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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Categorias, estatus e deveres dos babalawôs


Segundo nos contam os pesquisadores e Santeros de Cuba e outros paises latinos e que muitos pais de santo do Brasil, apenas pegaram os conhecimentos e publicaram livros como se fossem seus conhecimentos, quando na Umbanda o conhecimento sagrado não tem dono, que, todo Babalawo se esforçava para alcançar, sucessivamente, as 3 (três) categorias imediatamente superiores de sua "carreira" e, se alcançadas estas três, estivesse habilitado também por seu nascimento em uma das 16 (dezesseis) famílias nobres fundadoras de Ile Ife ou "Cidade Santa de Ifé", ele habilitava-se a disputar ainda uma das 16 (dezesseis) supra-divisões hierárquicas e vitalícias dos Awoni Babalawo ou "Adivinhos dos Segredos do Rei" ou do "Estado". 

Os grandes mestres e estudiosos do Projeto Orumilá, trazem todos os fundamentos e ética de todos os santeros. Há uma cerimônia chamada Pinaldo que tornam os indivíduos iniciaram como intérpretes do subsistema oracular Dilogún que passou Yoko Osha cerimônia. Durante o mesmo ritual acontece em todo o Ogun Osha e receber as ofertas e definir todos os orixás orixás que dedicaram pessoa quando começou, conseqüentemente, o indivíduo recebe um novo depois que Itá é o núcleo de sua vida. Para todos aqueles que foram iniciados sacerdotes Pinaldo mais velhos são considerados e tratados com respeito. Esta cerimônia significa que o indivíduo pode fazer sacrifícios de animais já adquiridos faculdade ou atribuição é chamado de energia. Os indivíduos que receberam Pinaldo são chamados "Pinalderos". O primeiro degrau da ascensão na carreira religiosa era a condição de Elegan ou "Aquele que tem Elegan" e aqui compreendendo-se "Elegan" como o conjunto composto pela já conhecida Apo ou "Bolsa", mais o seu conteúdo Abira ou "Conjunto de objetos sagrados e folhas medicinais", todos eles portadores de Ase Orisa (força Mágica dos Orisa) e com os quais se praticava, além da Divinação Sagrada, uma terapia médica natural e psico-somática.

Awo Elegan é um sacerdote de Ifá iniciado que não vê Odu ou não está exposto ao segredo de Odu. Such Awo é iniciada, mas nunca pôs os olhos em Odu nem participar de qualquer coisa usada em rituais Odu. O Odu que estamos falando não é odu Ifá (Ifa capítulos/sinais), mas um poderoso Orixa feminino. Há duas antigas, origens divinas do Awo Elagan, ou seja, por que algumas pessoas não podem ver Odu. Essas razões são aceitáveis ​​em excussões Ifa iniciação, mas a terceira razão não é sustentável e deve ser desencorajado.

Em primeiro lugar, Orunmila tinha muitas mulheres já antes de ele se deparar com Odu em uma floresta ribeirinha quando ela apareceu. Eles concordaram em se casar como visto no Odu Ifa Ofunmeji com base em regras que incluem "nenhuma mulher deve sempre colocar os olhos sobre ela ...". Orunmila concordou e não permitir que as esposas senhoras não tinha permição para ver esta nova esposa. Até mesmo, aquelas que ele se casou com ela depois e de não pôr os olhos em cima dela. Além disso, todos os 16 filhos de Odu poderia ver a sua mãe, mas seus  meio irmãos e meia irmãs foram proibidos de vê-la. Portanto, após a sua ascensão e inclusão de seus rituais de iniciação em Ifa, apenas seus descendentes / proles estão autorizados a colocar os olhos sobre ela. Esta é a primeira razão pela qual alguns Awo são chamados Awo Elegan, ou seja, aqueles que não podem ver Odu. Aqueles Elegan Awo são os filhos das outras esposas de Orunmila. Eles podem continuar a fazer o seu rito iníciatório, em consonância com isso, ou seja, sem Orixa Odu.


Em segundo lugar, no odu Ifá Otuasaa, Awodi foi enviado por Alapansiki que ir e fazer rituais para Olokun. Embora Awodi não foi iniciada, pois, ela estava ainda em formação, ela fez a tarefa, porque, Alapansiki, o filho de Ajagunmole havia abençoado e dado o poder de him. He foi homenageado e enriquecido por Olokun. Olokun, que não sabia Awodi que não foi iniciada pediu-lhe para iniciar seus filhos para ele. Awodi realizara a iniciação com sucesso o caminho do Elegan porque, ele mesmo não tinha sido iniciado e muito menos os olhos em Odu.

