2016 ano que a luz revela o que está escondido nas sombras do mundo e de si mesmo
Ano de Oxalá - fim de ciclos
Olá pessoal, estamos prestes a adentrar mais um ano de trabalho,
desafios e vivências. Deixando pra trás um 2015 de lutas, dificuldades e
temores. Mas, pra alguns privilegiados, do meio artístico e do meio
esportivo, muita grana no bolso e sucesso. 2015 que é um ano de Marte,
não é propriamente uma regência de riqueza e glórias artísticas, mas, é
de vigor, impulso e de como sempre ligado a desejos e erotismo, favorece
os meios que falam disso. Assim musicas que se referem a sexo, ritmo e
paixão, tiveram muitos ganhos nesse ano que entrega um projeto novo a
2016.
O ano 2015 governado por Ogum, revelou-nos um trabalho excelente da
Polícia Federal e MPF, com muitas prisões importantes e desavenças no
meio político, justamente por causa das investigações. Ogum, plantou um
novo projeto de Brasil, tanto na política, quanto na economia e no meio
social. O guerreiro comandante que veio a frente como batedor, preparar o
terreno e o trono do juiz Oxalá o regente do ano 2016.
Biblioteca da Universidade de Bolton(VEJA.com/Divulgação)
A
recessão abateu a economia brasileira como um todo em 2015, e não foi
diferente com o mercado editorial. Segundo dados da consultoria GfK, o
setor de livros registrou queda de 2,8% no volume de vendas entre
janeiro e setembro de 2015, em relação ao mesmo período do ano passado.
Um nicho, porém, vem resistindo firme e forte a esse desequilíbrio: o
ramo dos livros de autoajuda. As vendas de títulos como Ansiedade - Como Enfrentar o Mal do Século (Saraiva), Casamento Blindado (Thomas Nelson Brasil) e O Segredo
(Ediouro) cresceram 5,9% entre janeiro e setembro deste ano, em
comparação com igual intervalo de 2014. Isso porque, em vez de sair
prejudicada, essa fatia do mercado parece ter se beneficiado do quadro
econômico hostil. É nisso que apostam especialistas ouvidos pelo site de
VEJA.
Para Vera Rita de Mello Ferreira, professora de psicologia econômica
da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras
(Fipecafi), a ansiedade provocada pelo medo de perder o emprego, entre
outros temores que grassam nos períodos de retração econômica, é um
fator que pode ajudar na venda de livros. "O mercado editorial sempre
vai acompanhar o que está acontecendo na sociedade e na economia. Livros
sobre como ficar milionário vão 'bombar' em tempos de bolha no mercado
financeiro. Já em tempos de crise, as pessoas geralmente ficam
angustiadas e buscam uma espécie de palavra mágica que as ajudem a sair
dessa situação", diz. Omar de Souza, publisher da Thomas Nelson, que
publica livros de autoajuda com orientação cristã, concorda. "Com um
cenário complicado, tempestuoso, é natural que as pessoas se sintam
frustradas. A autoajuda dá esperança, um alento para que seu público não
deixe o sonho morrer", diz.
"Além disso, com o movimento econômico mais lento, muitas pessoas
estão desempregadas ou trabalhando menos, portanto, têm mais tempo livre
para ler", afirma a professora Vera. De acordo com ela, esses períodos
também beneficiam atividades escapistas - tal como aconteceu no primeiro
semestre do ano, com o fenômeno dos livros para colorir. "A coisa
estava tão feia que as pessoas precisaram de um desenho bonitinho para
pintar, para esquecer a vida e os problemas e relaxar", afirma.
Segundo Lucas Jun Sakajiri, responsável pelo Painel de Livros GfK
Brasil, o crescimento das vendas no setor de autoajuda pode ter paralelo
com o que é conhecido como "efeito batom", conceito criado pelo
empresário americano Leonard Lauder durante a crise econômica do começo
dos anos 2000 para designar o aumento da procura por cosméticos durante
períodos difíceis da economia. De acordo com Lauder, nesses momentos, as
pessoas tendem a trocar a compra de bens duráveis e mais caros pela
compra de cosméticos, que são mais baratos e prometem um efeito belezura
na autoestima.
