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segunda-feira, 27 de junho de 2022

A questão do culto às divindades


Ifá é um culto diferente. É um culto especializado e orientado a uma divindade, Orunmila, o elerii ìpin, testemunho dos destino de todos nós. Os sacerdotes de Ifá se dedicam a ser os mensageiros de Orunmila, que por sua vez é o mensageiro dos Orixa e de Olódùmarè, o Deus supremo dos Yorùbá. No que pese ser impossível praticar a religião sem que todos os Orixá estejam envolvidos os sacerdotes de Ifá se dedicam exclusivamente a uma única divindade Orunmila e tudo deles gira e torno dele. 

Ifá é Orunmila e é também o nome do oráculo através do qual Orunmila fala conosco. No Brasil, não tivemos o culto da Ifá. Esse foi um culto que não veio e não foi trazido posteriormente, como acabou ocorrendo com o culto de eegún. Temos assim muito bem estabelecido, com qualidade, o culto de Orixa, através do Candomblé das nações (nago, ketu, jeje, ijexá, hansa, mina, tapa e muitas outras) e temos o culto de eegún, com casas exclusivas para um e para o outro. 

O Candomblé é um tradição religiosa baseada em uma matriz teológica africana. Ele contudo não reflete exatamente o que existe na África porque é uma tradição originada através da diáspora negra. Esse processo, a diáspora criou mais do que uma tradição religiosa, no nosso caso o Candomblé, mas também o lukumi em Cuba e o Voodoo no Haiti. Todas essas tradições desenvolveram conceitos próprios e até práticas. Não acho que mudaram nada mas, na ausência de acesso ao dogma original,seja por questões de distância ou de língua, tiveram que se vira com o que tinham e sabiam. Além disso o sincretismo influenciou diferentemente cada uma dessas tradições. 

Uma tradição é um movimento muito comum em qualquer religião. Não se trata de uma degradação, pelo contrário, é uma especialização, uma melhoria, um formato que atualiza e adiciona riqueza cultural. Quando a criatividade é demasiada isso gera de fato uma nova religião ou uma prática que se distancia demais da matriz teológica original para que possamos chamá-la de tradição, assim, é sempre necessário um certo dogmatismo e fundamentalismo porque senão a religião se perde e acaba ocorrendo um processo igual ao da Umbanda, que não significa nada em termos religiosos. 

Dentro dessa sua diferenciação o culto aos Orixá em bases que eram as possíveis e também as necessárias para a nossa terra. E, um desses aspectos, foi a centralização do culto a todas as divindades em uma só casa, sob um único teto, além da qualidade multifuncional do sacerdote religioso, o Babalorixá. O conhecimento que tenho do formato Africano, através de uma poucas fontes escritas ou orais, era de que o culto na África tinha uma certa especialização. Assim eram templos dedicados a uma divindade, o culto a uma divindade concentrado em vilas e até mesmo regiões e os sacerdotes especializados no culto de sua divindade. 

Um modelo muito diferente do nosso. O objetivo não é fazer comparações qualitativas até porque, o Candomblé é uma tradição muito bem sucedida e completa, preservando cultos que foram perdidos pelos africanos e com liturgias, orações e cantos muito mais completos que a tradição Lukumi (cubana), por exemplo. Temos sim um problema interno de continuidade da tradição em vista da baixa qualidade da transmissão do conhecimento, da abertura por pessoas incapazes de novas casas, e do lixo que representa o sincretismo, mas, isso é assunto para outro dia. 

Entretanto isso são problemas cotidianos. Dessa maneira, exceto pelo caso do culto eegúngun, que é separado do Candomblé e especializado neste tipo de espírito, a convivência com cultos especializados a divindades não é o nosso padrão de compreensão do universo litúrgico no Candomblé. Entretanto essa é uma realidade a encarar, compreender e aceitar uma vez que esse culto era e sempre foi muito distinto do culto aos Orixá. Em Cuba onde existe uma tradição da diáspora, o Lukumi, e Ifá eles são muito distintos. Existe uma certa mistura de rituais porque muitos Babaláwo foram Obariate e da mesma forma como acontece aqui com o povo que vem da Umbanda lá também ocorre e eles compartilham a mesma visão sincrética dos Orixá. Mas são casas separadas e cultos separados.