O início sem Orisa Odu foi bem sucedido porque, Alapansiki, abençoou-o antes que ele deixou para o lugar de Olokun. Na crise que se seguiu entre Awodi e seus iniciados os seniores (Agbe e Aluko), que queriam Awodi desgraçar, ele puniu. Mas, um deles (Odidere) deu Awodi respeito com esta declaração: Telegan tolodu la jo n Sawo ... Ambos Elegan e Olodu, somos todos um ... Ele era capaz de voltar para casa para informar o seu pai, Alapansiki, tudo o que aconteceu. Em vez de amaldiçoar Awodi, Alapansiki culpou os sacerdotes mortos por Awdi para fazer tentativa de desgraçar ele. Ele disse Odidere que ele havia abençoado Awodi antes que ele deixou e tudo o que ele fez na casa de Olokun será eficaz. E que aqueles que são iniciadas por Awodi deve continuar como Awo Elegan e ninguém deve ridicularizar-los. Com isso, ele aprovou a declaração Odidere de que "Ambos Elegan e Olodu somos todos um ..."

A terceira razão pela qual alguns Awo são Elegan hoje é moderno e patético. Alguns sacerdotes de Ifá não são iniciadas e têm oportunidade de iniciar afilhados. Porque eles não são iniciados, eles não vêem Odu e irá fazer só o início, de acordo com Elegan, ou seja, sem Odu. O querer comparar-se com a de Awodi. Eles se esqueceram de que é Awodi Awodi e só isso Alapansiki abençoado com esse direito. Pode ser, eles também têm sido abençoados por Ajagunmale, Alapansiki ou mesmo Orunmila para realizar iniciação sem ter sido iniciado, quem sabe? Além disso, alguns sacerdotes iniciados de Ifá iniciam seus afilhados no exterior em linha com Awo Elegan. A razão é que os sacerdotes envolvidos Ifa ir para países no exterior sem este Orixa poderoso que deve estar presente sempre que Ifá na iniciação é para acontecer e eles não podem voltar para casa para o início ou enviar para o Orixa, eles só vão fazer a iniciação sem Orixa Odu. Aqueles que iniciam assim vai se tornar Awo Elegan, ou seja, eles não podem nem participar de qualquer coisa usada em apaziguar / fazer rituais Odu nem olhos postos no Orisa. Esta é a terceira razão para Awo Elegan. Por isso, hoje, especialmente no exterior, temos milhões de Awo Elegan.  Quase sempre, nesta fase, eram desvinculados de qualquer cidade, sendo muitas vezes itinerantes. Ao contrário dos mais graduados, o Babalawo Elegan era obrigado a manter a sua cabeça sempre totalmente raspada e a descobrí-la, caso portasse alguma cobertura, quando em presença de outros Babalawo de categorias superiores.

O segundo degrau de ascensão na carreira, após alguns anos de prática, era a obtenção da condição de Ol'osu ou "Aquele que Tem o Tufo de Cabelos", numa clara alusão da permissão de deixar crescer um "tufo" de cabelos circular, na parte lateral posterior direita do crânio raspado, demonstrando assim que já eram plenamente habilitados e em pé de igualdade com os Adosu dos outros Orixas, os quais usavam o mesmo Osu ou "Tufo de Cabelos" (Na verdade, nestes, "Osu" não é só um "tufo de cabelos"). Mas para ser um Ol'osu, o Babalawo precisava pertencer à uma família estabelecida em uma vila ou cidade que tivesse erguido um Origi, um pequeno "monumento religioso", um protegido montículo de terra batida de mais ou menos 35 cm de altura, quase sempre muitíssimo antigo, recoberto de "cacos" de cerâmica ou de louça quebrada, com uma pedra pontuda no topo, projetando-se para cima. Embora o conteúdo do Origi fosse, devesse e deva permanecer secreto, era notório ali a dedicação ao Imole Esu Agba, o "Esu Ancestral". 

