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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Astrofísica: Tática de defesa será testada em asteroide que passará pela Terra

O asteroide mede entre entre 10 e 30 metros, um pouco maior do que o asteroide que atingiu Chelyabinsk, na Rússia, em 2013, deixando 400 feridos. No entanto, segundo os cientistas, o objeto se aproximará a uma distância segura do nosso planeta (Divulgação/iStock)

Uma rocha que voará a 'apenas' 6.800 quilômetros do nosso planeta, sem oferecer risco, será usada pela Nasa para testar detecção e rastreamento de ameaças



Desde que um cientista da Nasa declarou que a Terra não estaria preparada para barrar um asteroide “surpresa” que se aproximasse sem ser detectado, a preocupação do público vem crescendo em relação a uma potencial ameaça. Mas, para proteger nosso planeta, a agência espacial americana já está desenvolvendo um poderoso sistema de defesa planetária. E a passagem de uma rocha espacial a 6.800 quilômetros da Terra (perto, em termos cósmicos, mas não o suficiente para oferecer qualquer risco) será a chance perfeita para testar essas novas tecnologias. Segundo a Nasa, que anunciou o experimento neste fim de semana, a oportunidade colocará à prova os observatórios e cientistas responsáveis por detectar e rastrear asteroides potencialmente perigosos. “Cientistas sempre apreciaram saber quando um asteroide fará uma passagem próxima e segura pela Terra, porque eles podem fazer preparativos para coletar dados, caracterizar [o objeto] e aprender o máximo possível sobre ele”, disse Michael Kelley, cientista envolvido no programa e líder da campanha de observação do TC4, como foi batizado o asteroide que será objeto de estudo. “Desta vez, estamos adicionando outros esforços, usando este voo próximo para testar a rede mundial de detecção e rastreamento de asteroides, avaliando nossa capacidade de trabalhar juntos para encontrar uma potencial ameaça real.”

O TC4 tem entre 10 e 30 metros, um pouco maior do que o asteroide que atingiu Chelyabinsk, na Rússia, em 2013. Ainda assim, é relativamente pequeno, se for levado em conta que o asteroide responsável por extinguir os dinossauros tinha quase dez quilômetros. Os cientistas, no entanto, garantem que, assim como a maioria dos Near Earth Objects (NEOs, na sigla em inglês, traduzida como “Objetos Próximos à Terra”), o TC4 não oferece nenhum risco de colisão catastrófica com o nosso planeta. Ele foi escolhido pela Nasa porque, desde que foi descoberto em 2012, está fora do alcance dos telescópios. Quando ele se aproximar da Terra, os cientistas esperam utilizar grandes telescópios para rastreá-lo e restabelecer sua trajetória precisa, assim como definir sua órbita, determinando exatamente a que distância que ele passará do nosso planeta. “Este é o alvo perfeito para esse exercício, porque conhecemos a órbita do TC4 suficientemente bem para ter certeza absoluta de que não impactará a Terra, mas ainda não estabelecemos sua trajetória exata”, afirmou Paul Chodas, diretor do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS, na sigla em inglês). “Compete aos observatórios obter uma correção [na trajetória já conhecida] do asteroide à medida que se aproxima e trabalhar em conjunto para obter observações de acompanhamento para fazer determinações de órbita de asteroides mais refinadas.”

Astrofísica: EUA terá eclipse solar total em agosto – no Brasil, será parcial

Um eclipse solar total é visto a partir da cidade de Ternate, na Indonésia, nesta quarta-feira (09) (Beawiharta/Reuters)

Fenômeno será visível em alguns estados do Norte e do Nordeste do Brasil. Já nos EUA, ele poderá ser observado em todo o país


Com a chegada de agosto, um novo espetáculo celeste se aproxima: um eclipse solar que escurecerá os céus no próximo dia 21. Nos Estados Unidos, ele será total (quando a Lua cobre completamente o Sol). Aqui no Brasil, porém, ele será parcial e apenas uma parte do Sol ficará encoberta, formando, em algumas localidades, uma meia-lua luminosa. Além disso, o fenômeno só poderá ser visto em estados brasileiros do Norte, Nordeste e algumas partes do Centro-Oeste e Sudeste. Segundo o astrônomo Daniel Mello, do Observatório do Valongo, que pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o eclipse não poderá ser observado em São Paulo e Rio de Janeiro e também na região Sul. “As melhores capitais para observação serão Bela Vista, em Roraima, e Macapá, no Amapá, onde o eclipse terá duração aproximada de duas horas e a Lua irá encobrir aproximadamente 40% do Sol”, afirma. “Em Bela Vista, o eclipse começará às 14h56 e, em Macapá, às 16h09 [horário local].” Segundo ele, quanto mais ao sul do país, menor será a fração do astro encoberta pela Lua. “Em Goiânia, por exemplo, o eclipse será muito tênue. O Sol ficará apenas 1% encoberto e o fenômeno terá duração de 27 minutos.”

