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domingo, 18 de julho de 2021

Isótopo é detectado pela 1ª vez na atmosfera de exoplaneta

 


Observações realizadas por uma equipe internacional de astrônomos a partir da detecção em 2019 de um exoplaneta novo a aproximadamente 300 anos-luz da Terra permitiram registrar uma alta proporção de carbono-13 em sua atmosfera.

Trata-se de um objeto celestial da constelação da Mosca, registrado como TYC 8998-760-1 b, segundo a Sociedade Max Planck, com sede na Alemanha.

Grande parte do trabalho decorreu no território chileno, com o telescópio VLT do Observatório Paranal e um moderno espectrógrafo.

Este é um grande passo para a identificação da composição química da superfície ou na área próxima dos corpos celestes.

Para um objeto tão distante, é a primeira vez que o espectro de luz que reflete forneceu informação tanto sobre o elemento químico predominante como de seu isótopo concreto, ou seja, do equilíbrio de prótons e nêutrons que fazem parte de seus átomos, segundo o estudo publicado pela revista Nature.

O carbono-13 possui seis prótons e sete nêutrons, enquanto que o carbono terrestre (carbono-12) majoritariamente possui seis, recordam os pesquisadores.

Embora a pequena presença dos isótopos pesados, carbono-13 e carbono-14 (com oito nêutrons), tenha aqui muita importância para a datação de diferentes descobertas arqueológicas, fósseis e rochas.

De acordo com os cientistas, a variação no número de nêutrons não causa grandes mudanças nas propriedades químicas do elemento, que existe no exoplaneta principalmente na forma de gás e pode fazer parte das moléculas de monóxido de carbono, conhecido por suas propriedades venenosas nas condições terrestres.

Além disso, pode se precipitar em forma congelada, a julgar pela enorme distância que separa a órbita deste corpo celeste de seu astro e o situa em uma região muito fria de seu sistema.

"O planeta está mais de 150 vezes mais distante de sua estrela-mãe que nossa Terra do Sol [...] A uma distância tão grande é possível que se tenham formado gelos com muito carbono-13, algo que proveu maior fração deste isótopo na atmosfera atual do planeta", detalha o astrônomo Paul Mollière, do Instituto de Astronomia Max Planck.

O tamanho do exoplaneta também apresenta um interesse particular para os pesquisadores, visto que mede quase o dobro do diâmetro de Júpiter e tem uma massa aproximadamente 14 vezes maior que a do maior planeta do Sistema Solar.

O exoplaneta em questão foi formado muito distante do astro, semelhante a nosso Sol em dimensões e luminosidade, e esta situação o distingue entre os múltiplos sistemas estelares detectados tanto por seu tamanho excepcional em proporção com a estrela como por esta primeira informação de sua composição isotópica.

domingo, 11 de outubro de 2020

Atmosfera de um dos exoplanetas mais quentes da galáxia está repleta de metais vaporizados

 


Astrônomos observaram um dos exoplanetas mais quentes já encontrados e conseguiram identificar pelo menos sete metais flutuando na atmosfera.

Cientistas usaram o Pesquisador de Planetas de Alta Precisão de Velocidade Radial (HARPS, na sigla em inglês), no Observatório La Silla, no Chile, para detectar magnésio, sódio, cálcio, crômio, ferro, níquel e vanádio na atmosfera do exoplaneta WASP-121b. Os resultados foram publicados recentemente na revista científica Astronomy & Astrophysics.

"Todos os metais evaporaram como resultado das altas temperaturas prevalecentes no WASP-121b, garantindo assim que o ar no exoplaneta consistisse em metais evaporados, entre outras coisas”, afirma Jens Hoeijmakers, principal autor do estudo, em comunicado divulgado na quinta-feira (8).

"O amplo conhecimento sobre a atmosfera do WASP-121b não só confirma o caráter ultraquente do exoplaneta, mas também destaca o fato de que este campo de pesquisa está entrando em uma nova era", comemora o astrônomo.



