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quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Arcanos menores do Tarô e estágios de evolução da alma 2




Antes de mais e para uma melhor compreensão dos naipes (Arcanos Menores) é apresentado o seguinte quadro:




Verificamos que no esquema acima apresentado, o progresso iniciático desde Ouros até Paus segue o sentido inverso das letras do Tetragrammaton começando pelo 2º He e elevando-se gradualmente até Iod. Falamos do caminho anabático ou caminho de reintegração. Ao estágio de Ouros segue o estágio de Espadas. O simbolo esotérico apresenta uma espada de ponta virada para cima. O cabo em forma de cruz representa os 4 elementos da composição elementar humana. Um canatete percorre a lâmina da espada simbolizando a união direta com o mundo do Logos. O estágio de Espadas consiste num determinado isolamento por parte do Iniciado, abdicando dos rituais e das cerimônias do estágio anterior. 

 A etapa de Espadas pode ser resolvida de duas maneiras. Primeiro pelo caminho positivo da fé aspirando servir o Logos ou então seguindo o caminho negativo (tb chamado caminho dos fortes) que consiste numa revolta contra o Logos e do estado do Mundo. Ao escolher o caminho dos fortes atravessamos toda a Árvore Sefirótica (os 10 graus do naipe) de seguinte maneira (ver esquema/árvore das Sefiras): Lutamos e isolamo- nos dos aspectos criadores de cada Sefira. Criamos assim uma oposição contra o Mundo Externo (Malkuth), rejeitamos de seguida a Forma (Yesod), o valor do Poder e da Paz (Netzah e Hod), recusamos depois a possibilidade de harmonia (Tifert), a Misericórdia e a Justiça (Gedulah e Geburah), negamos a Razão e a Sabedoria (Binah e Hokmah) para finalmente negar a propria Vida (Kether). 

 O sofrimento e vazio interno experienciado no estágio de Espadas afim de descobrir o Real desperta em nós a necessidade de encontrar algo mais puro e perfeito. É com este sentimento que vamos iniciar o estágio seguinte que é o estágio de Copas. Todo o sistema do Arcanos: Menores e Maiores está estreitamente ligado à Cabala, como já citamos anteriormente. Em particular com a Árvore da Vida ou Sistema Sefirótico e com o Tetragramaton IOD HE VAU HE. Pode-se dizer que o sistema dos Arcanos e sua divisão em Quatro Naipes é correspondente ao Sistema Sefirótico e seus Quatro Mundos e ao Tetragramaton, por onde passa tudo que existe. 

Pode-se relacionar as 10 cartas de valores numérico aos dez ramos ou estágios do Sephiroth, e também os 22 Arcanos Maiores aos 22 canais que interligam o Sephiroth e ao alfabeto hebraico. Assim temos: IOD PAUS REI Mundo da Emanação 4a Iniciação HE COPAS DAMA Mundo da Criação 3a Iniciação VAU ESPADAS CAVALEIRO Mundo da Formação 2a Iniciação HE OUROS VALETE Mundo da Manifestação 1a. E assim existem os estágios mistos como mencionei anteriormente. Trata-se de um sistema flexível por necessidade pois todos nós somos iguais mas diferentes. Há pessoas que preferem um estágio de Ouros com características de Espadas (normalmente são personalidades sob domínio de ou nos seus mapas astrais) outras pessoas optam por um estágio de Ouros vivido sob influencia de Copas ou de Paus. Apenas dei o exemplo da via negativa por acha-la mais presente no nosso quotidiano e por isso de mais fácil compreensão. 

