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domingo, 10 de maio de 2020

Coronavírus sofre mutação e se torna mais contagioso, aponta estudo



Cientistas encontram mudança na proteína spike, que o vírus usa para se conectar a células humanas; alteração genética é considerada “uma preocupação urgente” pelos pesquisadores, pois pode tornar vacinas ineficazes
O estudo, que foi realizado pelo Los Alamos National Laboratory, pertencente ao governo dos EUA, identificou 14 mutações na proteína spike (S), das quais uma foi considerada alvo de “preocupação urgente” pelos cientistas. Batizada de D614G, essa mutação é resultante de uma única alteração no código genético do vírus: a substituição de guanina por adenina na posição 23.403 (o SARS-CoV-2 é formado por 30 mil pares de nucleotídeos, ou “letras” genéticas).
Segundo os pesquisadores, a mutação ocorreu entre dezembro e fevereiro, quando a nova cepa do vírus começou a se espalhar na Europa. “A D614G está aumentando de frequência de forma alarmante, indicando que ela possui uma vantagem relativa à cepa original, de Wuhan, o que permite seu espalhamento mais rápido”, diz o estudo. “Quando é introduzida em novas regiões, [ela] rapidamente se torna a forma dominante”, afirmam os cientistas. Além da Europa, o vírus contendo a mutação D614G foi identificado nos EUA, no Brasil, no México e até na China, onde a pandemia começou. Os cientistas analisaram o código genético de 6.000 amostras, coletadas em todo o mundo.  
A nova cepa do vírus é mais transmissível por dois motivos. O primeiro é estrutural: a mutação D614G afeta diretamente a proteína spike, responsável pelas protuberâncias em torno do vírus – que ele usa para se conectar a células humanas. Os cientistas acreditam que essa alteração tenha melhorado a ligação com os receptores ACE2 humanos. A outra explicação possível, diz o estudo, é um fenômeno chamado “aprimoramento dependente de anticorpos” (ADE). Esse fenômeno, que já foi observado em outros vírus, como HIV, zika e os que causam dengue e febre amarela, ocorre quando os anticorpos humanos não conseguem neutralizar um vírus – que, por motivos ainda não plenamente compreendidos, se torna mais infeccioso por causa disso.  

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A cepa contendo a mutação D614G não é mais agressiva do que a original: os pacientes que a contraem apresentam índices similares de internação e óbito. Mas, de acordo com os cientistas do Los Alamos (laboratório que tem 12 mil funcionários e coordenou o Projeto Manhattan, que levou à criação da bomba atômica), a mutação pode atrapalhar o desenvolvimento de vacinas contra o SARS-CoV-2, podendo torná-las ineficazes. 
“Se a pandemia se prolongar, isso pode exacerbar o acúmulo de mutações durante o ano ou mais que levará até a primeira vacina. Se lidarmos com esse risco agora, talvez possamos atentar para evoluções do vírus, que se ignoradas poderiam limitar a efetividade clínica das primeiras vacinas”, afirma o estudo. 
Os coronavírus costumam apresentar taxas de mutação bem menores do que outros tipos de vírus – mas a alta proliferação do SARS-CoV-2, com o vírus exposto a pressões seletivas e a ocorrência de trocas genéticas entre cepas, pode estar acelerando o processo. “Dada a importância vital da proteína spike, tanto em termos de infectividade quanto como alvo para anticorpos, nós sentimos que há uma necessidade urgente de um sistema que avalie sua evolução durante a pandemia”. 

Astrofísica: Astrônomos podem ter descoberto o buraco negro mais próximo da Terra

 (Victor de Schwanberg/Science Photo Library/Getty Images)

Com cinco vezes a massa do Sol, ele está a mil-anos luz da Terra. Sua descoberta pode ajudar a encontrar outros buracos na Via Láctea.