© FOTO / CENTRO DE CIÊNCIA DE AT-BRISTOL, UNIVERSIDADE DE EXETER
Concepção artística do gigante gasoso WASP-121 b

Estudos anteriores especulavam que talvez existisse vanádio na atmosfera de WASP-121b, mas só agora foi possível confirmar a suspeita. "Depois de anos catalogando o que está lá fora, agora não estamos mais apenas fazendo medições, mas estamos realmente começando a entender o que os dados dos instrumentos nos mostram", comenta Hoeijmakers.

Planeta WASP-121b

O exoplaneta WASP-121b foi descoberto em 2015 nas proximidades de uma estrela semelhante ao Sol, localizada na constelação Puppis, a 850 anos-luz da Terra.

Planetas como WASP-121b são chamados Júpiteres quentes porque são gigantes gasosos que orbitam tão próximo das estrelas que a temperatura dos planetas rivaliza com a das próprias estrelas. A temperatura em WASP-121b varia entre 2.500 e 3.000 ºC.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Meteoros que passam pela atmosfera da Terra podem ter levado vida para Vênus

 


Um novo estudo sugere que os asteroides que passaram pela atmosfera terrestre, podem ter levado consigo micróbios que lá habitavam, levando assim vida para o segundo planeta do nosso sistema solar.

No início deste mês, pesquisadores descobriram vestígios de fosfina nas nuvens de Vênus, uma molécula que apenas existe na Terra como um subproduto da vida. Suspeita-se que a fosfina tenha chegado lá do nosso planeta. Uma pesquisa do Departamento de Astronomia da Universidade de Harvard sugere a possibilidade de asteroides – cerca de 600 mil, que passaram pela atmosfera terrestre, terem arrastado micróbios para Vênus.

"Apesar da abundância de vida na atmosfera da Terra ser desconhecida, estes corpos [asteroides] podem ter sido capazes de transferir vida microbial da Terra para Vênus", escreveram os cientistas Amir Siraj e Abraham Loeb no abstrato do estudo publicado no portal arxiv.org. "Como resultado, a possível origem de vida em Vênus seria, fundamentalmente, indistinguível da terrestre."

Apesar de o estudo ainda não ter sido revisado, já é possível conferi-lo. No estudo, Siraj e Loeb apoiam a teoria da ocorrência de panspermia, consistindo na hipótese de a vida de um planeta ter sido originada por microrganismos vindos do espaço, "saltando" de um planeta para outro. Houve sugestões de que a vida na Terra teria também começado assim. Em outras teorias, é sugerido que a vida possa ter surgido de cometas e asteroides.




Imagem de Vênus

Ainda dentro da teoria de panspermia, estudos passados e mais recentes têm discutido a possibilidade de cometas terem trazido para a Terra o "elemento essencial" para a vida. Em 2019, a NASA encontrou moléculas de açúcar em dois meteoritos diferentes, adicionando credibilidade à ideia de que os asteroides desempenham um papel crucial em suportar a vida. No entanto, são necessários mais estudos e pesquisas para provar a veracidade da teoria utilizada no estudo de Siraj e Loeb.

Vênus, também chamado de "gêmeo demoníaco da Terra", tem um clima muito brusco, dono de temperatura superficial de aproximadamente 462 graus Celsius. Apesar de ser demasiado quente para suportar vida, a NASA recentemente reportou suas intenções de explorar o planeta. Em julho, pesquisadores revelaram que Vênus possui quase 40 vulcões ativos na sua superfície. Nesse mesmo mês, vários pesquisadores argumentaram que explorar o segundo planeta do Sistema Solar poderia trazer benefícios para uma possível missão humana em Marte.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Sonda da NASA descobre 'camadas' e 'fissuras' na atmosfera superior de Marte



A nave especial MAVEN da NASA descobriu "camadas" e "fissuras" na parte eletricamente carregada da ionosfera de Marte.

