a hora, então, do grande combate entre Deus e o Diabo. Ele enviará à Terra um Anticristo, à frente de um grande exército.

Jesus irá derrotá-lo, mas depois de um milênio acorrentado, Satã retorna para a batalha final, prevista para ocorrer em um lugar chamado Armagedom — que alguns identificam como Megiddo, na Palestina. Jesus, mais uma vez, destruirá a legião do mal. E segue-se o Juízo Final: os pecadores serão lançados ao inferno e os justos viverão para sempre no paraíso. Até hoje, há quem interprete ao pé da letra o Livro das Revelações.

É o caso dos dispensionalistas, uma seita evangélica americana. A obra, contudo, foi majoritariamente entendida como uma promessa de paz. "Os cristãos antigos e medievais não viam as imagens apocalípticas como algo negativo", diz Fernando Ferrari. "Terremotos, pragas e até demônios seriam instrumentos de Deus e cumpriam uma função positiva. Foi com a Reforma Protestante que a ênfase passou da esperança para a angústia. O medo do fim do mundo, nesse sentido, é uma invenção moderna".

Islã, século 7
O conceito do Fim do Mundo como algo essencialmente positivo também influenciou o Islã, com a pregação do profeta Maomé — que absorveu muitas crenças de seus antecessores monoteístas.

O Juízo Final descrito no Alcorão e nos Hadith (uma coleção de ditos do Profeta) tem muitas semelhanças com o Livro das Revelações. Na tradição muçulmana, o Anticristo é Masih-Al-Dajjal, "o falso profeta", que tentará dominar o mundo. Ele será derrotado pelo Mahdi, espécie de Messias islâmico, que será ajudado em sua tarefa por ninguém menos que "Issa, filho de Miriam", ou Jesus.

Após a batalha final, o anjo Israfil tocará sua trombeta e começará o grande Julgamento, que durará entre 50 mil anos. Até as plantas e os animais serão ressuscitados e virão depor contra a humanidade. Por fim, os humanos terão de atravessar uma ponte fina como um fio de cabelo e afiada como uma espada — os bons chegarão ao paraíso para a vida eterna e os maus cairão no inferno.

O momento decisivo da humanidade é chamado "A Hora" para os muçulmanos. Como o cristianismo, o islã não tem data marcada para o fim dos tempos: só Alá sabe. Daí um dos ditos mais famosos de Maomé: "Vive como se tua vida fosse infinita, mas faz o bem como se fosses morrer amanhã".

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/


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A profecia do fim do mundo na cultura dos Vikings, do Mazdaísmo e do Hinduísmo





Hinduísmo, séculos 18 a.C. a 10 d.C.


Há mais de 3 mil anos, os hindus já tinham complicadas profecias em livros sagrados como os Vedas e os Puranas." As religiões ocidentais têm uma concepção linear do tempo. Já para a hindu, que influenciou o budismo, o tempo é cíclico, com o Universo alternando fases de atividade e de repouso", diz Swami Nirmalatmananda, ex-presidente da Ordem Ramakrishna no Brasil. S

egundo o hinduísmo clássico, o Cosmo foi criado pelo deus Brahma. Cada dia na vida dele equivale a 4 bilhões de anos humanos — período que representa um ciclo na história do Universo, ou kalpa.

Esse, por sua vez, se divide em mahayugas, períodos de 4 milhões de anos. Mas cabe ao deus Vishnu (não a Brahma) exercer a justiça cósmica. O fim de cada mahayuga é marcado pela decadência moral da humanidade.

É quando Vishnu tem de pôr ordem na casa. Dizem os Puranas que a sua próxima encarnação, chamada Kalki, virá armada com uma espada brilhante como um cometa e "irá destruir os ímpios e os ladrões e todas as mentes devotadas à iniquidade".

A Terra será incinerada e ressurgirá das cinzas. Após cada kalpa, seu dia divino, Brahma irá dormir e, ao fechar os olhos, o Universo desaparecerá nas trevas — para reaparecer bilhões de anos depois, quando ele acordar. Assim, o ciclo de destruição e ressurgimento jamais acaba.