Cada um de nós pode juntar as peças do puzzel e construir uma via positiva pela fé ou optar pela via da negação para se aproximar da Essência. Afinal somos livres de escolher e podemos até escolher modelos mistos, em parte via negativa e em parte via positiva. O livre arbítrio consiste em conhecimento , na ignorância não podemos optar. E 1° devemos ser realistas e honestos quando nos confrontamos, senão... a via é negativa pra sempre. E mesmo assim , o livre arbítrio se apresenta dentro de certas condições possíveis e de estágios evolucionais assimilados , então podemos subir mais um degrau na espiral. A via negativa se apresenta facilmente em mapas difíceis. as dimensões são paralelas. É aí entra o nosso mapa , nossas chances de usar os recursos que temos. Eu não sei se o livre arbítrio existe realmente ou se antes se trata de uma segurança interna de que nós dispomos a priori (santa ignorância). 

Pessoalmente prefiro acreditar no conceito da liberdade de escolha apenas condicionada pelos nossos recursos internos e externos. Sabemos que todos nós ao longo da vida somos submetidos a stresses, o que equivale ao Nigredo, na alquimia, onde o indivíduo vai separar e eliminar os elementos de que já não precisa para a etapa seguinte. No entanto, essa separação só pode ser feita em determinado lugar, e não é um processo consciente, decorre a níveis vibratórios muito profundos e subtis. Assim acredita-se que em termos biológicos, por exemplo, o Solve dura três meses e, passado este tempo, se a pessoa não passar para a fase seguinte, o Albedo, o stress deixa de ser positivo e passa a ser negativo, podendo a pessoa ficar doente. Tudo isto passa pelo livre arbítrio, é claro, porque a determinados níveis um ser pode rejeitar o caminho que tem de percorrer, mesmo sem ter consciência disso. PAUS: REI = PAI - É o chefe hierárquico e ponto de partida da autoridade ou manifestação do poder. Carta principal no Naipe é chamado PAUS DOS PAUS. DAMA = Esposa do Pai, e dá nascimento ao Cavaleiro. CAVALEIRO = Agente Ativo que transmite o Poder e opera através do Valete. 

VALETE = O servidor do Poder. COPAS: DAMA = Figura Principal do Naipe de COPAS, representa o Princípio de Atração. REI = Esposo da Dama, indispensável para o nascimento do Cavaleiro. CAVALEIRO = Intermediário que atrái para a obra os elementos externos ajudado pelo Valete VALETE = Servidor da Atração. ESPADAS CAVALEIRO = Carta principal do Naipe é o Agente que ativamente transmite a Vida. REI = Pai do Cavaleiro DAMA = Mãe do Cavaleiro VALETE = Servidor na Transmissão da Vida. OUROS VALETE = Carta principal de Ouros é o Servidor dos Filhos ou o Trabalhador Braçal. A Realização é avaliada segundo os resultados que trás. REI = O Pai Realizador DAMA = A Dona dos Filhos CAVALEIRO = Agente ativo que unifica as individualidades que compões os organismos complexos. Conforme descrito cada uma das Cartas principais de cada Naipe, juntamente com as outras cartas deste Naipe, representam a "essência pura" do Naipe. 

 Carlinhos Lima - Tarólogo, Astrólogo, Pesquisador de Esoterismo e Mago de Umbanda Astrológica.
2/4/2011


sábado, 20 de novembro de 2021

Arcanos menores do Tarô e estágios de evolução da alma 1




Segundo a tradição iniciática os Arcanos Menores são ensinados depois da aprendizagem dos Arcanos Maiores. Os 56 Arcanos Menores são mais profundos e abstratos e por esse motivo não podem ser representados por uma imagem ou alegoria como acontece com os Arcanos Maiores. Os Arcanos Menores têm uma natureza inteiramente metafísica. A compreensão dos Arcanos Menores é sempre condicionada pelo nível evolutivo do discípulo. Que eu saiba, fora dos manuais de taromancia não existe muita literatura sobre o assunto. 

