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sábado, 15 de outubro de 2011

A Confusão identificada no mapa astral





Muitas pessoas pelo mundo a fora estão neste momento passando por pesadas crises espirituais e confusão mental. Muitos são confundidos com loucos, são criticados, mal tratados, atacados e vitimas de preconceitos horriveis. Na grande maioria tudo o que estes pobres seres vivem é problemas carmicos por causa da necessidade de uma harmonização espiritual e controle da mediunidade. Num mapa natal, ao olharmos pelo prisma da Umbanda-Astrologica sem o velho estigma de que tudo é obra do pensamento negativo e que todos os problemas são psicologicos, vamos perceber facilmente se realmente a causa são influencias externas, como fatores sociais, culturais, hereditarios ou se são sim, problemas de ordem espiritual.

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Aforismos e Considerações para um melhor julgamento de qualquer Questão Horária de William Lilly

1. Ver se a questão é radical, ou capaz de ser julgada; o que ocorre quando o regente do ascendente e da hora são da mesma natureza ou triplicidade.

2. Não confiar no julgamento se os primeiros ou os últimos graus do signo estão a ascender: se ascendem poucos graus, o assunto ainda não está maduro para julgamento; se ascendem os últimos graus, o assunto da questão já aconteceu e é provável que o querente já se tenha ocupado com outros, ou desespere de qualquer sucesso; contudo, os céus recomendam que não se interfira nisso de momento.

3. A posição de Saturno ou Marte na décima, estando peregrinos ou desafortunados, ou o Nodo Sul nessa casa, o artista raramente recebe crédito por essa questão.

4. Não julgar sobre qualquer impulso sem importância, ou sem a premeditação do querente, nem sobre questões insignificantes ou triviais, ou quando o querente não sabe o que questionar.

5. Dar especial atenção à força ou debilidade da Lua, e é muito melhor que seja o regente do ascendente a estar desafortunado do que ela, pois ela traz-nos a força e virtude de todos os outros planetas, e de um planeta para o outro.

6. Observar a condição de Saturno em todas as questões, ele é naturalmente maléfico pelo seu excesso de frio; Marte é de uma influência maléfica devido ao seu excessivo calor; na verdade, nenhum deles é frio ou seco, mas significam-no muito na sua virtude e operação, e portanto, em todas as questões demonstram lentidão e detrimento na questão, a menos que a Lua e eles mesmos se recebam mutuamente na significação.

7. Ver a condição de Júpiter e Vénus, os quais são naturalmente fortunas e temperados, e nunca significam qualquer malícia, a menos que por acidente: quando eles são significadores sem recepção, apressam o assunto, mas realizam melhor o assunto em questão quando se aplicam por trígono ou sextil, e finalizam-no quando estão em dignidades essenciais.

8. Em todas as questões onde as fortunas são significadores, esperar satisfação; mas se são infortunas, então tema o pior e tome as medidas respectivas.

9. Geralmente considere o estado da Lua, pois se ela estiver vazia de curso, não há grandes esperanças que a questão proposta se efective; contudo, se ela estiver em Caranguejo, Touro, Sagitário ou Peixes, o receio pode ser menor, pois nestes casos não está tão impedida por estar vazia de curso.

10. Ver de que planeta a Lua se está a separar, esse planeta mostra o que já foi feito: se for de uma fortuna, é bom; se de um maléfico, é mau; de acordo com a natureza da casa, etc.

11. A aplicação da Lua mostra a condição presente da coisa demandada, viz. a sua aplicação por um bom aspecto, e numa boa casa, a um bom planeta, declara as grandes esperanças da coisa pretendida.

12. A aplicação da Lua a um planeta na sua queda significa angústia, complicações e atrasos na coisa demandada.

13. Um planeta retrógrado ou um que esteja na sua primeira estação, significador da questão, denota um resultado desfavorável na questão, discórdia e
muita contradição.

14. Devemos considerar cuidadosamente se planetas maléficos são significadores em alguma coisa, pois se predizem o malefício na coisa inquirida, a vingança é mais pesada; se eles predizem algum bem, é menor do que é esperado, é imperfeito, e nada daí sucederá sem infinita solicitação e aflição, etc.

15. Um planeta que está lento em movimento prolonga a coisa sobre a qual se questiona, de modo que é dificilmente realizada; a natureza do signo em que se encontra o planeta é de grande auxílio neste julgamento.

16. Quando as infortunas são significadoras de algum mal, considere bem se as fortunas, viz. Júpiter ou Vénus, não lhes lançam qualquer aspecto, pois o mal pretendido anteriormente é diminuído; faça o mesmo quando as fortunas são significadoras.

17. Se as fortunas significam alguma coisa e estão cadentes, ou mal posicionadas nas dignidades, ou não aspectam o ascendente, ou estão retrógradas, então estão impedidas, e realizarão pouco se não estiverem recebidas.

18. Apesar da recepção, se for uma infortuna, realiza mas pouco; mas se o mesmo ocorrer quando as fortunas são significadoras, a coisa é levada à perfeição.

19. Um planeta peregrino, viz. não tendo dignidades essenciais onde se encontra, é mais malicioso do que se possa imaginar; se se encontrar em dignidades essenciais, menos; pois, então, é como uma alma nobre que tem o seu inimigo nas suas garras, mas desdenha de lhe fazer mal.

20. E ainda geralmente, se Saturno ou Marte estiverem no seu domicílio, exaltação, triplicidade e angulares, e tiverem significação na questão, eles realizam a coisa desejada.

