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domingo, 19 de março de 2017

Fé e espiritualidade: Como Chico Xavier fez do Brasil o maior país espírita do mundo

  o maior país espírita do mundo
(Abacrombie Inc.)

O médium conquistou 3,8 milhões de fiéis – e 30 milhões de simpatizantes – em 75 anos de trabalho


Em 75 anos de trabalho, Chico Xavier conseguiu fazer do Brasil a maior nação espírita do mundo. Mais de 3,8 milhões de brasileiros se dizem seguidores da religião. Contando os simpatizantes, o número pula para 30 milhões. Esse talvez seja o principal legado do médium no Brasil: tornar a religião acessível, conhecida e respeitada.
Os brasileiros logo reconheceram a dimensão do médium. Em 2006, a revista Época decidiu escolher o maior brasileiro da história. A publicação formou uma comissão com 33 personalidades notáveis, que ia do ex-presidente Fernando Henrique ao ator Paulo Autran, para escolherem o agraciado. Deu empate entre o escritor Machado de Assis e o político e diplomata Ruy Barbosa. A redação se viu obrigada a votar também, e o escolhido foi Barbosa. Em paralelo, Época criou uma enquete online para dar voz aos leitores na questão. A revista colocou no site uma lista de 50 nomes pré-selecionados. 
O médium não estava entre as sugestões oferecidas pela redação. Mas a votação previa um espaço em branco para que o leitor elegesse outras pessoas. Com essa brecha, o azarão Chico Xavier assumiu a ponta da eleição e terminou em primeiro lugar, com 36% dos votos, o dobro do segundo colocado, Ayrton Senna.
Chico também venceu o concurso O Maior Brasileiro de Todos os Tempos, promovido pelo SBT ao longo de 12 programas em 2012. Para chegar ao posto, o mineiro deixou para trás Irmã Dulce, Princesa Isabel, Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek. Chico, no programa final, foi representado pelo amigo Saulo Gomes, o jornalista que lhe convenceu a dar a entrevista para o Pinga-Fogo.
Desde 2002, o mineiro calou-se, mas deixou um amplo e fértil terreno para outros espíritas trilharem seu caminho. Chico não deixou herdeiros diretos. Na Casa da Prece, em Uberaba, ele era o único médium. Mas a semente estava plantada. A cidade tinha cerca de cem centros espíritas no ano da sua morte. No vácuo de Chico, nomes como Divaldo Pereira Franco puderam consolidar suas carreiras. 
Divaldo é o maior missionário do espiritismo. Aos 89 anos, quase 70 deles dedicados à doutrina, percorreu os cinco continentes e milhares de cidades brasileiras para divulgar a religião por meio de palestras e entrevistas, sendo o principal responsável pela abertura de novos centros e pelo crescimento do movimento fora do Brasil. Achou conforto nos espíritos ainda criança, quando dois irmãos morreram. Em 1947, aos 20 anos de idade, fundou um centro espírita em Salvador.
Começou a psicografar mensagens ainda na adolescência. O primeiro livro, Messe de Amor, só seria publicado em 1964, quando Divaldo já tinha quase 40 anos. Mas depois disso deslanchou: foram mais de 250 títulos, alegadamente guiados por mais de 200 espíritos. Vendeu 8 milhões de exemplares, com tradução para quase 20 idiomas. Parte do sucesso se explica pela versatilidade. Nos seus textos, Divaldo explorou vários estilos, tendo publicado contos, romances, poemas e crônicas. Os temas também foram plurais: há livros psicológicos, doutrinários, históricos e até mesmo infantis.
Divaldo diz que recebe mensagens de uma mentora chamada Joanna de Ângelis, espírito que teria um talento especial para reencarnar em pessoas que testemunharam fatos históricos. Em suas vidas passadas, Joanna teria sido uma das mulheres que acompanhavam Jesus no momento da crucificação, a fundadora de uma ordem católica no século 13, uma poetisa mexicana no século 17 e mártir da independência da Bahia em 1822.
Com a ajuda de Joanna, Divaldo diz ter escrito os livros Autodescobrimento, de 1995, e Triunfo Pessoal, de 2002, sucessos recentes de uma série psicológica em que o médium explora uma abordagem mais próxima da autoajuda. Embora respeitosas à doutrina kardecista, as psicografias do médium baiano estão mais alinhadas a uma nova faceta do espiritualismo, em que os adeptos buscam apoio do plano dos mortos para prosperar e superar os problemas do cotidiano. 
Embora seja conhecido pela psicografia, Divaldo diz possuir talento para clarividência, vidência e psicofonia – a habilidade de falar em nome de espíritos. Além da importância dentro do movimento espírita, Divaldo também é responsável por projetos sociais na cidade de Salvador, onde fundou a Mansão do Caminho, em 1952. 