Na última quarta (6), um grupo de astrônomos afirmou ter localizado um buraco negro a mil-anos luz da Terra – o que o torna o mais próximo do nosso planeta já registrado.
O buraco negro foi encontrado na constelação de Telescopium – não, não é piada –, em um sistema chamado HR 6819, com duas estrelas, e foi observado a partir dos telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile.
Não está convencido de que ele está perto de nós? Os cientistas garantem que, quem estiver no hemisfério Sul, em condições ideias, consegue observar as estrelas do sistema onde o buraco negro está a olho nu, sem a necessidade de equipamentos. É que o espaço é grande, mesmo.
A pesquisa, publicada na revista Astronomy & Astrophysics, começou como uma observação sobre como se comportavam sistemas com estrela dupla – assim como os dois sóis de Tatooine, em Star Wars.
Mas ao analisar as trajetórias das duas estrelas do HR 6819, eles formularam a hipótese de que deveria haver outro corpo ali e que, embora ele não emitisse luz, fazia com que as estrelas girassem ao redor dele.
“Percebemos que não era possível descrever o que vimos com apenas duas estrelas”, disse ao jornal The Guardian Dietrich Baade, astrônomo do ESO e co-autor do estudo. O objeto misterioso tem massa cinco vezes maior que a do Sol e é invisível – em outras palavras, é um buraco negro.
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Caçadores de buracos negros
Pelo seu tamanho, o buraco negro recém-descoberto entra na classificação dos estelares – bem menores que os gigantescos buracos negros supermassivos, encontrados principalmente nos centros das galáxias.
Dessa forma, o sistema forma o que os cientistas chamam de triplo hierárquico: uma das estrelas orbita o buraco negro em um ciclo de aproximadamente 40 dias, enquanto a outra estrela fica a uma distância maior dos outros dois corpos.
Além disso, esse buraco negro possui algumas particularidades. Uma delas é ser extremamente escuro em comparação aos outros buracos estelares que já conhecemos da Via Láctea, que brilham intensamente em raios-x.
Uma hipótese para esse fenômeno é que, nos outros casos, os buracos negros estão sempre acompanhados que estrelas que perdem muito gás. Esse gás, conforme é engolido pelo buraco negro, se aquece e emite luz. No sistema HR 6819, as estrelas não apresentam essa característica, e o buraco, “com fome”, acaba ficando mais escuro.
A descoberta pode ajudar na busca por buracos negros onde, antes, eles passam despercebidos. Atualmente, os astrônomos sabem da existência de algumas dezenas de buracos negros na Via Láctea. Mas isso é só a pontinha do iceberg: modelos teóricos indicam que podem haver de 100 milhões a 1 bilhão deles em nossa galáxia.
E as hipóteses já começaram a surgir. O próximo pode estar na constelação de Gêmeos: o sistema LB-1 intrigou os pesquisadores na época de sua descoberta, quando suspeitaram que ele seria formado por uma estrela e um buraco negro. Novas pesquisas dirão se é isso mesmo.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

CNN produziu vídeo para exibir em caso de fim do mundo; assista

 (Galerie Bilderwelt/Superinteressante)




Gravado nos anos 1980, quando a Guerra Fria podia terminar num apocalipse nuclear, vídeo tem exatamente 1 minuto – e foi mantido em segredo por décadas “Normalmente, quando um canal de TV inicia e encerra as transmissões do dia, ele toca o hino nacional. Mas com a CNN, um canal 24 horas, nós só sairíamos do ar uma única vez, e eu sabia o que isso significaria”, contou Ted Turner, o fundador da emissora,  à revista New Yorker. Ele estava se referindo a um dos episódios mais bizarros da história da mídia: um vídeo, produzido pela CNN, para exibição em caso de apocalipse nuclear. “Nós reunimos as bandas do Exército, da Marina e da Aeornáutica, as levamos até a sede da CNN, para que tocassem o hino nacional. Aí eu perguntei se elas poderiam tocar Nearer My God, to Thee, para ter em videotape, caso o mundo acabsse. Seria a última coisa que a CNN transmitiria antes de… antes de sair do ar”, afirmou Turner em 1988. Embora Turner tenha admitido a existência da gravação, ela só se tornou pública em 2015, quando  um ex-funcionário da CNN obteve uma cópia e a colocou na internet. No vídeo, de exatos 60 segundos, músicos executam uma versão instrumental do hino cristão composto no século 19 pela poeta Sarah Flower Adams. Confira abaixo: 


 “Eu não consigo ver isso sem ficar com lágrimas nos olhos”, declarou Turner à New Yorker. Em sua versão original, Nearer tem letra, de tom apocalíptico: há trechos como “o Sol se pôs” e “a escuridão nos cobriu”, e o narrador morre – subindo ao céu para encontrar Deus. O clipe nunca foi ao ar. E, mesmo numa eventual catástrofe planetária, provavelmente não será: em 1996, Turner vendeu a CNN para o grupo Time Warner (hoje parte da empresa de mídia e telecomunicações AT&T).