Era quando atingia este estágio de Ol'osu que o Babalawo tinha direito a possuir a sua segunda Owo Ifa, a segunda "Mão de Ifá", ou seja, o seu 2º conjunto de Ikin ou "conjunto de 16 coquinhos de dendê", que todo Babalawo Ol'osu devia possuir. O terceiro degrau na ascensão religiosa de um Babalawo era a condição de Ol’Odu ou "Aquele que Tem o Odu". Embora o termo Yoruba Odu, em seu significado mais restrito, signifique algo "grande" ou "volumoso", no Culto do Orisa Orunmila, este termo tem três outros sentidos referenciais: 

Primeiro sentido referencial: - nele, Odu pode significar a "Figura Gráfica" que é riscada no Iyerosun ou "Pó Branco Consagrado" do Opon ou "Tabuleiro"; Segundo sentido referencial: - nele, Odu pode significar o conjunto de Ese (Verso) de um Itan Ifá (Conto de Ifá), ligados ritualmente às 256 figuras gráficas acima citadas. É quando o termo Odu merece realmente o designativo de "Fundamento de Tradição"; Terceiro sentido referencial: - nele, Odu designa especificamente um "objeto físico", um recipiente de madeira, de forma cilíndrica, pintado nas cores brancas, vermelha e preta e que simbolizavam respectivamente os princípios do Iwa ou "Poder da Existência", do Ase ou "Poder da Realização" e do Aba ou "Poder da Essência", cujos elementos físicos portadores da magia de cada um destes poderes acham-se no seu interior, e, ainda, respectivamente, representam os Imole Irinwo Funfun ou os "Orixás Geradores da Brancura", as Igbamole Iyami Dudu ou as "Eborás Grandes Mães Gestantes da Negritude" e os Orisa Omokurin e Ebora Omobirin Pupo ou os "Orixás e Eborás Descendentes da Vermelhidão".

E este Odu, enquanto objeto material, era um símbolo de extraordinário poder e era típico da Cultura Yoruba, com a sua prática junção do Natural com o Sobrenatural, que os Babalawo Ol’Odu pudessem usar estes Odu, enquanto objetos, como assento ritual em cerimônias públicas, mas consistindo, entretanto, grave sacrilégio que estranhos sequer tentassem abrí-los. Esta Entidade Espiritual comunicante com o novo Ser Vivente, depois de detectada e confirmada a sua influência pelos processos do Oráculo de Ifá, deve ser considerada como o "possuidor" da Ori Inu ou "Cabeça Interna", ou seja, da nova "Personalidade Individual Terrestre" daquele novo Ser Humano e/ou Ancestral novamente encarnado, ou seja, o seu Oluware, portanto, e no máximo, o seu Oba Mi ou "Meu Senhor" ou Iya Mi ou "Minha Senhora", pois que o seu verdadeiro Criador sempre foi, é e será Deus. Assim, sempre por intermédio do Orisa Orunmila em sua Divinação Sagrada de Ifá, aqueles demais Awon Orisa podem ajudar ou cobrar do Ser Humano os compromissos com eles assumidos, de forma que ele possa bem consumar seu Destino ou corrigir os desvios que poderão levá-lo ao fracasso, mas sem jamais interferir no livre arbítrio de cada ser.
Foi sobretudo este relacionamento "pré-estabelecido no Além" com os Awon Imole ou "Seres Sobrenaturais de Categoria Divina" a parte da Teologia Iorubá que foi a mais lembradada pelos descendentes de seus féis escravizados e que levou à criação dos Candomblés de Nação Africana no Brasil para cultuá-los, assim como, foi o Culto aos Awon Onile ou "Ancestrais" a parte mais absorvida e praticada pela Umbanda do Brasil.

Entretanto, é somente o Ara Orun Imole Irunmole Oju Kotun Orisa Funfun Orunmula-Ifa que é o verdadeiro Arauto dos Desígnios Absolutos de Deus sobre o Destino de todos os Seres Terrestres, destino este que pode ser confirmado ou corrigido pela Divinação Sagrada de Ifá, para que cada "Criança" nascida na "Casa de Ifá" tenha condições espirituais de muito bem cumprir aquilo que ele próprio solicitou a Olorun no Além e, assim, poder apresentar-se novamente perante Êle em seu Ol'ojo ou "Dia Marcado" para retornar ao Além, acrescentando a seu Duplo no Além a Soma de seus sucessos ou fracassos em relação a seu Destino nesta Terra da Vida, já não tão Ilu Aiye Odara. E esta é a verdadeira função da Divinação Sagrada de Ifá : fazer com que as "Crianças" de Orisa Orunmila-Ifa cresçam em méritos espirituais por conhecerem à si próprias e bem cumprir o seu próprio Destino livremente escolhido no Além perante Deus!

