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domingo, 15 de agosto de 2021

Ao analizar cratera Occator, novo estudo revela existência de gelo no planeta anão Ceres

 


Anomalias na distribuição de hidrogênio na cratera Occator, no planeta anão Ceres, localizado entre as órbitas de Marte e Júpiter, revelaram uma crosta gelada, segundo um novo estudo conduzido por Tom Prettyman, cientista sênior do Instituto de Ciências Planetárias, nos EUA.

Tal evidência foi retirada a partir dos dados adquiridos pelo Detetor de Raios Gama e Nêutrons (GRaND, na sigla em inglês), a bordo da nave espacial Dawn da NASA, informa o portal Phys.org.

Um mapa detalhado da concentração de hidrogênio nos arredores da Occator foi desenhado a partir das observações às órbitas elípticas que levaram a espaçonave para bem perto da superfície planetária durante a fase final de sua missão, disse Prettyman.

O espectrômetro de nêutrons do GRaND encontrou concentrações elevadas de hidrogênio no medidor mais externo da superfície da cratera Occator, de 92 quilômetros de diâmetro. O estudo, publicado no jornal Geophysical Research Letters, argumenta que o hidrogênio em excesso se encontra sob a forma de gelo d’água. 
Сratera Occator no planeta anão Ceres
Сratera Occator no planeta anão Ceres

Os resultados da pesquisa, de fato, confirmaram que a crosta exterior do planeta anão Ceres é rica em gelo e que esse gelo pode sobreviver a impactos com corpos sem ar ou gelados. Os dados mostram um controle parcial da distribuição de gelo próximo da superfície através de grandes impactos, e proporcionam restrições à idade superficial e às propriedades termofísicas do regolito.

"Pensamos que o gelo sobreviveu no subsolo pouco profundo durante cerca de 20 milhões de anos que se seguiram à formação da Occator. As semelhanças entre a distribuição global de hidrogênio e o padrão das grandes crateras sugerem que os processos de impacto têm feito com que o gelo tenha chegado à superfície noutros locais do Ceres. Este processo é acompanhado pela perda de gelo devido à sublimação, causada pelo aquecimento da superfície pela luz solar", explica o cientista, citado pelo Phys.org.

Os resultados do estudo de Prettyman reforçam o consenso emergente de que o Ceres é um corpo diferenciado, no qual o gelo se separou da rocha e acabou por criar uma concha exterior gelada e um oceano debaixo da crosta planetária.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Revelados detalhes de queda de asteroide que deixou cratera gigante na Groenlândia há 11.700 anos

 


Um estudo estima que o asteroide que provocou a cratera teria caído há 11.700 anos, causando ventos de 400 km/h e outros efeitos desastrosos.

A cratera de impacto de 31 quilômetros de diâmetro encontrada debaixo das geleiras da Groenlândia há alguns anos poderia ser suficientemente jovem para ter sido formada quando a ilha já estava coberta por uma camada de gelo semelhante à atual, ou inclusive mais grossa.

Simulações computadorizadas da queda de um asteroide no extremo noroeste da ilha demonstraram que a camada de gelo deveria ter entre 1,5 e 2 quilômetros de espessura para que a cratera deixada pelo "invasor cósmico" nas rochas firmes tivesse o perfil que realmente tem e pudesse ser vista debaixo das geleiras de hoje por meio de um radar.

A geologia associa este nível de glaciação à época do Taratiano. Sem levar em consideração outros métodos de datação, o estudo que resume esta modelagem estabelece que o evento pode ter ocorrido entre 2,6 milhões de anos e 11.700 anos atrás.

A área que ocupa Paris em comparação com a cratera de impacto de Hiawatha na Groenlândia
A área que ocupa Paris em comparação com a cratera de impacto de Hiawatha na Groenlândia

Foi uma época de repetidas glaciações, durante grande parte da qual a Groenlândia esteve quase totalmente coberta de gelo, embora de espessura variável.