21. Não confiar muito na ajuda que uma fortuna dá, a menos que esteja essencialmente dignificada, pois nesse caso realiza os assuntos por inteiro, se não só a metade.

22. Quando numa questão em que tanto as fortunas como as infortunas estão quer fracas quer igualmente mal colocadas, não prometer qualquer sucesso sobre essa questão; diferir o julgamento até que os céus tenham uma melhor posição.

23. Tomar cuidado com todos os julgamentos quando o significador da questão está combusto, ou em oposição ao Sol, então ele não significará nada sobre o assunto, nenhum bem, nem será capaz de levar nada à perfeição.

24. Uma infortuna ligada a outra, qualquer bem significado pelo seu aspecto, não terá, contudo, nenhum efeito, nem chegará a nada: se significam qualquer mal, é provável que tal ocorra com mais malícia do que o esperado.

25. O regente do ascendente fora das suas dignidades essenciais, cadente, etc., mostra que o querente está sem quaisquer esperanças no seu assunto.

26. Um planeta a doze graus [dezassete graus antes ou depois do sol] do Sol, diz-se que está sob os seus raios, e por isso não tem força, esteja ele em que signo estiver; quando um planeta está a dezasseis minutos [dezassete minutos antes ou depois do sol] do Sol, diz-se que está cazimi, ou no calor do Sol, e por isso é uma fortuna adicional, e está maravilhosamente forte.

27. Ver a qual planeta o significador comete a sua disposição, e se está oriental ou ocidental; se for para Saturno, Júpiter ou Marte, e se estiverem orientais, o assunto é realizado mais cedo; mais tarde se estiverem ocidentais; proceder de forma contrária com Vénus e Mercúrio.

28. Observar se o planeta que é significador da coisa desejada se encontra num signo fixo, cardinal ou mutável: signos fixos demonstram estabilidade, e que a coisa continuará, quer já tenha começado ou esteja para começar; signos mutáveis demonstram uma probabilidade elevada de levar as coisas à perfeição, mas não a sua conclusão; os signos cardinais demonstram uma súbita resolução ou conclusão do assunto de uma forma ou de outra. Por este motivo iniciamos as fundações das casas e das cidades quando os significadores estão fixos; viagens curtas quando estão cardinais: mas nas coisas em que definimos um meio-termo, elegemos signos mutáveis.

29. O regente do ascendente ou a Lua com a Cabeça ou a Cauda do Dragão, traz dano para a questão apresentada; observar em que casa se encontram e receber o significado daí.

30. Ver se o grau do ascendente ou do local do signo em que se encontra o significador, é o local de algum próximo eclipse; embora o assunto apresentado esteja num bom caminho para ser concluído, será contudo prejudicado quando menos se espera, e dificilmente é concluído.

31. Se encontrar a Lua impedida em alguma questão, seja ela qual for, haverá demora, dificuldades ou obstáculos na coisa inquirida; e, de facto, raramente boas conclusões se alcançam de uma questão em que a Lua está impedida; se vai para a guerra, deve-se temer pela vida do querente; se numa viagem, insucesso; se casamento, um mau fim do namoro, etc.

32. Se o regente da questão ou a Lua estiverem num signo oposto à sua própria casa, como Mercúrio em Sagitário ou Peixes, etc., o querente não tem grandes esperanças sobre aquilo que questiona, desespera e não tem grande prazer com isso, nem quer saber se se realizará ou não.

33. Considerar diligentemente o planeta que impede o significador da coisa demandada e a casa de que é regente, ou em que está colocado; a partir da natureza ou pessoa dessa casa se deduz a causa obstrutiva.

34. Quanto mais próximo estiver o seu significador de um ângulo, tanto maior o benefício que pode esperar; menor, se estiver colocado numa casa sucedente; pouco, se estiver numa cadente.

35. Em todas as questões, saiba que não há uma tão grande aflição para a Lua, como quando ela está em conjunção com o Sol; os maus aspectos das infortunas afligem-na muito, mas nenhum é tão poderoso como a combustão.

36. Em qualquer questão, ver se uma infortuna aspecta o seu significador e se estão ambos peregrinos, retrógrados, cadentes ou em signos contrários à sua própria natureza, pode-se então suspeitar que eles inferirão todo o tipo de desgraças, como é inevitável, de acordo com as suas causas naturais.

37. Planetas que são significadores de alguma coisa, se estiverem em conjunção, e num signo de natureza concordante à sua, então a coisa inquirida é levada à perfeição com muita facilidade e desembaraço, caso contrário não será.

38. Tenha especial atenção aos significadores, e se alguma frustração ou proibição ocorre antes do aspecto perfeito: o planeta frustrante descreve a pessoa ou a causa que impede o assunto demandado.

39. Considerar sempre a Parte da Fortuna a qual, se estiver bem dignificada em qualquer casa, o querente obterá benefícios através de pessoas ou coisas significadas por essa casa; assim como, se mal dignificada, delas receberá prejuízo.

40. Em questões sobre o casamento, um planeta desafortunado na sétima ameaça discórdia no casamento, a menos que o mesmo planeta seja um significador à nascença.

41. Se o regente da oitava estiver impedido, ou desafortunado, na oitava, o querente será prejudicado pela morte de alguma mulher, ou relativamente a algumas dívidas que lhe eram devidas por pessoas mortas.

42. Na casa em que encontrar Júpiter e Vénus bem dignificados, poderá esperar benefícios através das pessoas e coisas que são significadas por essa casa; assim como, na terceira, de parentes; na quarta, do pai, ou por terras, etc., na quinta pelo jogo, etc., e assim nas outras casas.