O mercado editorial espírita deve muito a Chico Xavier. Ele escreveu mais de 400 livros em vida e deixou um catálogo de 491 títulos, incluindo as obras póstumas com coletâneas de textos inéditos. Divaldo e outros autores alinhados à doutrina vendem milhões de exemplares, uma babilônia perto das tiragens médias de 3 mil exemplares dos livros do mercado “laico”. A grande massa de leitores espíritas cultivada por Chico Xavier permitiu, por exemplo, o sucesso de Zibia Gasparetto, uma médium de 90 anos autora de livros supostamente psicografados desde 1958. Ela coleciona mais de 40 títulos, alguns deles traduzidos para o inglês, espanhol e japonês, e acumula mais de 16 milhões de exemplares vendidos. É figura constante nas listas dos best-sellers brasileiros. 
Mas a autora se distanciou da doutrina. Ela já foi kardecista engajada, deixou o movimento e hoje se diz identificada com o termo “espiritualista”, mais genérico que “espírita”, uma palavra que pode ser entendida como sinônimo de “kardecista”. No final dos anos 1960, Zibia fechou o centro espírita que mantinha com a venda de livros e passou a publicar por uma editora própria. Manteve poder sobre seus direitos autorais, uma decisão radicalmente oposta aos ensinamentos de Chico Xavier e que rende críticas até hoje – para os espíritas, o médium não pode ganhar em cima do que teria recebido de graça. Zibia é empresária e comanda uma lucrativa operação familiar que inclui programas de televisão, rádio e palestras – além dos livros. Ela não enxerga conflito ao monetizar o suposto dom mediúnico. Embora enfrente certa oposição, Zibia encontrou sucesso dentro e fora do movimento espírita, e parte da explicação está no teor das obras, que transitam no popular segmento de autoajuda. 
Outro pilar espírita de hoje está em Goiás. Mais precisamente para a cidade de Abadiânia, onde João de Deus promove seus tratamentos sobrenaturais. Estima-se que ele já tenha tratado mais de 9 milhões de pessoas na Casa Dom Ignácio de Loyola, seu quartel-general em Abadiânia. Lá, ele promove sessões de reza e meditação, mas também corta alguns doentes com bisturis, dispensando qualquer anestesia, ou enfia facas ou tesouras nas narinas dos pacientes. Tudo parece ocorrer sob algum tipo de transe, e os voluntários dizem que não sentem dor. João de Deus já teria arrancado até tumores do cérebro de doentes com suas técnicas nada ortodoxas. Quando incorpora o papel de médico, o médium fica com o olhar perdido e fala pouco. Parece fora de si. 
As filas que contornavam os quarteirões de Uberaba agora são vistas em Abadiânia. Ônibus de todo o Brasil estacionam na cidade de 17 mil habitantes que vive em função de atender as caravanas de doentes. São apenas 117 km de Brasília, uma posição privilegiada que ajuda a ampliar a clientela de João de Deus. O médium é um fenômeno no Brasil, mas cerca de 80% dos doentes vem do exterior, onde ele é conhecido como John of GodEm 2012, foi a vez da apresentadora Oprah Winfrey desembarcar em Abadiânia para encontrar o curandeiro e gravar segmento para o seu programa, um dos campeões de audiência nos Estados Unidos. Parte da fama internacional veio após o depoimento da atriz Shirley MacLaine, que diz ter sido curada de um câncer no abdômen com a ajuda do curandeiro.
Divaldo, Zibia e João de Deus podem ter ocupado o espaço que foi todo de Chico Xavier, mas os seguidores ainda aguardam notícias do mineiro. Antes de morrer, Chico afirmou que não se manifestaria logo do mundo espiritual. Mas deixou uma senha, ou seja, um código secreto, para confirmar a autenticidade de mensagens suas quando enfim resolvesse se comunicar direto do plano dos mortos. Ele queria evitar que charlatões anunciassem a chegada de uma mensagem exclusiva sua – o que lançaria qualquer médium ao estrelato. A chave para o contato com Chico no além foi entregue oito anos antes da sua morte ao filho adotivo, Eurípedes Higino dos Reis, ao médico e amigo Eurípedes Tahan Vieira e para a vizinha Kátia Maria. Cada um recebeu uma palavra diferente, um segredo individual, que não deve ser compartilhado nem entre os integrantes do trio. A verdadeira carta enviada por Chico teria necessariamente essas três palavras mágicas. Os fiéis seguem aguardando.
[Este texto é um trecho do livro Chico Xavier. A vida. A obra. As polêmicas., publicado pela SUPER]