A razão principal para pensar que o meteorito caiu no gelo é que os cientistas não detectaram nenhuma ejeção rochosa ao longo do perímetro da cratera, como explica o artigo publicado na revista Earth and Planetary Science Letters.

Por sua vez, o asteroide que os pesquisadores associam com esta colisão é bem conhecido da comunidade científica por seus fragmentos metálicos encontrados nos séculos XIX e XX no noroeste da Groenlândia, alguns dos quais estão expostos em museus da Dinamarca e dos Estados Unidos.

"Apesar de terem sido catalogadas até agora aproximadamente 190 estruturas de impacto, esta aparente cratera é interessante porque parece geologicamente jovem e bem conservada e, caso seja confirmado, estará entre as maiores já encontradas na Terra", comentou a primeira autora do estudo, Elizabeth Silber, da Universidade de Ontário Ocidental, Canadá.

Atualmente, a Hiawatha é considerada a 22ª maior cratera de impacto do planeta, porém o ranking não leva em conta que o asteroide poderia ter perfurado até dois quilômetros de gelo antes de atingir a rocha firme.

Os novos dados desafiam as estimativas anteriores do tamanho do objeto espacial que o teria gerado, mas o leito preservado levou a acreditar que o asteroide tinha dois quilômetros de largura.

Não obstante o período bastante extenso apontado pelo estudo como a época possível da queda, a colisão poderia ter ocorrido nos anos mais recentes (11.700 anos atrás).

"Devido ao fato de a cratera estar muito bem conservada, isso aponta para uma idade bastante jovem, tão jovem quando o início do período Dryas", afirmou Silber em referência ao período de resfriamento global ocorrido entre 11.500 e 11.400 anos atrás.

A colisão gerou ventos supersônicos de 400 quilômetros por hora, que pode ter derrubado árvores (se as houvesse) em um raio de 200 quilômetros.

Uma bola de fogo escaldante, quatro vezes maior que o Sol visto da Terra, deve ter sido avistada em um raio de 500 quilômetros, explicou Silber.


domingo, 27 de janeiro de 2019

Astrofísica: Localizada em Marte cratera enorme causada por meteorito (FOTO)



As imagens da cratera foram captadas pela HiRISE, a mais poderosa câmera de alta resolução enviada para outro planeta que fornece material com grande riqueza de detalhes.
Cientistas descobriram uma nova cratera na camada de gelo de Marte. Aparentemente, o grande buraco foi causado pelo impacto de um meteorito que caiu no polo sul do Planeta Vermelho, informou na quinta-feira (24) o Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona (EUA).
Cratera causada pelo impacto de um meteorito na superfície de Marte 

Com base nos dados das fotografias, determinou-se que o impacto aconteceu entre julho e setembro do ano passado.
O padrão dos tons de cor revelaria características da força do choque do meteorito, que perfurou a camada de gelo, escavou a areia escura inferior e a lançou na superfície marciana em todas as direções.
Em virtude do material fornecido pela HiRISE, a NASA colabora com missões espaciais para estabelecer o melhor local de pouso, entre outras descobertas importantes, como a confirmação de grandes reservas de água congelada sob a superfície marciana ou a contemplação de avalanches em movimento.
Fonte:/br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/ 

domingo, 29 de outubro de 2017

Mistérios: 'Porta do inferno': a gigantesca cratera que continua crescendo e revela como a Terra era há 200 mil anos

Localizada na floresta boreal da Sibéria, enorme cratera cresce, em média, 10 metros por ano e serve de alerta contra o desmatamento e o aquecimento global                 



 Um buraco de 1 quilômetro de extensão e 85 metros de profundidade não para de crescer em uma remota região da Rússia e é chamado de "porta para o inferno" por pessoas que vivem na região, que preferem evitá-lo.
Mas cientistas asseguram que se trata de uma cratera única, um registro detalhado de 200 mil anos de história da Terra.
Batagaika, a gigantesca cratera, emerge de forma dramática na floresta boreal da Sibéria à medida que o permafrost - tipo de solo que está sempre congelado - derrete como efeito do aquecimento global. 
A cratera tem crescido na média de 10 metros por ano. Mas em anos mais quentes, esse aumento chegou a 30 metros, conforme indicou estudo do Instituto Alfred Wegener em Potsdam, na Alemanha. A instituição vem monitorando o buraco há uma década.