 Os 4 naipes começando pelo mais alto (Paus) apresentam uma sequencia de etapas cativas e passivas em conformidade com o princípio ativo e passivo do Tetragrama. São esses os 4 elementos da Astrologia (Terra-Água-Ar-Fogo) e os 3 princípios (Cardeal-Fixo-Mutável). Estamos na presença dos 4 animais herméticos no passado, no presente e no futuro. As verdades mais profundas jamais podem ser expressas e compreendidas intelectualmente e a experiencia interna, a meditação e a intuição são necessárias. O sistema do baralho das 56 cartas é constituído de seguinte maneira: 1) Ouros- aquisição externa e interna 2) Espadas- luta interna e negação do mundo 3) Copas- intuição 4) poder e capacidade de realização Encontramos esses 4 brinquedos elementares em cima da mesa do Saltimbanco, fonte unificadora dos Arcanos Maiores. 

 Os 4 naipes são os 4 Mundos da Árvore Sefirótica e os números das cartas correspondem às 10 Sefiras dessa árvore do conhecimento. O naipe de Paus apresenta a vara do Mago do primeiro Arcano Maior. A vara levantada simboliza a força potencial e os 4 galhos cortados designam a lei Iod-He-Vau-He expressando a realização no Mundo externo. A presença dessa força interna é a condição do poder e pode ser descrita como capacidade de unir o múltiplo no uno ou seja unicidade como base do princípio do poder. O pau ou vara é de nogueira , pois a nogueira absorve, guarda e transmite melhor os fluidos astrais. Encontramos o pau em forma de bastão no caso do bispo enquanto pastor espiritual, é também o cetro do rei, o bastão do marechal, do mestre de cerimônias e a batuta do dirigente da orquestra etc. Em todos os casos o bastão é simbolo do poder para manter uma determinada ordem e harmonia. 

 A vara no caso do As de Paus tem um duplo simbolismo. Por que além da força latente indica igualmente a sua fonte ou origem nas Alturas o que é confirmado pelo signo do infinito acima da cabeça do Mago (primeira lâmina dos Arcanos Maiores). O As de paus inclui em si 2 momentos iniciais do estágio de paus: 1) conscientização da força interior 2) força de vontade para alcançar a fusão com a luz primordial. O Iniciado em paus modifica formas existentes de vida que se tornaram obsoletas, destruindo-as. 

 O Iniciado conhece a razão de cada forma, vê com clareza e remove as aparências enganadoras e ilusórias. Ele sabe que sua força vem do Alto e que quanto mais crescer individualmente, tanto mais poderá dar ao Mundo. Na Filosofia Hermetica o estudo de cada naipe dos Arcanos Menores segue o caminho diabático ou seja a descida do sútil ao espesso (Fogo para Terra), de Kether (As) ao Malkuth (10). As características do naipe, suas direções diabáticas e anabáticas terão que serem seguidas em simultâneo e correspondem respectivamente aos aspectos objectivo e subjetivos do naipe. 

O objectivo é a realização da nossa Missão na Terra e corresponde à descida. O caminho subjectivo, a direção anabática aspira a reintegração final. Quando mais alto for a elevação subjectiva mais sucesso haverá a Missão no Mundo. Sabemos que os naipes correspondem às letras sagradas Iod-He-Vau-He, o princípio Divina da Primeira Família e é o naipe de Paus, vivido no seu nível mais alto que termina o estágio e escalada espiritual do ser humano na Terra. As de Paus: Sefiras Kether e Malkut. O título tradicional é a Criatividade. No campo da filosofia, a verdade é alcançada pela grande objectividade e a compreensão simultânea de todos os factores e de suas mútuas influencias. Na Arte, a verdade é obtida pela união harmônica da ideia com a forma que a envolve. 

