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domingo, 3 de abril de 2022

Tarô Egipcio: Ocultismo, origem, iniciação, magia e astrologia


O francês Antoine Court de Gebelin (1725-1784) foi um pastor da igreja reformada, arqueólogo e ocultista, além de um apaixonado estudioso de mitologia antiga. Foi o primeiro a lanças a teoria da origem egípcia do Tarot, em seu livro: ”Le Monde Primitif Analysé et Comparé Aveu Le Monde Moderne”, publicado em 1775. Segundo Gebelin, o Tarot é um livro com as crenças mais puras do povo egípcio e suas cartas devem ser encaradas como um livro sobre religião, filosofia e sobre a história da criação do mundo. Ele também relacionou os 22 arcanos maiores com as 22 ltras hebraicas. Também demonstrou que o Tarot se baseava no número 7, sagrado para os egípcios, que sobre ele fundamentavam várias ciências. Cada naipe tem 14 cartas, que seria “ 2x7 “.

A teoria de que o Tarot teve origem no Egito foi levantada e defendida por muitos ocultistas e ordens iniciáticas importantes, como Eliphas Levi, Arthur Edward Waite e Aleister Crowley, que pertenciam à Golden Dawn (ordem hermética do “amanhecer dourado”), uma importante ordem iniciática fundada no século XIX. Os ocultistas defendem essa teoria baseados em detalhados e aprofundados estudos e pesquisas que realiram desde o século XVIII. Gebelin considerava que a palavra “TAROT” era uma combinação de “TAR” (caminho, estrada) e “RO, ROS ou ROG” (rei ou real). Portanto, Tarot significa “estrada ou caminho real”, o que também provaria sua origem egípcia. A partir da publicação de seus estudos e pesquisas, começaram a surgir baralhos desenhados com motivos egípcios, mas sem nenhum compromisso com a história do jogo, embora o próprio Gebelin usasse o baralho de Tarot clássico. Ele não inventou nenhum baralho egípcio, mas sim aprofundou estudos e pesquisas sobre seus símbolos e hieróglifos. Foi com que teve início a divulgação de textos e estudos que passaram a analisar o Tarot sob a ótica ocultista, atribuindo-lhe um sentido mais profundo e considerando-o como um meio de transmissão de conhecimentos esotéricos e espirituais, que vão muito além de seu uso como um baralho comum.

Em suas pesquisas ele sugeriu que o Tarot remontava as tradições místicas do Egito Antigo. Defendia a tese que o Tarot era originário do conhecimento secreto dos mistérios do Antigo Egito e que os 22 arcanos maiores estavam relacionados com os símbolos contidos no Livro de Thoth, senso que esses símbolos eram derivados das imagens iniciáticas dos sacerdotes egípcios, cujas figuras forma pintadas em duas fileiras nas paredes das galerias subterrâneas da grande pirâmide. Acreditava que os 22 arcanos maiores representavam os líderes temporais e espirituais da antiga sociedade egípcia, e que os 56 arcanos menores eram divididos em 4 naipes referentes às 4 classes da sociedade do Antigo Egito. Tanto os reis como a nobreza e os militares ostentavam a espada (naipe de espadas); a taça simbolizava os sacerdotes (naipe de copas); paus eram os símbolos da classe dos agricultores (naipe de paus) e as moedas representavam os comerciantes (naipe de ouros).

Gerard Encausie (1865-1916), mais conhecido como Papus, foi um médico e ocultista francês, fundador da “Ordem Maçônica dos Martinistas”, além de escritor e conferencista. É o autor do livro: “Tarot dos Boêmios”(1889), que até hoje em dia é muito valorizado e traduzido, inclusive no Brasil. Nessa obra estão os desenhos feitos pó Jean Gabriel Goulinat, sob sua orientação, que dão roupagens egípcias aos arcanos do Tarot. Nesse baralho é possível reconhecer as direções afirmadas por Levi e por Etteilla em relação aos arcanos maiores. As letras hebraicas também estão presentes. Trata-se de um Tarot europeu antigo adornado com figuras de inspiração egípcia. Para Papus, a sabedoria do Antigo Egito e da Índia estão sintetizadas no Tarot. Já Eliphas Levi afirmava ter encontrado uma peça de Tarot cunhada no Antigo Egito e disse sobre ela: “Essa clavícula considerada perdida durante séculos foi por nas recuperada e temos sido capazes de abrir os sepulcros do mundo antigo, de fazer os mortos falarem, de observar os monumentos do passado em todo seu esplendor, de entender enigmas de cada esfinge e de penetrar todos os santuários. Ora a chave em questão era esta: um alfabeto hieróglifo e numérico expressando por caracteres e números uma série de idéias universais e absolutas”, finaliza Levi. Eliphas Levi Zahed é a tradução hebraica de Alphonse Louis Constant, nascido em Paris em 1810. Foi um seminarista católico e artista plástico que influenciou muitos outros estudiosos de seu tempo. Ele desenhou um Tarot com motivos da arte egípcia, mas apenas algumas dessas cartas foram divulgadas. Estabeleceu a relação dos 22 arcanos maiores com a 22 letras hebraicas e inspirou Papus e Falconier através da publicação de seu livro: “Dogna e Ritual de Alta Magia”, em 1854.

E o francê Jean Baptiste Alliette (1738-1791), mais conhecido como Etteilla, inverteu as letras de seu nome para torná-lo mais atraente para o exercício das práticas divinatórias. Ele se considerava um “mestre da cartomancia” e foi o primeiro homem ligado à leitura da sorte através das cartas. Foi um dos discípulos de Gebelin e dizia ser aluno do Conde de Saint Germain, um mago alquimista que teria mais de 2000 anos e o descobridor do elixir da longa vida. Ele foi o primeiro cartomante homem profissional de renome. Tinha o dom da palavra e conhecimentos gerais dos símbolos e da Cabala. Escreveu vários livros e desenhou diversos Tarots com um significado mais profundo, mudando o desenho dos arcanos e a ordem das cartas, alegando assim restaurar o verdadeiro e antigo simbolismo das cartas.