A crença no tempo circular era a concepção mais comum entre os povos da Antiguidade. O estoicismo, linha filosófica surgida na Grécia no século 3 a.C., apregoava a ocorrência da ekpyrosis, a destruição de tudo em uma explosão de fogo purificador a cada 15 mil anos. Os celtas acreditavam que o céu caía periodicamente sobre a Terra — curiosamente, há um mito semelhante entre os brasileiríssimos jurunas.



Vikings, século 8


Os vikings — ou, melhor dizendo, os nórdicos, porque viking era profissão — foram um dos últimos povos europeus a se converterem ao cristianismo. E previram um apocalipse pagão e amoral.

É a lenda do Ragnarok, ou a morte dos deuses, contada nos Eddas, escritos por volta do século 13. Os vikings já eram cristãos e conheciam o Armagedom da Bíblia, mas as histórias falam de seus deuses antigos, que habitavam o mítico país de Asgard, sob o governo de Odin.

O papel de vilão cabia a Loki, expulso de Asgard por causa de suas tramoias contra os parentes divinos. Os vikings acreditavam também na existência de elfos, anões, gigantes e monstros. E quase todas essas espécies sairão na pancada durante o apocalipse mais heavy metal da História.

Tudo começará com o Fimbulvert, um inverno sobrenatural que durará três anos. Loki, então, comandará um exército contra Asgard. Suas tropas incluirão gigantes e monstros, como Fenrir, o lobo demoníaco, e Jormungad, uma serpente saída dos confins do oceano. Heimdall, o arauto dos deuses, soprará sua trombeta — e aí, sim, o tempo vai fechar. Até o manda-chuva Odin morrerá, devorado pelo lobo. Asgard virará um cemitério. E os humanos serão exterminados por tabela.

"A mitologia nórdica pode ser vista como uma mistura das concepções linear e circular do tempo", diz o historiador Johnni Langer, da UFMA. "Por um lado, o céu e a terra renascerão, como nos mitos hindus. Mas não há previsão de outras destruições." Não haverá paraíso nem inferno, até porque os vikings não tinham os conceitos de pecado e julgamento cristãos nas lendas originais que inspiraram os Eddas. "Haverá um novo Universo semelhante ao anterior", afirma Langer.


Mazdaísmo, séculos 5 a.C. a 9 d.C.



Mas quem, então, esticou o tempo em uma linha reta? O criador dessa visão de Juízo Final foi o persa Zaratrusta (ou Zoroastro). Ele teria nascido entre os séculos 10 e 5 a.C. no atual Irã. Filho de um agricultor pobre, partiu aos 30 anos para viver sozinho no deserto. Saiu de lá com os princípios de uma nova religião, o mazdaísmo, que logo se espalhou por toda a Pérsia.

Ela cultuava um só deus e admitia a existência de sua antítese maligna. O demoníaco Arimã guerreava constantemente contra o benfazejo Ahura Mazda pelo controle do Universo. Essa batalha era um grande drama cósmico com um desfecho definitivo, narrado no Zend Avesta e no Bundashin (escritos entre os séculos 5 a.C. e 9 d.C.).

Num futuro indeterminado, Ahura enviará à Terra seu último profeta: Shaosyant, que ressuscitará os cadáveres de sua tumba. Depois, um Anjo de Fogo derreterá as montanhas.

O mundo será coberto por um oceano de lava e metal — os vivos e os mortos terão de atravessá-lo descalços. "Para os justos, o rio de fogo será suave como leite fresco, mas os ímpios e os pecadores arderão nas chamas, até serem purificados", diz o Bundashin. O mundo será reconstruído, Arimã será destruído e o mal deixará de existir.

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/


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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Cultura e sexualidade: Por que as estátuas gregas e romanas têm pênis pequeno?