43. Tomar cuidado com as pessoas ou coisas pertencentes à casa em que se encontra o Nodo Sul; raramente falha, o querente receberá prejuízo, escândalo ou calúnia das pessoas ou coisas significadas pela casa onde ele se encontra.



Nota: O texto apresentado entre parênteses rectos foi acrescentado pelo tradutor.
Tradução por Paulo Alexandre Silva, DMA
Astrologia Cristã de William Lilly, Pág. 298-30

As Estrelas Fixas e as suas Influências

As Estrelas Fixas propiciam-nos uma excelente ferramenta para uma mais profunda compreensão da astrologia dentro das suas várias correntes - astro-meteorologia, astrologia mundana, electiva, horária e natal. O primeiro catálogo de Estrelas Fixas foi compilado por Timocharis e Aristyll aproximadamente há 250 anos a.C. na Grécia; Ebertin-Hoffmann - "Fixed Stars and their interpretation", logo, pode-se deduzir que o seu uso vem desde a antiguidade, pois Ebertin-Hoffmann afirmam no seu livro (Ibid), que o nome das Estrelas Fixas tem a sua origem na Era Babilónica.
Pela sua extrema importância apresento abaixo uma pequena lista de Estrelas Fixas, contendo o seu nome, longitude, constelação, magnitude, natureza e a sua correspondente influência.