Etteila estava sempre atento as novidades ao seu redor, e pouco tempo depois da publicação da obra de Gebelin, ele lançou o seu “Grande Etteilla” ou “Livro de Thoth”, endossando a origem egípcia do Tarot e afirmando que o baralho original havia sido escrito em folhas de ouro num templo de Memphis. Em 1778 fundo a “Sociedade de Intérpretes do Livro de Thoth”, a primeira associação dedicada à leitura de cartas. Sua intenção era revelar “a chave dos 78 hieróglifos que estão no Livro de Thoth, obra de 17 magos, descendentes de Mercúrio-Thot”. Sua bem sucedida popularização sobre a origem egípcia do Tarot reverteu a favor de Gebelin, que até hoje está intimamente associado ao tema egípcio do Tarot. Etteilla era amigo de Mdlle Lenormand, a criadora do “Petit Lenormand” (baralho cigano), sua discípula e segundo maior nome mundial da cartomancia. Ele e sua obra também influenciaram fortemente o trabalho de Papus com o Tarot.

Em 1938, Crowley projetou o “Tarot de Thoth”, que foi pintado por Lady Frieda Harris, sob suas orientações. Ele foi publicado em cores apenas em 1971. O Tarot de Thoth é um baralho cheio de simbologia astrológica e cabalista, além de ser muito estilizado e exótico. Contém em seus desenhos símbolos de grandes segredos. Edward Alexander Crowley, mais conhecido como Aleister Crowley, nasceu na Inglaterra em 1875. Foi alpinista, enxadrista, caçador e um dos maiores ocultistas de todos os tempos, mas devido aos seus excessos e opiniões bizarras, tornou-se uma figura “maldita” para a maioria. Pertenceu a ordem iniciática “Golden Dawn”, onde explorou seus dons naturais de mago e aprendeu as bases da tradição ocidental. Porém, devido ao seu grande potencial e ascensão rápida dentro da ordem, foi vítima de inveja de outros membros, o que causou sua saída da ordem. Foi nessa época que Crowley passou por uma experiência única no Egito: teve contato com uma entidade espiritual chamada Aivass, que lhe ditou um legado de conhecimento, levando-o a escrever o famoso “Livro da Lei”, que tratava das leis para a Nova Era. Esse fato marcou profundamente sua vida, tornando-o o profeta da Nova Era. Já o estudioso Falconier tentou fazer um Tarot totalmente egípcio, mas ele tinha pocu conhecimento de egiptologia, e para um bom observador, é fácil notar que suas cartas dificilmente tem origem egípcia. Anos depois, em 1901, surgiram os 56 arcanos menores associados ao trabalho de Falconier-Wergener, de autoria de Edgar Valcourt-Vermont, sob o pseudônimo de “Conde de Saint Germain”, em seu livro: “Astrologia Prática: método simples para calcular horóscopos”. O que foi mais um resultado sem sucesso, considerando-se a iconografia do Antigo Egito. René Falconier publicou em 1896 seu livro: “As 22 Lâminas Herméticas do Tarot Divinatório”. Segundo ele, os desenhos foram reconstituídos “de acordo com os textos sagrados e segundo a tradição dos magos do Antigo Egito”.

O Tarot egípcio Kier tem esse nome por ter sido publicado pela Editorial Kier, da Argentina. Foi publicado pela primeira vez em 1955, em preto e branco, e posteriormente em 1971 na versão colorida. Ele tem uma vasta combinação de símbolos mitológicos e culturais egípcios, incluindo símbolos astrológicos, cabalistas e do alfabeto alquímico dos magos. Nos séculos XIX e XX diversos tipos de Tarots egípcios foram produzidos e passaram a ser mais sofisticados em seus elementos egípcios, provavelmente devido às descobertas e publicações científicas sobre os hieróglifos e a religião egípcia. Alguns pesquisadores dizem que o tarot surgiu nos povos de Atlântida e Lemúria, e que quando os mesmos previram o desaparecimento de suas terras devido a um grande cataclisma ( semelhante ao dilúvio), enviaram seus sábios para diversas partes do mundo para que revelassem os segredos dessas cartas misteriosas à outros povos, ao permitindo, portanto, que o oráculo caísse no esquecimento e perpetuando sua sabedoria nos quatro cantos do mundo.

Os ciganos, para serem aceitos, se diziam descendentes dos nobres egípcios, se autodenominando “egiptanos”, por isso passaram a chamar as lâminas de “ tarot dos egípcios”, levando-as por toda Europa e para os quatro cantos do mundo. A tese de que o tarot surgiu no Egito é ainda reforçada devido à incrível semelhança entre as figuras das lâminas com as representações gráficas e pinturas do Antigo Egito. São visíveis as semelhanças entre os arcanos maiores e as gravuras existentes nos templos sagrados. Outro fato que reforça essa tese é o de que a carta 3 ( A Faraó, no tarot egípcio ou A Imperatriz, no tarot tradicional) vem antes da carta 4 (O Faraó, no tarot egípcio ou O Imperador, no tarot tradicional). Sabe-se que após a III e IV dinastias do Antigo Egito, como resquícios do matriarcado no que se refere à hierarquia na regência, dava-se preferência à mulher sobre o homem e este princípio é visto ao longo de toda história do Egito. Outros defendem a idéia de que o tarot nasceu de uma cultura milenar, originária do “Livro de Thoth”, a chave de toda a sabedoria do Antigo Egito.