Ao retratar estrangeiros, escravos ou sátiros, os artistas desenhavam órgãos grandes, só que eles não eram exemplos a serem admirados


As esculturas de homens da Grécia e da Roma Antigas são dotadas de pênis pequenos, algo que muita gente evita comentar por educação ou por vergonha. Em parte, isso acontece porque seus membros foram esculpidos para parecer que estão moles, e não em posição sexual. Quem usou esse argumento foi a historiadora da arte Ellen Oredsson no seu blog How to talk about art history. “Se alguém compara com o tamanho da maioria dos pênis moles, (os dos gregos) não são na verdade tão significativamente menores quanto os da vida real”, escreveu ela ao responder a uma pergunta de um leitor. Outro motivo é cultural. Os gregos valorizavam os pênis de tamanho menor. Quando pintavam um grego inteligente e admirado, eles o retratavam com um pênis pequeno. Assim, queriam dizer que prezavam o intelecto e as divagações filosóficas. Pênis grandes eram considerados feios e grosseiros, coisa de bárbaro. Ao moldar no mármore aqueles que não se encaixavam nessa categoria, a atitude era oposta. “Os artistas gregos mostravam o seu desprezo pelos estrangeiros e pelos escravos pintando-os com órgãos grandes”, escreveu David M Friedman no seu livro A Mind of its own: a cultural history of the penis (Penguim). Além disso, quando faziam um sátiro, um ser mitológico pequeno, festeiro e com patas de cabra, os artistas o faziam com o pênis grande e ereto. “A conclusão mais razoável é a de que se um pênis grande vem com uma face horrível e o pênis pequeno com um rosto bonito, então o pequeno é que era admirado“, escreveu o historiador Kenneth Dover no seu livro Greek Homossexuality (Bloomsbury Academic), lançado inicialmente em 1978. Ao longo dos séculos, embora os gostos fossem mudando, o padrão de beleza permaneceu o mesmo. Os romanos, que vieram depois dos gregos, valorizavam o membro avantajado a ponto de alguns generais serem promovidos por causa do tamanho de seus órgãos. Contudo, essa admiração não foi refletida nas estátuas, que continuaram na tradição grega. Quando os pintores e escultores renascentistas, a partir do século XIV, passaram a se espelhar no período antigo, eles seguiram a tradição. A estátua de Laocoonte e seus filhos, que ilustra esse blog, é do século 1 a.C. e foi desenterrada em Roma em 1506. Hoje está no museu do Vaticano. Há até uma réplica no parque do Ibirapuera, em São Paulo. Fica perto do lago. O italiano Michelangelo Buonarroti foi um dos que foram acompanhar a retirada das peças. Ele se impressionou tanto que depois fez duas esculturas retratando escravos, inspiradas no que viu. Ambas estão atualmente no Louvre, em Paris. O membro de Laoconte tem dimensões diminutas. Os dos dois escravos estão escondidos pelas túnicas. Mas a obra de Michelangelo cujo tamanho de pênis mais causa alvoroço é a estátua de Davi, que fica em Florença e foi concluída por Michelangelo em 1504, dois anos antes da descoberta do Laocoonte em Roma. Para o historiador inglês Martin Gayford, autor da biografia Miguel Ángel: una vida épica (Taurus), a falta de proporção foi intencional e também pode ser observada no tamanho de sua cabeça (a de cima), que foi superdimensionada. “No que se refere ao conjunto, sem dúvida, é qualquer coisa menos proporcional. Pelo contrário. Davi é um monstro: a soma de suas partes não constitui uma figura humana real; tem o corpo e o desenvolvimento muscular de um adulto, mas em vários aspectos, sua compleição é a de um menino“, escreveu Gayford. Para o crítico, “o fato de que passemos por alto (ou simplesmente não vejamos) essa desproporção é um tributo da força da arte de Michelangelo”.





Outra resposta para o Davi veio em 2005, quando dois italianos de Florença, o pintor Pietro Antonio Bernabei e o médico Massimo Gulisano, publicaram um estudo dizendo que o tamanho menor é que Michelangelo queria passar a tensão de Davi, que estaria se preparando para lançar uma pedra contra o gigante Golias, mais forte que ele. O medo, segundo os autores, pode ser constatado pelos músculos de sua perna direita e nos seus olhos bem abertos. Para quem não se contentou com nenhuma das justificativas para o tamanho do pênis de Davi vale notar que a temperatura de Roma durante o inverno pode chegar a 3 graus Celsius. O herói bíblico, portanto, poderia ter sido vítima de um vento gelado. Ou será que não?

Fonte: blog/duvidas-universais/Veja


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