Camadas expostas com o degelo do permafrost indicam como eram clima, fauna e flora há 200 mil anos                 



 

A cratera representa uma rara oportunidade de observar, ao mesmo tempo, o passado, o presente e o futuro.
As camadas de sedimento expostas revelam como era o clima na região há 200 mil anos. Resquícios de árvores, pólen e animais indicam que, no passado, a área foi uma densa floresta.
Esse registro geológico pode ajudar a compreender como será, no futuro, a adaptação da região ao aquecimento global. E, ao mesmo tempo, o crescimento acelerado da cratera é um indicador imediato do impacto cada vez maior das mudanças climáticas no degelo do permafrost.

Desmatamento

A cratera apareceu na década de 60, de acordo com Julian Murton, professor da Universidade de Sussex, na Inglaterra.
O rápido desmatamento na região deixou o terreno sem a proteção das sombras das árvores nos meses de verão. Assim, os raios de sol aqueceram o solo e aceleraram o processo de degelo, uma vez que era a vegetação que mantinha o solo resfriado.
"Esta combinação de menos sombra e transpiração levou a um aquecimento da superfície", explica Murton em entrevista à BBC.
Com o derretimento do permafrost, é possível que venham a surgir mais crateras como também lagos e bacias hidrográficas.
Para o professor, "à medida que o gelo derrete em novas profundidades, podemos ver o surgimento de paisagens novas".



 

Reconstituição histórica

Cientistas ainda trabalham na análise de sedimentos e tentam decifrar a cronologia exata da cratera.
"Queremos saber se as mudanças climáticas durante a última Era do Gelo esteve caracterizada por uma grande variabilidade, com períodos intercalados de aquecimento e esfriamento", diz Murton



Ao emergir, cratera revelou siknais de densa floresta que existiu no local há centenas de milhares de anos               

Isso é importante porque a história climática de grande parte da Sibéria ainda pode ser considerada um mistério. Ao reconstruir alterações ambientais do passado, cientistas esperam conseguir prever mudanças similares no futuro.
Há 125 mil anos, por exemplo, houve um período interglacial, com temperaturas vários graus acima das registradas atualmente.
"Entender como era o ecossistema pode nos ajudar a entender como a região se adaptará ao atual aquecimento do clima", afirma o professor Julian Murton.

'O aquecimento acelera o aquecimento'

A cratera Batagaika pode oferecer lições cruciais, em especial sobre os mecanismos que aceleram o aquecimento em áreas de permafrost.
À medida que o degelo avança, mais e mais carbono é exposto a micróbios. Estes micro-organismos consomem carbono e produzem dióxido de carbono e metano - gases causadores do efeito estufa

A taxa de crescimento da cratera é um indicador direto do crescente impacto das alterações climáticas no permafrost                 


O metano é capaz de acumular 72 vezes mais calor que o dióxido de carbono num período de 20 anos.
Além disso, os gases liberados pelos micróbios na atmosfera aceleram ainda mais o aquecimento.
"É o que chamamos de 'feedback positivo'", explica Frank Gunther, do Instituto Alfred Wegener. "O aquecimento acelera o aquecimento e, no futuro, poderemos ver mais estruturas como a cratera de Batagaika", completa o pesquisador.
Segundo o pesquisador, não há nenhuma obra de engenharia que possa conter o desenvolvimento dessas crateras. 

À medida que o permafrost degela, gases como dióxido de carbono e metano são liberados e aceleram o aquecimento global                 
Fonte/BBC
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