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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Espaço: Saiba o que é Bennu, o ‘asteroide do fim do mundo’

Imagem ilustrativa da chegada da sonda OSIRIS-Rex ao asteroide Bennu, em 2018.
Imagem ilustrativa da chegada da sonda OSIRIS-Rex ao asteroide Bennu, em 2018. (Divulgação/Nasa)

A chance de que o corpo celeste atinja a Terra daqui a 150 anos é de 1 em 2.500 - bastante remota, portanto. Em setembro, a Nasa envia missão para estudá-lo


Ele é uma rocha de 492 metros de diâmetro e, a cada seis anos, cruza a órbita do nosso planeta. Segundo cálculos dos astrônomos, o asteroide Bennu tem 1 chance em 2.500 de colidir com a Terra no século XXII, em 2135. Ou seja, é muito remota a possibilidade de que esse seja o asteroide responsável pelo fim do mundo, como alguns o têm chamado. Mas a colisão, pouco possível, é uma das razões por que a Nasa está enviando a sonda OSIRIS-Rex, no início de setembro, até ele. É a primeira missão espacial da Nasa que irá visitar um asteroide, colher amostras e voltar para a Terra.

Descoberto pelos cientistas em 1999, Bennu nasceu de uma violenta colisão entre asteroides e testemunhou o surgimento do sistema solar, há aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Por isso, os astrônomos acreditam que ele possa oferecer algumas respostas para questões centrais sobre a Terra (de onde viemos e para onde vamos). A missão, que parte em 8 de setembro de Cabo Canaveral, na Flórida, e deve chegar ao asteroide em 2018, voltará cinco anos depois carregada de informações sobre o corpo celeste. “As experiências vividas por Bennu vão nos dizer mais sobre as origens do nosso sistema solar e como ele evoluiu. Como detetives, vamos examinar as evidências trazidas para compreender melhor nossas origens”, afirmou Edward Bershore, da Universidade do Arizona, um dos principais pesquisadores da missão, em comunicado. Além disso, os asteroides podem conter os precursores moleculares para a origem da vida e oceanos da Terra. Algumas teorias acreditam que o choque de asteroides com o planeta pode ter contribuído para formar os primeiros seres vivos e ou a água de nosso planeta.

Asteroide do fim do mundo 


As grandes dimensões e composição do asteroide, junto com a órbita perigosa, fizeram com que ele fosse escolhido como o alvo da nova missão. Bennu é considerado um objeto próximo da Terra (NEO, na sigla em inglês). Daqui a 150 anos, a Nasa acredita que existam chances mínimas de que, ao passar entre a Terra e a Lua, o asteroide possa ter sua rota alterada graças à força exercida por ambos corpos – e, assim, ser empurrado em direção a nosso planeta. O choque teria a potência de 80.000 bombas de Hiroshima. Mas também há chances de que ele seja enviado para longe da Terra devido à interação com os planetas do sistema solar e seus satélites. A missão poderia fornecer pistas de como evitar um possível impacto. O Jet Propulsion Laboratory (JPL), da Nasa, é bastante preciso na observação e manutenção da órbita de objetos próximos da Terra – com ajuda internacional, ele consegue identificar e mapear a rota de 95% dos corpos celestes que podem colidir com o planeta. Assim, além de determinar com exatidão as propriedades físicas e químicas do asteroide, a missão OSIRIS-Rex também ajudará os cientistas a desenvolverem estratégias para evitar um possível impacto do asteroide com o nosso planeta no futuro.

Perigos do céu: Como um projétil pode impedir a colisão de asteroides com a Terra

Apesar de raros, objetos potencialmente perigosos ainda são uma ameaça ao planeta e preocupam astrônomos (iStock/Como um projétil pode impedir a colisão de asteroides com a Terra)

Estudando o meteorito que atingiu Chelyabinsk, na Rússia, cientistas afirmam que é possível desenvolver estratégias para impedir o impacto de asteroides


Fazer uso de um projétil para desviar a órbita de um asteroide e evitar a colisão com a Terra seria uma estratégia possível, segundo um estudo do Instituto de Estudos do Espaço da Catalunha (IEEC-CSIC, na sigla em espanhol). A pesquisa, publicada na edição de janeiro do periódico científico The Astrophysical Journal, foi feita com base no meteorito Chelyabinsk, que explodiu em 2013 sobre céu russo após atravessar a atmosfera. A análise demonstra que, de acordo com a composição, densidade e estrutura interna da rocha, é possível que uma missão, desenvolvida com antecedência, consiga impedir o impacto.