"O aquecimento da autoajuda poderia estar relacionado com o fato de
esses livros terem um preço menor e o objetivo declarado de fazer com
que as pessoas se sintam melhor", afirma Sakajiri. Segundo a GfK, o
preço médio dos livros de autoajuda ficou em 25,62 reais durante os
primeiros nove meses de 2015, enquanto o mercado geral teve um preço
médio de capa de 33,75 reais, mesmo quando se desconsideram, do
levantamento, livros de Direito, os didáticos e aqueles voltados para
concursos públicos, que costumam ser caros. Sakajiri cita o sucesso de
obras isoladas, como Não se Apega, Não e sua sequência, Não se Iluda, Não, de Isabela Freitas, dois fenômenos editoriais do ano, como outra causa para o crescimento do setor.
Marcos Pereira, um dos sócios da Sextante, a editora por trás de títulos famosos de autoajuda, como Nunca Desista de Seus Sonhos, de Augusto Cury, e O Monge e o Executivo,
de James C. Hunter, concorda com essa tese. "Eu não consigo dizer que
vejo esse movimento do mercado, a partir da Sextante. Acho que existe aí
uma questão relacionada aos títulos, como o da Isabela Freitas e O Poder da Escolha
(Editora Vida e Consciência), da Zibia Gasparetto, que fizeram muito
sucesso neste ano", diz Pereira. "A Sextante ficou por quase dez anos na
total liderança desse nicho, de 1998 a 2007, período em que o país
estava se desenvolvendo economicamente."
Desenvolvimento pessoal - Aqueles que buscam os
livros de autoajuda, em geral, querem algo além de relaxar. "Nessas
épocas, as pessoas procuram livros que as ajudem a superar a crise,
querem alguma coisa que inspire e facilite o seu desenvolvimento
pessoal. Querem saber como lidar com desemprego e inflação, por
exemplo", diz Ismael Borges de Sousa, coordenador do Bookscan da
Nielsen, que monitora o mercado editorial. No painel da empresa, o
crescimento em vendas da autoajuda foi de enormes 45,37%, de janeiro ao
começo de outubro, em relação ao mesmo período de 2014. O número
astronômico se deve, em parte, à metodologia da Nielsen, que considera
alguns livros para colorir como autoajuda - aqueles que dão uma
indicação, em sua capa ou contracapa, de que são "terapêuticos", como Jardim Encantado e Fantasia Celta (ambos da Editora Alaúde).
De acordo com Vera, parte dessa população angustiada com a crise
econômica quer "se desenvolver" e procura nos livros de autoajuda um
atalho para isso. "Em alguns casos, as pessoas não estão interessadas em
construir, pouco a pouco, uma trilha para o seu desenvolvimento
pessoal, fazendo uma faculdade, por exemplo, que é um curso de, no
mínimo, quatro anos. Não há a vontade de estudar muito, se empenhar para
crescer, mas sim a de encontrar um caminho fácil. E aí surge o livro de
autoajuda", diz a professora. Omar de Souza, da Thomas Nelson Brasil,
complementa o raciocínio: "Enquanto livros de ficção, por exemplo, podem
tratar de problemas pessoais e profissionais de maneira mais sutil,
usando de subterfúgios, a autoajuda vai direto na questão. Você sabe que
o leitor desse gênero está procurando algo que tenha uma relação
imediata com o problema dele". Autoajuda para dois - A crise também pode estar
salvando casamentos - e com a contribuição dos livros de autoajuda. A
advogada de direito da família Diana Poppe vem observando uma queda no
número de divórcios neste ano e acredita que isso pode estar relacionado
à crise econômica. "A procura para esse tipo de caso continua a mesma,
mas a tomada de decisão tem sido mais devagar e menos efetiva. Com um
país em crise, as pessoas pensam nas dívidas que vão contrair ao se
divorciar. Além dos honorários do advogado, elas vão ter que sustentar
duas casas em vez de uma, ou uma sozinhas, caso se separem", afirma.
"A crise acaba beneficiando as reconciliações. Alguns, claro, vão se
separar de qualquer jeito ou esperar a economia melhorar para isso, mas
outros vão tentar salvar o casamento." Para a advogada, o contexto
influencia a forma como as pessoas enxergam a família. "As
possibilidades individuais crescem junto com a economia. Se lá fora não
estamos em um bom momento, você tenta se valer mais do seu contexto
seguro de família. Os casais se amparam um no outro para aguentar a
tensão."
Quando problemas pessoais ou ligados a relacionamentos surgem, as
pessoas tendem a procurar uma solução antes de tomar medidas drásticas.