Posições para 1 de Janeiro de 2009


Nome  Longitude Constelação Magnitude Natureza
 
Achernar 15º Peixes 26' Eridanus (+) 0.6 Júpiter
Influência: Em suas notas sobre as estrelas situadas em Eridanus, Ptolomeu disse: "a última estrela brilhante é da mesma influência que Júpiter". É simbolizada como O Querubim e a Espada, e dá êxito em cargos públicos, na beneficência e na religião.
Acrux 11º Escorpião 59' Crux (+) 1.6 Júpiter
Influência: Acrux é da natureza de Júpiter. Dá beneficência religiosa, cerimonial, justiça, magia e mistério, e frequentemente é proeminente nos horóscopos de astrólogos e ocultistas.
Agena 23º Escorpião 55' Centaurus (+) 0.9 Vénus / Júpiter
Influência: De acordo com Ptolomeu, é da natureza de Vénus e de Júpiter, mas Alvidas sugere uma influência similar à de Marte em conjunção a Mercúrio. Dá posição, amizade, refinamento, moralidade, saúde e honra.
Alcyone 00º Gémeos 07' Taurus (+) 3.0 Lua / Marte
Influência: Da natureza de Marte e da Lua. Proporciona amor, eminência, cegueira, febres, varíola, e acidentes no rosto.
Aldebaran 09º Gémeos 54' Taurus (+) 1.1 Marte
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Marte, mas Alvidas estabelece que é similar a Mercúrio, Marte e Júpiter juntos. Dá honra, inteligência, eloquência, firmeza, integridade, popularidade, coragem, ferocidade, tendência à revolta, uma posição responsável, honras públicas, e poder e riqueza conseguidos graças a outros, mas seus benefícios raras vezes se mostram duradouros, e existe também perigo de violência e doença.
Algol 26º Touro 17' Perseus (+) 2.2 Saturno / Júpiter
Influência: Da natureza de Saturno e Júpiter. Provoca desgraça, violência, decapitação, enforcamento, electrocussão e tumultos. Confere uma natureza obstinada e violenta, que causa a morte ao nativo ou a outros. É a estrela mais maligna do céu.
Alpheratz 14º Carneiro 25' Andrómeda (+) 2.2 Júpiter / Vénus
Influência: De acordo com Ptolomeu é de natureza Jupiteriana e Venusiana, e Alvidas acrescenta também Marte a estes dois. Dá independência, liberdade, amor, riquezas, honras, e um intelecto perspicaz.
Altair 01º Aquário 53' Aquila (+) 0.9 Marte / Júpiter
Influência: As opiniões estão divididas a respeito da natureza exacta desta estrela. Ptolomeu dá a Marte e a Júpiter; Wilson, a Saturno e a Mercúrio; Simmonite, a Urano; e Alvidas a Urano e Mercúrio, em sextil ao Sol. Confere uma natureza atrevida, confiante, valente, que não se rende, ambiciosa e liberal, riqueza grande e repentina mas efémera, e uma posição de comando;  faz os seus nativos culpados de matanças, e dá perigo de ser mordido por animais venenosos.
Antares 09º Sagitário 53' Scorpius (+) 1.2 Marte / Júpiter
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Marte e de Júpiter. Alvidas dá Júpiter sextil a Vénus, mas isto é improvável considerando a natureza decididamente marcial e maléfica desta estrela. Causa malevolência, destruição, liberalidade, mentalidade aberta, maus presságios e perigo de fatalidade, e torna os seus nativos temerários e vorazes, obstinados e destrutivos para si mesmos devido à sua própria obstinação.
Arcturus 24º Balança 22' Bootes (+) 0.2 Marte / Júpiter
Influência: De acordo com Ptolomeu é de natureza Marciana e de Júpiter, mas Alvidas substituiu estes por Vénus e Mercúrio em conjunção. Dá riqueza, honras, alto renome, determinação, e prosperidade por meio da navegação e viagens.
Bellatrix 21º Gémeos 04' Orion (+) 1.7 Marte / Mercúrio
Influência: De acordo com Ptolomeu é como Marte e Mercúrio; e para Alvidas, como Mercúrio e Marte em bom aspecto. Dá grande honra civil ou militar mas perigo de uma repentina desonra, renome, riqueza, amigos eminentes e propensão a acidentes que causam cegueira e ruína. Se é proeminente no mapa de uma mulher torna-a loquaz e astuta, e dá uma voz com um alto tom, resistente e aguda.
Betelgeuse 28º Gémeos 52' Orion (+) 0.8 Marte / Mercúrio
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Marte e de Mercúrio; para Alvidas, da de Mercúrio, Saturno e Júpiter em bom aspecto. Dá honra marcial, promoção e riqueza.
Canopus 15º Caranguejo 05' Carina (Argus) (-) 0.9 Saturno / Júpiter
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Saturno e de Júpiter; para Alvidas, da natureza da Lua e Marte. Dá piedade, conservadorismo, um conhecimento amplo e compreensivo, viagens e trabalho educativo, e transforma o mal em bem.
Capella 21º Gémeos 58' Auriga (+) 0.2 Marte / Mercúrio
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Marte e de Mercúrio; para Alvidas, da de Mercúrio e da Lua. Dá honra, riqueza, eminência, renome, uma posição pública de confiança e amigos eminentes, e faz os seus nativos cuidadosos, temerosos, inquisitivos, muito amantes do conhecimento e particularmente das novidades.
Castor 20º Caranguejo 22' Gemini (+) 1.6 Mercúrio
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Mercúrio; para Wilson, Simmonite e Pearce da de Marte, Vénus e Saturno; para Alvidas, da Lua, Marte e Urano. Dá distinção, um intelecto aguçado, êxito na lei e nas publicações, muitas viagens, aficionado pelos cavalos, fama e honra repentina, mas frequentemente seguido da perda da fortuna e desgraça, doença, problemas e grandes aflições. Diz-se que os seus nativos são maliciosos e inclinados à violência.
Deneb Adige 05º Peixes 27' Cygnus (+) 1.3 Vénus / Mercúrio
Influência: É da natureza de Vénus e de Mercúrio e dá uma natureza engenhosa, e um intelecto inteligente e rápido para aprender.
Fomalhaut 03º Peixes 58' Piscis Austrinus (+) 1.3 Vénus / Mercúrio
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Vénus e de Mercúrio; para Alvidas, da de Júpiter em quadratura a Saturno desde Peixes e Sagitário. Diz-se que é muito afortunada e poderosa, e que contudo causa uma malevolência de alcance e carácter sublime, e a mudança de uma forma de expressão material a uma espiritual. Cardan declara que, juntamente com as estrelas que ascendem com 12º de Gémeos, dá um nome imortal.
Markab 23º Peixes 36' Pegasus (+) 2.6 Marte / Mercúrio
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Marte e de Mercúrio; para Simmonite, de Marte e Vénus; para Alvidas, de Júpiter quadratura a Mercúrio com Saturno desde Peixes e Gémeos. Dá honra, riqueza, fortuna, perigo de febres, cortes, golpes, punhaladas e fogo, e uma morte violenta.
Menkar 14º Touro 26' Cetus (+) 2.8 Saturno
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Saturno; para Simmonite, de Marte; e para Alvidas de Vénus e da Lua. Causa doença, desgraça, ruína, feridas de bestas e perda de fortuna.
Mirach 00º Touro 31' Andrómeda (+) 2.4 Vénus
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Vénus; para Alvidas, de Marte e da Lua. Dá beleza pessoal, uma mente brilhante, amor pelo lar, grande devoção, beneficência, perdão, amor, subjugação por meio da benevolência, renome, e boa fortuna no casamento.
Polaris 28º Gémeos 41' Ursa Minor (+) 2.1 Saturno / Vénus
Influência: Da natureza de Saturno e de Vénus. Causa muitas doenças, problemas, perdas de fortuna, desgraça e grande aflição, e pode dar legados e heranças acompanhados de muitos males. Os árabes eram da opinião que a contemplação de Polaris curava a oftalmia.
Pollux 23º Caranguejo 20' Gemini (+) 1.2 Marte
Influência: De acordo com Ptolomeu é da influência de Marte, enquanto que para Alvidas o é da Lua, Marte e Urano. Confere uma natureza subtil, astuta, valente, corajosa, audaz, cruel e temerária, gosto pelo boxe, malevolência dignificada e está relacionada com os venenos.
Procyon 25º Caranguejo 55' Canis Minor (+) 0.5 Mercúrio / Marte
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Mercúrio e de Marte; para Simmonite, é de Vénus e Marte, o que é possivelmente um erro tipográfico; e para Alvidas, da Lua, Júpiter e Urano. Dá actividade, violência, malevolência repentina e abrupta, repentina promoção graças ao esforço, elevação que termina em desastre, perigo de mordeduras de cães e hidrofobia; torna os seus nativos petulantes, descarados, inconstantes, de fraca natureza, tímidos, desafortunados, orgulhosos, irascíveis, descuidados e violentos. Existem dois casos registados de morte ou ferida por mordida de cães, nos quais Procyon e Sirius estavam envolvidos.
Ras Alhague 22º Sagitário 34' Ophiuchus (+) 2.1 Saturno / Vénus
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Saturno e de Vénus; para Alvidas o é de Júpiter e Mercúrio em sextil a Marte. Dá desgraça por causa de mulheres, gostos pervertidos e depravação mental.
Regulus 29º Leão 57' Leo (+) 1.3 Marte / Júpiter
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Marte e de Júpiter, mas a maioria dos autores posteriores a assemelham só a Marte, enquanto que Alvidas estabelece que é similar ao Sol bem aspectado com Urano. Dá violência, destrutividade, honra militar de curta duração, com fracasso final, encarceramento, morte violenta, êxito, ideais superiores e elevados e força de espírito, e torna os seus nativos magnânimos, grandiosamente liberais, generosos, ambiciosos, amantes do poder, desejosos de comando, dinâmicos e independentes.
Rigel 16º Gémeos 57' Orion (+) 0.3 Júpiter / Saturno
Influência: De acordo com Ptolomeu e com Lilly é da natureza de Júpiter e Saturno, mas autores posteriores a consideram favorável e similar a Júpiter e a Marte. Alvidas assemelha-a  a Mercúrio, Marte e Júpiter. Dá benevolência, honra, riqueza, felicidade, glória, renome, e habilidade mecânica ou inventiva.
Sirius 14º Caranguejo 12' Canis Major (-) 1.4 Júpiter / Marte
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Júpiter e de Marte; para Alvidas, da Lua, Júpiter e Marte. Dá honra, renome, riqueza, ardor, fidelidade, devoção, paixão e ressentimento, e torna os seus nativos guardas, curadores e guardiães. Dá também perigo de mordeduras de cães, e dois exemplos de este efeito se encontrarão debaixo de Procyon. * Estes exemplos estão descritos no texto integral.
Spica 23º Balança 58' Virgo (+) 1.2 Vénus / Marte
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Vénus e de Marte; para Alvidas o é de Vénus, Júpiter e Mercúrio. Dá êxito, renome, riqueza, uma doce disposição, amor à arte e à ciência, falta de escrúpulos, esterilidade, e injustiça para com a inocência.
Vega 15º Capricórnio 26' Lyra (+) 0.1 Vénus / Mercúrio
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Vénus e de Mercúrio; para Alvidas, o é de Saturno em trígono a Júpiter a partir dos signos de terra, especialmente Capricórnio e Touro. Dá beneficência, idealismo, esperança, refinamento e inconstância, e torna os seus nativos graves, sóbrios, pretensiosos e geralmente lascivos.
Vindemiatrix 10º Balança 04' Virgo (+) 3.0 Saturno / Mercúrio
Influência: De acordo com Ptolomeu é da natureza de Saturno e de Mercúrio; para Simmonite, de Saturno e Vénus, o que é possivelmente um erro tipográfico; para Wilson e Pearce, de Saturno, Vénus e Mercúrio, e para Alvidas, de Mercúrio e Saturno mal aspectados. Dá falsidade, desgraça, roubo, demência lascívia, e frequentemente causa aos seus nativos a viuvez.