Já nos Estados Unidos, o eclipse solar total (com o Sol 100% encoberto pela Lua) poderá ser observado apenas nos estados de Oregon, Wyioming, Idaho, Nebraska, Missouri, Kentucki, Tenessee, Georgia, Carolina do Sul, Kansas, Illinois e Carolina do Norte. “Nos estados de Missouri, Kentucky, Tenessee e Illinois, o fenômeno deve ter quase três horas de duração, embora o instante máximo de eclipse total seja muito curto, na faixa de dois minutos”. No resto do território americano, será possível assistir a um eclipse parcial, mas com maior duração do que no Brasil.

Eclipse total - De acordo com Mello, eclipse solares não são fenômenos tão raros quanto parecem ser. Eles ocorrem de tempos em tempos, quando a Lua, em sua órbita em torno da Terra, passa exatamente na frente do Sol, ocultando-o, parcial ou completamente, e gerando sombra em locais específicos da Terra. “Neste ano, já tivemos um eclipse solar total na Argentina, Chile e países da costa africana. Teremos outro na Argentina e no Chile em 2 de julho de 2019.” No Brasil, só teremos a oportunidade de assistir a um eclipse total do Sol em 12 de agosto de 2045. O diferencial do espetáculo celeste que ocorrerá no próximo dia 21, para os americanos, é que o fenômeno será observável com pelo menos uma parte do Sol encoberta de costa a costa do país. O evento conquistou tanta popularidade que está sendo chamado pelos americanos de o “maior eclipse da história” e contará, inclusive, com uma transmissão ao vivo feita pela Nasa para todo o mundo. A fama não é à toa, pois esse tipo de fenômeno tem grande valor para os astrônomos. “Em um eclipse solar total, é possível observar uma região especial do Sol chamada coroa solar. Os astrônomos têm muito interesse em estudar essa camada para compreender melhor o mecanismo de geração de partículas elétricas do Sol”, explica Mello. “Estas partículas chegam até a Terra e podem afetar satélites artificiais, estações e naves espaciais, além de interagir com o campo magnético do planeta e poder causar danos em torres de transmissão de energia elétrica.” Mesmo para o resto da população, o eclipse também tem sua relevância. “Para o cotidiano das pessoas, o fenômeno é importante tanto pela chance de contemplar um dos fenômenos astronômicos mais belos, quanto do ponto de vista cultural, possibilitando um melhor entendimento, interação e reflexão do homem frente aos aspectos naturais que o cerca”, diz o astrônomo.

Cuidados na observação - É importante lembrar, no entanto, que um eclipse não deve ser observado diretamente. “Nunca se deve olhar para o Sol sem proteção”, adverte Gustavo Rojas, astrônomo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). “A intensa radiação solar pode danificar a visão em instantes. Por isso, é preciso utilizar proteção adequada, como filtros astronômicos ou vidros como os usados em máscaras de solda.” O especialista também alerta que não se deve utilizar óculos, binóculos ou telescópios, instrumentos que concentram os raios solares e podem causar graves danos à visão. Para quem for observar o fenômeno aqui no Brasil, o equipamento mais adequado é um filtro astronômico feito com um polímero que permite a passagem de uma fração minúscula da luz. Esse equipamento, no entanto, não é vendido aqui no Brasil e precisa ser encomendado. Por isso, o astrônomo sugere utilizar um vidro de máscara de solda com tonalidade 14, que é facilmente encontrado em lojas de material de construção.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Ciência e vida: Humanidade esgota recursos que a Terra é capaz de renovar

Segundo dados levantados pela Global Footprint Network, seria necessário 1,7 planeta para suprir nosso consumo anual de recursos naturais (NASA/VEJA)