Por Bruno Garattoni/Superinteressante

Cientistas transformam estrutura do novo coronavírus em música; ouça

 (Markus J. Buehler/Superinteressante)

Não é nenhuma brincadeira: o objetivo é criar uma outra forma de organizar as informações do vírus para melhor entendê-lo.



Neste ponto da pandemia, você já deve ter visto várias imagens do novo coronavírus: basicamente, uma bolinha coberta por estruturas pontiagudas, as proteínas spike. Mas agora, pela primeira vez, você também pode ouvi-lo. Uma equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) traduziu a estrutura da coroa do vírus em música.

Funcionou assim: como todas as proteínas, as spike são formadas por aminoácidos. Usando uma técnica chamada sonificação, a equipe atribuiu uma nota para cada aminoácido em uma escala musical. Depois, os cientistas escolheram os instrumentos musicais com base em gostos pessoais, sendo o principal o koto, um instrumento típico do Japão. 

Em seguida, uma inteligência artificial deu uma mãozinha para transformar a estrutura em música, gerando um áudio de quase duas horas. Além de simplesmente colocar as notas uma atrás da outra, o software ajustou o volume e duração delas com base na realidade, porque esses aminoácidos podem se apresentar dobrados em formato de hélice ou esticados, o que altera a estrutura da proteína. Markus Buehler, o pesquisador principal do estudo e também musicista, publicou o resultado final do trabalho:


Apesar de também ser uma espécie de expressão artística, a iniciativa tem grande valor científico. A sonificação ajuda a expressar informações de um jeito diferente: assim como você pode ver a spike em um desenho ou ler a sequência de seus aminoácidos, agora também pode ouví-la. E isso fornece aos cientistas uma nova base de dados que permite procurar por padrões ou características específicas da proteína em busca de um medicamento, por exemplo. Como as spike são essenciais para o vírus entrar numa célula humana, achar uma arma específica para elas é uma estratégia que pesquisadores de todo o mundo vêm buscando.

“Nossos cérebros são ótimos no processamento de sons”,  explica Buehler, que já trabalhava com a sonificação de proteínas antes da pandemia. “De uma só vez, nossos ouvidos conseguem captar todas suas características: tom, timbre, volume, melodia, ritmo e acordes. Para ver esses mesmos detalhes em uma imagem, precisaríamos de um microscópio de altíssima potência – e nunca conseguiríamos observar tudo ao mesmo tempo.”

Quem ouve a sinfonia relaxante sem saber sua história dificilmente imagina que o que está por trás dela é um vírus que já causou mais de 87 mil mortes pelo mundo. “[A música] engana nosso ouvido da mesma maneira que o vírus engana nossas células. É um invasor disfarçado de visitante amigável”, diz Buehler.

Por que as pessoas estão tendo sonhos mais vívidos durante a quarentena?

(demaerre/Getty Images)

Desde pesadelos com a cura até histórias de amor impossíveis. Saiba o que tem tornado as noites de sono tão emocionantes em tempos de pandemia.


Você se lembra com o que sonhou essa noite? Caso a resposta seja sim, o mesmo vale para as noites passadas? E antes da pandemia de Covid-19, você lembrava das histórias que passavam na sua cabeça durante o sono? Pois é, talvez aquela rotina não te permitisse sonhar com tanta intensidade, mas as coisas mudaram. Nas redes sociais, muitas pessoas estão relatando experiências vívidas (e um pouco estranhas) sobre seus sonhos. 

Esse negócio de sonhos estranhos tá acontecendo com todo mundo mesmo?! O que o nosso inconsciente tá fazendo nessa quarentena com a gente? Pelo amor de Deus!