O estudo não é o primeiro a investigar maneiras de evitar um possível confronto entre um objeto próximo à Terra (NEO, sigla em inglês) de grandes dimensões e o nosso planeta. No início do ano, o governo americano também divulgou um plano para lidar com esse tipo de ameaça.

De acordo com os cientistas, a probabilidade de uma rocha com quilômetros de diâmetro ter consequências devastadoras após se chocar com a Terra é estatisticamente pequena, já que é mais frequente que objetos de poucas dezenas de metros (como o de Chelyabink), que são descobertos continuamente, alcancem a atmosfera terrestre. As chances, entretanto, ainda existem – e astrônomos afirmam que, se não for identificado a tempo, o impacto não poderá ser evitado.

Como impedir a colisão 
Quando explodiu sobre a Rússia, o meteorito de aproximadamente 18 metros de diâmetro se fragmentou em milhares de pedaços que caíram na superfície do planeta. O rompimento do objeto na atmosfera mostrou que a Terra atua como um eficiente escudo — por causa do atrito com a atmosfera, o corpo celeste se desintegrou e apenas 4.000 quilos de suas 13.000 toneladas atingiram a superfície. O maior pedaço, de 570 quilos, foi encontrado no lago Chebarkul. Apesar de ser um meteorito pequeno, o choque que ocorreu quando entrou na atmosfera, a uma velocidade de 19 quilômetros por segundo, deixou centenas de feridos e grandes danos materiais. Em laboratório, a equipe dirigida pelo pesquisador Jordi Sort, da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), realizou medições das propriedades mecânicas do meteorito que, segundo os cientistas, tem características semelhantes a alguns tipos de asteroides. A análise obteve de maneira rigorosa e sistemática as propriedades dos materiais que formam esse corpo celeste, em particular, a dureza, a elasticidade e a resistência à fratura. Essas informações são determinantes para que o impacto de um projétil consiga desviar a órbita desse objetos. Segundo os resultados, a composição, a estrutura interna, a densidade e outras propriedades físicas são fundamentais para o êxito de uma missão na qual seria lançado um projétil cinético – tipo de projétil que não possui carga explosiva – para desviar a órbita de um asteroide perigoso.

Asteroides, meteoritos e meteoros 

Asteroides são corpos celestes menores que planetas que vagam pelo sistema solar desde sua formação, há 4,6 bilhões de anos. Meteoritos, por sua vez, são pedaços de asteroides que eventualmente atingem a superfície da Terra. Já os meteoros são as rochas que atravessam a superfície da Terra e deixam rastros luminosos no céu, resultado do atrito com o ar – são popularmente reconhecidos como estrelas cadentes. O objeto que explodiu sobre o céu de Chelyabinsk é um meteorito de uma classe conhecida como condrito ordinário. Os pesquisadores o escolheram porque esse tipo de rocha é mais consistente e pode ser considerado representativo dos materiais formativos da maioria dos objetos potencialmente perigosos para a Terra. (Com EFE)

domingo, 22 de janeiro de 2017

Sexo sem proteção: Cresce o número de adolescentes que não usam camisinha

  adolescentes que não usam camisinha
Novos velhos tempos: não é um retrocesso aos anos sem cuidado da era pré-aids, mas há um evidente desleixo (Roberto Setton/VEJA)

Hábito fez aumentar os casos de aids e sífilis entre os jovens brasileiros



Entre os anos 80 e 90 do século passado, a aids impôs mudanças abissais no comportamento sexual — o medo da contaminação fez reduzir o número de parceiros e levou às carteiras e bolsas o preservativo. Bastou que a epidemia fosse controlada para o pavor recuar. E, no vácuo desse recuo, veio o desleixo nos necessários cuidados: pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feita com mais de 100.000 alunos do 9º ano do ensino fundamental, entre 13 e 15 anos, mostra que, em 2015, 66% tinham usado camisinha na última relação sexual — uma redução preocupante em relação a 2012, quando 75% revelaram ter posto o preservativo. O infectologista Artur Timerman, do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, afirma: “Os jovens estão deixando de se cuidar porque simplesmente não temem as doenças transmitidas pelo sexo”. O dado assustador: no Brasil, os casos de aids nos adolescentes entre 15 e 19 anos cresceram de 2,8 para cada 100 000 habitantes em 2006 para 5,8 a cada 100 000 pessoas em 2015.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Bem estar: Meditação, arteterapia e Reiki passam integrar procedimentos do SUS

  passam integrar procedimentos do SUS
Meditação está entre práticas que passaram a fazer parte da tabela de procedimentos do SUS (Foto: CDC/Amanda Mills)

Novidade foi publicada no Diário Oficial da União. Musicoterapia, tratamento naturopático, tratamento osteopático e quiropraxia também foram incluídos.