A escritora Edelweiss Cagno nos conta que segundo a tradição os sacerdotes egípcios foram os herdeiros da sabedoria de Atlântida, e portanto, os guardiões dos mistérios sagrados. O sumo-sacerdote, ao prever um longo período de decadência espiritual da humanidade e de perseguição aos mistérios sagrados, reuniu no templo todos os sábios sacerdotes do Egito, para que juntos encontrassem uma maneira de preservar da destruição os ensinamentos iniciáticos, os conhecimentos adquiridos e todos os mistérios revelados herdados dos habitantes de Atlântida e transmiti-los às futuras gerações. Foi então que os sacerdotes egípcios criaram um sistema de jogo para preservar os ensinamentos da destruição e fazer com que os mesmos chegassem até nossos dias. Foram criadas então as 78 lâminas do tarot, que eram pequenas lâminas de ouro sob a formato de jogo, que foi uma maneira encontrada de transmitir os ensinamentos aos iniciados sem levantar nenhuma suspeita aos leigos sobre o verdadeiro tipo de conhecimento ali contido. Dessa forma não comprometiam os sagrados mistérios, pois ao invés de escrever numa linguagem comum compreensível às pessoas comuns, eles codificaram sua doutrina num simbolismo hermético, que apenas os iniciados poderiam entender, em qualquer parte do mundo.

Existem muitos estudos e pesquisas feitos sobre a verdadeira origem do tarot, mas nenhuma completamente comprovada .Uns dizem que foi na Itália, na França, na Espanha e até mesmo no oriente, como na Índia ou na China. Alguns acreditam ainda que o jogo foi criado pelos ciganos que o espalhou pelo mundo. O médico e ocultista francês Gerard Encause (1865-19160), mais conhecido como Papus, defendeu a tese que os sacerdotes egípcios, prevendo a decadência de sua civilização devido às muitas invasões que viriam, reuniram-se para definir como passar os ensinamentos do tarot às futuras gerações para que não caíssem no esquecimento. Daí surgiu a idéia de que os segredos deveriam ser guardados nas pirâmides, uma criação que duraria por toda eternidade, mas que poderiam ser destruídas pelos homens. O mais sábio dos sacerdotes, ao perceber que as pessoas gostavem muito de jogar, sugeriu que confiassem a tradição ao vício, pois somente isso difundiria o oráculo à toda humanidade. Assim, resolveram “imprimir” as figuras do tarot em lâminas de ouro, com todas as suas mensagens simbólicas, transformando seus ensinamentos em jogo. Com o tempo, a tradição foi se estendendo para o resto do mundo, sendo muito usado na Europa, principalmente Itália, Espanha e França. Posteriormente, os ciganos se encarregaram de difundir a tradição pelo mundo todo, e dessa forma cada nação desenvolveu seu próprio baralho.

A leitura de Tarot Egípcio tem como objetivo promover uma reflexão e um “encontro consigo mesmo” para o consulente, pois suas cartas tem caráter iniciático. Portanto, o Tarot Egípcio pode ser um importante instrumento para o aconselhamento terapêutico, pois ajuda o consulente a encontrar suas próprias respostas através do contato com sua sabedoria interior, pois sua leitura tem abordagem arquetípica. Esse aconselhamento ajuda o consulente a compreender a lei de causa e efeito, a qual rege todos os acontecimentos passados, presentes e futuros, trazendo então a compreensão de si mesmo e a consciência de seu poder pessoal. As cartas do Tarot Egípcio são riquíssimas em detalhes e simbologia e se expressam através de 3 planos, representando a ação no mundo físico, emocional e espiritual do consulente. Cada plano oferece diversos recursos para a leitura através dos significados astrológicos, numerológicos, das letras hebraicas, do significado das cores e de outros símbolos nele contidos, que associados às várias combinações das cartas ampliam a eficácia do aconselhamento.

O Tarot Egípcio fornece informações importantes ao consulente em vários setores de sua vida. Os aspectos sagrado e terapêutico se unem para dar ao consulente respostas concretas para a tomada de decisões. O Tarot Egípcio mostra possibilidades, tendências e opções de caminhos para que o consulente possa, através de seu livre-arbítrio, sintonizar-se com o Universo e agir de forma positiva em suas decisões, redefinindo os rumos de sua vida. Seu aconselhamento é uma rota para a revelação interior, um farol que ilumina os pontos obscuros da alma, permitindo que o consulente faça suas próprias escolhas na vida.

O Tarot Egípcio é um tarot transcultural, ou seja, baseado na mitologia egípcia. O seu diferencial está nos arcanos menores, em não existem os naipes explícitos, mas sim a simbologia da hierarquia da sociedade egípcia. Os arcanos menores começam com os reis, indo em ordem decrescente até os ases. O naipe de paus representa o povo, o comércio, os artesãos e a navegação. O naipe de copas representa as emoções, os artistas, pintores, escultores, músicos e dançarinas. O naipe de espadas representa os guerreiros, soldados e a casta militar. E o naipe de ouros representa a vida material e financeira em geral, a especulação financeira e a vida do faraó. Ele pode ser usado de forma iniciática ou oracular. O modo oracular é aquele que mostra a tendência de cada situação, indicando quais os elementos invisíveis estão agindo para o desfecho de uma determinada situação, sejam eles de origem externa (circunstâncias) ou interna (atitudes e emoções do consulente ou das pessoas envolvidas). Dessa forma pode-se ter uma idéia aproximada do que o Destino reserva para uma determinada situação. E sabemos que o Tarot Egípcio é a fonte original de onde foram adaptados todos os outros tarots. Ele é o mais completo e o mais complexo de todos, o que exige maior preparo do tarólogo. Ele é um instrumento psicológico e intuitivo capaz de desvendar com clareza o que está oculto por trás de uma situação. É um instrumento preciso, que traz uma série de símbolos, alfabetos e cenas mitológicas que formam os arquétipos dos caminhos pelos quais o consulente pode direcionar sua vida, seja por seu livre-arbítrio ou pela lei do Karma.

No Tarot Egípcio, o plano espiritual corresponde às influências planetárias; o plano físico às influências dos signos e o plano material ao encontro dos dois. Na base das lâminas estão contidos os símbolos dos planetas e signos. O Tarot Egípcio abrange um número maior de símbolos e estes são baseados na correspondência astrológica e numérica. Para os egípcios as letras eram deuses e simbolizavam idéias, e os números eram sagrados. O simbolismo astrológico aparece porque tudo no Universo é governado por um planeta ou signo. Por isso o Tarot Egípcio está intimamente ligado aos 4 elementos da natureza, à Astrologia, à Numerologia e à Cabala.

