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quinta-feira, 1 de julho de 2021

Físicos confirmam teorema de Hawking pela 1ª vez através de observações

 


Teorema da área, descoberto por Stephen Hawking em 1971, já comprovado matematicamente, é observado pela primeira vez e abre horizonte de possibilidades para cientistas.

Existe uma lei central para buracos negros que prevê que a área de seus horizontes de eventos, que é a fronteira além da qual nada pode escapar, nunca deve encolher. Esta lei é o teorema da área descoberto por Stephen Hawking em 1971. 50 anos depois, físicos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e de outros lugares agora confirmaram o teorema pela primeira vez, usando observações de ondas gravitacionais. 

Cientista britânico, Stephen Hawking
Cientista britânico, Stephen Hawking

No estudo, os pesquisadores examinam mais de perto a primeira onda gravitacional conhecido por GW150914 detectada em 2015. O sinal era produto de dois buracos negros inspiradores que geraram um novo buraco negro, junto com uma enorme quantidade de energia que oscilou através do espaço-tempo como ondas gravitacionais.

De acordo com o teorema da área de Hawking, a área do horizonte do novo buraco negro não deve ser menor do que a área total do horizonte de seus buracos negros de origem. Os físicos então reanalisaram o sinal de GW150914 antes e depois da colisão cósmica e descobriram que, de fato, a área total do horizonte de eventos não diminuiu após a fusão - um resultado que eles relataram com 95% de confiança.

Suas descobertas marcam a primeira confirmação de observação direta do teorema da área de Hawking, que foi provado matematicamente, mas nunca observado na natureza até agora. A equipe planeja testar futuros sinais de ondas gravitacionais para ver se eles podem confirmar o teorema de Hawking ou ser um sinal de uma nova física que quebra as leis atuais.

"É possível que haja um zoológico de diferentes objetos compactos e, embora alguns deles sejam os buracos negros que seguem as leis de Einstein e Hawking, outros podem ser feras ligeiramente diferentes", diz o autor principal Maximiliano Isi, um pós-doutorando Einstein da NASA no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT.

Os coautores de Isi no artigo são Will Farr da Universidade Stony Brook e do Instituto de Astrofísica Computacional Flatiron, Matthew Giesler da Universidade Cornell, Mark Scheel do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e Saul Teukolsky da Universidade Cornell e da Caltech, publicaram os resultados da pesquisa na Physical Review Letters.

Uma era de percepções

Em 1971, quando Stephen Hawking propôs o teorema da área, uma série de descobertas fundamentais sobre a mecânica dos buracos negros se desencadearam. A afirmação do físico britânico é paralela à segunda lei da termodinâmica de Einstein, ambas afirmam que a entropia, ou grau de desordem dentro de um objeto, nunca devem diminuir.

A semelhança entre as duas teorias sugeria que os buracos negros poderiam se comportar como objetos térmicos, emissores de calor - uma proposição confusa, já que se pensava que eles, por natureza, nunca deixavam escapar ou irradiar energia. Hawking mostrou anos depois que os buracos negros poderiam ter entropia e emitir radiação em escalas de tempo muito longas se seus efeitos quânticos fossem levados em consideração. Este fenômeno foi apelidado de "radiação Hawking" e continua sendo uma das revelações mais fundamentais sobre os buracos negros.

"A lei da área encapsula uma época de ouro nos anos 70, quando todos esses insights estavam sendo produzidos", diz Isi.

Hawking e outros desde então mostraram que o teorema da área funciona matematicamente, mas não havia nenhuma maneira de compará-lo com a natureza até a primeira detecção de ondas gravitacionais em 2015. Na época, os pesquisadores não tinham a capacidade de pegar as informações necessárias dentro do sinal, antes e depois da fusão, para determinar se a área final do horizonte não diminuía, como o teorema de Hawking assumiria. Só vários anos depois, com o desenvolvimento de uma técnica por Isi e seus colegas, o teste da lei da área se tornou viável.

Uma imagem artística inspirada em um evento de fusão de estrela de nêutrons em buraco negro
Uma imagem artística inspirada em um evento de fusão de estrela de nêutrons em buraco negro

Eles desenvolveram um modelo para analisar o sinal antes do pico, correspondendo aos dois buracos negros inspiradores. A partir dessas estimativas, eles calcularam suas áreas totais do horizonte.

"Os dados mostram com absoluta confiança que a área do horizonte aumentou após a fusão e que a lei da área é cumprida com uma probabilidade muito alta”, diz Isi. "Foi um alívio que nosso resultado concordasse com o paradigma que esperávamos e confirmasse nosso entendimento dessas complicadas fusões de buracos negros", explicam.

