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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

A profecia do fim do mundo na cultura dos Judeus, do Islã e do Cristianismo

 



Judaísmo, século 2 a.C.
As concepções introduzidas pelo mazdaísmo foram aos poucos transmitidas a outros povos do Oriente Médio, como os hebreus, que incorporaram o monoteísmo. Os judeus não tiveram um único profeta, mas vários, e foram dominados sucessivamente por diversas etnias. Nesses séculos de controle estrangeiro, sonhavam com uma futura e definitiva vitória sobre os seus inimigos — e assim surgiu a crença de que, um dia, Jeová colocaria um fim às agruras de seu povo escolhido.

No início, os judeus esperavam apenas que ele lhes desse uma vitória decisiva. Mas, com o tempo, passaram a acreditar que, além de recompensar os bons, puniria os maus. Essas esperanças apocalípticas estão narradas, principalmente, no Livro de Daniel, escrito no século 2 a.C.

Nessa época, os hebreus padeciam sob o domínio do macedônio Antíoco IV Epífanes e protagonizaram a chamada Revolta dos Macabeus. Nesse caldo político, o livro, de autor desconhecido, visava levantar o moral do povo e descreve a saga do profeta Daniel, que teria vivido no século 5 a.C. Ele previu a vinda do Messias, destinado a libertar os judeus, punir os maus e dar início a uma era de paz interminável.

Alguns historiadores acreditam que o Messias do texto seja uma referência a Judas Macabeu, líder da revolta contra os macedônios. Ele realmente saiu vitorioso e fundou uma dinastia. Mas seus descendentes só reinaram até 63 a.C., quando os judeus foram conquistados pelos romanos. Por isso, persistiu a crença de que o verdadeiro Messias ainda não chegou.

Os ortodoxos têm até uma data para sua vinda, o ano 6000 do calendário judaico — aproximadamente 2240 no cristão. "Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. A humanidade passará 6 mil anos de trabalhos e sofrimentos. Com o início do sétimo milênio, chegará a hora do repouso e da recompensa", diz o rabino Mendel Liberow. Após a composição do Livro de Daniel, a crença no fim da História chegou a uma seita dissidente, surgida na Terra Santa sob o domínio dos romanos: o cristianismo.

Cristianismo, século 1
Quando o Livro das Revelações foi escrito, os cristãos eram ferozmente perseguidos pelo Império Romano. Entre os séculos 1 e 3, milhares foram executados. A matança teria levado João a se exilar em Patmos.

Segundo as tradições da Igreja, ele foi um dos apóstolos e também o redator de um dos Evangelhos. Alguns historiadores, contudo, acreditam que se trata de pessoas diferentes. O que ninguém nega é a intenção política da obra, influenciada pelo Livro de Daniel. 

O Apocalipse de João, como também é conhecido, visava fortalecer a fé dos perseguidos, prometendo castigos horríveis aos opressores (e infiéis). Há terremotos, chuvas de meteoros, pragas, pestilências... e, claro, quatro infames cavaleiros que descem dos céus para atormentar a humanidade.

O último se chamava "Morte, e o Inferno o seguia" — uma procissão de figuras como gafanhotos gigantes integram a comitiva. É chegada a hora, então, do grande combate entre Deus e o Diabo. Ele enviará à Terra um Anticristo, à frente de um grande exército.

Jesus irá derrotá-lo, mas depois de um milênio acorrentado, Satã retorna para a batalha final, prevista para ocorrer em um lugar chamado Armagedom — que alguns identificam como Megiddo, na Palestina. Jesus, mais uma vez, destruirá a legião do mal. E segue-se o Juízo Final: os pecadores serão lançados ao inferno e os justos viverão para sempre no paraíso. Até hoje, há quem interprete ao pé da letra o Livro das Revelações.

É o caso dos dispensionalistas, uma seita evangélica americana. A obra, contudo, foi majoritariamente entendida como uma promessa de paz. "Os cristãos antigos e medievais não viam as imagens apocalípticas como algo negativo", diz Fernando Ferrari. "Terremotos, pragas e até demônios seriam instrumentos de Deus e cumpriam uma função positiva. Foi com a Reforma Protestante que a ênfase passou da esperança para a angústia. O medo do fim do mundo, nesse sentido, é uma invenção moderna".

Islã, século 7
O conceito do Fim do Mundo como algo essencialmente positivo também influenciou o Islã, com a pregação do profeta Maomé — que absorveu muitas crenças de seus antecessores monoteístas.

O Juízo Final descrito no Alcorão e nos Hadith (uma coleção de ditos do Profeta) tem muitas semelhanças com o Livro das Revelações. Na tradição muçulmana, o Anticristo é Masih-Al-Dajjal, "o falso profeta", que tentará dominar o mundo. Ele será derrotado pelo Mahdi, espécie de Messias islâmico, que será ajudado em sua tarefa por ninguém menos que "Issa, filho de Miriam", ou Jesus.

Após a batalha final, o anjo Israfil tocará sua trombeta e começará o grande Julgamento, que durará entre 50 mil anos. Até as plantas e os animais serão ressuscitados e virão depor contra a humanidade. Por fim, os humanos terão de atravessar uma ponte fina como um fio de cabelo e afiada como uma espada — os bons chegarão ao paraíso para a vida eterna e os maus cairão no inferno.

O momento decisivo da humanidade é chamado "A Hora" para os muçulmanos. Como o cristianismo, o islã não tem data marcada para o fim dos tempos: só Alá sabe. Daí um dos ditos mais famosos de Maomé: "Vive como se tua vida fosse infinita, mas faz o bem como se fosses morrer amanhã".

Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/


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