A Astrologia tinha um papel muito importante no Antigo Egito, pois nessa época os astrólogos eram altamente reconhecidos e muito conceituados, pois trabalhavam nas torres dos santuários e nos templos dos deuses. Por isso, a maioria dos astrólogos era sacerdote. Foram eles que fizeram a comparação entre os planetas e as divindades. Geralmente o Tarot Egípcio é jogado numa mandala astrológica devido à sua relação com os 12 signos. As cartas são posicionadas na mandala de acordo com as 12 casas astrológicas, cada uma regida por um (ou dois) planeta(s) e relacionada com um signo. Dessa forma, cada carta ganha um significado ou característica de acordo com a casa e o signo em que estão posicionados naquele momento. A partir daí é possível analisar os aspectos gerais da vida do consulente através das 12 casas ou setores astrológicos (saúde, vida amorosa, carreira, família, viagens, amizades, finanças, filhos, etc).

Segundo o grande historiador Heródoto, ao transmitir seu primeiro relato sobre o Egito, foram os egípcios que criaram o conceito de “ano” (o ano solar em que até hoje se baseia a Astrologia), pois o dividiram em 12 meses em homenagem aos 12 deuses principais que eles cultuavam, os quais foram posteriormente adotados pelos gregos. Assim ficou o simbolismo astrológico no tarot: a soma dos 22 arcanos maiores ( associados aos 10 planetas e aos 12 signos) com os 56 arcanos menores (associados aos 36 decanatos e aos 4 elementos) totalizam as 78 cartas do tarot. O escritor Bern A. Mertz diz em seu livro: “Tarot Egício – um caminho de iniciação”: “O próprio Jung acreditava que os 12 signos são a legítima expressão do inconsciente coletivo, representando 12 arquétipos que correspondem às realidades da vida humana. Por isso o tarot foi dividido em 12 áreas (casas astrológicas), que tem relação direta com os 12 signos”, finaliza Bern.

As figuras do tarot ( rei, rainha, cavaleiro e escravo) são interpretadas e acordo com os temperamentos básicos do ser humano, os signos astrológicos e os elementos da natureza. Os cavaleiros representam os 4 quadrantes do Zodíaco, sendo que cada um se identifica com um signo fixo ( signos rígidos em suas opiniões). Os arcanos numerados de 1 a 9 somam 36 arcanos menores (excluindo as figuras) e cada um equivale a um decanato de cada signo do Zodíaco ( cada signo tem 3 decanatos). Os 4 ases representam as triplicidades ou os 4 elementos ( fogo, terra, ar e água). Simbolizam a transição para um novo ciclo. E da mesma forma, pode ser usado para interpretar a influência dos orixás, dos anjos ou qualquer outra vibração cósmica e ancestral.

O Tarot sintetizava os princípios e conhecimentos que seriam passados adiante, pois para os antigos egípcios ele era considerado um alfabeto em que cada letra, palavra e frase simbolizavam um caminho existencial na busca da harmonia. O Tarot Egípcio pode ser usado de duas formas: a oracular e a iniciática. A forma iniciática pode nos indicar, baseada na mitologia egípcia, por quais “provas” o consulente está passando ou vai passar e de que forma poderá se sair bem delas, ou que tipo de virtudes precisará desenvolver para obter o autoconhecimento, além de como conseguir ajuda divina para isso. E existem evidências de que as cartas do Tarot eram usadas por sacerdotes egípcios para fins adivinhatórios e para rituais de iniciação.

No Antigo Egito o Tarot era um livro sagrado, assim como a Bíblia e o Alcorão. Nele estavam contidas as leis divinas, morais e os ensinamentos iniciáticos que orientaram o esplendor da civilização egípcia, que foi a inspiração dos gregos e romanos, os quais são a base de nossa cultura atual. O Tarot Egípcio retrata as concepções espirituais dos iniciados egípcios, derivadas de um passado ainda mais remoto, de Atlântida e Lemúria. Nele, a prática adivinhatória reveste-se do caráter esotérico da iniciação, cujo mistério consiste na busca do conhecimento a partir da consciência de si mesmo. Para alcançar essa consciência era preciso percorrer determinados “caminhos”, que eram os caminhos dos deuses Osíris, Ísis e Horus. Suas cartas são divididas em 3 grupos que representam esses caminhos. O ocultista e escritor Oswald Wirth em seu livro “Essay upon the Astronomical Tarot” nos revela que os 22 arcanos maiores do Tarot representavam pinturas hieróglifas que foram encontradas nos espaços entre as colunas de uma galeria onde os neófitos deveriam passar durante a iniciação. Haviam 12 colunas ao norte e 12 ao sul, ou seja, 11 figuras simbólicas de cada lado. Essas figuras eram explicadas ao neófito em ordem regular, e continham as regras e os princípios da iniciação. Essa opinião é confirmada pela correspondência que há entre os arcanos quando eles são dessa forma arranjados.

O Tarot Egípcio contém o aprofundamento e os conhecimentos das etapas de desenvolvimento de toda uma vida. Ele indica os caminhos a serem traçados por aqueles que querem obter a iniciação e o conhecimento esotérico. É um Tarot que não se presta a “ler a sorte”, como muitos outros. Pois indica os caminhos para aqueles que, na rota da iniciação, buscam o conhecimento a partir das questões do cotidiano ou mesmo em cima de reflexões de natureza psicológica. Na galeria do templo, as figuras eram arranjadas em pares, uma oposta à outra, de tal forma que a última era oposta à primeira; a penúltima à segunda e assim por diante. Quando as cartas são colocadas encontramos um significado interessante e profundo. Uma carta explica a outra e cada par mostra mais do que cada uma por si só. As pinturas encontradas entre as colunas da sala dos arcanos eram consideradas uma linguagem sagrada, pois nestas pinturas cada carta tinha um número e uma letra; portanto, era um alfabeto das ciências ocultas, os princípios absolutos, as chaves universais que, se aplicadas da maneira certa, convertiam em fonte de toda sabedoria e poder. Cada letra, cada número e cada imagem expressavam uma lei ternária e tinham repercussão no mundo espiritual (divino), no intelectual e no físico. Explicava-se ao aspirante a sacerdote de Osíris que se seguisse o sentido das cartas, estas o conduziriam aos magos, e quando tudo isso acontecia havia a manifestação da vontade de Deus, manifestando a verdade e a justiça.