A inesperada descoberta de sonda MAVEN mostra que Marte é um laboratório único para explorar e compreender este fenômeno altamente disruptivo.
O fenômeno é muito comum na Terra e causa interrupções imprevisíveis na comunicação por rádio. No entanto, não o compreendemos totalmente porque se forma em altitudes que são "muito difíceis" de explorar na Terra.
"As camadas estão muito perto de nossas cabeças na Terra, e podem ser detectadas por qualquer pessoa com um rádio, mas ainda são bastante misteriosas", disse Glyn Collinson do Centro do Voo Espacial Goddard da NASA e autor principal do artigo científico publicado na revista Nature Astronomy.
Se você alguma vez perdeu o sinal de rádio da sua estação favorita ou a ouviu interferida por outra, uma causa provável deste fenômeno são as camadas de gás com carga elétrica, chamada "plasma", na região mais alta da atmosfera chamada "ionosfera".
Estas camadas, que se formam repentinamente e duram várias horas, funcionam como espelhos gigantes no céu, fazendo com que os sinais de rádio vindos de longe ricocheteiem no horizonte onde podem interferir com as transmissões locais, como duas pessoas que tentam falar entre si. As camadas podem também causar interferências com as comunicações de rádio por avião e barco, podendo cegar radares militares.
Na Terra, estas camadas se formam em uma altitude aproximada de 100 quilômetros, onde o ar é rarefeito demais para que um avião possa voar, mas muito espesso para que um satélite orbite. A única maneira de alcançar estas camadas é por meio de um foguete, no entanto, estas missões duram apenas pouco tempo antes de voltar a cair na Terra.
Em Marte, as sondas espaciais como MAVEN podem orbitar em altitudes mais baixas, podendo reproduzir estas características diretamente. A nave da NASA tem vários instrumentos científicos que medem plasma na atmosfera e o espaço ao redor de Marte. Medições recentes de um destes instrumentos detectaram picos súbitos inesperados na abundância de plasma enquanto passava pela ionosfera marciana.
A nave espacial não só descobriu que este tipo de camadas pode ocorrer em outros planetas além da Terra, mas também que os novos resultados revelam que Marte oferece condições que a Terra não pode oferecer, um lugar onde podemos explorar estas camadas com satélites de forma confiável.
As observações de MAVEN já estão revertendo muitas de nossas ideias existentes sobre os fenômenos. Foi descoberto que as camadas também têm um espelho oposto, uma "fissura" onde o plasma é menos abundante.
A existência destas "fissuras" na natureza era completamente desconhecida antes de seu descobrimento em Marte pela nave espacial MAVEN e anula os modelos científicos existentes que dizem que não podem se formar. Além disso, ao contrário da Terra, onde as camadas são imprevisíveis e de duração curta, as camadas marcianas são incrivelmente duradouras e persistentes.

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domingo, 10 de maio de 2020

Sonda desativada pode resolver enigma de atmosfera quente de Saturno



Nave Cassini parou de funcionar em 2017, mas ainda possui informações importantes sobre o planeta

Um dos maiores mistérios em relação a Saturno é como sua atmosfera pode ser tão quente, mesmo sendo tão distante do Sol. A resposta desse mistério pode ser dada pela sonda Cassini, da Nasa, após 13 anos estudando de perto o planeta.

Analisando dados antigos da nave, desativada desde 2017, cientistas da agência americana e da Agência Espacial Europeia (ESA) sugerem que são as auroras que aquecem a atmosfera de Saturno. O fenômeno é acionado pelo fluxo constante de partículas carregadas de vento solar que, ao interagirem com partículas carregadas que fluem das Luas do planeta, criam correntes elétricas.
“Os resultados são vitais para nossa compreensão geral das atmosferas planetárias e são uma parte importante do legado da Cassini”, afirmou o coautor do estudo, Tommi Koskinen.