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Mediunidade, fé e espiritualidade: Um estudo realmente provou que Chico Xavier se comunicava com os mortos?

Um estudo realmente provou que Chico Xavier se comunicava com os mortos?

 
Mediunidade, fé e espiritualidade: Um estudo realmente provou que Chico Xavier se comunicava com os mortos?
Mediunidade, fé e espiritualidade: Um estudo realmente provou que Chico Xavier se comunicava com os mortos?

  por Carlos Orsi
Vários leitores têm perguntado, nas redes sociais, minha opinião sobre o estudo, publicado por cientistas brasileiros no periódico internacional Explore, que “comprovaria” comunicação com os mortos em cartas de Chico Xavier. Eu já havia visto comentários a respeito, e entrevistas com pelo menos um de seus autores, mas só recentemente consegui tempo para ler, com atenção, o artigo em si. Uma análise detalhada daria margem a um texto até maior que o que saiu na Explore, com suas nove páginas em coluna dupla, então o que vai aqui é um resumo bem superficial de minhas impressões.
A primeira coisa a tratar é a questão da publicação: para um cientista, ver um trabalho sair num periódico internacional especializado é um emblema de prestígio. Publicações assim também conferem ao estudo uma aura de respeitabilidade que a grande mídia tende a levar bem a sério – tanto que o artigo sobre Chico Xavier foi noticiado em veículos como O Globo.
Mas, se é verdade que a Elsevier , dona do Explore, é uma editora de prestígio no meio científico, suas publicações não têm, todas, a mesma qualidade ou importância. O Explore se apresenta como um periódico da área de saúde, mas seu fator de impacto – uma medida da relevância que a comunidade científica dá à revista – é de 0,935. A principal publicação de saúde da mesma Elsevier, a Lancet, tem um fator de impacto de 39,207.
Com o título “Investigating the Fit and Accuracy of Alleged Mediumistic Writing: A Case Study of Chico Xavier’s Letters” (Investigando o Acerto e Precisão de Suposta Escrita Mediúnica: Um Estudo de Caso de Cartas de Chico Xavier), o artigo tem, como principais autores, integrantes do NUPES (Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde) da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora, a UFJF. Envolve, ainda, cientistas baseados na USP e, até, na Escócia. O estudo foi financiado pelo governo do Estado de São Paulo, por meio da Fapesp.
O trabalho consiste na análise de afirmações tidas como verificáveis – isto é, que podem ser classificadas, sem ambiguidade, como verdadeiras ou falsas – contidas em 13 cartas psicografadas por Chico Xavier entre 1974 e 1979, e atribuídas ao espírito de J.P., um jovem de 24 anos que havia morrido no início de 1974 na região de Campinas (SP).
O eixo central do estudo é a aplicação, a essas afirmações, de algo chamado Escala Leak (“Vazamento”, em inglês), usada para classificar a probabilidade de o médium ter tido acesso à informação apresentada por meios “ordinários”. O argumento é que uma nota baixa nessa escala permite concluir que meios diversos – extraordinários? – devem ser considerados.
À primeira vista, até faz sentido: daria para imaginar que, se a chance de uma informação chegar ao médium por meio comum é muito baixa, a probabilidade alternativa – de transmissão extraordinária – é alta. Afinal, as duas alternativas esgotam o universo de possibilidades: a soma de ambas tem de ser 100%.
Mas há um problema filosófico sério escondido aí: extraordinário quer dizer o quê, exatamente? Os autores insistem que o conteúdo das cartas depõe contra “visões reducionistas da relação mente-cérebro”, o que pode querer dizer que esse conteúdo sustenta qualquer coisa entre telepatia e a existência de uma alma imortal que conversa com o médium. Os pesquisadores não dizem para qual possibilidade estão torcendo, mas a hagiografia de Chico Xavier contida no artigo dá uma boa pista. Mas será que essa família de explicações é mesmo a única possível?
A questão é que o tal “método extraordinário” não precisa ser um “método paranormal”. Pode ser, simplesmente, um método natural-materialista-reducionista que escapou da definição arbitrária de “normalidade” dos autores – definição que é, de fato, estreita demais, e que exclui possibilidades “extraordinárias” que são, paradoxalmente, bem ordinárias.
 