Também existe uma grande relação entre o mito de Osíris e os arcanos maiores. Ao observamos com atenção, é possível identificar os deuses nas cartas cuja sequência narra com perfeição o mito de Osíris em suas diversas etapas. As cartas se dividem em dois grupos: o primeiro (arcanos 0 a 8) que mostra os deuses principais e o segundo grupo (arcanos 9 a 21), que conta a história da morte e ressurreição de Osíris. Os arcanos menores mostram os fatos cotidianos e o potencial do consulente, assim como a essência de sua experiência pessoal, o inconsciente individual. A lenda da morte e ressurreição de Osíris é a parte mais importante da mitologia egípcia e fortaleceu a idéia da reencarnação, o que dava sentido para a vida dos egípcios. Para conseguir reencarnar era necessário passar pelas etapas de iniciação (os 3 caminhos) e se tornar um iniciado. Dessa forma conquistava-se a vida eterna.

Há ainda outros textos antigos que dizem que os 22 arcanos maiores eram grandes pinturas existentes nas paredes de uma passagem secreta que ligava a grande pirâmide à Esfinge de Gizé, onde acontecia uma parte da iniciação espiritual dos neófitos. Osíris era uma das maiores divindades egípcias. Seus caminhos são marcados pela crença, compreensão e experiências conscientes, conforme percebemos nos arcanos 1, 4, 7, 10, 13, 16 e 19. Os caminhos de Ísis, a mais importante deusa do Egito, deusa da fertilidade, do amor e da magia, eram os da divindade feminina, da mães, dos amantes e companheiros fiéis de vida, como observamos nos arcanos 2, 5, 8, 11, 14, 17 e 20. Horus, o deus com cabeça de falcão e olhos expressivos representando o Sol e a Lua, era o deus do céu e era considerado um deus real, a encarnação terrena de uma divindade, amado por Maat, a deusa da justiça. Era filho de Osíris e Ísis. Seus caminhos tratam da realidade, da consciência espiritual no presente, embora seja preciso a separação do passado e do futuro, conforme se vê nos arcanos 3, 6, 9, 12, 15, 18 e 21. De acordo com a crença egípcia, para se tornar um iniciado era preciso percorrer com êxito as 22 etapas (arcanos) dos caminhos dos espírito, da alma e da realidade material, correspondentes aos deuses Osíris (pai), Ísis (mãe) e Horus (filho). Esses caminhos são diferentes e complementares, e simbolizavam um intrincado complexo mitológico, que forma a base da religião egípcia da antiguidade. Ser um iniciado significava ser um sábio e os sábios estavam sempre à frente dos demais.

O Livro de Thot é conhecido como primeiro livro da humanidade e levou o Egito a base dos conhecimentos dos processos iniciáticos, para aqueles que desejassem e se mostrassem merecedores de obter o conhecimento e a consciência de si mesmos, podendo assim atingir a iluminação interior e servindo aos deuses e à humanidade. Alguns estudiosos e pesquisadores defendem a idéia de que o tarot nasceu de uma cultura milenar, originária do “Livro de Thot”, a chave de toda a sabedoria do Antigo Egito. Thot é o deus da sabedoria, da escrita e da magia, e é representado por um homem com cabeça de Íbis ou de babuíno, segurando uma pena para escrever e uma paleta de escriba. Ele foi o criador dos hieróglifos e da linguagem, e era patrono dos escribas, dos médicos e sacerdotes. Era o deus do tempo (antecessor de Cronos, na Grécia e de Saturno, em Roma) e nada escapava dele.

O Livro de Thot ou tarot egípcio, como ficou conhecido, era conhecido desde a mais remota antiguidade, embora a ciência espiritual nele contida tenha ficado oculta durante muitos séculos. Ele é a base do conhecimento. De acordo com as referências, nesse livro as divindades representam os princípios universais, que se manifestam através de símbolos. Esses símbolos são interpretados através de números, os quais se traduzem em arquétipos. O escritor Iglesias Janeiro em seu livro “ A Cabala da Predileção” conta a lenda do Livro de Thot. Não havia julgamento dos mortos sem a presença de Thot e era ele quem levava as almas dos mortos para o outro lado do rio que separa os mundos. Thot também ficou conhecido como Hermes Trismegisto. Era chamado de “duas vezes grande” pelos antigos egípcios, devido ao fato de que seus ensinamentos se referiam a dois mundos: o material e o espiritual e foi chamado de “três vezes grande” pelos continuadores de sua obra, pois seus ensinamentos se relacionavam aos três planos em que se move o pensamento do homem e este identifica e expressa o quanto sua natureza é capaz de perceber e discernir.