Para Omar de Souza, da Thomas Nelson, a leitura de livros de autoajuda
pode ter um papel aí. "Para os evangélicos, o divórcio é sempre o último
recurso, por toda a questão religiosa. Mas o não evangélico ou o não
religioso também entende que, em momentos como esse, o divórcio não é
uma solução simples", afirma. "Um dos nossos livros, Casamento Blindado, pode ser perfeito para essas pessoas, que precisam racionalizar em momento de crise", vende.
Renato e Cristiane Cardoso, o casal por trás do hit literário Casamento Blindado,
que já vendeu mais de 2,5 milhões de cópias, também faz a aposta.
"Quando o homem considera o divórcio, o baque financeiro costuma fazê-lo
repensar a decisão. Nesses tempos de crise, mais ainda. A mulher também
pensa muito este lado, mas suas considerações normalmente são mais
familiares e emocionais. Ambos então costumam tentar 'mais um pouco' e é
aí que um livro como Casamento Blindado tem entrado na
história desses casais, em muitos casos com ótimos resultados",
afirmaram, em resposta conjunta, Renato e Cristiane, que é filha do
bispo Edir Macedo, dono da emissora onde os dois têm um programa sobre
relacionamentos que teria servido de base para o best-seller, Escola do Amor.
Primeiros cachorros - Maior estudo genético feito até o momento indica que os cães foram domesticados na região que hoje seria o Nepal e a Mongólia
A
razão para o surgimento dos cães parece ter sido uma estratégia
evolutiva que deu certo: próximo aos homens, eles encontraram alimento
fácil e abrigo o que permitiu sua multiplicação.(VEJA.com/Thinkstock)
Em
algum lugar da Ásia Central, há cerca de 15.000 anos, um lobo diferente
surgiu. Mais manso, ele ajudaria os homens a caçar, pastorear rebanhos,
defender territórios e também lhes faria companhia, dando origem aos
quase 1 bilhão de cães atuais. Publicado na última terça-feira (20), no
periódico Proceedings of the Nationa Academy of Sciences
(Pnas), o mais amplo estudo até o momento das origens dos cachorros
modernos revela que suas raízes não são apenas europeias - e podem ser
mais antigas que o previsto. Estimativas anteriores indicavam que a
domesticação dos cães teria acontecido há 11.000 anos, em algum lugar
entre o Oriente Médio, o Leste Asiático e a Europa.
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Amigo do homem - A nova pesquisa, liderada pelos
cientistas Adam Boyko e Laura Shannon, da Universidade Cornell, nos
Estados Unidos, analisou o genoma de 4.392 cachorros de raça e 549
vira-latas pertencentes de 38 países. Os resultados confirmaram que o
lobo cinzento é o ancestral de nossos cachorros, que começaram a viver
entre os humanos na região onde hoje é a Mongólia ou o Nepal.
"Encontramos fortes evidências de que os cachorros foram domesticados na
Ásia Central e depois se espalharam para o Leste", escrevem os autores
no estudo.
No entanto, os pesquisadores não são categóricos ao afirmar que a
origem asiática é a única. Os indícios do DNA apontam para a Ásia, mas
esse ancestral comum dos cães modernos pode ter chegado até lá por meio
de migrações.
A evolução dos cães apoiou-se em uma estratégia certeira: próximo aos
homens, eles encontraram alimento fácil e abrigo, o que permitiu sua
multiplicação. Ao longo das gerações, as características desses animais
foram selecionadas pelos humanos até chegar aos bichos de estimação
atuais. Hoje, o número de cachorros supera o dos lobos, que não deve
passar de 10 milhões.
Os pesquisadores esperam que as descobertas estimulem pesquisas
genéticas mais profundas sobre a origem dos cães, como análises em
fósseis ou ossos caninos encontrados em sítios arqueológicos.
De
acordo com estudo publicado na revista
'Nature', o oxigênio (mesmo gás que respiramos) é abundante na
"atmosfera" do cometa 67P. A revelação "surpreendente", de acordo com os
cientistas, é importante para a compreensão das origens do Sistema
Solar
118Imagem do cometa 67P feita por Philae durante a descida, a 3 quilômetros da superfície (Foto: ESA/Rosetta/Philae/ROLIS/DLR/Divulgação)
(ESA/Atg Medialab/EFE/EFE)
Em 1993, a Missão Internacional Rosetta foi aprovada pela Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), com o objetivo de programar a expedição a um cometa, considerado um vestígio dos primórdios do Sistema Solar que continua vagando pelo espaço. Ela custou 1 bilhão de euros.