Normalmente, este objeto sagrado, o Odu, era guardado sobre a Itage ou "Plataforma de terra batida" mais alta que o chão do Sasara ou "Alcova" do Akodi Okanran ou "cômodo principal" do Ile Ifa ou a "Casa de Ifá", onde era terminantemente proibida a entrada de mulheres e, até, de homens não iniciados no culto. Assim, estes Odu e até sua versão menor, o Apere, eram construidos de forma a não serem facilmente abertos, pois dizia a lenda, "Jamais deveria ser aberto, a menos que o devoto estivesse extraordinariamente angustiado e, por conseguinte, ansioso por deixar este mundo", e portanto, ser um Babalawo Ol’Odu era ser o detentor de um extraordinário Oso ou "Poder Mágico" e só a partir deste ponto um Babalawo era realmente um Ifatoso ou "Aquele que tem o Poder Mágico de Ifá".

Em resumo, estas, as três primeiras graduações que um Babalawo podia alcançar por seus próprios e exclusivos méritos. A seguir, ou paralelamente à terceira graduação especial, havia um outro posto que era mais um reconhecimento de mérito específico, de certa forma um título honorífico, mas que era necessário para se alcançar algumas funções públicas e, até indispensável à algumas outras: era o título honorífico de Oluwo ou Senhor do Segredo.

Por exemplo: um Babalawo assistente dos Awoni Babalawo tinha que ser um Ojugnonan ou Mestre. Mas isto podia ser alcançado pelo reconhecimento dos méritos de pedagogo de um Babalawo, o que o tornava, automaticamente, num Oluwo. E assim chegamos ao patamar maior do Sacerdócio do Orisa Orunmila Ifá e, portanto, do Credo Yoruba, o quarto degrau da ascensão da carreira religiosa de um Babalawo: a categoria superior dos Awoni ou Adivinhos Reais.

E era por ser um sacerdote do Orisa que é o Arauto dos Destinos dos Humanos que, ainda que um Babalawo atuasse na área específica de outros sacerdotes; conhecesse ou receitasse aplicação de mais ou menos 400 Ewe ou "Folhas Sagradas" e "Medicinais"; controlasse a prescrição e a execução das Adimu ou "Oferendas Defensivas"; exercesse o controle do Oso ou "Poder Mágico", sendo portanto um Ifatoso ou Ifá (ifa) + Tem (Ti) + Poder (Oso) ou, portanto, "Aquele que tem o poder mágico de Ifá" para o manejo dos objetos rituais portadores do Ase ou "Força Mágica Vital"; receitassem e aplicassem as Ogun ou "Práticas de Medicina Natural, Mágica e Psico-Somática"; defendessem aos fiéis dos Aje ou "Feitiços"; praticassem os Ipese ou "Magias Retaliatórias" e fornecessem os Awure ou "Amuletos de Boa Sorte", a sua máxima especialização era a prática constante do A da Ifa fun, ou seja, a "Divinação Sagrada de Ifá", através dos instrumentos consagrados Opon e Opele, para revelar aos fiéis qual era o seu Kpoli ou "Destino Pessoal".

Com tantas responsabilidades, um Babalawo precisava ter um intenso treinamento específico que, em geral, começava aos 7 anos de idade e, na verdade, só terminava por sua morte, uma vez que, devendo ele próprio ensinar o Awo ou "Segredo" a outro futuro Babalawo antes de sua própria morte, ensinar tornava-se uma nova forma de continuar aprendendo com a experiência de seus ancestrais. Aproximando-se, assim, desde a tenra idade à um Ojugbonan ou "Mestre de Ensino", um menino Yoruba agregava-se à família do mesmo e passava a ser conhecido como umOmo Awo ou "Filho do Segredo" e tinha a obrigação de obedecer e servir ao seu Mestre como obedeceria e serviria a seu próprio pai. Mais tarde, em pleno aprendizado, quando já acompanhava o seu mestre em suas saídas públicas, este aprendiz recebia a denominação de Akopo ou "Aquele que carrega a Bolsa", numa clara alusão à sua nova obrigação de carregar a Apo ou "Bolsa" que continha os Abira ou "Conjunto de Objetos Sagrados" que seu Mestre usava ao praticar a Divinação Sagrada.

