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domingo, 1 de maio de 2011

TECNOLOGIA PARA O FUTURO

Delúbio Soares (*)

Abro e ligo o iPad, faço uma viagem na memória. Retorno aos anos 70, professor da rede de ensino público em Goiás, giz entre os dedos, a cal corroendo a pele, os alunos atentos a cada lição, muitos deles estudando em livros herdados de irmãos mais velhos ou comprados de segunda mão. Havia precariedade em quase tudo: na escola, em nossas vidas, no país mergulhado em uma ditadura brutal. De bom, a convivência fraternal entre todos nós e uma certeza absoluta de que o amanhã seria melhor, além de imensa esperança no destino que aqueles jovens traçavam com lápis, borracha, régua, compasso e abnegação.

Como mudaram o mundo, os métodos de ensino, a tecnologia posta a serviço da educação, a cabeça das pessoas! Do passado permanece, apenas, a bendita sede de saber dos estudantes e a sagrada missão de quem os ensina. A longa caminhada até a biblioteca do colégio, a busca nas enciclopédias, a garimpagem dos livros nas estantes altas e empoeiradas, a consulta aos mais velhos e mais sábios, pode ser complementada ou até mesmo substituída com um simples toque, um click, o dedo na tela ou no teclado e o mundo se abre a quem quer conhecê-lo, explorá-lo, vencê-lo.

Tenho tido a alegria de poder testemunhar o avanço da ciência e o crescimento da sociedade brasileira. São complementares, não excludentes e tem deixado marcas profundas e benéficas em toda a nossa vida social, política e econômica.

Erraram os que, como profetas do apocalipse, apostaram que a tecnologia da informação dispensaria o conhecimento humano e a mão-de-obra de centenas de milhões de pessoas em todos os quadrantes do planeta. Pois tem sido o elemento humano o grande propulsor dos constantes avanços de tal tecnologia, ainda mais quando ela se populariza e chega a base da sociedade, ganhando uma escala de produção e de consumo jamais imaginada até poucos anos atrás.

Já tratei da importância dos computadores nas salas de aula, da informatização das escolas, da banda larga da mais alta velocidade em toda a rede pública de ensino, como fatores de suma importância para o melhor rendimento de nossos estudantes. No governo do presidente Lula essa questão mereceu relevante atenção por parte dos Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia. E ainda há muito por fazer.

Em sua recente viagem à China, plena de êxito pelo número de acordos bilaterais firmados e pela consolidação da parceria comercial, a presidenta Dilma Rousseff teve a oportunidade de anunciar que a gigante Foxconn, uma das maiores empresas mundiais do setor de Tecnologia da Informação, irá ampliar sua unidade industrial em Jundiaí, no interior paulista.

Só nos primeiros três meses de 2011, A Foxconn realizou um investimento da ordem de R$ 231 milhões, visando à instalação de uma linha de produção de iPhones e iPads da Apple, outra gigante da área. E o investimento total será da monumental ordem de R$ 12 bilhões! Em breve, o iPad “Made in Brazil” custará praticamente metade do preço, estando acessível à grande massa dos brasileiros, com as facilidades de financiamento e crédito.

Estamos a um passo de poder adquirir o melhor da tecnologia da informação, o que de mais moderno e sofisticado há no mercado internacional, de mais seguro e confiável existe atualmente, com custos bastante menores. O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, deu largada ao “Processo Produtivo Básico” (PPB), um conjunto de medidas legais pelo qual será possível se comprar aparelhos como DVD, BluRays, iPhones, iPhones, iPods, além de toda gama de produtos de TI com baixíssima carga de impostos e preços altamente competitivos para quem produz e vende e atrativos para quem consome. Já foi o tempo em que o Brasil era governado pelos tucanos, onde computador era “coisa de rico” e o pobre não deveria ter acesso a ele ou, no máximo, contentar-se com o de mais baixa tecnologia numa lan-house do bairro.