(ESA/AFP/VEJA/VEJA)
Rosetta é a primeira missão a pousar na superfície de um cometa. Acredita-se que os sistemas planetários se formam a partir de uma estrela, que são nuvens de gás e poeira que colapsam sob a gravidade. Em torno delas, com o tempo, as partículas de poeira vão se unindo e gerando areia, pedras e rochas que, ao adquirirem massa suficiente, se tornam asteroides, cometas e planetas. De acordo com algumas teorias, os cometas podem ter sido os responsáveis por trazer a água, ou até mesmo a vida, para o planeta. "Acredita-se que [os cometas] tenham surgido no início do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos, e que se mantenham quase idênticos ao que eram em seu nascimento", afirma Nicolas Altobelli, um dos cientistas da ESA que participam da missão. Por isso, decifrar um cometa é também decifrar o princípio da formação do Sistema Solar.
(ESA/British Museum/Divulgação/VEJA/VEJA)
A sonda foi batizada em homenagem à Pedra de Roseta, uma rocha vulcânica descoberta por soldados franceses em 1799, no Egito. Ela ajudou a desvendar o Egito Antigo para os exploradores, por possuir escritos em hieróglifos – linguagem egípcia escrita, que até então era desconhecida – e sua tradução em grego, que já era conhecido. A comparação entre os escritos permitiu que os pesquisadores decifrassem os códigos da civilização egípcia – assim como os cientistas esperam que a sonda Rosetta desvende as peças mais antigas do Sistema Solar, os cometas.
A sonda espacial Rosetta encontrou oxigênio entre os gases que cercam o
cometa 67P/ Churyumov-Gerasimenko, uma descoberta importante para
compreender as origens do Sistema Solar, segundo estudo publicado nesta
quarta-feira (28) na revista Nature. De acordo com os
cientistas, essa é a descoberta mais surpreendente sobre o cometa que
recebeu, em novembro do ano passado, o robô Philae, entregue por
Rosetta, em um evento histórico. A existência do gás ao redor de todo o
cometa pode sugerir que o Sistema Solar se formou de maneira "suave" e
não violenta, como preveem as atuais teorias.
É a primeira vez que gás oxigênio (o mesmo que respiramos) é encontrado
em um cometa. Ele é o quarto gás mais abundante da nuvem que recobre o
cometa, depois de vapor d'água, monóxido e dióxido de carbono. A
substância foi detectada pelo espectrômetro de massa da sonda Rosetta,
que acompanha o cometa 67P em sua viagem ao redor do Sol.
"Foi muito surpreendente", disse André Bieler, pesquisador da
Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e um dos autores do
estudo. "Não esperávamos encontrar oxigênio."
Oxigênio primordial - Apesar de ter sido detectado em
outros corpos celestes que contêm gelo - como, por exemplo, as luas de
Júpiter e Saturno - até o momento era desconhecida a presença de
oxigênio em um cometa. Para os astrônomos, a aparição do gás na nuvem
que rodeia o 67P é intrigante, pois a molécula é altamente reativa e
tende a se combinar com outras substâncias. Os cientistas não esperavam
que o oxigênio se mantivesse "solitário" por tanto tempo no cometa.
Além disso, as medições mostram uma relação de 3,8% em relação à
quantidade de água do cometa. Essa razão demonstra que o oxigênio e a
água presentes no cometa têm a mesma origem.
Somado ao fato de que a molécula foi identificada ao redor de todo o
cometa isso indicaria, de acordo com os astrônomos, que o oxigênio
detectado é "primordial", ou seja, teria sido incorporado ao cometa
durante sua formação junto ao Sistema Solar, há 4,5 bilhões de anos. No
entanto, os modelos atuais não preveem condições para que isso ocorra.
Uma das possibilidades, levantadas pelos cientistas na Nature, é
que, na origem do Sistema Solar, partículas de alta energia viajando
pelo espaço tenham esbarrado em gelo e quebrado as ligações das
moléculas de água, liberando o oxigênio que, em seguida, ficou preso em
vazios gelados. Ao longo de bilhões de anos, esse gelo foi incorporado
aos cometas, que tiveram origem bem longe do Sol - do contrário, o calor
do astro teria liberado esse oxigênio no cosmo.