É verdade que o acesso a esta categoria superior era restrito aos Omo Bíbi ou Bem Nascidos da Cidade Santa de Ilê Ifé. Entretanto, tal procedência e descendência ilustre não eliminava a necessidade de um Omo Awo iniciante percorrer todo o processo iniciatório Elegan-Osu - Ôl’Odu para alcançar o título honorífico de Oluwo.

O fato de um Omo Awo ser também um Omo Bíbi não lhe abria todas as portas : apenas não lhe fechava a última. Assim, teoricamente, qualquer Babalawo iniciante podia aspirar vir a ser algum dia, um Awoni desde que: 1) - fosse um Babalawo praticante; 2) - tivesse "status" de Ôl’Odu; 3) - obtivesse a reputação de Oluwo; 4) - fosse nascido em Ilê Ifé e em uma das 16 famílias aristocratas.

Na realidade, todos os não nascidos em Ilê Ifé jamais chegariam ao posto de Awoni e seriam sempre considerados Elú ou Estrangeiro na Cidade Santa de Ifé pelos Awoni Babalawo. Mas, os que ascendiam à categoria de Awoni Babalawo, obtinham uma função específica vitalícia, ligada a um título também específico, a saber, por ordem de importância : Araba, Agbonbon, Agesinyowa, Aseda, Akoda, Amosun, Afedigba, Adilofu, Obakim, Ôlorí Iharêfá, Lodagba, Jolofinpe, Megbon, TedImole, Erinmi, Elesi. Mas, na verdade, tirando-se o título de Araba que tinha a primazia do Culto e o de Ôlorí Iharêfá que era chefe dos Babalawo que se encarregavam de assuntos do Estado, tratava-se mais de uma titulação aristocrática do que uma graduação religiosa, sobretudo se nos lembrarmos de que a tradição política Yoruba diz que foram 16 Chefes de Clãs Familiares que se reuniram para a fundação da Cidade Santa de Ilê Ifé, assim como a tradição religiosa reza que também 16 eram os Imole que vieram ajudar a reger a criação do Âiyé, instalando-se no Odé Âiyé, a morada das Divindades quando estiveram na Terra.

Como na Divinação Sagrada tudo é 16 + 1, aos 16 Babalawo Awoni devemos acrescentar o Oni ou Rei que, na verdade, em Ilê Ifé, era um teocrata submetido à uma sociedade secreta religiosa -a Oxôgboni- do mesmo modo que aos 16 Imole do Odé Âiyé acresceu-se o Imole Esu. E, na verdade, havia mais uma restrição na carreira final de um Babalawo : o título de Araba, sendo o mais importante, era exclusivo do clã familiar Ilê Oketaxé, o aristocrata Clã da Casa dos Oketaxé. Mas, à parte o título de Araba, os outros 15 títulos dos Awoni eram hierarquizados segundo a antigüidade no posto que era ocupado vitaliciamente.

Como Akopo, o menino em crescimento era submetido à uma disciplina curricular intensa onde se testava, antes de tudo, a sua capacidade de memorização. Além da observação visual e auditiva das práticas de seu Mestre, o aprendiz praticava a identificação e a memorização das 16 (dezesseis) figuras gráficas básicas, chamadas Ona Ifa, para depois então aprender e memorizar as totais 256 (duzentas e cinqüenta e seis) possíveis combinações capazes de serem feitas. Era quando ele já começava a praticar com a forma rudimentar do instrumento Opele ou "Corrente de Ifá" preparado para ele por seu Mestre. Assim, ele aprendia que ao combinar entre si as Ona Ifa dos 16 Odu Baba ou "Fundamentos de Tradição Básicos", formavam-se 256 novas figuras combinadas, mas entre si derivadas e, portanto, denominadas Omo Odu ou "Filhos de Odu". E se o 1º Odu aparecesse combinado com ele mesmo - e isso era válido e possível para todos os 16 Odu básicos - estas figuras duplicadas eram chamadas de Odu Meji ou "Odu de Dois", ou ainda melhor, "Odu Duplo".  Depois, ele aprendia a Ordem de Precedência Hierárquica entre esses 256 Omo Odu, ordem de precedência esta que viria a se constituir na base de sua decisão na prática do Igboigbo ou "procurar o Oculto", quando da escolha entre respostas alternativas à uma pergunta específica. 