Segundo duas ONGs internacionais, estaremos usando as reservas de recursos naturais disponíveis, sem reposição, até 31 de dezembro


A humanidade consumiu, nesta quarta-feira, o total dos recursos naturais que a Terra pode renovar em um ano. Co isso, viverá “de crédito” dos recursos armazenados até 31 de dezembro, calcula a ONG Global Footprint Network. Segundo a organização, que emitiu um comunicado em conjunto com a World Wildlife Fund (WWF, na sigla em inglês), esse momento, conhecido como “Dia de Sobrecarga da Terra”, chega mais cedo a cada ano. “A partir dessa data, a humanidade terá consumido o conjunto dos recursos que o planeta pode renovar em um ano”, escreveram as ONGs no comunicado. “O custo deste consumo excessivo já é visível: escassez de água, desertificação, erosão dos solos, queda da produtividade agrícola e das reservas de peixes, desmatamento, desaparecimento de espécies. Viver de crédito só pode ser algo provisório porque a natureza não conta com uma jazida para nos prover indefinidamente.”

Segundo as organizações, para satisfazer nossas necessidades atuais, a humanidade deveria contar com o equivalente a 1,7 planeta. Embora o ritmo de progressão tenha reduzido um pouco nos últimos seis anos, esta data simbólica “continua avançando de maneira inexorável: este dia passou do final de setembro em 1997 a 2 de agosto neste ano”, destacam as ONGs. Para seus cálculos, a Global Footprint leva em conta em particular a pegada de carbono, os recursos consumidos pela pesca, a pecuária, os cultivos, a construção e a utilização de água. As emissões de gases de efeito estufa “representam apenas 60% da nossa pegada ecológica mundial”, afirma. Segundo as duas organizações, “sinais animadores” indicam, no entanto, que “é possível inverter esta tendência”. Apesar do crescimento da economia mundial, “as emissões de CO2 vinculadas à energia não aumentaram em 2016, pelo terceiro ano consecutivo”, ressaltam. “Isto pode ser explicado pelo grande desenvolvimento das energias renováveis para produzir eletricidade”. A comunidade internacional se comprometeu na Conferência de Paris sobre o clima (COP21), em dezembro de 2015, a reduzir as emissões de gases de efeito estufa com o objetivo de limitar o aquecimento global. Levando em conta os dados científicos mais recentes, a Global Footprint recalcula a cada ano a data do “Dia de Sobrecarga” para os anos passados, desde que este “déficit ecológico” começou a se aprofundar, no início dos anos 1970. (Com AFP)

domingo, 30 de julho de 2017

Fé na justiça: O que a Lava Jato revela sobre a origem 'mágica' do Direito

Surgido a partir de mitos gregos, o direito guarda semelhanças com o universo mítico-religioso (Foto: Wikicommons)

Fé depositada na operação e tratamento de herói a protagonistas expõem laços antigos entre justiça e religião, dizem juristas



Réus declaram "crer" na Justiça, procuradores dizem conduzir uma "cruzada" contra a corrupção, juízes são descritos como "heróis". As semelhanças entre o vocabulário ligado à operação Lava Jato e o linguajar do universo mítico-religioso não são coincidência, dizem juristas entrevistados pela BBC Brasil. "Na origem do Direito, era impossível separá-lo da religião", diz Ari Marcelo Solon, professor de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Universidade de São Paulo (USP). Ele conta que nosso sistema jurídico se originou a partir de mitos que circulavam na Grécia vários séculos antes de Cristo. Quase três milênios se passaram, mas o laço jamais se desfez completamente, afirma o professor - o que ajudaria a explicar a esperança quase religiosa que muitos brasileiros depositam na Lava Jato e a fé numa redenção por meio da punição dos corruptos.

A estátua da Justiça tem origem na deusa grega Têmis (Foto: Wikicommons)


Deusa da Justiça - Nos tempos do poeta Homero, conta Solon, a deusa Têmis personificava os ideais de justiça. Segunda esposa de Zeus, filha de Urano e Gaia, era também Têmis quem mantinha a ordem no Olimpo, a morada dos deuses. Solon diz que a deusa era representada por um monte de pedras, o que indicava a firmeza da justiça. Na ágora, espaço de discussão onde também havia pedras, reis se reuniam para tomar decisões guiados por decretos divinos.