Essa possibilidade condiz com as teorias de que os cometas são
relíquias da formação do Sistema Solar, mas desafia outras, como as que
sugerem um processo violento de aquecimento dos materiais primitivos
durante a formação do nosso sistema planetário - nessas circunstâncias, o
oxigênio teria reagido com outros elementos e jamais permaneceria em
sua forma gasosa.
"Todos os modelos afirmam que o oxigênio não deveria ter sobrevivido
por tanto tempo, o que nos diz algo sobre a formação do Sistema Solar:
ele deve ter sido muito suave", afirma Bieler. Origens cósmicas - Rosetta vai continuar a monitorar a
presença de oxigênio para tentar entender o que isso significa, bem
como as transformações que aconteceram no cometa 67P depois que ele
passou, em agosto, pelo periélio, o ponto mais próximo em sua órbita elíptica ao Sol.
Com seus 11 instrumentos, a sonda faz órbitas irregulares ao redor do
cometa, que está a 270 milhões de quilômetros da Terra. Sobre ele está o
robô-laboratório Philae, que não mostra nenhum sinal de vida desde 9 de
julho. Suas baterias são carregadas com dificuldade porque está em uma
área montanhosa com pouca exposição à luz solar.
Diversas revelações já foram feitas pelos instrumentos da missão, que
deve se estender até 2016. No final de julho, uma série de estudos
publicados na revista Science revelou que o 67P/Churyumov-Gerasimenko é uma "sopa orgânica congelada",
composto de moléculas que podem ser consideradas precursoras da vida na
Terra. Um planeta com condições favoráveis à vida que recebesse o
cometa poderia provocar a multiplicação desses compostos que, no futuro,
talvez gerassem algum processo vital.
Chamado
GJ1132b, o novo exoplaneta descrito na revista ‘Nature’ está tão
próximo da superfície terrestre que possibilitará medições inéditas em
sua atmosfera
apesar das altas temperaturas, os cientistas acreditam que o GJ1132b
Apesar das altas temperaturas, os cientistas acreditam que o GJ1132b tenha atmosfera.(Dana Berry/Divulgação)
Um
novo planeta parecido com a Terra situado fora do Sistema Solar foi
identificado pelos astrônomos a uma proximidade inédita. A 39 anos-luz
(cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros) da superfície
terrestre, o GJ1132b está tão perto de nós ("perto" em termos
astronômicos, pois nessa área as medidas costumam ser feitas em centenas
de anos-luz) que possibilitará medidas na atmosfera, de massa e
densidade que jamais foram feitas em um exoplaneta. Por esse motivo, o
novo mundo está sendo considerado pelos cientistas como "o mais
importante" planeta semelhante à Terra já encontrado.
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O corpo celeste, descrito na última edição da revista Nature,
está localizado na Constelação de Vela, é rochoso e está três vezes
mais perto de nós que qualquer outro planeta com características
semelhantes à Terra. De acordo com os astrônomos, o GJ1132b orbita uma
estrela anã vermelha com um quinto do tamanho do Sol. Contudo, o planeta
está tão próximo a ela que a temperatura em sua superfície pode chegar a
260°C. Isso impossibilita a retenção de água líquida e o torna inóspito
para a existência de vida, mas não é quente o bastante para torná-lo
incapaz de ter uma atmosfera.
"Se descobrirmos que esse planeta conseguiu 'segurar' sua atmosfera
por bilhões de anos, isso traz bons indícios de que haja outros
planetas, menos quentes, que tenham atmosferas e possam abrigar vida",
disse Zachory Berta-Thompson, pesquisador do Massachusetts Institutte of
Technology (MIT) e um dos autores do estudo, em comunicado. "Finalmente
temos um alvo para pontar nossos telescópios e, assim, podermos ir mais
fundo na pesquisa sobre planetas rochosos."
Alvo futuro - Para detectar o exoplaneta, os
astrônomos usaram oito telescópios robóticos do Observatório de Cerro
Tololo, no Chile. De acordo com os cientistas, a órbita do GJ1132b em
torno de sua estrela dura 1,6 dias. Além disso, enquanto um lado do
corpo celeste está à luz do dia, o outro está virado para a escuridão.
De acordo com os astrônomos, o exoplaneta será um dos principais
alvos para futuras missões. Além disso, a equipe de cientistas usará os
telescópios espaciais Hubble e Spitzer para observar outros detalhes do
GJ1132b, como a velocidade de sues ventos ou mesmo a cor do nascer e
pôr-do-sol.