Tradução da versão espanhola por: Paulo Alexandre Silva, DMA

  Bibliografia:
 
 Las estrellas fijas y las constelaciones - por Vivian E. Robson - ISBN: 84-86221-94-3

Os Fundamentos Clássicos da Antiscia & Contra-antiscia

Um dos primeiros astrólogos que nos deixou uma demonstração detalhada de antiscia na prática foi o astrólogo romano Firmicus Maternus do 4º século, que dedicou várias páginas para a descrição dos seus efeitos no segundo livro do seu Matheseos Libri VIII [1]. A técnica e a filosofia é evidentemente muito mais antiga e há boas razões para acreditar que foi introduzida numa fase muito anterior ao desenvolvimento do Zodíaco. Firmicus diz-nos que é Grega em sua origem [2] e foi ensinada por Hipparchus no 2º século a.C. [3]. Referências às técnicas são encontradas nos textos astrológicos de Manilius, Ptolomeu, Dorotheus [4], Antiochus, Palchus, Paulus Alexandrinus, e muitos outros.

A teoria subjacente à antiscia parece ter sido influenciada pela filosofia Pitagórica que reivindicou que toda a força no universo tem uma contra força de equilíbrio, a qual também coloca grande ênfase na importância simbólica dos números. Os Pitagóricos consideraram o número dez, o Decad, como o mais importante e perfeito de todos os números e as suas convicções eram que o universo consistia em dez esferas celestes. Junto com os sete planetas visíveis, a Terra e a esfera das estrelas fixas, os Pitagóricos mantiveram a presença de uma ‘contra Terra’, um oposto paradoxal que equilibrou os movimentos da Terra e permaneceu invisivelmente localizado no lado oposto do Sol. Isto era conhecido como o 'antiscion' de anti-cthon que significa ‘terra-oposta’.

O termo Grego 'scia' significa sombra [5]. Em alguma data desconhecida a filosofia de ‘sombras opostas’ ou ‘graus reflectivos’ estava incorporada na astrologia na convicção que cada grau do Zodíaco tem o seu próprio contra grau, reflectindo a sua distância a partir do eixo do solstício no lado oposto do mapa. O eixo do solstício vai de 0° de Caranguejo a 0° de Capricórnio; assim, um planeta a 20° de Sagitário lançará o seu antiscion a 10° de Capricórnio, ambos os planetas estando a uma distância igual a partir do ponto do solstício do Sol a 0° de Capricórnio.
 



Reflexos das Antiscia: imagine que o mapa está dobrado na metade ao longo do eixo do solstício – os planetas ligados pelas antiscia cairão um sobre o outro. Por exemplo, 15° de Caranguejo terá seu grau contrário a 15° de Gémeos; 3° de Touro o terá a 27° de Leão. Além das experiências comuns destes graus acima descritos, o relacionamento de dois planetas conectados desta forma recebem uma potência extra, pelo facto do seu ponto médio cair sobre um grau do solstício.



