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terça-feira, 29 de setembro de 2020

Meteoros que passam pela atmosfera da Terra podem ter levado vida para Vênus

 


Um novo estudo sugere que os asteroides que passaram pela atmosfera terrestre, podem ter levado consigo micróbios que lá habitavam, levando assim vida para o segundo planeta do nosso sistema solar.

No início deste mês, pesquisadores descobriram vestígios de fosfina nas nuvens de Vênus, uma molécula que apenas existe na Terra como um subproduto da vida. Suspeita-se que a fosfina tenha chegado lá do nosso planeta. Uma pesquisa do Departamento de Astronomia da Universidade de Harvard sugere a possibilidade de asteroides – cerca de 600 mil, que passaram pela atmosfera terrestre, terem arrastado micróbios para Vênus.

"Apesar da abundância de vida na atmosfera da Terra ser desconhecida, estes corpos [asteroides] podem ter sido capazes de transferir vida microbial da Terra para Vênus", escreveram os cientistas Amir Siraj e Abraham Loeb no abstrato do estudo publicado no portal arxiv.org. "Como resultado, a possível origem de vida em Vênus seria, fundamentalmente, indistinguível da terrestre."

Apesar de o estudo ainda não ter sido revisado, já é possível conferi-lo. No estudo, Siraj e Loeb apoiam a teoria da ocorrência de panspermia, consistindo na hipótese de a vida de um planeta ter sido originada por microrganismos vindos do espaço, "saltando" de um planeta para outro. Houve sugestões de que a vida na Terra teria também começado assim. Em outras teorias, é sugerido que a vida possa ter surgido de cometas e asteroides.




Imagem de Vênus

Ainda dentro da teoria de panspermia, estudos passados e mais recentes têm discutido a possibilidade de cometas terem trazido para a Terra o "elemento essencial" para a vida. Em 2019, a NASA encontrou moléculas de açúcar em dois meteoritos diferentes, adicionando credibilidade à ideia de que os asteroides desempenham um papel crucial em suportar a vida. No entanto, são necessários mais estudos e pesquisas para provar a veracidade da teoria utilizada no estudo de Siraj e Loeb.

Vênus, também chamado de "gêmeo demoníaco da Terra", tem um clima muito brusco, dono de temperatura superficial de aproximadamente 462 graus Celsius. Apesar de ser demasiado quente para suportar vida, a NASA recentemente reportou suas intenções de explorar o planeta. Em julho, pesquisadores revelaram que Vênus possui quase 40 vulcões ativos na sua superfície. Nesse mesmo mês, vários pesquisadores argumentaram que explorar o segundo planeta do Sistema Solar poderia trazer benefícios para uma possível missão humana em Marte.

Quanta matéria tem no Universo? Cientistas fazem medidas precisas

 


Um dos principais objetivos da cosmologia é medir com precisão a quantidade total de matéria no Universo, um exercício complicado e desafiador até para os matemáticos mais proficientes.

Uma equipe liderada por cientistas da Universidade da Califórnia, EUA, fez os cálculos e concluiu que a matéria constitui 31% da quantidade total de matéria e energia no Universo, com o restante consistindo em energia escura. Os resultados foram publicados recentemente na revista científica Astrophysical Journal.

"Para colocar essa quantidade de matéria em contexto, se toda a matéria do Universo fosse espalhada uniformemente pelo espaço, isso corresponderia a uma densidade de massa média igual a apenas cerca de seis átomos de hidrogênio por metro cúbico", afirmou ao portal Phys.org Mohamed Abdullah, autor principal do estudo.

"No entanto, como sabemos que 80% da matéria é, na verdade, matéria escura. Na realidade, a maior parte dessa matéria não consiste em átomos de hidrogênio, mas em um tipo de matéria que os cosmologistas ainda não entendem", acrescenta o pesquisador.

Cientistas medem com precisão a quantidade total de matéria no universo

Medindo a matéria

A técnica mais conhecida para determinar a quantidade total de matéria no Universo é comparar a quantidade e a massa de aglomerados de galáxias por unidade de volume com previsões de simulações numéricas.

Uma vez que os aglomerados de galáxias se formaram a partir de matéria que colapsou ao longo de bilhões de anos sob a própria gravidade, o número de aglomerados observados atualmente é muito sensível às condições cosmológicas e à quantidade total de matéria.