Meditação, arteterapia e Reiki agora fazem parte dos procedimentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A novidade foi publicada nesta sexta-feira (13) no Diário Oficial da União. A portaria do Ministério da Saúde também inclui musicoterapia, tratamento naturopático, tratamento osteopático e tratamento quiroprático. Todas essas práticas integrativas passam agora a fazer parte da Tabela de Procedimentos do SUS na categoria de "ações de promoção e prevenção em saúde". O SUS já oferecia algumas opções de práticas integrativas como práticas corporais em medicina tradicional chinesa, terapia comunitária, dança circular, ioga, oficina de massagem, auriculoterapia, massoterapia e tratamento termal. Esses procedimentos continuam disponíveis.

Entenda as novas práticas incluídas no SUS

  • Arteterapia: uso da arte como parte do processo terapêutico
  • Meditação: prática de concentração mental com o objetivo de harmonizar o estado de saúde
  • Musicoterapia: uso dos elementos da música - som, ritmo, melodia e harmonia - com propósito terapêutico
  • Tratamento naturopático: uso de recursos naturais para recuperação da saúde
  • Tratamento osteopático: terapia manual para problemas articulares e de tecidos
  • Tratamento quiroprático: prática de diagnóstico e terapia manipulativa contra problemas do sistema neuro-músculo-esquelético
  • Reiki: prática de imposição das mãos por meio de toque ou aproximação para estimular mecanismos naturais de recuperação da saúde

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Astrofísica: Aliens? Ciência tem nova hipótese para luz misteriosa de estrela

  hipótese para luz misteriosa de estrela
O brilho da KIC 8462852 é tão misterioso que cientistas chegaram a considerar que uma 'megaestrutura alienígena' envolvia a estrela (capnhack.com/Reprodução)

Pesquisadores acreditam que a estrela KIC 8462852 pode ter engolido um planeta, provocando o brilho enigmático que intriga cientistas há anos


Desde 2015, cientistas vêm tentando desvendar o mistério de uma estrela que fica a 1.500 anos-luz da Terra (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros), localizada entre as constelações de Cisne e Lira. Batizado de KIC 8462852, o astro possui um brilho com padrões tão incomuns que, mesmo com diversas explicações científicas sugeridas, os astrônomos ainda não descartaram a possibilidade de uma enorme estrutura construída por alienígenas estar bloqueando a luz que ele emite. Dessa vez, porém, a mais nova hipótese levantada pelos cientistas não inclui vida extraterrestre. Pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, sugerem que a estrela engoliu um planeta em algum momento de sua vida, e os estranhos padrões de luz que podem ser observados são causados por restos do corpo celeste ou da sua lua, que eventualmente bloqueiam parte do brilho da KIC 8462852. O estudo completo será publicado na próxima edição do Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Fenômeno misterioso 


Quando um planeta orbita uma estrela, é normal que o brilho dela diminua periodicamente cerca de 1%. Porém, no caso da KIC 8462852, essas quedas são muito maiores, podendo chegar a 22%. A desproporção em relação às estrelas “comuns” imediatamente fez com que os cientistas imaginassem que algo muito grande estivesse bloqueando a luz do astro – porém, só isso não explicaria a queda gradual na luminosidade que foi observada entre 1890 e 1989. Foi então que eles passaram a considerar a hipótese de que a estrela tenha engolido um planeta. Após um aumento repentino no brilho provocado pela colisão, o astro agora está voltando ao normal, envolvido por alguns pedaços de rocha que eventualmente bloqueiam sua luz. O estudo sugere que o choque tenha ocorrido há dez mil anos atrás, mas só agora a estrela está liberando a energia gerada pelo choque. Para testar sua teoria, a equipe de cientistas analisou estudos anteriores sobre a KIC 8462852 com teorias já conhecidas da física espacial, como o mecanismo de Kozai, usado para determinar as variações nas órbitas dos satélites planetários. Se seus cálculos estiverem corretos, os pesquisadores acreditam que esse tipo de colisão pode ser mais comum do que imaginavam a princípio. O mistério, no entanto, está longe de ser desvendado. Novas hipóteses vêm surgindo no meio científico, inclusive uma teoria proposta por um grupo de estudiosos que sugere que os padrões de luz incomuns da KIC 8462852 não são causados pela estrela em si ou rochas que a orbitam – e sim por lixo cósmico espalhado pelo caminho entre a Terra e a estrela. Apesar das hipóteses sugeridas se encaixarem nos fatos conhecidos até agora, nenhum dos estudos têm caráter conclusivo – e, até que se prove o contrário, a teoria de que não estamos sozinhos no universo continuará existindo.
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