A equipe planeja testar ainda mais o teorema da área de Hawking e outras teorias de longa data da mecânica dos buracos negros. "Um dia, esses dados podem revelar algo que não esperávamos", estimam.

domingo, 6 de dezembro de 2020

Eletrônica está ficando obsoleta: físicos russos criam tecnologias do futuro

 


Os cientistas acreditam que, no futuro, os dispositivos eletrônicos que todos conhecemos podem ceder o lugar à fotônica.

Conexão sem fio à velocidade de dezenas de terabits por segundo, dados processados a dezenas de gigabits por segundo, hologramas capazes de criar imagens com volume: estes são alguns dos objetivos mais próximos que se pode alcançar nesta área. Cientistas da Universidade Nacional de Pesquisa Nuclear MEPhI contam à Sputnik sobre os avanços russos neste sentido.

A eletrônica está passando à história

A fotônica é uma área da ciência e tecnologia que explora os processos de irradiação de luz, seu registro e alteração de suas propriedades.

Os equipamentos baseados em fotônica não se limitam à comunicação ótica e discos de laser. O século XXI é o século da fotônica, afirmam os cientistas do Laboratório da Fotônica e Processamento Óptico da Informação do Departamento de Física de Laser do Instituto das Tecnologias de Laser e Plasma (LaPlas) da MEPhI.

Eles afirmam que dentro de 10-20 anos a fotônica vai revolucionar os sistemas técnicos já existentes e fomentar a criação de novos. Primeiro, vai aparecer comunicação digital acessível à velocidade de terabits por segundo, sistemas de processamento de dados com capacidade de dezenas de gigabits por segundo e também telas de gigapixels – estas últimas serão com duas e três dimensões, ou seja, holográficas.

As vantagens essenciais de equipamentos fotônicos estão nas propriedades informativas da luz. A frequência de vibração dos sinais ópticos é milhares de vezes maior do que a dos sinais de rádio, explicam os cientistas, por isso, seus parâmetros são muito mais rápidos de alterar. Graças a isso, a gama de frequências transmitidas pela luz é enorme: um canal óptico pode transmitir o sinal de todas as faixas de rádio em simultâneo.

"Durante a transmissão da luz é possível formar distribuições espaciais que representam dados de duas e três dimensões – enquanto um sinal elétrico transmitido por condutor funciona em só uma dimensão. Graças a isso, os sistemas fotônicos podem possuir rapidez e eficiência energética muitas vezes maiores do que seus antecessores eletrônicos usados hoje em dia", conta o professor da MEPhI Rostislav Starikov.

Pronto veremos vídeos holográficos

Mesmo agora, as tecnologias de formação de sinal luminoso já permitem gravar e reproduzir vídeos holográficos. Porém, como dizem os cientistas da MEPhI, estes sistemas ainda são muito caros e pouco eficientes, sendo pouco acessíveis a um público amplo. Há problemas também com a reprodução rápida dos hologramas e com sua transmissão através das redes digitais existentes.

O Departamento de Física de Laser da MEPhI está elaborando métodos inteligentes de transmissão e reprodução rápida de vídeos tridimensionais baseados em hologramas digitais com o apoio da Fundação Russa da Ciência (projeto n.º 20-79-00291). Os esforços científicos nesta área visam introduzir os sistemas holográficos de vídeo tridimensional no uso amplo já em meados dos anos 2030.

"Nós apresentamos e testamos com sucesso um novo método de representação binária de hologramas digitais, que permite codificá-los de uma maneira mais adequada para transmissão, e também novos métodos de sua compressão, cuja eficácia supera os análogos existentes, garantindo ao mesmo tempo um nível aceitável de perda da qualidade das imagens finais", observa o chefe da pesquisa e docente da MEPhI, Pavel Cheryomkhin.

O que nos traz o rádio fotônico?

Outra área muito promissora é a fotônica de micro-ondas, também chamada de radiofotônica. Trata-se de transmissão e processamento de sinais de rádio pela luz. Tais sistemas ultrapassam facilmente os sistemas de rádio comuns em proteção contra interferências, parâmetros sonoros, dimensão e peso; a maior vantagem é terem uma faixa de sinais muito ampla – mais de 100 GHz.

Os modelos experimentais de sistemas radiofotônicos atingem velocidades de processamento de sinais impossíveis para os dispositivos eletrônicos comuns. Por exemplo, a transformação análogo-digital é mil vezes mais rápida.