Segundo juristas, o direito "é um fenômeno mágico", que opera em moldes parecidos com os de religiões tradicionais (Foto: João Fellet/BBC Brasil)


Séculos mais tarde, em Roma, Têmis se transformou na deusa Iustitia, origem do termo justiça. Hoje, estátuas da deusa, de olhos vendados e balança à mão, guardam a entrada de muitos tribunais no Ocidente. Com o tempo, muitos Estados se tornaram laicos, e Direito e religião se separaram formalmente. Porém, para alguns pensadores - como os filiados ao realismo jurídico, movimento que despontou nos EUA e na Escandinávia no início do século passado - essa cisão nunca ocorreu pra valer. Na tese "A César o que é de Deus: Magia, Mito e Sacralidade do Direito", defendida na USP em 2008, o jurista e diplomata Rafael Prince analisa as semelhanças entre o Direito e os rituais xamânicos, a feitiçaria e outras práticas de povos ditos "primitivos". Segundo Prince, o Direito é "um fenômeno mágico", que opera em moldes parecidos com os de religiões tradicionais, ainda que muitos juristas o tratem como ciência.

Ele afirma que, por mais que juízes digam se guiar apenas pela lei ao proferir sentenças, suas decisões sempre têm uma boa dose de subjetividade - o que, para Prince, não significa que a impessoalidade, objetividade e transparência não devam ser perseguidos por legisladores e operadores do Direito. "O conteúdo das normas do Direito mudou ao longo do tempo, mas a forma de pensar juridicamente é, por natureza, uma forma de pensamento mágico ou religioso - uma linguagem mitológica", afirma.

Ele diz que o elo entre magia e Direito é evidenciado, por exemplo, pelo papel que a palavra desempenha nos dois sistemas. "As palavras são o núcleo do poder mágico", explica o jurista. Citando o linguista alemão Winfried Nöth, ele afirma em sua tese que a palavra inglesa "spell" significa tanto soletrar quanto fórmula de encantamento, e que "glamour", que no passado significava "bruxaria", tem a mesma raiz que "grammar" (gramática). "Para o povo, o conhecimento de gramática era evidentemente um saber mágico", disse Nöth. Da mesma forma que um ritual de magia requer a entoação de certas palavras, a posse de um funcionário público ou um casamento - duas cerimônias regidas pelo Direito - só têm efeito mediante a pronúncia de expressões específicas. As palavras são tão poderosas no Direito, diz Prince, que com elas juízes podem "mudar para sempre o destino de pobres mortais". Os paralelos vão além. "As fórmulas mágicas costumam ser barrocas e repetitivas, e não é diferente com os textos jurídicos", afirma Prince. "O exorcista, por exemplo, ao recitar suas orações e conjurações, deve se mostrar muito mais terrível que o demônio dentro do paciente (...) Da mesma forma, os advogados não poupam esforços em falar numa linguagem rebuscada e incompreensível aos leigos, que, admirados com o impressionante 'juridiquês', não hesitarão em confiar na capacidade dos doutos bacharéis." Prince afirma que há várias palavras vazias de sentido no Direito, e que muitos conceitos jurídicos - como propriedade, direito subjetivo e crédito - não têm qualquer significado fora do universo das leis. E assim como as religiões têm templos, o Direito tem tribunais, espaços igualmente controlados por rígidas regras por onde transitam juízes, advogados e promotores - a quem Prince chama de "sacerdotes da religião jurídica". Para ter acesso a esses locais, deve-se passar por uma série de ritos, como a graduação em Direito e o concurso para a magistratura - processo não muito diferente da iniciação por que passam padres, monges e xamãs, afirma o diplomata.

Rituais religiosos tradicionais, como os de etnias do malauí, têm semelhanças com os rituais do direito (Foto: Wikicommons)


Direito e mito - Além da origem comum, Prince diz que Direito e religião têm o mesmo papel na sociedade: "resolver conflitos sociais, ao conciliar, em sua estrutura harmônica, expectativas e valores dissonantes". Quando um juiz define uma pena para um crime, está compensando o crime com outro ato e agindo para restabelecer o equilíbiro quebrado pelo criminoso. "O processo judicial, em sua forma e linguagem, é um meio de reviver mitos fundamentais da nossa sociedade", diz Prince. No caso da Lava Jato, ele afirma que o mito em questão é o de que "os maus devem ser punidos". Segundo o jurista, no imaginário de muitos brasileiros, os procuradores da operação e o juiz Sérgio Moro são vistos como figuras míticas que "vão salvar o país de todo o mal". Ele alerta para o risco, porém, de que os holofotes façam o juiz abandonar o papel sagrado de mediador, convertendo-se em outro arquétipo mitológico: "o inquisidor, o herói paladino da justiça". "Isso, sem dúvida, é ruim para a legitimidade do Judiciário - além de ilegal."