Em meu facebook você tem vários posts com informações interessantes e importantes. Em meu blogue de Umbanda também! E em especial, o livro de Umbanda Astrológica que pretendo lançar assim que estiver pronto, com muitas informações, em especial o Volume I tem como tema central o destino do homem e do mago, e fala exclusivamente do orixá do destino, dos anjos, do zodíaco e das técnicas dos oráculos. Além de buscar responder sobre conceitos sagrados e cabalistas se existe ou não o destino. Axé a todos!

Carlinhos Lima


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sábado, 7 de maio de 2016

Comportamento sexual: A Homossexualidade no culto ao Orixá e na Astrologia ou Magia

 
 Comportamento sexual: A Homossexualidade no culto ao Orixá e na Astrologia ou Magia
Foto reprodução da web


Homossexualidade no mapa astrológico e na coroa ancestral dos orixás


Os gays estão presentes em todas religiões, mesmo nas mais homofóbicas. E sempre foi assim. Não é segredo para ninguém o batalhão de homossexuais na Igreja Católica e também nas Protestantes, que parece ser um número menor, pois, se retraem mais: como porém o cristianismo condena o amor entre pessoas do mesmo sexo, tudo acontece de baixo do pano, na hipocrisia. Há estimativas de que 40% do clero católico brasileiro é homossexual. Continue lendo o artigo, clicando aqui...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A ancestralidade e culto


A ancestralidade feminina é cultuada, hoje, de apenas uma forma, por intermédio do Culto de Iyámi, o culto individualizado da ancestralidade feminina era realizado pelo Culto de Elekô, cuja a grande matriarca era a Orixá Obá, esse culto se perdeu quase que por completo, tal fato ocorreu porque o culto representava um sério perigo ao poder dos homens. Aqui pretendo explicar superficialmente um pouco sobre cada uma das sabedorias. A ancestralidade é algo muito complexo dentro da cultura dos povos africanos. A ancestralidade masculina e feminina são cultuadas separadamente, o culto ao ancestral masculino, hoje, é cultuado de duas formas, Aglutinada, como uma divindade que a personifica através do Culto de Orô e de uma forma individualizada, por intermédio do Culto de Egungun.

Afirma a tradição que Iku começou a matar depois que viu sua mãe ser espancada e morta na praça do mercado, sendo depois dominado por seus que conseguiram que ele comesse o que lhe era proibido. Quem ensinou como anular a atividade de Iku, foi sua mulher chamada Olójòngbòdú. O Deus que possui a função de exercer o poder da morte chama-se Iku, trata-se de uma dinvidade masculina, não existe culto direto a Iku e por esta razão ele deve ser cultuado através dos mortos, masculinos ou femininos, por Orô ou Iyámi, por Egúngún ou Elerikô. 

Quem ensinou como anular a atividade de Iku, foi sua mulher chamada Olójòngbòdú.  Nos conta assim, um fragmento do verso do Odù Òyèkú Méjì:     "....Quando Ìfá falou sobre Olójòngbòdú, a mulher de Ìkú que foi chamada logo cedo pela manhã, foi perguntado o que seu marido não poderia comer, que o tornasse incapaz de matar outros filhos das pessoas? ela disse que Ìkú, seu marido, não poderia comer ratos,pois se comesse, suas mãos tremeriam sem parar; Ela disse que Ìkú, seu marido, não poderia comer peixe, poi se comesse, seus pés tremeriam sem parar ; Ela disse que Ìkú, seu marido, não poderia comer ovo de pata, pois se comesse, ele vomitaria sem parar..."   