Manilius descreve este esquema em Astronomica, onde declara que os signos que se opõem um ao outro no eixo do solstício são capazes de se “verem” um ao outro – sua terminologia derivou do facto de que ambos nascerão e se porão na mesma parte do horizonte. Entretanto, a descrição de Manilius difere da de Firmicus, porque ele usa o meio de Caranguejo e Capricórnio como seus pontos de referência, ligando o signo de Gémeos a Leão, Touro a Virgem, Carneiro a Balança, Peixes a Escorpião e Aquário a Sagitário [6]. A explicação óbvia para esta mudança de referência é que o uso das antiscia como uma técnica astrológica tem uma história muito longa, tendo a sua origem no tempo em que os 15° de Carneiro marcava o Equinócio Vernal, e os graus do meio de Caranguejo e Capricórnio correspondiam aos solstícios [7]. O esquema de Manilius é certamente o mesmo de Firmicus, porque ambos criaram uma associação entre os períodos iguais do nascer e pôr-do-sol. Manilius denomina-os de signos que se confrontam, e diz que eles apreciam um ‘princípio de semelhança’ porque o dia é nivelado com a noite em cada um [8].
 




O esquema como descrito por Manilius. Este eixo do solstício estava bastante desactualizado na sua época, revelando que Manilius o retirou de fontes muito mais antigas.


Ptolomeu também descreve este esquema, onde ele diz que ‘os signos que se contemplam um ao outro’ são também signos de igual poder, desde que igualmente distantes dos trópicos. Ele explica que eles se ‘contemplam’ mutuamente em parte porque eles nascem e se põem na mesma parte do horizonte, e em parte porque:

“…quando o Sol entra em qualquer um deles, os dias são iguais aos dias, as noites às noites, e a duração das suas próprias horas é a mesma.” [9]

Naturalmente, uma vez que os solstícios representam os pontos sobre a eclíptica onde o Sol alcança a máxima declinação Norte (a 0° de Caranguejo) e Sul (a 0° de Capricórnio), a sua declinação é paralela nos graus que são igualmente distantes em ambos os lados (veja o diagrama abaixo).
 



Declinação: A distância norte ou sul do equador de um planeta.

Latitude Celestial: A distância norte ou sul da eclíptica de um planeta.

A Eclíptica (trajecto do Sol) atravessa o equador a 0º de Carneiro e Balança, dando ao Sol 0º de declinação nestes pontos.


Isto não significa, naturalmente, que dois planetas ligados entre si por um relacionamento de antiscion irão partilhar o mesmo grau de declinação, como só o ciclo solar é restringido à eclíptica não pode ter latitude. Contudo, alguns autores modernos têm admitido que Ptolomeu estava descrevendo nesta passagem um relacionamento dependente de dois planetas que têm o mesmo grau de declinação, e eles, dessa forma, usam o termo ‘antiscia’ para se referirem a isto. O que é bem diferente do conceito tradicional de antiscia. Muitos têm sido influenciados pelo verbete ‘antiscion’ de Nicholas de Vore, em sua Enciclopédia de Astrologia (1947), onde ele declara (incorrectamente) que o reflexo ao longo do eixo do solstício é uma aplicação moderna, como a usada na ‘Astrologia Uraniana’, mas que a definição original por Ptolomeu

“...é aplicada para dois planetas que têm a mesma declinação no mesmo lado do equador. Um na mesma declinação no lado oposto era designado um contra antiscion.” [10]

Aqui, De Vore interpretou Ptolomeu de modo incorrecto, e referências a outros autores antigos varrem quaisquer dúvidas que o reflexo através do eixo do solstício é a base original e tradicional da técnica. Quando olhamos bem de perto o que Ptolomeu escreveu podemos ver que a afirmação de De Vore não é o ponto que Ptolomeu estava fazendo, em absoluto; nem Ptolomeu, na verdade, usou o termo antiscion, embora ele reconhecesse claramente que a relação dos signos que se ‘vêem um ao outro’ era baseada em uma distância mútua do eixo do solstício. Firmicus, ao mover o ponto de referência para o reflexo do antiscion de 15° dos signos tropicais para 0°, estava meramente corrigindo o erro que se tinha acumulado com o movimento do ponto vernal – um problema que a implantação do Zodíaco tropical erradicou.

Firmicus escreveu a respeito das antiscia,

“Deste modo, Gémeos e Caranguejo enviam antiscia um ao outro. Pois um grau, qualquer que seja o grau de que recebe um antiscion, envia um antiscion para aquele grau. Assim Touro e Leão enviam um antiscion um contra o outro, assim Virgem e Carneiro, Balança e Peixes, Escorpião e Aquário, Sagitário e Capricórnio.” [11]

Firmicus prossegue para sugerir, que quando os planetas não se aspectam entre si, deveríamos considerar se eles estão unidos pela relação de antiscia:

“…Pois, quando eles enviam um antiscion de uma tal forma que eles estão em aspecto através do antiscion, em trígono, quadratura, sextil ou oposição, eles auguram tal e qual como se estivessem assim colocados na disposição normal…”. [12]

Como prova da efectividade das antiscia, Firmicus oferece detalhes de um mapa no qual ele diz poder ser plenamente compreendido apenas por referência às suas influências. Sabendo que a identidade do homem por detrás do mapa é bem conhecida do seu patron, ele o deixou anónimo no livro – um desafio por demais tentador para os estudantes clássicos que têm usado esses factos fornecidos em sua descrição para concluir que este era o mapa de Ceionius Rufius Albinus, um famoso escritor em lógica, geometria, história e poesia, e chefe de prefeitura da cidade de Roma de 30 de Dezembro de 335 d.C., até ser enviado para o exílio em 10 de Março de 337 [13]. Firmicus registou que o pai de Rufius Albinus, após duas funções sucessivas como cônsul, tornou-se um ‘exilado escandaloso’, o mesmo sucedeu ao seu filho pelo crime de adultério, embora mais tarde ele tenha regressado às suas funções. Ele argumenta que os detalhes da queda do pai de Rufius Albinus, o exílio, e as constantes conspirações contra ele apenas são revelados se voltarmos as nossas atenções para a teoria das antiscia.