Hoje a Rússia, tal como outros países, está implementando em ampla escala linhas fotônicas de transmissão de sinais de rádio que possuem enorme capacidade de informação, dizem os cientistas da MEPhI. No futuro, dispositivos vão usar a luz para processar os sinais de rádio (ditos radares fotônicos), o passo seguinte seria a criação de antenas de matriz ativa faseada baseadas na fotônica, o que permitirá monitorar alvos de qualquer tipo a longa distância e com alta precisão.

O Departamento de Física de Laser da MEPhI, chefiado pelo professor Starikov, realiza pesquisas teóricas e experimentais na área de sistemas análogo-digitais de fotônica em micro-ondas. Em particular, os especialistas criaram recentemente um sistema fotônico para processamento análogo-digital de sinais de rádio na faixa centimétrica.

Na base deste dispositivo os cientistas da MEPhI e de outras instituições científicas russas criaram, pela primeira vez na Rússia e dos primeiros a nível mundial, um sistema radiotécnico com elementos de fotônica de micro-ondas. O sistema já passou com êxito por testes no terreno. Os cientistas explicam que tais dispositivos são muito mais leves e eficientes que seus análogos eletrônicos.

Velocidade incrível e qualidade perfeita

No futuro, os sistemas óptico-digitais que usam processamento paralelo de sinais ópticos espaciais permitirão processar dados a uma velocidade que chegará a 100 Gbit por segundo, podendo ser usados para processar imagens ou codificar dados. As pesquisas realizadas pela MEPhI na área de processamento de sinais ópticos binários se centram na criação de sistemas de difração e holográficos que usam radiação laser coerente e não coerente.

"Nossa equipe está elaborando com sucesso métodos de formação com alta velocidade e precisão de distribuições luminosas informativas programadas, que permitirão representar enormes volumes de dados sem erros e perdas", comenta Rostislav Starikov.

Particularmente, o Departamento de Física de Laser da MEPhI está realizando um projeto chefiado pelo professor Nikolai Evtikhiev (bolsa da Fundação Russa da Ciência n.º 19-19-00498) de elaboração de um sistema de difração óptico-digital de novo tipo, destinado à codificação de dados. Já foi criado e testado um sistema de codificação de dados binários – seus criadores asseguram que poderá processar dezenas de gigabits por segundo.

Outras pesquisas que o departamento está realizando visam criar sistemas inteligentes de alta velocidade para reconhecimento de imagens. Os cientistas afirmam que os experimentos já comprovaram a capacidade de detectar imagens de megapixels a velocidades maiores que dez mil frames por segundo, o que é centenas de vezes melhor que as capacidades dos análogos eletrônicos.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Físicos russos propõem novo modelo de partículas elementares



Cientistas da Universidade Nacional de Pesquisa Nuclear MEPhI (Moscou) propuseram um novo modelo da estrutura interna de partículas elementares e núcleos de átomos.

Como diz a Teoria da Relatividade Geral, qualquer campo produz curvas no espaço-tempo, já pelo fato de possuir energia e, consequentemente, massa. O campo gravitacional que nós observamos é precisamente esta curvatura. De acordo com a ideia e as equações de Einstein no âmbito da Relatividade Geral, qualquer campo, seja eletromagnético ou de forças nucleares, é na sua essência um campo gravitacional.
Contudo, hoje em dia, os cientistas costumam considerar o espaço como plano, tal como o propõe a Teoria da Relatividade Restrita. Isso faz com que todos os objetos elementares sejam considerados como pontos, ou seja, sem estrutura.
"A nova solução das equações que obtivemos permite explicar a natureza gravitacional da carga elétrica fundamental, da massa de repouso da partícula, defini-las através das curvaturas do espaço e também calcular o raio da partícula elementar", conta um dos coautores da pesquisa, Yuri Khlestkov, docente da MEPhI.
Ele diz que o raio do próton coincide com uma precisão de 0,04% com o valor experimental obtido em 2010 pelo Grupo de Átomos Muónicos, chefiado por Randolf Pohl (Instituto Max Planck), durante experimentos com hidrogênio.
Os cientistas acreditam que estes resultados podem fazer repensar o papel da relatividade geral na física e resultar na descoberta de novas propriedades das partículas e dos campos, o que permitirá solucionar um vasto leque de questões atuais nas áreas da energia e da exploração do espaço profundo.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Como serão travadas as guerras espaciais? Físicos fazem suas apostas



Na sua próxima reunião, a ser celebrada no início de dezembro, a OTAN deve declarar o espaço como um "domínio de combate", contrariando o Tratado do Espaço Sideral. Quais as consequências e qual o tipo de combate interespacial que podemos antever?