Dizem que quem encontrou o livro foram os hebreus, pois há indícios de que entre os “vasos de ouro e prata” que Moisés levou do Egito por ocasião do Êxodo, estaria o Livro de Thot (tarot egípcio), que mais tarde se tornou a base de todos os fundamentos da Cabala, base da religião judaica. Os hebreus transformaram as 78 lâminas do tarot egípcio em 22 arcanos maiores de acordo com as 22 letras hebraicas e em 56 arcanos menores restantes. O tarot egípcio – um conjunto de 78 lâminas que continha figuras das divindades do Egito, além de símbolos astrológicos e ocultistas. Mas logo percebeu que sua total compreensão não seria captada naquele tempo e para que esses segredos só fossem revelados à humanidade na época certa Thot guardou o livro numa caixa de ouro e pôs a caixa de ouro numa de prata, e a caixa de prata ele pôs numa de marfim, e a de marfim ele pôs numa de bronze, a caixa de bronze ele colocou em outra de cobre, a de cobre ele pôs numa de ferro e esta última contendo o livro e as demais caixas ele depositou no fundo do rio Nilo. Essa lenda contém todo o princípio alquímico do tarot (os elementos herméticos). Thot era uma divindade lunar, que resolveu morar na Terra e instalar-se no Egito, local que elegeu para dividir seu conhecimento com os homens, como a escrita, a divisão do tempo e os mistérios cifrados das medidas. Ele então escolheu alguns discípulos de alto nível intelectual e espiritual para passar seus ensinamentos, pois era conhecedor das profecias sobre as transformações pelas quais o mundo iria passar – principalmente o apogeu e a decadência da civilização egípcia. Desejando transmitir seus conhecimentos às futuras gerações, esses dados foram escritos e registrados num “livro”.

O Arcano No. 1 é "O Mago", o que Inicia, o que começa. O Um é a Unidade, o Espírito Divino de cada pessoa, a Mônada ou Chispa Imortal de todo ser humano, de toda criatura. O Um é a Mãe de todas as Unidades, o Um se desdobra em Dois, que é o Arcano posterior: A Sacerdotisa.

O Arcano No. 2 é "A Sacerdotisa", a Ciência Oculta. No campo do Espírito, o Um é o Pai que está em Secreto, o Dois é a Mãe Divina, que é o desdobramento do Pai.

O Arcano No. 3 é "A IMPERATRIZ", é A Luz Divina, a Luz em si mesma, é "A MÃE DIVINA". Corresponde àquela parte do Gênesis que diz: "DEUS DISSE: FAÇA-SE A LUZ, E A LUZ FOI FEITA", desde o primeiro dia da criação.

 No. 4 de Arcano: Devemos compreender que suas 4 pontas simbolizam os 4 Pontos Cardeais da Terra: Norte, Sul, Leste e Oeste. As 4 Idades: Ouro, Prata, Cobre e Ferro. As 4 Estações do ano. As 4 Fases da Lua.

 O Arcano No. 5 do Tarô nos indica:O ENSINAMENTO, o Karma, a EXPLICAÇÃO. Simboliza o 5º Ciclo, a 5ª Raça, o 5º Sol, os 5 Tatwas, os 5 Dedos, os 5 evangelhos, os 5 sentidos, as 5 cavidades do cérebro e ovário, os 5 ASPECTOS DA MÃE DIVINA.

 O Arcano No. 6 é encantamento, equilíbrio, união amorosa do Homem e da Mulher. Luta terrível entre o Amor e o Desejo. Aí encontramos os Mistérios do Lingam-Yoni. É enlaçamento.

 O Arcano No. 7 é o Carro de Guerra que a Mônada criou para poder atuar neste mundo, com poder para trabalhar neste campo da vida. É a Mônada já realizada manifestando-se por seus 7 Corpos. De outro aspecto são 7 lutas, batalhas, dificuldades, mas apesar das lutas sempre vence.

 O Arcano No. 8 é o JULGAMENTO, ol No. 8 é o número de JÓ, PROVAS E DORES. É representado com uma espada que corresponde ao esotérico.

O Arcano No.9 é O EREMITA, a Solidão. Este Arcano em forma mais elevada é a Nona Esfera, o "Sexo".

Arcano No. 10 encontramos a Roda do Destino, a Roda Cosmogênica de Ezequiel. Nesta roda encontramos o Batalhar das Antíteses, Hermanubis à direita, Tifão à esquerda. Esta é a roda dos séculos, é a Roda da Fortuna, da REENCARNAÇÃO e do KARMA, a Roda Terrível da Retribuição, sobre a roda está o Mistério da Esfinge.

No. 11 de Arcano, é conhecido na CABALA como a Persuasão. O hieroglífico deste Arcano é uma bela mulher, que tranquilamente e com uma serenidade olímpica fecha com suas próprias mãos a fauce de um Leão furioso.

O Arcano No. 12 representa os 12 Signos do Zodíaco, os 12 APÓSTOLOS, as 12 Tribos de Israel, as 12 Horas de COZER do Alquimista, as 12 Faculdades, o Hidrogênio Si-12.

No. 13 de Arcano, os maços de trigo representam o Renascimento, assim como os das flores. AS FLORES, O COMEÇO DA VIDA. O TRIGO, O FINAL. Este Arcano tem representação física e interna, é o Arcano de Judas Iscariotes, que representa a Morte do "Ego".

No. 14 aparece um Anjo com um Sol na frente, com uma taça em cada mão, realizando a mistura do Elixir Vermelho com o Elixir Branco, da mistura destes dois resulta o Elixir de Longa Vida. Evidentemente, este Elixir é o que tanto almejaram os alquimistas medievais...

No. 15 de Arcano, representa o bode de Mendes, Lúcifer, Tiphón Bafometo, o Diabo. Devemos "branquear o latão", o Diabo, que é o Treinador Psicológico e Guardião das portas do Santuário para que entrem unicamente os elegidos, os que puderam superar todas as provas impostas pelo Diabo.

No. 16 de Arcano, é da Torre Fulminada, esta é a Torre de Babel. Nas Águas da Vida: o Báculo do Poder, o Bastão de Mando e o Chicote (látego) que representa a FRAGILIDADE.

No. 17 de Arcano, é A ESTRELA RADIANTE E A JUVENTUDE ETERNA. Neste Arcano aparece uma mulher nua que espalha sobre a terra a Seiva da Vida Universal, que sai de dois copos, um de ouro e um de prata. Tarô -

 No. 18 de Arcano, é LUZ e SOMBRA, MAGIA BRANCA E MAGIA NEGRA, isto está representado no Cão Negro e no Cão Branco, a Pirâmide Negra e a Branca.

No. 19 de Arcano, é o Arcano da Aliança. Representa o "FOGO CRIADOR", a Pedra Filosofal. Para realizar o trabalho da Grande Obra, temos que trabalhar com a Pedra Filosofal.

