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sábado, 26 de dezembro de 2020

Cientistas revelam estrutura de blazar 'no passado' (FOTO)

 


O PSO J0309+27 é uma galáxia com buraco negro supermassivo no núcleo, cuja idade atual, se não desapareceu, seria de 12,8 bilhões de anos, mas que nos surgiu quando tinha menos de um bilhão de anos.

Cientistas da Universidade de Bolonha, Itália, examinaram com maior detalhe um blazar encontrado em 2019, e assim, descobriram mais informações sobre sua natureza.



Foto do blazar PSO J0309+27 a uma distância de 12,8 bilhões de anos-luz da Terra

Blazares são galáxias com jatos compostos por matéria ionizada, apontados na direção de observadores terrestres.

O PSO J0309+27, descrito no estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics, foi visto com os telescópios VLA e o VLBA em abril e maio de 2020, por uma equipe dirigida pela astrofísica Cristiana Spingola.

As observações revelaram que a emissão de rádio mais brilhante vem do núcleo da galáxia, um buraco negro supermassivo, no canto inferior direito do jato, que se estende por 1.600 anos-luz em direção ao canto superior esquerdo.

O corpo celeste é o mais brilhante blazar emissor de rádio já visto a tal distância, e também o segundo maior blazar emissor de raios X. Está localizado a 12,8 bilhões de anos-luz e sua aparência vista da Terra corresponde a uma idade de menos de um bilhão de anos, ou pouco mais de sete por cento de sua idade atual.

Apesar de tudo, os cientistas ainda têm algumas dúvidas de que se trata de um blazar, e por isso, apontam ser necessário maior investigação sobre o PSO J0309+27.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Estrutura mais jovem de um planeta em formação é revelada pela 1ª vez (FOTO)

 


Astrônomos registraram a formação de planetas em um jovem sistema solar. A protoestrela IRS 63 está a 470 anos-luz da Terra e tem "apenas" 500 mil anos.

Um grupo de astrônomos encontrou evidência de que os planetas começaram a ser formados enquanto suas estrelas eram "bebês" em crescimento.

As estrelas surgem quando densas nuvens de material interestelar colapsam em sua própria gravidade, dando origem aos discos gasosos giratórios, que eventualmente são convertidos em protoestrelas.

Um novo estudo científico, realizado pelo astrônomo Dominique Segura-Cox do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, detectou, pela primeira vez, o "nascimento" de um sistema solar, obtendo imagens em alta resolução de um disco protoestelar de apenas 500 mil anos, com anéis circulares de gás e poeira, que, futuramente, serão planetas.



Formação da protoestrela IRS 63

A jovem estrela IRS 63 está localizada a 470 anos-luz de distância do nosso planeta em uma região de formação estelar conhecida como Rho Ophiuchi, onde a poeira é espessa o suficiente para formar os aglomerados giratórios que formarão as estrelas, conforme o portal Science Alert.

A estrela de meio milhão de anos está na classe I do processo de formação estelar, ou seja, concluiu a fase principal de crescimento e já possui a maior parte de sua massa final, sendo uma das protoestrelas mais brilhantes de sua classe.

Além disso, a IRS 63 tem um grande disco, que se estende por aproximadamente 50 unidades astronômicas, ou seja, 50 vezes a distância entre a Terra e o Sol.

As propriedades da protoestrela, juntamente com sua proximidade à Terra, fazem com que seja um objeto ideal para o estudo da formação de estrelas e planetas.

Ao observar o disco giratório, os cientistas envolvidos na pesquisa encontraram dois buracos negros concêntricos em torno da protoestrela, o que surpreendeu todo mundo envolvido.

Mesmo considerando diversas hipóteses, os astrônomos acreditam que se trata de um sinal da formação de planetas. Caso a suposição esteja correta, provaria que os planetas surgem muito antes do que se esperava.

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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Cientistas transformam estrutura do novo coronavírus em música; ouça

 (Markus J. Buehler/Superinteressante)

Não é nenhuma brincadeira: o objetivo é criar uma outra forma de organizar as informações do vírus para melhor entendê-lo.



Neste ponto da pandemia, você já deve ter visto várias imagens do novo coronavírus: basicamente, uma bolinha coberta por estruturas pontiagudas, as proteínas spike. Mas agora, pela primeira vez, você também pode ouvi-lo. Uma equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) traduziu a estrutura da coroa do vírus em música.

Funcionou assim: como todas as proteínas, as spike são formadas por aminoácidos. Usando uma técnica chamada sonificação, a equipe atribuiu uma nota para cada aminoácido em uma escala musical. Depois, os cientistas escolheram os instrumentos musicais com base em gostos pessoais, sendo o principal o koto, um instrumento típico do Japão. 

Em seguida, uma inteligência artificial deu uma mãozinha para transformar a estrutura em música, gerando um áudio de quase duas horas. Além de simplesmente colocar as notas uma atrás da outra, o software ajustou o volume e duração delas com base na realidade, porque esses aminoácidos podem se apresentar dobrados em formato de hélice ou esticados, o que altera a estrutura da proteína. Markus Buehler, o pesquisador principal do estudo e também musicista, publicou o resultado final do trabalho:


Apesar de também ser uma espécie de expressão artística, a iniciativa tem grande valor científico. A sonificação ajuda a expressar informações de um jeito diferente: assim como você pode ver a spike em um desenho ou ler a sequência de seus aminoácidos, agora também pode ouví-la. E isso fornece aos cientistas uma nova base de dados que permite procurar por padrões ou características específicas da proteína em busca de um medicamento, por exemplo. Como as spike são essenciais para o vírus entrar numa célula humana, achar uma arma específica para elas é uma estratégia que pesquisadores de todo o mundo vêm buscando.

“Nossos cérebros são ótimos no processamento de sons”,  explica Buehler, que já trabalhava com a sonificação de proteínas antes da pandemia. “De uma só vez, nossos ouvidos conseguem captar todas suas características: tom, timbre, volume, melodia, ritmo e acordes. Para ver esses mesmos detalhes em uma imagem, precisaríamos de um microscópio de altíssima potência – e nunca conseguiríamos observar tudo ao mesmo tempo.”

Quem ouve a sinfonia relaxante sem saber sua história dificilmente imagina que o que está por trás dela é um vírus que já causou mais de 87 mil mortes pelo mundo. “[A música] engana nosso ouvido da mesma maneira que o vírus engana nossas células. É um invasor disfarçado de visitante amigável”, diz Buehler.
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