Um jovem colunista do site www.brasil247.com.br , Felipe Neto, iniciou campanha pela redução dos impostos nos tablets e eletrônicos e em pouco mais de 24 horas havia conseguido, via internet, o apoio de 230 mil assinaturas de brasileiros do Oiapoque ao Chuí! A meta de Felipe Neto é atingir 1 milhão de assinaturas e entregá-las justamente a uma das maiores entusiastas da sua idéia, a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.

O Ministro Fernando Haddad, da Educação, declarou que a utilização dos iPads nas salas de aula, sua implementação como instrumentos pedagógicos e de aprendizado são uma necessidade e devem seguir o caminho do programa “Um Computador por Aluno” (UCA).

A adoção dos tablets nas escolas públicas, além da diminuição do peso transportado pelos alunos, tem importância econômica e ecológica das mais relevantes, pois diminui custos operacionais de compra e distribuição de material didático, além de preservar florestas inteiras poupando quantidades praticamente incalculáveis de papel.

Existe nas salas de aula deste país uma geração excepcional de jovens que se preparam para escrever a história e tecer o futuro de um país que será cada dia melhor. Como professor confesso só ter me surpreendido no início. Depois, fui me acostumando: a cada ano observava meus alunos e eles eram melhores, mais informados, mais sedentos de saber, mais inquietos quanto ao presente, mais responsáveis quanto ao futuro. Se com régua e compasso, esses jovens só nos têm surpreendido favoravelmente, vamos dotá-los do que de melhor a tecnologia pode oferecer ao talento. O resto, deixemos por conta deles: não nos decepcionarão.

(*) Delúbio Soares é professor

www.delubio.com.br

www.twitter.com/delubiosoares

companheirodelubio@gmail.com

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

UM HOMEM CHAMADO DIÁLOGO

Delúbio Soares (*)

O Brasil é outro país, absolutamente diverso daquele que o presidente Lula herdou em 2003. Oito anos depois do duro início de governo, onde Lula e sua equipe assumiam uma massa falida advinda de três quebradeiras, enorme descrédito internacional, impressionante ausência de auto-estima de nossa gente e de generalizada desconfiança no país.

Da abertura econômica no governo Collor e uma entrada imensa de recursos em nosso mercado interno, operando o início da modernização industrial, com o Brasil vivendo excepcional momento no início dos anos 90 e mais a fabulosa soma de bilhões de reais com a venda das empresas telefônicas do sistema Telebrás e outras estatais privatizadas, nada restara. Como um Rei Midas ao contrário, o governo de FHC acumulara derrotas, achatara salários, perseguira aposentados, injetava bilhões no Proer, descurava da educação e da saúde, administrava mal e apenas para a elite, e quebrava o país. E o governo dos tucanos recebeu o Brasil, em 1994, em condições infinitamente melhores do que as destinadas ao governo petista em 2003.

Teria sido fácil para Lula, homem combativo e líder carismático, vindo de uma eleição consagradora, apontar o dedo e denunciar o fracasso de seu antecessor ou a herança maldita que lhe era deixada. Nada disso foi feito. Lula optou pela concertação e o diálogo, pela reconstrução e o trabalho, pelo entendimento amplo e o diálogo democrático. Avesso à perseguição, ele mesmo marcado pelas injustiças de que foi vítima, o presidente Lula olhou para o futuro e se lançou na tarefa de governar unindo os brasileiros e dialogando democraticamente. Não governou com ódio e perseguições, mas com generosidade e perspectiva histórica.

Muitas palavras podem definir o governo de Lula e do PT: trabalho, inovação, humanismo, competência, generosidade, comprometimento, brasilidade, democracia... Mas a que, certamente, melhor expresse a forma magnânima e generosa com que Lula governou por dois mandatos o nosso país é a palavra diálogo. Não houve voz que fosse calada por iniciativa do poder central, nem quem quisesse fazer-se ouvir que não recebesse a devida atenção do presidente e de sua equipe. O Brasil viveu tempos de absoluta liberdade de expressão e de democracia levada às últimas conseqüências. Só encontramos similitude no qüinqüênio de outro Estadista, Juscelino Kubitschek.