 No. 20 é a Ressurreição. Para que haja Ressurreição é necessário que previamente haja Morte, sem ela não há Ressurreição. "Que belo é morrer de instante em instante... SÓ COM A MORTE ADVÉM O NOVO".

No. 21 foi confundido com o Arcano No. 22 que é a Coroa da Vida. O ARCANO NO. 21 é O"LOUCO DO TARÔ" ou "A Transmutação”. Neste Arcano 21 o Iniciado tem que lutar contra os "3" Traidores de Hiram Abiff; o Demônio do Desejo, o Demônio da Mente e o Demônio da Má Vontade.

No. 22 de Arcano, é a Coroa da Vida, o regresso à Luz, encarnação da Verdade em nós. Nas Águas da Vida a Cruz Suástica simbolizando o Chakra Muladara de quatro pétalas.

Carlinhos Lima - Astrólogo, Tarólogo e Pesquisador. Mago de Umbanda Astrológica.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Estudos dos mistérios: Eles vão digitalizar a maior biblioteca de magia e ocultismo





A Biblioteca Ritman, localizada em Amsterdã, na Holanda, é um dos maiores arquivos do mundo de livros de ocultismo, magia e feitiçaria. Com mais de 20 mil volumes a seu crédito, o site é, sem dúvida, um paraíso para os amantes das ciências da escuridão. Lá você pode encontrar verdadeiras jóias de sigilo, como a primeira versão impressa do 10 sefirot , ou árvore de Kabbalah de vida 1516 , a primeira tradução Inglês de obras de Jacob Boehme uma Corpus Hermeticum fabricados em 1472 ou uma cópia do famoso Spaccio da besta trionfante de Giordano Bruno impresso em 1584. Agora, graças a uma generosa doação do autor do best-seller de Dan Brown, famoso por seu livro "O Código Da Vinci", uma seleção de textos disponíveis no site será digitalizado e enviado para o internet , pronto para ser consultada livremente visitantes de todo o mundo. Fonte:pijamasurf.com





segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Lilith: o lado oculto da mulher no mapa astrológico

A Lua Negra mostra onde podemos deixar que a Totalidade fale dentro de nós, sem atravessar um “eu” pelo caminho, sem erigir um muro formado pelo nosso ego. Ao mesmo tempo, ela não nos indica a passividade. Ao contrário, simboliza a firme vontade de mantermo-nos abertos e confiantes, de deixar que o Mundo Transcendental infiltre-se em nós, confiando inteiramente nas grandes leis do Universo, naquilo que chamamos Deus. A fim de nos preparar para essa abertura, a Lua Negra cria um vazio necessário.

Em trânsito, a Lua Negra indica-nos alguma forma de castração ou frustração, frequentemente nos assuntos relacionados ao desejo; uma incapacidade da psique; ou uma inibição em geral. Por outro lado também indica nossas áreas de auto-questionamento, a nossa vida, nossos trabalhos, nossas crenças. Acho que é isto é importante, pois nos dá a oportunidade de abrir mão de algo. A Lua Negra descreve nosso relacionamento com o Absoluto, com o sacrifício como tal, e mostra-nos como abrimos mão de certas coisas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O Grande Divino Mestre Dante Alighieri


Dentro das premissas de um Caminho Iniciático provável, não é possível condicionar Dante, como bem o diz acima Robert Bonnell, que podemos considerar como o Grande Decodificador Da Divina Comédia e, ao mesmo tempo, da Alma Poética do Grande Divino Mestre em seu formidável livro. Dante, O Grande Iniciado: é o que podemos denominar de O LIVRO. Dante é, antes de tudo, um grande poeta de imenso gênio literário, alimentado por uma filosofia livre e toda pessoal, e de uma espiritualidade abundante. 

Dante, O Grande Iniciado, um tratado esotérico completo acerca das caminhadas dantescas no terreno da Iniciação que, como dito antes, lhe foi toda particular e própria de uma alma dotada no grande interesse de Ascender até as mais Altas Esferas. O seu pensamento multiforme é o reflexo de centros de interesse tanto místicos quanto políticos, passados à prova de uma existência movimentada de homem comprometido com a vida da cidade. Seu gênio não lhe permitiria encerrar-se em alguma filiação espiritual, qualquer que fosse. 

O livro é um curso excelentíssimo de Hermetismo, Esoterismo Cristão, Numerologia Sagrada, Tarot e Alquimia, complementado ainda com observações precisas sobre Astrologia Esotérica, Mitologia Universal, Religiões e História. Comentários de autores tão diversos quanto René Guénon, Louis Lallement, André Barthélémy, Eugène Canseliet, Carl Gustav Jung, Paul Aléxis Ladame, André Pézard, Jacqueline Risset e alguns outros. Robert Bonnell - In: Dante, O Grande Iniciado - pag. 206 Em sete caminhos divide-se o livro:

I - O “Tohu-Bohu” De Um Destino Em Cinco Idades Observações dos detalhes presentes no destino de Dante referentes ao seu Existir e o sentido de suas obras refletidos nesse mesmo Existir II - As Nove Obras... Testemunhas De Uma Busca Espiritual Irresistivelmente Orientada Exame das nove obras de Dante em seus sentidos iniciáticos e simbólicos III - A Viagem Iniciática E Filiação Espiritual Os detalhes referentes ao Espiritual Envolvimento de Dante com o que se aproxima das suas visões de mundo descritas em seus livros IV - O Número A Numerologia Sagrada Revelada E Revelando Os Sagrados Divinos Mistérios contidos na Divina Comédia V - O Simbolismo Sagrado Dos Sítios Nos Três Mundos Da Divina Comédia Inferno, Purgatório e Paraíso analisados e comentados conforme os ditames esotéricos da Antiga Tradição Hermética, da Kaballah e do Esoterismo Cristão VI - Sob O Véu Dos Versos Estranhos, Ou... 