Foto: Nasa/JPL/ASI/University of Arizona/University of Leicester

Mapa de Saturno

Usando os dados da Cassini, os cientistas criaram um mapa de temperatura e densidade da atmosfera de Saturno, o que possibilitou o estudo de como as correntes elétricas das auroras aquecem a atmosfera superior do planeta, gerando o vento solar. Esse vento, por sua vez, distribui a energia dos polos em direção ao equador, aquecendo até o dobro da temperatura que poderia ser gerada pelo calor do sol.
É comum que dados enviados por naves espaciais continuem fornecendo novas informações muito depois de sua desativação. Estes dados em questão foram captados nos últimos meses de operação da Cassini, quando ela completou vinte e duas órbitas muito próximas do gigante gasoso.
Via: Space

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Cientistas revelam o que atmosfera dos exoplanetas esconde



Um equipe de astrofísicos da Universidade de Cambridge descobriu que a atmosfera dos exoplanetas possui menos água do que se imaginava.

Os resultados do estudo, publicado na revista Astrophysical Journal Letters, podem ter repercussão na busca de água no Sistema Solar e mais além no espaço.
Os pesquisadores britânicos analisaram informações atmosféricas de 19 exoplanetas com o objetivo de obter dados detalhados sobre suas propriedades químicas e térmicas. Entre os objetos espaciais estavam os chamados mini-Netunos, com cerca de 10 vezes mais massa que a Terra e os super-Júpiter, que são 600 vezes mais pesados que nosso planeta.

© FOTO / NASA/JPL/SISTEMAS DE CIÊNCIA ESPACIAL MALIN
L 98-59b, o menor exoplaneta já descoberto pelo satélite TESS da NASA
Apesar de o vapor d’água estar presente na atmosfera de muitos exoplanetas, seus volumes são menores do que se esperava, embora a consistência de outros elementos tenha coincidido com as expectativas.
Hoje, o elemento químico mais abundante é o oxigênio, depois do hidrogênio e do hélio, o que significa que haverá abundância de água, considerada como o principal portador de oxigênio.
Foi descoberto que 14 dos 19 exoplanetas possuem o líquido azul em abundância, entretanto, apenas seis corpos espaciais contam com reservas suficientes de sódio e potássio.
"Medir a abundância destes elementos químicos na atmosfera dos exoplanetas é algo extraordinário, levando em conta que nem sempre podemos fazer o mesmo com os planetas gigantes de nosso Sistema Solar, incluindo Júpiter", explicou Luis Welbanks do Instituto de Astronomia, e autor do estudo.
Estas informações podem ajudar e compreender como estes exoplanetas poderiam ter sido formados sem a quantidade necessária de gelo. Além disso, mostram que não é possível pensar que os diferentes elementos químicos são igualmente abundantes nas atmosferas planetárias.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Asteroide explode na atmosfera terrestre perto de Porto Rico (Vídeo)


Uma rocha espacial de 3 metros de comprimento atingiu a Terra e aterrissou ao sul de Porto Rico com uma força de 3 a 5 quilotons de TNT.


De acordo com o EarthSky, o grande impacto ocorreu no dia 22 de junho a uns 273 km ao sul da ilha de Encantamento, atingida por um furacão.
Apesar da alta quantidade de energia emitida pelo ataque da rocha espacial, nomeada recentemente de Asteroide 2019 MO, nenhum ferimento ou fatalidade é pensado como tendo resultado do incidente.
O fato mais marcante sobre a sua descida na Terra foi que a rocha voadora foi detectada antes do seu impacto. Até hoje, houve apenas quatro incidentes nos quais o asteroide foi observado antes de seu impacto.



Here is the event captured by the GLM. It shows that it was detected just south of Puerto Rico. here is the link to the RAMMB slider: https://col.st/PlKVS 


18 pessoas estão falando sobre isso
Aqui está o evento capturado pelo Mapeador de Raios Geoestacionário. Ele mostra que foi detectado ao sul de Porto Rico
Especialistas da NASA indicam que eventos semelhantes ao impacto de 22 de junho ocorrem "aproximadamente uma ou duas vezes por ano", mas raramente são capturados.
"A primeira vez que isso aconteceu foi com asteroide 2008 TC3, a segunda com asteroide 2014 AA, [e] a terceira foi 2018 LA que impactou a Terra em 2 de junho de 2018", informou o astrônomo amador Ernesto Guido.
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