Os físicos Ian Whittaker e Gareth Dorrian, da Universidade de Trent em Nottingham, descreveram ao jornal britânico The Conversation como seriam os combates espaciais que a humanidade irá travar.
Se as estimativas estiverem corretas e a aliança militar OTAN realmente declarar o espaço como um "domínio de combate", em breve testemunharemos a militarização do espaço, que poderá ser munido tanto de armas capazes de destruir satélites, como de armamentos antimísseis espaciais.
Recentemente, a Rússia lançou um satélite comercial capaz de interagir com outros satélites no espaço. Apesar da missão desse satélite ser pacífica – ele irá fornecer serviços de manutenção a outros satélites em órbita – os físicos notam que o lançamento fez soar os alarmes na OTAN.

© AP PHOTO / SENIOR AIRMAN CLAYTON WEAR
Força Aérea dos EUA lança o foguete Space X Falcon 9, dedicado a fazer testes no espaço sideral
O fato de uma empresa russa ter a tecnologia indica que, muito provavelmente, as forças armadas já a detêm há algum tempo. Se um satélite civil é capaz de manobrar e aproximar-se de outro, um satélite militar provavelmente pode fazer o mesmo, sem ser detectado, com o intuito realizar uma sabotagem.
A França também anunciou recentemente o seu empenho na área: o país anunciou que iria lançar satélites "guarda-costas", armados com metralhadoras ou com lasers.
Esse anúncio foi feito na esteira da decisão norte-americana de criar uma Força Espacial, ligada à Força Aérea, em 2018. Foi dada a largada, e muitas outras nações devem fazer o mesmo.

© AP PHOTO / CAROLYN KASTER
Presidente dos EUA Donald Trump saúda o primeiro comandante da Força Espacial da Força Aérea do país, observados pelo Secretário de Defesa Mark Esper, em 29 de agosto de 2019

Guerra eletrônica espacial

Mas como os combates espaciais se dariam de fato? Um dos métodos possíveis envolve a irradiação de um intenso feixe de radiação em micro-ondas contra o objeto inimigo. De fato, isso já foi testado na Terra com o objetivo de forçar um carro em alta velocidade a parar, desligando todas as funções elétricas do veículo.
Se essa ideia for aplicada a um satélite, teríamos uma "arma de irradiação de energia" cósmica. Ela permitiria que uma nação neutralizasse um satélite de outra sem criar uma grande nuvem de detritos espaciais. Um ataque desse tipo poderia facilmente passar por um acidente e não seria difícil para o autor dos disparos negar qualquer envolvimento no incidente.
Os físicos notaram ainda o uso de interferências de rádio para inutilizar radares e comunicações. Isto não é uma novidade – as interferências de rádio são utilizadas como arma desde a Segunda Guerra Mundial.
Ao inundar o receptor de rádio do satélite com nada mais, nada menos do que ruído, é possível bloquear o recebimento de sinais genuínos e deixar o sistema do satélite inoperante. É como tentar ver a chama de uma vela tendo os olhos ofuscados por um farol de carro, descreveram os físicos.
Os satélites são testados com muito cuidado para que não emitam ruído de rádio. Mas se um satélite "hostil" estiver relativamente próximo e dirigir as transmissões diretamente contra o satélite, existe a possibilidade de as comunicações serem completamente interrompidas.
Um cenário de guerra eletrônica deste gênero sendo travada no espaço provavelmente já figura nas preocupações dos planejadores militares. Não esqueçamos que as operações em terra de muitas forças armadas atualmente já dependem de informações obtidas via satélite.

Armas cinéticas e satélite kamikaze

A maneira mais óbvia de atingir um satélite, segundo os físicos, é lançando um projétil sólido sobre ele. Satélites em movimento são dotados de alta energia cinética e inércia. Se um objeto se movendo mais devagar for colocado na trajetória do satélite, o resultado será uma coalisão bastante devastadora.
Esta estratégia, chamada "assassinato cinético", já foi empregada para descomissionar satélites e retirá-los definitivamente de operação. Países como os EUA, a Rússia e a Índia já demonstraram ser capazes de fazer isso. Tudo o que precisam é de uma plataforma de lançamento de mísseis em terra que lance um projétil contra o satélite. Mas se o míssil tiver como alvo um satélite estrangeiro, ele provavelmente seria detectado pelos radares.
Uma maneira mais sutil seria destruir um satélite próprio e acertar no satélite inimigo com os detritos espaciais gerados pela explosão. Algo similar a isso ocorreu em 2007, mas tratou-se claramente de um acidente.