A vida social aproxima-se da verdade pela manifestação do justo equilíbrio entre os princípios da liberdade e da ordem. Ao falar de estágios procura-se apenas definir um caminho sem entrar profundamente na qualidade de cada elemento que iria tornar a questão demasiadamente extensa. O estágio de ouros procura estabelecer pontos de apoio nos planos inferiores para alcançar planos superiores. Tentamos estabelecer um ponto de suspensão equilibrado. O estágio de espadas ensina-nos a libertação das ilusões dos mundos inferiores e a busca do renascimento espiritual. O estágio de copas motiva elevar o que está inferior por meio do sacrifício e da caridade, transmitir aquilo que foi recebido do Alto. Os sentimentos e emoções certamente terão seu lugar neste estágio que pode ser vivido de várias formas segundo as influencias dos outros naipes. (aínda irei falar das misturas dos naipes) O estágio de paus é essencialmente a conscientização da nossa missão terrestre em estreito contacto com o nosso Eu superior. No plano divino, o conceito liberação corresponde à contínua e absoluta "equilibração"com base do Universo em todos os planos. Esse permanente retorno ao equilíbrio pode ser comparado ao estado de uma solução saturada, imediatamente antes da cristalização. Qualquer perturbação no equilíbrio traz uma consequência inevitável. 

Quando a perturbação abarca um campo mais extenso (nacional, racial etc.), as consequências podem ser devastadoras. Podem manifestar-se rápida ou mais lentamente, como cataclismo ou degeneração e resultar no desaparecimento de culturas, de raças e de civilizações, mas o restabelecimento virá inevitavelmente. Os naipes dos Arcanos Menores correspondem quase na totalidade ao nosso habitual baralho de cartas (O Cavaleiro do Tarot talvez possa ser comparado ao Joker nas cartas actuais). Cada uma das figuras de cada naipe (Rei, Dama, Cavaleiro e Valete) possui em si por além das características do seu próprio naipe uma qualidade de um outro naipe. Assim o Rei corresponde ao naipe de Paus, a Dama ao naipe de Copas, o Cavaleiro ao naipe de Espadas e o Valete ao de Ouros. 

 Um Rei de Paus será deste modo um Pau de Paus, uma Dama de Copas é Copa de Copas etc. A experiencia de cada naipe pode ser vivida de forma diferente. Por exemplo uma experiencia de Ouros, vivida sob influencia de Copas ou Paus caracteriza um modo mais espiritualmente elevado da experiencia. A experiencia de Espadas vivida sob influencia de Ouros será uma forma menos mística de atravessar o estágio. Todavia entre viver uma experiencia de Espadas sob influencia de Ouros e uma experiencia de Ouros sob influencia de Espadas há uma grande diferença. 

Há 4 graus no estágio de Ouros: 1. Valete- abrange apenas o plano físico. Pode ser um trabalho espiritual para a evolução pessoal ou colectiva ou o estabelecimento de contacto com determinada egregora. 2. Cavaleiro- iniciação mágica e astral naquilo que está ligado ao mistério de Shin (Louco ou Mate 21/0 dos Arcanos Maiores). É apreendido o domínio sobre determinadas entidades e manifestações astrais. No entanto é necessário uma abertura psíquica por parte da pessoa em questão sem a qual o domínio não seria possível. 3/4 os graus 3 e 4 variam essencialmente pela questão do sexo da pessoa. Rei é masculino e Dama é feminino como parece lógico. 

A passagem pelos graus 3 ou 4 são essencialmente herméticas e correspondem ao plano mental no ser humano. É facultado autodomínio e poder sobre os pensamentos e consequente aumento da capacidade de concentração. O resultado alcançado é acompanhado pelo discernimento espiritual (nada de fundamentalismos). Após inúmeros sucessos internos e externos acabamos de os desvalorizar aos poucos e chegamos a conclusão de que todas as nossas realizações feitas com muito esforço afinal não passam de ilusões. Completamente desvinculados dos valores anteriores começamos a procura do Real. A busca pelo Real inicia o estágio de Espadas. 

 Carlinhos Lima - Tarólogo, Astrólogo, Pesquisador Esotérico e Mago de Umbanda Astrológica.
2/4/2011

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