Ijàpàá gbé òrúkú l'owó ikú..."  ( o cágado retira a clava das mãos de Ìkú ). Posteriormente, Ìkú faz um pacto com Òrúnmilá, através da condição dele ajudá-lo a recobrar a sua clava; então, Ìkú só levaria antecipadamente aqueles que não se colocassem sobrê a proteção de Òrùnmilá. Outro texto do Odù Ìròsùnsè, nos conta como Orí e Òrùnmilá, impediram a atuação de Ìkú sobre a cabeça de alguém. Outro método de enfraquecer a atividade de Ìkú é registrado no oráculo de Ifá, através do modo como Èsù subornou o filho de Ìkú, para que este revelasse o modo como  Ìkú  matava, Omòikú     então revela que seu pai, matava através de sua clava, tornando-se fraco sem este instrumento, o qual Èsú com a ajuda do Ijàpàá, esconde.

No  início da criação do mundo, Iyámi Oxorongá ( Iemanjá ), a grande mãe ancestral deu à luz a 16 filhos. A sociedade secreta é derivada dos nomes Ogban(sábio) Oni(que é) dois filhos de Iyámi. A sociedade Ogboni de acordo com um itã Ifá (Irosun`wonrin) foi acionada quando a Terra estava um caos imenso, as pessoas não se respeitavam, principalmente a divindade Obatalá que perdeu o controle da situação na cidade de Ilê Ifé.  A sociedade secreta Ogboni é temida e respeitada por todos que a conhecem, sendo a segunda corte judicial em terras Yorubá. Esta sociedade possui a finalidade de proteger a comunidade e manter o estabelecimento da ordem.

Iyámi ao perceber que esta luta entre seus filhos mais velhos poderia causar a completa destruição, obrigou-os a fazer um pacto de irmandade, jurando sobre determinado amuleto sagrado que nunca mais lutariam entre si, desta forma então nasceu a primeira sociedade secreta do mundo que seria nomeada, conforme os nomes  dos irmãos, Sociedade Ogboni. Durante os séculos, muitas irmandades foram criadas seguindo os mesmos princípios da Sociedade Ogboni e obtiveram muito sucesso. Os Ogboni falam a língua Yorubá, mas internamente possuem um vocabulário secreto com o qual realizam determinados rituais. Os Ogboni são chamados de Omo-Oduduwá, Oduduwá é a Deusa criadora da Terra. 

Eles são chamados assim devido ao fato de seus rítuos terem a terra, como elemento principal de culto e força espiritual. A maioria dos instrumentos sagrados da sociedade Ogboni é confeccionada em bronze e cobre, que é u símbolo da força que não se deteriora ou se corrompe. Ideais estes da própria sociedade para seus membros. Na sociedade Ogboni a terra é venerada com o intuito de assegurar a sobrevivência, a paz, a felicidade, o respeito e a estabilidade social no mundo, assim como também a longevidade e o bem estar.  

A única divindade que trata com Orô é Xangô, pois foi o único a fazer os Ebós necessários para isso. Apenas homens podem prestar culto a Orô. Apenas homens podem prestar culto a Orô. Segundo um de seus mitos, toda alma ancestral masculina para que pudesse renascer na Terra deveria ir ao seu encontro, a alma teria de ser devorada pelo Deus. Orô é considerado como um Deus incontrolável, conta-se que quando Orô sai pelas ruas ninguém deve ficar em seu caminho ou será sacrificado. Orô possui uma voz extremamente grossa e cavernosa, seu grito ecoa como um trovão na floresta da morte, ele absorve a vida de tudo. Orô é uma divindade masculina que representa a ancestralidade dos Homens, é um Deus similar à Iyámi, o Culto a Orô representa o culto indireto a Ikú, é um dos cultos aos mortos, Deus da Destruição é considerado como o portal para a ressurreição.  
  
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