"Uma porcentagem maior de matéria resultaria em mais aglomerados […]. Mas é difícil medir a massa de qualquer aglomerado de galáxias com precisão porque a maior parte da matéria é escura, então não podemos vê-la com telescópios ", explica Abdullah.




Imagem mostra o aglomerado de galáxias Perseu

Para superar essa dificuldade, a equipe desenvolveu o GalWeight, uma ferramenta cosmológica para medir a massa de um aglomerado de galáxias usando as órbitas de suas galáxias membros.

Os pesquisadores então aplicaram sua ferramenta às observações do Sloan Digital Sky Survey, um projeto que criou um mapa 3D do Universo, para criar um catálogo de aglomerados de galáxias. Finalmente, eles compararam o número de aglomerados em seu novo catálogo com simulações para determinar a quantidade total de matéria no Universo.

"Conseguimos fazer uma das medições mais precisas já feitas usando a técnica do aglomerado de galáxias", comemora Gillian Wilson, coautor do estudo.

"Uma grande vantagem de usar nossa técnica de órbita de galáxia GalWeight foi que nossa equipe foi capaz de determinar uma massa para cada aglomerado individualmente, em vez de confiar em métodos estatísticos mais indiretos", complementa Anatoly Klypin, também coautor da pesquisa.

Dessa forma, a equipe liderada por Abdullah foi capaz de determinar que a matéria representa 31,5 ± 1,3% da quantidade total de matéria e energia no Universo.


As mais vistas da semana

 

Raridades em caverna de Portugal mudam data da chegada de humanos ao extremo oeste europeu


 

Descobertas de pesquisadores de universidade norte-americana trazem indícios da presença do homem moderno na costa de onde hoje fica Portugal entre 41 mil e 38 mil anos atrás.

Equipe de cientistas liderada por Jonathan Haws, professor e chefe do Departamento de Antropologia da Universidade de Louisville, EUA, encontrou evidências de que os humanos modernos chegaram à zona mais ao oeste da Europa, no que hoje é Portugal, cinco mil anos antes que se pensava. Os resultados foram publicados na segunda-deira (28) na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os cientistas encontraram ferramentas na caverna Lapa do Picareiro, Portugal, que ligam o local a achados semelhantes da Eurásia à planície russa. As ferramentas documentam a presença de humanos modernos no extremo oeste da Europa, em uma época em que se pensava que apenas os neandertais estavam presentes na região.

Seres humanos modernos chegaram ao extremo oeste da Europa cinco mil antes do que se sabia

A descoberta tem ramificações importantes para a compreensão da possível interação entre os dois grupos humanos e o desaparecimento dos neandertais.

"A questão de se os últimos neandertais sobreviventes na Europa foram substituídos ou assimilados por humanos modernos que chegaram é uma questão antiga e não resolvida na paleoantropologia", afirma em comunicado Lukas Friedl, colíder do projeto.

"Se os dois grupos se sobrepuseram durante algum tempo nas terras altas do Portugal Atlântico, podem ter mantido contatos e trocado não só tecnologia e ferramentas, mas também companheiros. Isso poderia explicar porque muitos europeus têm genes de neandertal", comente Nuno Bicho, coautor do estudo.

Caverna do Picadeiro

A caverna Lapa do Picareiro está em escavação há 25 anos e registrou a ocupação humana nos últimos 50 mil anos. Uma equipe internacional de investigação está a pesquisar a chegada de humanos modernos e a extinção dos neandertais na região.




© AP PHOTO / MARTIN MEISSNER
Neandertais no museu Neanderthal em Mettmann, Alemanha (foto de arquivo)

Os sedimentos da caverna contêm registro paleoclimático bem preservado, o que ajuda a reconstruir as condições ambientais da época dos últimos neandertais e da chegada dos humanos modernos. A própria caverna tem uma enorme quantidade de sedimentos restantes para trabalhos futuros e a escavação ainda não atingiu o fundo.

"Venho escavando em Picareiro há 25 anos e apenas quando você começa a pensar que já não está mais revelando seus segredos, uma nova surpresa é descoberta. A cada poucos anos, algo notável acontece e continuamos cavando", ressalta Haws.