Fonte/http://revistagalileu.globo.com/blogs/olhar-cetico/noticia/2015/01/um-estudo-realmente-provou-que-chico-xavier-se-comunicava-com-os-mortos.html

terça-feira, 14 de junho de 2011

Que eu não perca o romantismo


Que eu não

"Que Deus não permita que eu perca o romantismo, mesmo
eu sabendo que as rosas não falam;

Que eu não perca o otimismo, mesmo sabendo que o
futuro que nos espera não é assim tão alegre;

Que eu não perca a vontade de viver, mesmo sabendo que
a vida é, em muitos momentos, dolorosa;

Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos,
mesmo sabendo que com as voltas do mundo, eles acabam
indo embora de nossas vidas;

Que eu não perca a vontade de ajudar as pessoas, mesmo
sabendo que muitas delas são incapazes de ver,
reconhecer e retribuir esta ajuda;

Que eu não perca o equilíbrio, mesmo sabendo que
inúmeras forças querem que eu caia;

Que eu não perca a vontade de amar, mesmo sabendo que
a pessoa que eu mais amo pode não sentir o mesmo
sentimento por mim;

Que eu não perca a luz e o brilho no olhar, mesmo
sabendo que muitas coisas que verei no mundo
escurecerão meus olhos;

Que eu não perca a garra, mesmo sabendo que a derrota
e a perda são dois adversários extremamente poderosos;

Que eu não perca a razão, mesmo sabendo que as
tentações da vida são inúmeras e deliciosas;

Que eu não perca o sentimento de justiça, mesmo
sabendo que o prejudicado possa ser eu;

Que eu não perca o meu forte abraço, mesmo sabendo que
um dia meus braços estarão fracos;

Que eu não perca a beleza e a alegria de ver, mesmo
sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e
escorrerão por minha alma;

Que eu não perca o amor por minha família, mesmo
sabendo que ela muitas vezes me exigirá esforços
incríveis para manter sua harmonia;

Que eu não perca a vontade de doar este enorme amor
que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas
vezes ele será subestimado e até rejeitado;

Que eu não perca a vontade de ser grande, mesmo
sabendo que o mundo é pequeno.

E, acima de tudo... que eu jamais me esqueça de que
Deus me ama infinitamente, de que um pequeno grão de
alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar
e transformar qualquer coisa, pois a VIDA É CONSTRUÍDA
NOS SONHOS E CONCRETIZADA NO AMOR!"

Francisco Cândido Xavier
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