A Alquimia Operativa Da Divina Comédia A Alquimia Espiritual apresentada nos esotéricos versos da Divina Comédia é o tema deste capítulo, um dos mais elucidativos e brilhantes do livro VII - Os Arcanos Da Divina Comédia Ou Os Símbolos Maiores Das Forças E Dos Seres Em Presença Na Grande Aventura Da Transmutação Espiritual O Tarot e seus Arcanos correspondentes à Viagem Iniciática Dantesca em uma grandiosa apresentação e explicação pelo Inferno, pelo Purgatório e pelo Paraíso Se atualmente é mais ou menos admitido que Dante foi um Iniciado, no entanto, não é possível relacioná-lo com tal ou qual corrente esotérica ou iniciática. De resto, a tentativa que consiste em querer inseri-lo em tal ou qual filiação parece-nos totalmente inútil diante de raras evidências. Ao final do livro, um complemento enriquece ainda mais o todo do mesmo: 

Complemento I - O Ciclo Iniciático Da Semana Santa E Da Páscoa, E Além. A Sincronicidade Entre As Sagradas Escrituras E A Divina Comédia Exame das referências e similaridades da Divina Comédia com o Esoterismo Cristão Igualmente, um anexo tem o mesmo efeito enriquecedor: 

Indicações Sobre As Chaves Essenciais A Respeito Do Hermetismo Cristão Uma detalhada revisão do conteúdo hermético da Divina Comédia em face das diversas linhas de pensamento esotérico descritas e citadas e desenvolvidas no livro todo desde a primeira página (o livro de Bonnell) Dante surge às vezes na pena da Bonnell e é como se ditasse todo o livro com a sabedoria de Divina Natureza que agora ele possui nas Esferas pelas quais transita livre da envenante atmosfera da carnalidade. Este foi todo o objetivo, desde o início de Dante, ao realizar A Obra Em Negro (O Caminhar No Inferno), A Obra Em Branco (O Caminhar No Purgatório) e A Obra Em Vermelho (O Caminhar No Paraíso), é o Poeta-Mago no início de sua Caminhada Iniciática rumo à Ascensão e ao encontro da Unidade, tal como descrito por Bonnell: 

O Poeta-Mago encontra-se a caminho de uma experiência de percepção interior. E essa percepção tem por objetivo compreender a origem de todas as coisas e a Unidade que as rege. Mas, maleficiado, esse caminho representa todas as forças hostis a essa percepção interior. Ele diz respeito a todas as categorias de Condenados que o poeta encontrará nos nove círculos do Inferno. Pag. 534 Vencidos todos os obstáculos no Inferno, Dante chega ao Purgatório, sempre guiado por Virgílio, onde se torna o próprio Eremita a fim de ultrapassar mais uma etapa em direção ao Um: A Prudência é o início da Sabedoria. 

O Eremita é um mestre secreto que trabalha, como diz Oswald Wirth, para condicionar o futuro em gestação. Ele está desligado do Mundo e de suas paixões e leva a sua busca como perfeito Iniciado. A Humildade é a primeira das virtudes enfrentada no Purgatório de Dante, diante do pecado do orgulho encontrado no primeiro terraço. Mago no prólogo do Inferno, cheio de promessas e de limites, Dante agora é esse Eremita, no Purgatório, no meio do processo de iniciação, sempre sob a vigilância de Virgílio e aprofundando a sua busca no Invisível. Pag. 551 E, diante do Um, Dante se insere no contexto vibratório do Arcano Do Mundo: 

Ele se situa além dos três ciclos descritos e associados ao Inferno, ao Purgatório e ao Paraíso da Divina Comédia. É como se fosse o seu coroamento. Ele corresponde à entrada de Dante no Empíreo e ao seu Êxtase Místico na contemplação da Rosa dos Bem-aventurados, de Deus e de toda a Corte Celeste. (...) O Arcano do Mundo é a Totalidade do Homem e do Mundo, incessantemente criada pelo movimento harmonioso que mantém os elementos em equilíbrio e o Homem em sua ascensão espiritual. De fato, podemos ver o equilíbrio entre os quatro elementos em gestação ao longo da viagem inicática de Dante nos três mundos da Divina Comédia (...) Aos olhos do poeta, esse equilíbrio o conduz à fusão com o Divino e o Êxtase Místico. Pag. 587 

Bonnell é o próprio Papa, detentor das Coisas Raras que possuem Mistérios desvendáveis se os nosso Olhos Espirituais estão atentos ao Mover Raro De Todas As Coisas. Capacitado a nos dar uma visão completamente autêntica e original da obra maior de Dante. No apanhado geral, é um grande livro a todos recomendado e que passa uma mensagem diretamente ditada por Dante ao autor, o qual Compreendeu Em Verdade a Alta Divina Mensagem Da Divina Comédia, como comprova este seu poema presente na obra após a exposição do complemento referente aos aspectos de ligação entre as Sagradas Escrituras e a eterna obra iniciática dantesca: 

Metamorfose 
De arcano em arcano, perscrutas o caminho. 
No céu de teus manás, reconhece teu Destino. 
E vê o doce segredo, que, passo a passo, te leva Para a Felicidade: 
É simples: Ama! Se tua alma sofre, entendas o Poeta: 
Que o Espírito Purpúreo ilumine tua testa. 
Tua metamorfose retirará o véu, e, como ele, ousa remontar às estrelas. 
Então suprimirás as sombras de tua vida, e Luz terás para todo confronto. 
E tua história, então, de Humana Tragédia se transformará em Ouro: 
Divina Comédia. Robert Bonnell 

Ele é um grandiosíssimo mestre na arte da estudada e cuidadosa elaboração de cada parte do livro, que em si mesmo é uma obra-prima de extremíssima e profundíssima qualidade aos que estudam e praticam a Magia, o Ocultismo e as Ciências Ocultos; e, também, aos que simpatizam intelectivamente com tais assuntos e vertentes iniciáticas apenas a nível de leituras instrutivas d'alma e da mente. 

Fonte de pesquisa: omundoinominavel.
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