Como o Credo Yoruba asseverava que os Orisa são atraídos do Ôrun para o Âiyé pelo som dos tambores sagrados, também o Orisa Orunmila tinha os seus tambores: chamavam-se Firigba, Jongbondan e Keregidi. Todos os anos eles soavam, atraindo Orisa Orunmila, em 4 Grandes Festivais: êgbodó Oni: o Festival dos Inhames Novos do Rei, realizado em Junho; êgbodó Erio: o Festival dos Inhames Novos dos Oluwo, feito em Julho; êgbodó Ifé: o Festival dos Inhame Novos na Cidade de Ifé, em Agosto; êwurin: o Festival realizado em Setembro.

A "Mão de Ifá" era, pois, a coroação de anos de esforços e estudos, sendo sancionada em ritual próprio que promovia a junção do Natural com o Sobrenatural, do Método com a Intuição Psíquica, induzida pelo transe mediúnico leve, que abria canais da percepção extra-sensorial do Babalawo para a presença do Ase dos Orisa Orunmila Ifa e do Imole Esu, já que o Babalawo jamais "caía" em transe mediúnico possessivo, sendo essa, na verdade, além de todos os conhecimentos já referidos, a grande diferença oculta, o Ero ou "Segredo" exotérico, entre o verdadeiro Babalawo (Senhor do Segredo) e o Babal’Orisa (Pai do Orisa) ou "Pai-de-Santo".

Nestes Festivais, somente os Awoni podiam dançar portando o Ìrùkêrê ou Chicote-Insígnia, feito de pêlos da barbicha de bode com o grosso cabo de 1" (uma polegada), símbolo de seu "status" no culto e, portanto, também de seu aristocrático nascimento. Assim o Povo Yoruba saudava os devotos do Orisa Orunmila por diversas denominações, conforme a atuação, fama e/ou categoria que identificava nos mesmos. Só a partir daí, o novo Babalawo podia praticar a Divinação Sagrada por si próprio mas, mesmo assim, à cada 16 dias, no Ojo Awo ou "Dia do Segredo", ele devia se reunir com seu Ojugnonan, para continuar seus estudos e, com isso, ser apoiado pelo mesmo em sua incipiente prática pública.

Ademais, como existiam 4 (quatro) graduações superiores na carreira de um Babalawo, sendo que a última tinha 16 (dezesseis) supra-divisões, pode-se sentir que o tempo de estudos e práticas de um Babalawo não terminava nunca e tornar-se respeitado e em ascensão na "carreira" escolhida, era tarefa para toda uma vida. E se falamos em "carreira" é em sentido figurado, porque ninguém pretendia tornar-se Babalawo para ganhar dinheiro, pois era popularmente conhecido um Verso dos Contos de Ifá:
-"Oye ti o ba wu eni ni ta Ifá eni pá"-
-"Qualquer que seja a soma que agrade alguém,
é aquela pela qual receberemos para jogar Ifá"-

Assim, alguém era encaminhado ou encaminhava-se para ser um Babalawo em decorrência do cumprimento do seu próprio Iwa ou "Destino", revelado pela própria Divinação, embora também fosse bem conhecido um outro ditado popular, o qual consagrava o "status" social de um Babalawo :  -" Um ancião que aprendeu Ifá, não precisa comer nozes de Kolla deterioradas."-

Porque não era quanto ganhava um Babalawo de Eru ou "Pagamento" que fazia a sua fama; a sua reputação era proporcional ao seu sucesso em aliviar as aflições de seus fiéis consulentes e não os seus bolsos: nos Versos dos Contos de Ifá pode-se ler que até o pequeno pagamento estipulado para seus serviços, muitas vezes, era determinado que parte dele deveria ser disribuído entre os necessitados ou financiar um repasto comunal. Daí a maior procura de seus serviços e, à medida que sua reputação se firmava, ele ascendia à classe dos Oluwo ou "Senhores do Segredo", tendo acesso à cargos públicos e jamais precisaria, "comer nozes de Kolla deterioradas", isto é, não passaria dificuldades financeiras. Mas, a única forma para isso era estudar, praticar muito e bem cumprir seus deveres rituais para com o Orisa Orunmila, não lhe bastando somente uma efêmera fama. 

Carlinhos Lima - Astrológo, Tarólogo e Pesquisador.
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