Lula colocou o Estado a serviço dos mais pobres. Fez com que a “plebe ignara”, a “ralé”, os despossuídos do poder público, os deserdados do Estado brasileiro, os esquecidos de sempre, os olvidados de séculos, a massa preterida, fosse a razão e a meta de seu governo benfazejo. Essa massa que move os países e protagoniza a história, pela primeira vez no Brasil foi atendida em seus reclamos e necessidades, com programas sociais que atenderam as suas demandas e melhoraram substantivamente sua condição de vida; com crédito farto e barato, que colocou fim à agiotagem, que impulsionou o consumo, que movimentou a indústria e reaqueceu o comércio; com o fim do desemprego, flagelo que castigou os trabalhadores e suas famílias; com a reinserção do Brasil no mercado internacional, abrindo fronteiras para nossos produtos e gerando riqueza no mercado interno; com a estabilidade econômica, que garantiu a paz social e o início de um ciclo virtuoso; com o Pro-Uni, abrindo as portas das universidades aos filhos do povo, aos negros e aos indígenas, levando-os às salas de aula e garantindo um futuro mais promissor; com o Bolsa Família, afastando de milhões de lares humildes a chaga da fome, devolvendo cidadania e resgatando brasileiros abandonados pelos poderes públicos ao longo de séculos.

Em dois mandatos apenas, sem fugir das regras do jogo democrático, valorizando nossas instituições e dialogando direto com trabalhadores e empresários, bancários e banqueiros, lavradores e fazendeiros, operários e industriais, sem preconceito e com o espírito aberto e desarmado, o presidente Lula consagrou seu governo às reformas mais profundas já testemunhadas pela sociedade brasileira, tirando da pobreza e elevando à classe média mais de 30 milhões de irmãos brasileiros. Dialogou sempre, até a exaustão, transigiu quando necessário, não transigiu quando princípios estavam em jogo, conversou com quem quis ser ouvido, falou com franqueza e destemor aos brasileiros, saiu pelo mundo ostentando a bandeira de um país renascido após anos de cabeça-baixa e descrédito. Lula fez do entendimento, da concertação e do diálogo a marca de seu governo vitorioso, revolucionário e democrático. E entregou seu legado à uma mulher competente, gestora qualificada e com amplas possibilidades de ampliar as conquistas de seu governo, a presidenta Dilma Rousseff.

Poderia desfiar números e enumerar vitórias. Dos 1,5 milhões de automóveis produzidos em 2002 aos 4 milhões em 2010. Ou dos 19 milhões de celulares em 2003 para os mais de 200 milhões até meados de 2011, com a média de mais de um aparelho por cidadão brasileiro! Mas prefiro recordar que o comércio vive uma época de vendas nunca dantes alcançadas. A indústria trabalha em regime de turnos que ocupam às 24 horas do dia para atender as encomendas. Jamais se consumiu tanto material de construção, tantas bicicletas, tantas televisões, tantas geladeiras, tantas máquinas de lavar. Os computadores saíram da classe média alta para freqüentar a vida da grande massa trabalhadora, com a tecnologia da informação ao alcance do filho do trabalhador, ajudando-o em seus estudos e trazendo-lhe a informação em tempo real.

Experimentamos uma revolução das mais efetivas e profundas que o continente latino-americano, quiçá o mundo, experimentou. Nenhuma gota de sangue, mas muita alegria, realização de sonhos, lágrimas de emoção e transbordante alegria. Sem confrontação ou ressentimentos, sem medo e com absoluta harmonia entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com as Forças Armadas profissionalizadas e cumprindo o seu papel constitucional, com liberdade de expressão absoluta e uma oposição vigilante e intransigente. Somos uma democracia no que de melhor ela teme oferece. Devemos ao espírito conciliador, ao coração sem ódio e a visão de Estadista de Luiz Inácio Lula da Silva.

(*) Delúbio Soares é professor

www.delubio.com.br

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