A Lei das Doze Tábuas codificou delitos e definiu penas para malfeitos, marcando o início de uma era na qual governos passaram a aprovar leis aplicáveis a todos os cidadãos (Foto: Wikicommons)


Falsa religião - Para Ari Solon, professor da USP, a Lei das Doze Tábuas - legislação na origem do Direito romano - é a base dos processos da Lava Jato. O documento, que codificou delitos e definiu penas para malfeitos, marcou o início de uma era na qual governos passaram a aprovar leis aplicáveis a todos os cidadãos. Solon diz que, ao sistematizar mitos e valores arraigados na população, o Direito romano surgiu como uma "força ética". Para ele, o elo entre Direito e ética se fragilizou desde então. "O Direito foi se afastando de sua essência e virando algo só formal: uma falsa religião." Solon diz que, para resgatar os valores originais greco-romanos, pode ser útil estudar como se organizam povos que não foram engolidos pelo Direito ocidental, como indígenas brasileiros. Esses grupos, segundo o professor, podem nos mostrar outras formas de conciliar mitos e regras de convívio - ainda que, para alguns, eles ainda vivam na "Idade da Pedra". Solon então lembra o elo entre o Direito e as pedras que simbolizavam Têmis, a deusa grega da justiça. As pedras, conta ele, também abundavam no Monte Sinai, onde foi revelada a Moisés a Torá, o livro sagrado do Judaísmo. "Não é chocante que todos adorem a pedra", diz o professor. "Há paradigmas comuns a todas as civilizações. A religião tem que vir da concretude."
Por BBC

terça-feira, 25 de julho de 2017

Líder hindu diz que cerveja Brahma ofende crença e pede novo nome

Cerveja Brahma (Brahma/Divulgação)

Para líder religioso americano, usar o nome de uma divindade hindu para vender bebida alcóolica é "desrespeitoso"


Um líder hindu americano, Rajan Zed, publicou na última semana comunicado criticando o nome da cerveja Brahma por considerar desrespeitoso à sua religião. Para Zed, associação de uma bebida alcoólica com a o deus hindu de mesmo nome é “altamente inapropriada”. Ele quer que a fabricante mude o nome da bebida. Zed, que é membro de sociedades hindus e conselheiro instituições empresariais no estado de Nevada, nos Estados Unidos, tem publicado em seu Twitter pedidos relacionados a produtos de outras empresas. Entre as reclamações estão o uso de estampas e motivos hindus em produtos considerados ofensivos. No caso da cerveja Brahma, ele afirma que é desrespeitoso usar o nome de uma divindade altamente cultuada no hinduismo para fins comerciais. Ele diz que a religião tem um rico pensamento filosófico e não deve ser encarada “com frivolidade”. “Símbolos de qualquer fé, grandes ou pequenos, não podem ser maltratados”, considerou. A religião tem cerca de 1 bilhão de seguidores no mundo, segundo o instituto de pesquisa Pew. No Brasil, o número de hinduístas era de 5.675 pessoas em 2010, segundo o Censo mais recente do IBGE.


Outro lado - O comunicado foi direcionado à AB Inbev, sediada na Bélgica. A empresa é controladora da brasileira Ambev, que foi criada pela fusão entre as cervejarias criadoras da Brahma e da Antarctica em 1999. Em 2016, a AB Inbev registrou faturamento de 45,5 bilhões de dólares (144,35 bilhões de reais). Procurada por VEJA, a Ambev ,disse que a origem do nome da cerveja, criada em 1880 no Rio de Janeiro, não está atrelada ao deus hindu. “De acordo com alguns registros, o nome é provavelmente uma homenagem ao inventor da válvula de chope, o inglês Joseph Bramah”. A empresa informou que nem ela nem a AB Inbev receberam algum pedido de mudança do nome relacionado a este caso.
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