Firmicus não fornece nenhuma posição dos graus, mas entre muitos dos pontos que ele faz em relação aos efeitos debilitantes das ligações das antiscia no mapa, ele afirma que a Lua está posicionada em Caranguejo, o Ascendente em Escorpião e Marte em Aquário. Apenas por aspecto não haveria nenhuma relação reconhecida entre a Lua e o Marte, porque seus signos estão inconjuntos. Contudo, o antiscion da Lua em Caranguejo cai em Gémeos, o qual aspecta Marte por trígono. O antiscion de Marte em Aquário cai em Escorpião, no Ascendente e, então, em trígono com a Lua. Firmicus viu este relacionamento entre Marte e Lua como indicador de problemas e disputas:

“E assim a Lua Crescente, atacada por todos os lados pelas várias influências de Marte, tornou este homem, fisicamente enfraquecido, finalmente num exilado.” [14]
 


 

Geralmente é dito que as antiscia expressam uma simpática relação, mas Firmicus demonstra que se elas se ligam a um planeta maléfico ou desafortunado, elas podem ser prejudiciais.

Um método semelhante de averiguar familiaridade é considerar planetas igualmente colocados a partir dos equinócios. É dito que estes são de uma natureza semelhante, porque – nas palavras de Ptolomeu – “…eles ascendem em períodos de tempo iguais e estão em paralelos iguais.” Ptolomeu também diz a respeito destes, que os signos de Carneiro a Virgem são chamados Comandantes (porque o Sol torna o dia mais longo quando nestes signos), e os signos de Balança a Peixes são chamados Obedientes (porque quando o Sol se move através deles o dia é mais curto que a noite) [15]. Um planeta num signo comandante é assim considerado capaz de exercer um efeito dominante sobre o planeta na posição obediente.

Manilius e outros autores antigos designaram tais signos de audentia ‘signos que se ouvem uns aos outros’. William Lilly refere-se a signos que são ‘comandantes e obedientes’ na página 92 da Astrologia Cristã, mas não fornece uma descrição dos seus significados. O astrólogo Grego Paulus Alexandrinus percebeu que os signos que se ‘ouvem uns aos outros’ se dispõem bem a uma fuga de fugitivos, para o exterior, e para acusações, sugerindo que há algum elemento de desarmonia atribuído ao seu significado [16].

Pode parecer que esta técnica caiu em descrédito na tradição posterior, mas de facto ela nos dá as contra-antiscia, as quais Lilly nos diz para encontrarmos olhando simplesmente para o ponto oposto ao antiscion. Isto é correcto porque o reflexo de um grau pelo eixo equinocial encontra-se oposto àquele que reflecte ao longo do eixo tropical. O diagrama abaixo demonstra isso.





As linhas verticais mostram os ‘signos que ouvem uns aos outros’, e inseri no diagrama as posições da Lua e de Marte do exemplo de Firmicus, com as suas antiscia (A) marcadas em azul, e as contra-antiscia (CA) marcadas em vermelho. Note como as contra-antiscia, enquanto opostas às antiscia, também caem directamente no relacionamento designado pela noção clássica de signos ‘audentia’.
 

Podemos ver novamente porque Nicholas de Vore e os subsequentes astrólogos modernos têm erroneamente definido as contra-antiscia como um relacionamento entre dois planetas “na mesma declinação no outro lado [ie., do equador]” – é porque esta definição se aplicará ao Sol e à posição na qual estará quando atingir a sua própria posição de contra-antiscion; mas isto apenas se aplica ao Sol. As contra-antiscia associam planetas a uma distância igual dos equinócios, como por exemplo, 15º de Peixes corresponderá a 15º de Carneiro. Em tais pontos o Sol tem tanta declinação sul do equador a um ponto, como tem ao norte do equador a outro. Isso traz a similaridade dos tempos de ascensão que Ptolomeu considera relevante. Mas esta definição não é válida para os planetas, os quais, naturalmente, podem permanecer nos pontos das contra-antiscia, enquanto estão em níveis variados de declinação ou latitude celestial.

Em astrologia tradicional, a conjunção por latitude celestial (a qual ocorre quando dois planetas estão no mesmo hemisfério e igualmente colocados a norte ou sul da eclíptica) é importante; mas não fazia parte da técnica de antiscia, e não deveria ser confundida com os modernos ‘paralelos de declinação’, que, ao contrário, são medidos a partir do equador. Para os antigos astrólogos, a direcção e latitude de um planeta era muito significativa, usada para revelar muito a respeito da força e fortaleza de um planeta. A melhor posição planetária é estar no hemisfério norte, ascendendo em latitude; a pior no sul, descendendo. Esta consideração é especialmente relevante para a Lua, que é mais afortunada quando está no norte, ascendendo, e ao mesmo tempo aumentando em luz.