241 pessoas estão falando sobre isso


Se você sentiu isso e percebeu que outras pessoas ao seu redor passaram pela mesma situação, relaxe. Não é delírio coletivo e muito menos motivo para criar teorias da conspiração. A ciência é suficiente para explicar o fenômeno. 

Vamos ao primeiro possível motivo: o sono REM – sigla em inglês para “movimento rápido dos olhos” –, fase em que sua atividade cerebral se torna similar à de quando você está acordado. O sono REM ocorre em ciclos que duram entre 90 e 120 minutos e pode se repetir algumas vezes durante a noite. É nesse momento que os sonhos mais vívidos acontecem.

Qual é a relação do sono REM com a situação atual? Bem, nós estamos quase todos fora da nossa rotina. Muitas pessoas estão dormindo mais e não precisam pular da cama para ir ao trabalho, o que significa que ocorrem mais ciclos REM durante a noite (simplesmente porque o tempo total de sono aumenta).

Além disso, a probabilidade de acordar naturalmente durante um ciclo REM também aumenta – é bem mais saudável do que levantar na hora que o despertador quer –, e quando isso ocorre, é mais provável que o indivíduo se lembre do que estava sonhando.

Já para aqueles que estão sonhando diretamente com o coronavírus ou tendo vários pesadelos, a resposta evidentemente pode estar no estresse físico e emocional causado pela pandemia. Você é bombardeado diariamente por notícias sobre a Covid-19, seus amigos e familiares só falam disso nas redes sociais. Logo, o tema também vai surgir durante a noite – de acordo com a teoria de continuidade de William Domhoff, psicólogo americano especialista em sonhos.

Noites ruins são recorrentes após tragédias coletivas – não são só acontecimentos pessoais que contam. Na época dos atentados de 11 de setembro, em 2001, uma professora associada de psicologia na Faculdade Merrimack, em Massachusetts, estava realizando um trabalho com seus alunos em que, diariamente, eles registravam seus sonhos em diários. A professora teve a oportunidade de comparar o que eles escreveram antes e após o desastre, levando em consideração a influência que a mídia teve naquilo que estavam sonhando.  

A professora  concluiu que, para cada hora que os alunos eram expostos ao assunto na TV, as referências aos ataques nos sonhos aumentava em 6%. Outro fato interessante é que, quando os alunos não conversavam com ninguém sobre o assunto, sonhavam diretamente com aviões, torres e explosões.

Por outro lado, se esse tema era debatido com a família e amigos, os pesadelos não eram especificamente sobre o ocorrido. Eram coisas como um acidente de carro ou uma cena de perseguição, por exemplo. Assim, a pesquisadora percebeu que o trauma era mais facilmente superado quando as pessoas colocavam a angústia para fora. O acontecimento acabava se integrando com mais facilidade à vida como um todo. 

Caso você não aguente mais ter pesadelos, tem como se livrar deles. Para isso, você precisa estar tendo um sonho lúcido, ou seja, “despertar” no meio do sonho e perceber que aquilo não é real. A partir daí, você consegue tomar o controle da situação. Voar, lançar chamas, mudar de roupa num piscar de olhos, tudo isso torna-se possível. Nessa matéria da Super, você consegue saber direitinho como chegar nesse ponto.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a escritora Charlotte Beradt coletou cerca de 75 sonhos de pessoas que viviam sob o governo nazista e lançou o livro “O Terceiro Reich dos Sonhos”. Inspirado na iniciativa, nasceu o blog “Eu Sonho com Covid”, em que pessoas do mundo todo podem enviar seus sonhos e tê-los publicados. 
As histórias são diversas. Temos uma pessoa da Califórnia que ficou responsável por escolher quem tomaria a vacina para combater a doença ou não, tendo que deixar inclusive sua mãe de fora. Um brasileiro escreveu que estava nevando muito em nosso país tropical e que foi induzido a participar de uma invasão, que no fim, era na casa de seus próprios pais.
Outro brasileiro criou um amante nos sonhos, capaz de fazer com que ele se sentisse seguro. Mesmo sem saber quem é essa figura imaginária, diz sentir saudades ainda quando está acordado. Me questionei se deveria acrescentar na lista meu sonho bizarro dessa noite, em que eu encontrava o Mickey numa praia americana. Mas, e você, com que tem sonhado? 
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