CC BY 2.0 / NASA GODDARD SPACE FLIGHT CENTER / NASA’S HUBBLE TELESCOPE FINDS POTENTIAL KUIPER BELT TARGETS FOR NEW HORIZONS PLUTO MISSION
A proliferação de detritos espaciais na órbita terrestre pode se tornar um dos grandes impeditivos ao desenvolvimento de atividades no espaço
Em relação às armas cinéticas, as metralhadoras são as que geram maior preocupação, em função do recuo que elas causam. O recuo da arma pode retirar o satélite de sua trajetória original.
Armas cinéticas não são uma ideia nova e tentativas de desenvolvê-las já foram feitas no passado. A estação espacial soviética Salyut-3, por exemplo, estava armada com um canhão de disparo rápido, ainda em meados da década de setenta.

© FOTO/ GPA PHOTO ARCHIVE
O empuxe de uma metralhadora cinética poderia retirar o satélite de sua trajetória

Armas a laser

Armas a laser já estão sendo consideradas como as ideais para atacar painéis solares de satélites em órbita. Sem os painéis, os satélites ficam sem energia e interrompem a comunicação com a Terra.
O recuo de uma arma a laser é muito menor do que o de uma metralhadora cinética. Além disso, pela ausência de atmosfera, uma arma a laser funcionaria melhor no espaço do que na Terra.
Um laser poderia ser utilizado para cegar os instrumentos de um satélite inimigo, reduzindo a eficácia de seus softwares, sejam eles de interação ou de ataque.

CC BY 2.0 / GPA PHOTO ARCHIVE / GPM CORE OBSERVATORY
O observatório GPM em órbita terrestre. Armas a laser irão ter como alvo os painéis solares dos satélites
Os satélites mais vulneráveis a um ataque seriam aqueles dedicados à comunicação ou a tarefas de observação. Se temos satélites civis capazes de produzir imagens com resolução de 30 cm, é muito provável que os militares farão um trabalho melhor ainda. Um país que for incapacitado de observar os demais não será capaz de identificar o autor do ataque contra ele.

Como o espaço militarizado iria parecer aqui da terra?

Por causa dos filmes de ficção científica, nós imaginamos que os lasers espaciais usariam luz visível. Mas as ondas mais curtas que provavelmente seriam usadas produzem ainda mais energia.
Qualquer observador na superfície terrestre não seria capaz de ver a guerra espacial ocorrendo muitos quilômetros acima. Os únicos efeitos visíveis da guerra espacial seriam, provavelmente, os ataques cinéticos, uma vez que os resíduos espaciais gerados podem eventualmente entrar na atmosfera, gerando luz.
No entanto, a nossa vida terrestre poderia ser afetada pela perda de GPS, de serviços de televisão ou mesmo da nossa capacidade de tirar dinheiro no caixa eletrônico.
Por causa dos filmes de ficção científica, nós imaginamos que os lasers espaciais usariam luz visível. Mas as ondas mais curtas que provavelmente seriam usadas produzem ainda mais energia.
Qualquer observador na superfície terrestre não seria capaz de ver a guerra espacial ocorrendo muitos quilômetros acima. Os únicos efeitos visíveis da guerra espacial seriam, provavelmente, os ataques cinéticos, uma vez que os resíduos espaciais gerados podem eventualmente entrar na atmosfera, gerando luz.
No entanto, a nossa vida terrestre poderia ser afetada pela perda de GPS, de serviços de televisão ou mesmo da nossa capacidade de tirar dinheiro no caixa eletrônico.
Armas nucleares?
O uso de armas nucleares e outras armas de destruição em massa no espaço é proibido pelo Tratado do Espaço Sideral e pelo Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares. Mas este último não foi ratificado por países nucleares como os Estados Unidos, a China, Índia, Paquistão, Israel ou Coreia do Norte.
Um número limitado de testes nucleares no espaço foi feito na década de sessenta, como por exemplo o teste Starfish Prime, realizado pelos EUA em 1962. Como consequência destes testes, se formaram anéis radioativos ao redor da Terra, detectáveis por anos, gerando risco considerável aos astronautas. Esses anéis também foram os responsáveis por incapacitar alguns satélites que orbitavam em altitude baixa.
Considerando os resultados de testes como o Starfish Prime, os físicos consideram que algumas poucas explosões nucleares seriam o suficiente para impossibilitar atividades espaciais por muitas décadas.
Aproveitando a menção ao Tratado do Espaço Sideral de 1967, assinado e ratificado pelo Brasil em 1969, os estudiosos lembram que o tratado não permite a militarização do espaço, que é considerado zona de paz e patrimônio de toda a humanidade.
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