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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Sonda da NASA detecta pela 1ª vez imagens nítidas de nanojatos em coroa solar (VÍDEO)

 



Uma equipe internacional de cientistas, liderada pelas Universidades de Northumbria e St. Andrews, em cooperação com a NASA, descobriu novo tipo de atividade dentro da atmosfera do Sol que poderia explicar como o astro atinge temperaturas de mais de um milhão de graus.

A coroa solar é a parte mais externa da atmosfera do Sol, sendo centenas de vezes mais quente do que a superfície da estrela – um mistério que tem desconcertado astrônomos e físicos por décadas.

O novo estudo, publicado na revista Nature Astronomy, encontrou pela primeira vez provas diretas de que a reconexão de linhas de campo magnético dentro da coroa resulta em rajadas de energia, que podem explicar a alta temperatura.

A superfície do Sol é coberta por campos magnéticos repletos de partículas carregadas que formam características marcantes, como laços coronais. Estes laços conectam-se à superfície dinâmica do Sol, mantendo as linhas magnéticas constantemente carregadas de energia.

Às vezes, as linhas do campo magnético ficam emaranhadas e "entrelaçadas", mas depois separam-se e voltam a encaixar-se em linhas alisadas em um processo conhecido como reconexão. Quando isso acontece, ocorre uma súbita nanoexplosão de energia.

Os pesquisadores perceberam que o processo é acompanhado por gás aquecido, que se move muito rapidamente entre as duas linhas, ocasionando a criação de nanojatos.

A equipe internacional de cientistas conseguiu pela primeira vez detectar nanojatos ao lado de nanoexplosões durante um evento de aquecimento da coroa, identificando diretamente a reconexão magnética como mecanismo de aquecimento.

Os cientístas utilizaram dados e imagens de alta resolução da sonda IRIS necessárias para provar a teoria. Graças às imagens, os pesquisadores identificaram e analisaram uma tempestade de nanojatos rastreando o impacto na temperatura da coroa.

Misterioso fenômeno da sombra do buraco negro M87 surpreende astrônomos

 



Pesquisadores estabeleceram que a sombra do buraco negro M87 se altera periodicamente.

Os resultados da pesquisa foram publicados pela Astrophysical Journal. Em 2017, o telescópio Event Horizon (EHT, na sigla em inglês) obteve o primeiro registro na história da Astronomia de um buraco negro, o Messier 87 (M87).



Imagem do buraco negro no centro da galáxia M87, captada pelo projeto Event Horizon Telescope (Telescópio de Horizonte de Eventos)

teoria da relatividade geral estipula que objetos espaciais como os buracos negros deformam a estrutura do tempo ao seu redor a ponto de começarem a cintilar.

À medida que este fenômeno ocorre, segundo a teoria, é criada uma sombra assimétrica. A imagem de 2017 confirmou completamente a teoria, sendo possível observar o brilho variável causado pela sombra do M87.

Os pesquisadores envolvidos utilizaram dados coletados entre 2009 e 2013 pelo telescópio para estudar como a sombra se comportou.

A partir do estudo, foi possível identificar que a sombra do buraco negro já existia anteriormente. Sua posição e tamanho desde 2009 não mudaram, mas, no mesmo período, algumas vezes a distribuição azimutal do brilho foi alterada. Se revelou que o setor escuro da sombra está mudando constantemente.

"A análise dos dados demonstra que a orientação e estrutura fina do anel muda com o tempo. [...] O estudo desta região possui importância decisiva para a melhor compreensão de como os buracos negros se fundem com a matéria, assim como lançam jatos relativísticos", afirmou um dos autores do estudo, Thomas Kirchbaum.

Os pesquisadores explicam que a cintilação é produzida quando o gás que cai no buraco negro é aquecido a bilhões de graus Celcius, enquanto se ioniza e se torna turbulento na presença de campos magnéticos.

Devido ao fluxo de matéria turbulenta, a cintilação do anel do buraco negro oscila periodicamente.

Contudo, para que esta hipótese seja comprovada, ainda são necessárias mais investigações. "O monitoramento no tempo da estrutura do M87 com ajuda do EHT é uma missão que vai nos manter na expectativa pelos próximos anos", comentou o pesquisador Anton Zensus, fundador do Conselho de Cooperação com o EHT.

Os astrônomos esperam que, no futuro, novos telescópios possam permitir obter imagens com mais detalhe do buraco negro M87.

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