O antiscion nos dá, ao invés, uma noção de ‘semelhança’ [17] baseada na similaridade do grau do Zodíaco, relacionando os tempos de ascensão e igualdade dos dias e noites. A contra-antiscia é baseada em um reflexo inverso porque os dias de um são reflectidos pelas noites do outro. Com o antiscion, um factor mais imediatamente equivalente está envolvido; com o contra-antiscion é um princípio oposto, assim o relacionamento é mais difícil, ou antipático. Estes princípios filosóficos concordam com as apreciações de William Lilly:

…e tal como há antiscia, as quais sendo de bons planetas consideramos iguais a sextis ou trígonos, também há contra-antiscia, as quais consideramos como sendo da natureza de uma quadratura ou oposição [18].

Lilly não deixou nenhuma evidência do uso de aspectos de ou para as antiscia. Ou seja, ele usa as antiscia onde elas caem directamente sobre um planeta ou cúspide de casa, mas não onde elas caem sobre o trígono ou quadratura de um planeta ou cúspide, como fez Firmicus. (Excepto a oposição, naturalmente, a qual revela o contra-antiscion).

A partir das referências que encontramos em Astrologia Cristã, podemos ver que ele exigiu uma correspondência exacta ou uma orbe [19] muito próxima e tomou os contactos das antiscia com planetas favoráveis como um apoio, mas contactos com planetas impedidos como destrutivos, com os contactos de contra-antiscia a serem julgados menos úteis. Por exemplo, a conjunção da Lua com o antiscion do Regente do Ascendente é um factor promissor em assuntos de vida ou morte [20], mas a conjunção do regente do ascendente com o antiscion do Regente da oitava casa favorece a morte [21], como faz a conjunção do Sol com o antiscion de um planeta maligno [22].



 

[1] Firmicus Maternus, Matheseos Libri VIII, (‘Eight Books of the Mathesis or Theory of Astrology’), 334 a.C., traduzido por Jean Rhys Bram, Noyes Press, 1975. Disponível numa versão actualizada com observações e notas adicionais por David McCann, da Ascella Publications, London.
[2] Matheseos, II. XXIX.II
[3] II. Praefatio.II: "Nosso Fronto, que publicou as regras para prognosticar pelas estrelas, seguiu a teoria das antiscia de Hipparchus".
[4] É descrito por Dorotheus em seu quarto livro, onde ele se refere a contactos planetários ‘através da revolução dos anos’, (o trânsito do Sol sobre os pontos do solstício traz a mudança das estações). Dorotheus de Sidon, Carmen Astrologicum, trad. David Pingree.
[5] Antiscia é plural; o singular é antiscion (grego) ou antiscium (latim).
[6] Manilius, Astronomica, Harvard Heinemann, (trad. G.P. Goold); Loeb Classical Library. Intro. p.XLVI; 2,466-519.
[7] Referências ao ponto vernal a 15º de Carneiro está preservada nos escritos de Achilles e Eudoxus. O ponto vernal cai próximo a 15º de Carneiro por volta de 800 a.C.; assim, é a partir deste período que podemos presumir que o Zodíaco (12 signos igualmente espaçados de 30°) começou a surgir como substituição para as constelações visíveis em medição astronómica. Os diários astronómicos babilónicos, datados da metade do século VI a.C., mostram que o Zodíaco estava a ser usado naquela época para o registo de informações astronómicas, apesar de as constelações ainda serem referidas, havia uma extensa sobreposição do uso dos signos zodiacais e das constelações visíveis antes do Zodíaco estar igualmente definido e firmemente estabelecido. Para uma análise dos vários pontos vernais veja Studies in the History of Mathematics and Physical Sciences, Vol. I, por O. Neugebauer; p.593 ff.
[8] Manilius, 2.425-435.
[9] Tetrabiblos, 1.15 (Loeb p.77)
[10] Nicholas de Vore, Encyclopedia of Astrology, (Philosophical Library, New York, 1947); pp.8-9.
[11] Matheseos, II,XXIX.6
[12] Matheseos, II.XXIX.9
[13] Firmicus Maternus, The Error of the Pagan Religions; traduzido e anotado por C.A. Forbes, (Newman Press, New York, 1970) intro. p.5.

Em 1894 Theodore Mommsen chamou a atenção que os factos históricos só se poderiam ter ajustado a Albinus, o que foi verificado por Otto Neugebauer que demonstrou que as informações astronómicas confirmavam este candidato, nascido em 14 de Março de 303 d.C. – por volta das 21h00, de acordo com os seus escritos, The horoscope of Ceionius Rufius Albinus, AJPh, 74 (1953) 418-420.
[14] Matheseos, II.XXIX.16.
[15] Tetrabiblos, I.14
[16] Paulus Alexandrinus, Introductory Matters, Séc.378 d.C.; traduzido por Robert Schmidt, (Golden Hind Press, Berkeley Springs, USA, 1993); p.18-22.
[17] Este é um termo usado por Palchus em referência ao grau do antiscion de um significador num antigo mapa horário datado de 478 – Greek Horoscopes, (American Phil. Soc., 1957); p.143.
[18] Christian Astrology, pp.91-92.
[19] “Pouco uso pôde ser feito das antiscia dos planetas nesta figura, porque nenhuma delas caiu exactamente na cúspide de qualquer casa importante, ou no grau exacto de qualquer planeta; observei apenas que o contra-antiscion de Saturno cai perto do grau de Júpiter; de onde eu julguei, …” (CA., p.186: O contra-antiscion de Saturno está dentro de 3° de Júpiter.)
[20] Ibid., p.255.
[21] Ibid., p.257.
[22] Ibid., p.258. Outras referências podem ser encontradas nas p.164; pp.186-187; p.263 e p.288.


Tradução da versão inglesa por,
Paulo Alexandre Silva, DMA
Roberta Ricciulli Leal




Texto  Deborah Houlding
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